Com gol no minuto final, Leão derrota Timbu e chega ao 8º lugar na Série B

Jeferson REMO X NAUTICO

Foi com raça e emoção. Em partida vibrante no final, o Remo venceu o Náutico por 1 a 0 e pulou para a sétima posição na classificação da Série B. O gol salvador foi marcado por Jefferson, escorando cobrança de escanteio de Felipe Gedoz. O jogo começou equilibrado, mas o Náutico leva perigo em bolas paradas, quase sempre chutadas pelo meia Jean Carlos. As investidas do time pernambucano se acentuaram entre os 14 e os 20 minutos. O Remo reagiu aos 36′ em chute de Raimar que levou muito perigo.

Nos instantes finais, Gedoz quase fez o gol após boa jogada de Raimar. Aos 44′, Tiago Ennes aproveitou rebote e mandou rasteiro à direita do gol do Timbu.

No segundo tempo, o Remo voltou mais agressivo, saindo com mais rapidez de seu campo e levou perigo em trama de Victor Andrade e Artur, aos 5 minutos. Aos 6′, resposta do Náutico, com Júnior Tavares chutou forte ao lado do gol de Thiago Coelho, que substituía ao goleiro Vinícius.

Remo x Náutico Série B

Aos 18′, Lucas Tocantins (que substituiu a Rafinha) disparou chute forte, mas a bola desviou em Breno Lorran. Aos 29′, Alex Alves sentiu lesão e foi substituído pelo reserva Jefferson. Aos 33′, Gedoz cruzou para Jefferson, que cabeceou em cima de Breno e a bola saiu muito perto do gol.

O Remo se instalou no campo de defesa do Náutico e, empurrado pela torcida, insistiu tanto que acabou chegando ao gol. Aos 51′, Gedoz cobrou escanteio no primeiro pau e Jefferson, de cabeça, desviou para as redes. Uma explosão da torcida dentro e fora do Baenão. Vitória importante porque coloca a equipe no G10 da Série B.

Torcida é a grande atração

POR GERSON NOGUEIRA

Torcida do Remo não poderá comparecer ao Baenão neste sábado, dia 21 — Foto: Fabio Lima/Olhar da Bancada

Remo e Náutico travam hoje um jogo importantíssimo para os planos de ambos na Série B. O Leão é o 12º colocado, com 33 pontos; o Timbu é o oitavo, com 35 pontos. Em caso de vitória azulina, o Remo sobe três posições na classificação e entra para o G10. Diante de todos esses aspectos, há um detalhe que diferencia essa partida em relação às anteriores: é a primeira com a presença do Fenômeno Azul.

Após 599 dias, a torcida se fará presente nas arquibancadas do Evandro Almeida. Ainda em tamanho reduzido, é verdade, mas já em quantidade suficiente para empurrar o time em busca de mais uma vitória. A última participação da galera em jogo do Remo foi contra o Independente Tucuruí, pelo Parazão 2020.

A autorização da Prefeitura de Belém é para 30% da capacidade do estádio. Com isso, cerca de quatro mil torcedores terão acesso ao estádio, a maioria pagando ingresso ao preço de R$ 140,00, valor projetado pela diretoria do Leão para evitar prejuízos, visto que as despesas com fiscalização e estrutura para cumprir o protocolo sanitário devem comprometer a receita auferida com a bilheteria.

O montante de ingressos – já excluída a parte destinada a gratuidades legais, promoção Jogo da Luz e sócios torcedores do Programa Nação Azul – soma pouco mais de 2 mil bilhetes à venda. Só poderão ter acesso à partida maiores de 18 anos em dia com as exigências do protocolo sanitário, como a carteira de vacinação (duas doses) e sem apresentar sintomas da doença.

Em campo, com a bola rolando, o Remo terá que fazer por onde merecer os aplausos da torcida. Pela campanha é justo que seja incentivado do começo ao fim. O último jogo, porém, deixou uma impressão ruim, pelo desleixo com que a equipe se comportou em Campinas.

