Juristas entregam relatório à CPI que lista mais de 10 tipos de crimes cometidos por Bolsonaro

Por Bela Megale, em O GLOBO

Jair Bolsonaro em solenidade do Dia Nacional do Voluntariado

O grupo de juristas que assessora a CPI da Covid entregou, nesta semana, à comissão o parecer técnico que aponta crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro e outras autoridades relacionados às ações e omissões no combate pandemia. O documento, elaborado por quatro renomados profissionais do Direito sob a coordenação do professor Miguel Reale Jr, tem 220 páginas deve ser usado no relatório final da investigação parlamentar elaborado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

O parecer dos juristas é dividido em cinco capítulos: Crime de Responsabilidade, Crimes contra a Saúde Pública, Crime contra a Paz Pública, Crimes contra a Administração Pública, Crimes contra a Humanidade e Conclusão. Além de Reale Jr., integram a equipe de juristas que elaborou o material a professora da USP Helena Regina Lobo da Costa, o professor da PUC-RS Alexandre Wunderlich e a ex-juíza do Tribunal Penal Internacional Sylvia Steiner.

No primeiro capítulo estão listados os atos realizados pelo governo federal, pelo presidente Bolsonaro, pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, entre outras autoridades, relativos ao incentivo da imunidade de rebanho e ao uso de medicamentos sem eficácia para combater a Covid, como a cloroquina. Nesta parte também está exposta a falta de interesse do governo Bolsonaro na compra das vacinas da Pfizer e do Instituto Butantan. O segundo capítulo aborda os crimes de charlatanismo e a infração de medidas sanitárias preventivas por parte dos agentes públicos. 

O escândalo envolvendo o contrato da vacina indiana Covaxin, que foi cancelado após suspeitas de irregularidades envolvendo as negociações entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, que intermediou a compra, integra o quarto capítulo. Neste caso, os juristas apontam os crimes de estelionato, advocacia administrativa e prevaricação cometidos por autoridades públicas. 

O caso da Davati, empresa que tentou intermediar a venda da vacina AstraZeneca ao governo brasileiro, também faz parte desse capítulo. Nele, os juristas apontam o crime de corrupção passiva. No capítulo final, sobre crimes contra a Humanidade, os juristas abordam a falta de assistência a povos indígenas na pandemia e e a crise de abastecimento de oxigênio em Manaus. 

Em entrevista à coluna dada em agosto, Miguel Reale Jr. afirmou que o parecer seria concentrado nos crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e pelo ex-secretário executivo da pasta Élcio Franco.

O senador Renan Calheiros afirmou que, na próxima semana, a última da CPI da Covid, a comissão deve fazer reuniões diárias com grupos de juristas como Miguel Reale Júnior, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, e o grupo Prerrogativas, com criminalistas como Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay.

Rankings internacionais de ensino superior destacam atuação da UFPA

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A Universidade Federal do Pará (UFPA) tem se destacado nos últimos anos em rankings internacionais que avaliam a qualidade do ensino superior e o impacto social das universidades. Neste início do mês de setembro, os resultados de dois rankings apresentaram a UFPA entre as principais instituições brasileiras de ensino superior no cenário mundial: o World University Ranking 2022, da Revista Times Higher Education (THE), e o QS Latin America University Rankings 2022.

No THE World University Ranking 2022, a UFPA performou na posição 1201+, nova categoria criada este ano (até o ranking 2021, divulgado em 2020, as posições eram classificadas até 1001+), entre mais de 1.600 instituições de 99 países e territórios. Em 2021, a UFPA ficou entre as 1001+, entre mais de 1.500 instituições de 93 países. 

Os indicadores de desempenho desse ranking estão agrupados em cinco áreas: ensino (o ambiente de aprendizagem); pesquisa (volume, receita e reputação); citações (influência da pesquisa); panorama internacional (funcionários, alunos e pesquisa) e receita da indústria (transferência de conhecimento).

A maior pontuação da UFPA em 2022 foi na área de transferência de conhecimento, indicador que tem crescido em pontuação ao longo dos anos, assim como o indicador de citações e ensino. A UFPA manteve um bom índice ainda na área de pesquisa e no panorama internacional.

A participação de universidades brasileiras e estrangeiras tem aumentado a cada ano. Em quatro anos, a quantidade de instituições brasileiras participantes passou de 36 (em 2019) para 70 no ranking 2022. Estas divididas e incluídas nas seguintes posições em 2022: 201–250 (USP), 401-500 (Unicamp), 601-800 (UFMG, UFRGS e UFS), 801-1000 (UFSC, Unifesp, Unifor, PUC-Rio e PUC-RS), 1001-1200 (UnB, Unesp, UFABC, UFPEL, UFRJ, UFSCar e PUC-PR), 1201+ (UFPA e outras 41 IES) e sem pontuação (11 IES).

