Empate do Manaus classifica Papão à próxima fase da Série C

O empate entre Manaus e Ferroviário, neste domingo à tarde, na capital amazonense, garantiu a classificação antecipada do PSC à segunda fase da Série C do Campeonato Brasileiro. A partida terminou 1 a 1, deixando o time paraense isolado na liderança do Grupo A, com 27 pontos.

No primeiro tempo, o Manaus abriu o placar com o meia Daniel Costa. Nos acréscimos, Gabriel Silva empatou para o Ferroviário. O resultado favorece as coisas para o Papão porque tem maior número de vitórias, primeiro critério de desempate, em relação ao Ferrão, que manteve chances matemáticas de classificar.

Dois jogos complementam a rodada: Tombense-MG x Santa Cruz-PE e Botafogo-PB x Jacuipense-BA. O Papão volta a campo para enfrentar o Manaus, na Curuzu, quando ficará definida a classificação final dos times no grupo.

Com melhor campanha da Série D, Castanhal perde para o Moto e está eliminado

Foi emocionante, como se previa. O Castanhal precisava de uma vitória por três gols de diferença, mas foi o Moto Club que saiu com a vitória. Fez 2 a 1 na tarde deste domingo, no estádio Maximino Porpino, e garantiu classificação às oitavas de final da Série D do Brasileiro. Os gols da partida foram marcados por Vander e Felipe Cruz para o Papão do Norte, enquanto que Guilherme descontou para o Japiim. Todos os gols saíram no segundo tempo.

No confronto de ida, no Maranhão, o time maranhense havia garantido a vantagem de 2 a 0. Com a melhor campanha na fase inicial da competição, o Castanhal entrou em campo neste domingo disposto a reverter o resultado, mas quem começou melhor foi o Moto. Logo no início, Abu fez uma jogada em velocidade pela esquerda, cruzou rasteiro à área e ninguém apareceu para finalizar.

Em seguida, o Castanhal pressionou a zaga motense e reclamoude uma penalidade em Leandro Cearense, mas o árbitro mandou o lance seguir. O Japiim abusava dos levantamentos à área, porém parava no bom posicionamento defensivo do adversário. Aos 38 minutos, nova investida do visitante: Ted Love deu passe açucarado a Vander, que disparou forte em direção ao gol, mas o goleiro Axel defendeu bem.

Nem bem começou a etapa final, o Moto chegou ao gol. Vander recebeu passe precioso e mandou para as redes, aos 2 minutos. A situação piorou de vez para o Japiim aos 10′. Samuel cometeu pênalti em Felipe Cruz. Ted Love cobrou na trave, mas na volta o próprio Cruz marcou o gol: 2 a 0.

A partir daí, o Moto procurou administrar a partida, satisfeito com o placar agregado de 4 a 0. No desespero, o Castanhal diminuiu aos 19′, em uma cobrança de escanteio que Guilherme finalizou de cabeça. Depois disso, o Japiim partiu para o abafa, mas esbarrava na afobação e na falta de qualidade para romper a barreira de marcação do Moto. Placar final: Moto 2 (2) x 1 Castanhal.

Sem bússola

Por Dorrit Harazim

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Estão fazendo tempestade em copo d’água, avaliou na sexta-feira o hemodinamicista Marcelo Queiroga, com a nonchalance recém-aprendida de simular segurança. Quarto titular da pasta da Saúde de Jair Bolsonaro, Queiroga é o mais recente equilibrista/prestidigitador com a saúde dos outros. Referia-se à grita nacional gerada pela abrupta suspensão de vacinas para adolescentes, anunciada 24 horas antes. A medida também abortava o próprio calendário oficial de imunizar jovens de 12 a 17 anos a partir da quinta-feira, empurrando os brasileiros para novo patamar de desinformação bolsonarista. Todos ao mar, sem bússola.

O jornalismo fez o que pôde para aquietar a população quanto à confiabilidade da vacina Pfizer — única autorizada para essa faixa etária — e convocou às pressas as vozes da ciência mais serenas e seguras para que se pronunciassem. Margareth Dalcolmo e Drauzio Varella, entre tantos outros, atuaram como dique para o desassossego em erupção. Coube ao médico sanitarista Gonzalo Vecina, a bordo do seu par de suspensórios e barba de Papai Noel, ser mais tonitruante. Por ter sido fundador e presidente da Anvisa, além de coidealizador do Sistema Único de Saúde (SUS) na década anterior, não lhe faltava conhecimento das entranhas e necessidades da saúde pública no Brasil. Ele rugiu.