A notícia de que Vinícius e Romércio são desfalques para hoje trouxe novo abalo. É fato que o Remo tem sofrido muitas perdas ao longo do campeonato, talvez seja até o time mais penalizado com lesões. Há também o entendimento de que a forma de disputa da Série B sacrifica os clubes, mas no caso azulino a situação já beira o limite máximo.

O retorno antecipado de Romércio lembrou o que ocorrido com Kevem e Tiago Ennes, também apressadamente reaproveitados na equipe. Nem mesmo o elogiado centro médico do clube, o Nasp, é capaz de dar conta de tantas baixas e retrabalhos, pois jogadores que não se recuperam plenamente acabam voltando a desfalcar o time. (Foto: Fabio Lima/Olhar da Bancada)

Andrade é arma do Leão e Náutico volta com o ex

Em função das perdas, Felipe Conceição terá que novamente mexer na estrutura da equipe, a começar pelo gol. Tiago Rodrigues substitui Vinícius, que disputou 40 dos 42 jogos do Remo na temporada. A defesa deve ter Jansen e Marlon e a lateral esquerda fica com Raimar.

Na frente, Victor Andrade retorna, o que é sempre sinal de arrancadas e situações agudas na área. A dúvida é sobre quem será o parceiro de ataque, se Felipe Gedoz ou Renan Gorne ou Lucas Tocantins.

O Náutico teve um começo auspicioso, mas foi caindo pelas tabelas e agora tenta se reerguer, trazendo de volta inclusive o técnico que havia sido demitido há um mês, Hélio dos Anjos.

Aliás, a trajetória é curiosa: demitido no dia 18 de agosto, Hélio acionou o clube na Justiça no dia 31 de agosto e, miraculosamente, foi recontratado ontem. O Brasil sempre a nos surpreender.

Dani Alves e o mistério da eterna juventude

Mesmo com passagem discretíssima pelo São Paulo, Daniel Alves desfruta de um aleijão bem característico do futebol brasileiro: a fé inabalável na longevidade de jogadores famosos. É como se o passado glorioso fosse garantia absoluta de êxito permanente. Vários veteranos estão retornando ao país, atraídos pela surpreendente bonança (nem sempre bem explicada) financeira de alguns clubes.

Nos últimos dias, desde que se desligou do S. Paulo, Dani é brindado com sondagens de vários clubes brasileiros e até de fora – o Boca Jrs. estaria no páreo. Especulou-se nos últimos dias o interesse de Flamengo, Atlético-MG e Atlético-PR, mas a bola da vez é o Fluminense, que corajosamente oficializou proposta para ter o lateral-direito de 38 anos.

O mesmo Fluminense que só nesta semana conseguiu enfim botar em dia três meses de salários atrasados com jogadores e funcionários.

Para quem se mostrava surpreso com a ousadia tricolor, eis que a diretoria estabeleceu esta sexta-feira como o Dia D para fechar o negócio. Espantosamente, pagar R$ 1 milhão de salários parece não ser problema, pois o clube aposta em parceiros para bancar o negócio – coisa que o S. Paulo, aliás, não conseguiu.

O destino de Daniel Alves será definido logo, até porque o prazo de inscrições no Brasileiro termina exatamente hoje. Como só disputou seis jogos pelo S. Paulo, ainda pode ser inscrito.

Apesar da oferta, o Fluminense ainda corre o risco de perder a corrida pelo campeoníssimo lateral para clubes mais endinheirados no prodigioso mercado paralelo que dita as regras por aqui. Flamengo e Atlético-MG podem atropelar na reta final.

Daniel, que foi o vovô-garoto da última Olimpíada, joga hoje muito mais em função do prestígio amealhado na belíssima trajetória. O talento com a bola nos pés ainda é visível, mas jogar sem correr não é mais possível. Só não é chamado de ex-jogador em atividade, como Felipe Melo, porque sua carreira impõe respeito.

Em resumo, negócio de altíssimo risco, principalmente para um clube de caixa baixa como é o Flu hoje. Vale dizer que o S. Paulo, que ficou com dívida estimada em R$ 24 milhões, festeja ter se livrado de um fardo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 24)