Entre as latino-americanas – Já no QS Latin America University Rankings 2022, a UFPA está na 127ª posição geral, de um total de 418 instituições brasileiras e latino-americanas participantes. Universidades do Brasil, do México e da Colômbia representam o maior número de instituições ranqueadas. Na edição anterior, em 2021, participaram do ranking 410 universidades, e a UFPA ficou na 131a posição.

A metodologia do ranking usa os seguintes critérios: impacto da pesquisa, compromisso docente, empregabilidade, impacto na Web e internacionalização. A lista leva em conta os indicadores de reputação acadêmica (com peso de 30% na nota), reputação junto ao empregador (peso de 20%), proporção de professores para alunos (peso de 10%), qualidade de formação do corpo docente (peso de 10%) e rede internacional de pesquisa (peso de 10%).

Os indicadores mais bem pontuados da UFPA são com relação ao quadro profissional qualificado e à rede internacional de pesquisa. Em seguida, estão os indicadores de impacto na Web, papel do corpo docente e alunos de graduação. 

Se consideradas apenas as universidades brasileiras, a UFPA está na 27ª posição do ranking, sendo a mais bem avaliada da Região Norte, seguida da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), classificada entre as 161ª-170ª posições, e a Universidade do Estado do Pará (UEPA), que está entre as posições 351ª-400ª.

Para conferir os rankings, acesse:

World University Ranking 2022

QS Latin America University Rankings 2022

Brasil perde espaço e tem menor presença na Champions desde 2016

Thiago Silva foi campeão da Champions com o Chelsea na temporada passada - Craig Mercer/MB Media/Getty Images

A Liga dos Campeões da Europa da chegada de Lionel Messi ao Paris Saint-Germain e do retorno de Cristiano Ronaldo ao Manchester United é também a que deixou o futebol brasileiro em segundo plano. A fase de grupos do mais estrelado, badalado e esperado torneio interclubes do planeta começa hoje (14) com a menor participação de representantes do país pentacampeão mundial em cinco anos.

São “apenas” 65 jogadores brasileiros na lista de inscritos da Champions 2021/2022, o menor valor desde 2016/2017, quando 48 atletas do país correram atrás do troféu continental, e exatamente o mesmo número de duas temporadas atrás. Na comparação com o ano passado, houve uma redução de seis jogadores aptos a serem convocados por Tite para a seleção canarinho nos relacionados para disputar a fase principal da competição europeia.

A lista de brasileiros inscritos na Champions não engloba aqueles atletas que nasceram no país ou que são filhos de pais tupiniquins, mas que optaram por defender outras seleções. Na atual temporada, há sete jogadores nessa situação. Um deles, o volante catarinense Jorginho, que veste a camisa da Itália e recentemente venceu a Eurocopa, foi o cara do Chelsea na conquista da última edição da Liga dos Campeões e acabou eleito o jogador do ano pela Uefa.

Só que alguns clubes optaram por não inscrever na fase de grupos todos os atletas do país existentes nos seus elencos. O Paris Saint-Germain, por exemplo, deixou fora da sua relação o meio-campista Rafinha. Já a Juventus optou por não contar com o atacante Kaio Jorge, recém-contratado do Santos.

Dos 32 clubes participantes do torneio, 25 contam com pelo menos um atleta do Brasil. As exceções são Atalanta (que tem Rafael Tolói, nascido no Brasil, mas hoje italiano), Bayern de Munique, Inter de Milão, Malmö, RB Leipzig, Villarreal e Young Boys. (Com informações do UOL)

Vexame na conta do técnico

POR GERSON NOGUEIRA

Ferroviário-CE goleia o Paysandu por 5 a 1, no estádio da Cidade Vozão

Goleada é acontecimento raro na Série C. Os times se fecham, marcam muito e raramente permitem placares mais dilatados. A maior do grupo A tinha sido Volta Redonda 5 x 0 Manaus na 2ª rodada. Quis o destino que a segunda vitimasse o PSC, ontem, no CT do Vozão, na região metropolitana de Fortaleza.

Pela correlação de forças e nível técnico, não era para tanto, mas o jogo expôs uma diferença de atitudes que justificam o placar elástico. O Ferroviário entrou como se fosse uma final de Copa do Mundo, para matar ou morrer. O PSC parecia estar a passeio. O resultado desastroso espelhou a movimentação em campo.

O empenho do Ferrão na busca pelo gol deu resultado logo cedo. Aos 6 minutos, Mauri mandou um tiro forte no canto direito de Victor Souza aproveitando corte errado de Vítor Salinas. O bombardeio não parava. Aos 8’ e aos 9’, dois ataques perigosos quase terminaram no barbante.

A zaga do PSC era um pandemônio. Ninguém se entendia, nem por cima, nem por baixo. Denilson e Salinas estavam perdidos e pela esquerda da zaga Diego Matos, sem proteção, era ultrapassado a todo momento. O meio-campo não existia, nem para defender e muito menos para criar.