“É um desastre, perdemos os rumos no Ministério da Saúde. Nada se faz sem inteligência, nada”, explicou em entrevista ao Estúdio I da GloboNews, alertando sobre a implosão de inteligência imposta ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) na era bolsonarista. Apesar de criado em 1973, quando a ditadura militar foi soberana para matar e fazer desaparecer opositores, o PNI sempre teve à mão um conselho que reunia dezenas de médicos do vasto Brasil. O grupo se reunia periodicamente e tomava as decisões mais relevantes — que vacinas aplicar, como e quando aplicar. “Essa inteligência respeitada foi jogada no lixo quando Bolsonaro extinguiu o grupo”, diz Vecina. (Vale acrescentar que, nesta semana, outro órgão, desta vez subordinado ao Ministério da Educação, também fez tábula rasa de sua inteligência técnica. A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Capes, Cláudia Queda de Toledo, no cargo há cinco meses, destituiu os 20 integrantes do colegiado que avalia os quase 5 mil programas de pós-graduação do país. Serão substituídos por 18 outros, que talvez venham a exercer o poder de revogação de decisões anteriores.)

O diagnóstico do sanitarista Vecina sobre a atuação de Queiroga à frente do ministério e do combate à Covid-19 foi transparente: “Um profissional de sala de hemodinâmica que pode até ser competente nessa área, mas de saúde pública não entende nada. O que ele quer mesmo é continuar a ser ministro”. Sua subserviente participação na live semanal de quinta-feira, ao lado de Bolsonaro, confirma o diagnóstico: Queiroga virou claque. Aprendeu a rir em sincronia com os espasmos do “mito”, achou graça até em piada sobre função erétil. O país, à mesma hora, tentava sobreviver. E não se desesperar.

Em junho deste ano, a jornalista Chloé Pinheiro publicou na plataforma Medium Brasil um denso relato sobre uma vítima despreocupada e negacionista, em harmonia com seu círculo familiar bolsonarista. Nas três vezes em que recorrera a um pronto-socorro Prevent Senior em 2020, por ter contraído Covid-19 da filha, foi dispensada. Mas nunca saiu de mãos vazias — sempre segurando a mesma receita de oito medicamentos do “kit Covid”. Na quarta vez, com a saturação de oxigênio beirando os 89%, acabou sendo internada e entubada. Morreu pouco depois.

À época da reportagem, o convênio dirigido ao atendimento de idosos contava com 485 mil mutuários, a um custo médio de R$ 800 mensais, e afirmava ter tratado 12 mil com hidroxicloroquina, com 100% de sucesso. A reportagem já apontava para a obrigatoriedade dos médicos do grupo de prescrever o “kit Covid”, com plena anuência do Conselho Federal de Medicina, da Agência Nacional de Saúde Suplementar e demais autoridades. “A empresa encerrou 2020 com um lucro de R$ 495 milhões. Mil reais para cada vida no bolso dos sócios”, escreveu a jornalista. E acrescentou que foi somente em abril deste ano, depois de 12 meses de experimentação da Prevent Senior com seus usuários, que o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar o grupo. Inquérito apenas civil.

Hoje o Brasil se aproxima de 600 mil vítimas fatais da Covid-19. O número de brasileiros idosos que firmaram contratos com a Prevent Senior também já pode estar beirando os 600 mil, a um lucro anual equivalente. Nesta semana, graças a um dossiê/denúncia elaborado por médicos e ex-médicos do próprio grupo, encaminhado à CPI da Covid e divulgado em primeira mão pelo repórter Guilherme Balza, a real criminalidade dos experimentos da Prevent Senior com suas cobaias crédulas e pagantes veio à tona. O quadro é de horror lesa-humanidade, apontando para Brasília — e não se faz uso fácil do termo neste espaço.

Por ora, a resistência do SUS e a determinação da maioria dos integrantes da CPI em honrar nossos mortos são raros motivos de esperança nacional. Não é preciso ter lido Voltaire para repetir quantas vezes for necessário — toda pessoa que consegue convencer a acreditar em absurdos é capaz de fazer cometer atrocidades.