Aos 11 minutos, o segundo gol. Emerson Souza lançou Edson Cariús na área. Ele protegeu a bola, Salinas não conseguiu interceptar e o chute saiu rasteiro, com endereço certo. O PSC só conseguiu sair de seu campo aos 14’, quando Rildo avançou pela esquerda, sem concluir a jogada.

O Ferroviário reduziu a intensidade e com isso o PSC finalmente respirou. Entre os 25 e os 35 minutos, ensaiou uma discreta pressão, ameaçou com uma bola desviada por Leandro Silva e um chute rasteiro de Ruy.

Antes de terminar a primeira etapa, o Ferrão foi lá de novo e anotou o terceiro gol. Um cruzamento da direita e Mauri se antecipou para testar em direção às redes. Os zagueiros ficaram olhando o lance acontecer.

Para o 2º tempo, o técnico Roberto Fonseca lançou Danrlei e Luan Santos no lugar de Tiago Santos e João Paulo. Uma tímida tentativa de corrigir a confusa escalação inicial. Não mexeu, porém, na caótica defesa. Logo aos 8 minutos, Ruy descontou cobrando pênalti cavado por Leandro Silva.

O PSC esboçou uma tentativa de reação, mas ficou só na vontade. Aos 22 minutos, o ex-azulino Dioguinho botou a bola na área para cabeceio mortal de Vitão, configurando a goleada. Depois de dois bons ataques com Diego Matos e Luan, o time bicolor se entregou de vez.

Sem pressa, o Ferroviário passou a administrar o tempo. No minuto final, Dioguinho construiu a jogada para Aperibé fechar a goleada. Poucas vezes nesta Série C se viu um abismo tão gritante entre duas equipes. O PSC não parecia atento à importância do jogo. O Ferrão, ao contrário, jogou bem e poderia ter vencido por placar até mais amplo.

Os bicolores erraram muito, aceitaram passivamente o domínio do Ferroviário, mas a responsabilidade maior cabe ao técnico, que inventou uma formação estranha. João Paulo, sumido há tempos, foi escalado. Perema ficou no banco. Danrlei, Fazendinha e Ratinho custaram a entrar.

Leão anuncia nomes para compor meio e ataque

Duas contratações necessárias e pontuais foram anunciadas pelo Remo nos últimos dias para fortalecer o elenco no returno da Série B. Na semana passada, o centroavante Neto Pessoa, ex-Botafogo de S. Paulo e Ipiranga, chegou e foi apresentado. Iniciou treinamentos e já está em condições de estrear diante do Avaí na quinta-feira.

Ontem, a diretoria divulgou a contratação do meia-armador Neto Moura, de 25 anos, que vinha jogando pelo Mirassol na Série C. É uma boa opção para compor o meio-de-campo, podendo revezar com Felipe Gedoz, Rafinha, Erick Flores e Mateus Oliveira.

O mais importante é que Moura vinha atuando como titular da equipe do Mirassol, com 27 partidas na temporada. Alagoano de nascimento, ele despontou no Sport-PE em 2014 e ficou até 2017.

Com os dois Netos, Felipe Conceição pode alcançar a regularidade que tanto persegue, mas que tem sido sabotada pelas muitas lesões e suspensões no time. Além da chegada da dupla, alguns jogadores podem reaparecer depois de longa ausência. Romércio e Erick Flores já estão na transição e têm chances de serem relacionados para quinta-feira.

Ao mesmo tempo, a zaga ganha a opção de Edu, cedido por empréstimo pelo Atlético-PR junto com o lateral-esquerdo Raimar, grata surpresa no jogo diante do Vitória.

Enderson, o responsável pela ascensão botafoguense

O prodigioso trabalho de Enderson Moreira tirou o Botafogo da zona cinzenta da Série B para brigar diretamente pelo acesso, como bem cabe a um clube campeão brasileiro e dono de tantas tradições. Com o novo técnico, que sucedeu a Marcelo Chamusca, foram nove vitórias em 11 partidas. 

Na terceira colocação, com 41 pontos, o Botafogo embalou e recuperou a expectativa de voltar à Primeira Divisão. O crescimento do time na competição é atestado pelos apontamentos do matemático Tristão Garcia. Segundo ele, as chances de acesso aumentaram de 63% para 74%.

Uma prova da vertiginosa reação botafoguense é que em agosto o time de Chay reunia apenas 26,5% de possibilidades de subir. Hoje, o Fogão fica atrás somente do líder Coritiba (92% de chances) e do vice-líder Goiás (79%). Avaí (31%) e Guarani (25%) vêm mais atrás.

Outro gigante do futebol brasileiro, o Vasco trocou Lisca Doido por Fernando Diniz, mas está no bloco intermediário, com apenas 4% de chances de acesso. O Cruzeiro está pior ainda, com 1% de chances de subir.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 14)