“Patriotismo” dos Bolsonaro é tão falso quanto seu “conservadorismo”

Por Felipe Moura Brasil, no UOL

O filósofo conservador britânico Roger Scruton explicava a importância da questão territorial para a ideia de pátria e como essa base comum é capaz de unir povos marcados internamente por diferenças religiosas, tribais e familiares. Para Scruton, a lealdade nacional “coloca diante dos olhos do cidadão, como o foco de seu sentimento patriótico, não uma pessoa ou um grupo, mas um país”, “definido por um território, e pela história, pela cultura e pelas leis que tornaram esse território nosso”.

Como exemplo de fracasso, ele citava a Somália, que “nunca desenvolveu o tipo de soberania secular, territorial e legal que torna possível a um país se moldar como um Estado-nação, em vez de um agrupamento de tribos e famílias concorrentes”. “O mesmo é verdade para muitos outros países nos quais o Islã é a fé dominante”, prosseguia o filósofo. “Mesmo que esses países funcionem como Estados, como o Paquistão, eles frequentemente fracassam como nações. Eles parecem não gerar o tipo de lealdade territorial que permitiria a pessoas de diferentes religiões, diferentes redes de parentesco, diferentes tribos viverem pacificamente lado a lado e também lutarem lado a lado em nome de sua pátria do que a unir forças para protegê-la”.

Jair Bolsonaro, que nunca leu Scruton, é mais propenso a transformar o Brasil em uma Somália ou um Paquistão, incitando sua tribo de reacionários aloprados a lutar contra o STF, o TSE e o Congresso para que a posse da pátria fique com a família dele, como o salário dos funcionários fantasmas de seus gabinetes. Em sua live semanal, o presidente promoveu como “demonstração gigante de patriotismo” a manifestação pró-governo do feriado e defendeu a participação de policiais militares (vedada pelo parágrafo 3º do artigo 8º do regimento disciplinar da PM), fazendo-se de sonso sobre o cunho político do ato: “Sete de setembro é um ato da Independência, todo mundo sai na rua”.

Ao entregar no Senado o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes – relator do inquérito legitimado por Bolsonaro e seus apaniguados na AGU e na PGR -, o presidente já havia dito a bolsonaristas que “eu só posso fazer uma coisa se vocês assim o desejarem” e, no dia seguinte à live, ele deu um ultimato a Moraes e Luís Roberto Barroso em nome do “povo” brasileiro (embora a maioria rejeite seu governo, segundo as pesquisas): “Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando da força do poder, queiram dar outro rumo ao nosso país. Essas uma ou duas pessoas precisam entender o seu lugar. O recado de vocês nas ruas, na próxima terça-feira, será um ultimato para essas duas pessoas… Quem dá esse ultimato não sou eu, é o povo”.

D. Pedro foi aconselhado pela esposa, Maria Leopoldina, a declarar a Independência do Brasil após um novo decreto com exigências portuguesas chegar ao Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1822. De viagem a São Paulo, ele recebeu a carta da princesa em 7 de setembro e logo seguiu seu conselho, às margens do Riacho Ipiranga, encerrando os 322 anos de domínio colonial exercido por Portugal. Para demonstrar força, Dom Bolsonaro del Centrão tenta mobilizar uma multidão de Marias Leopoldina, incitando cavaleiros andantes da segunda realidade a autorizar nas ruas sua aclamação como Imperador, como ele autorizou os filhos a imperar sobre as “rachadinhas” após ser traído pela então esposa e operadora do esquema Ana Cristina Valle, segundo o ex-empregado Marcelo.

O pai do denunciado Flávio e do investigado Carlos investe na colisão entre a ‘dreampolitik’ e a ‘realpolitik’, operando para que as narrativas do mundo dos sonhos bolsonaristas – onde “liberdades” englobam crimes de ameaça e incitação a crimes – forcem nova crise no mundo real, capaz de amedrontar seus “inimigos” ou justificar uma ruptura que lhe dê ainda mais poder de blindagem contra o avanço de investigações do STF, do TSE, da CPI da Pandemia e do MP do Rio, além do derretimento eleitoral.

Dom Bolsonaro conta com seus reacionários aloprados, que, assim como a esquerda revolucionária provocava policiais em protestos para posar de vítima das reações, ameaçam ministros e incitam invasões de prédios institucionais com o mesmo fim. A sorte da democracia é que a competência do presidente para planejar e executar um golpe de Estado tende a ser tão ínfima quanto para debelar as crises sanitária, ambiental, energética, orçamentária e inflacionária, que dirá a da moralidade pública.

Edmund Burke, o pai do conservadorismo, ensinou em carta de 1791 que a verdadeira liberdade está conectada ao caráter pessoal: “Homens são qualificados para a liberdade civil na proporção exata da sua disposição a colocar as correntes morais sobre seus próprios apetites – em proporção ao seu amor pela Justiça estar acima de sua rapacidade; em proporção à sua sobriedade de entender estar acima de sua vaidade e presunção; em proporção à disposição de ouvir os conselhos dos sábios e bons em detrimento da adulação dos canalhas. A sociedade não pode existir a menos que o apetite e a vontade de um poder controlador seja dominado; e quanto menos disso tiver em seu âmago, mais livre será. Está escrito na constituição eterna das coisas que os homens de mente intemperada não podem ser livres. Suas paixões forjam suas penas.”

Dom Bolsonaro, que nunca leu Burke, é uma mente intemperada prisioneira de seus apetites, de sua rapacidade, de sua vaidade e presunção, da vontade de um poder controlador e da adulação em seu entorno. Seu patriotismo é tão falso quanto seu conservadorismo, porque o foco de seu sentimento alegadamente patriótico não é o país, mas sua pessoa e seu grupo, definidos por um território virtual e estatal sem correntes morais, onde ninguém aceita a aplicação das leis da primeira realidade, nem a perda de boquinhas, rachadinhas e foro privilegiado. O 7 de setembro bolsonarista é o dia da dependência dessa fantasia política.

A lealdade nacional se manifesta no dia 12, cobrando a pena do impeachment pelos efeitos deletérios de paixões tão vagabundas.

Quem tange a boiada?

Por Iran Souza

Quem for à rua no 7 de setembro fantasiado de verde e amarelo não estará atendendo necessariamente a um chamado de Jair Bolsonaro. Diz-se que quem toca o berrante pra tanger a boiada bolsonarista é, de fato, Steve Bannon, o marqueteiro de Donald Trump, extremista de direita e conspirador notório.

Só pra lembrar, ele foi preso no ano passado por fraude e lavagem de dinheiro nos EUA. Conclusão: é triste ver as pessoas virando massa de manobra na mão de agitadores fascistas. É triste viver num país onde um miliciano delinquente achincalha a democracia que o fez presidente.

Série C: Papão vence Santa Cruz e melhora posição no grupo A

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Com atuação destacada do meia Ruy no segundo tempo, o PSC derrotou o Santa Cruz por 1 a 0 e voltou ao G4 do grupo A da Série, alcançando o líder Manaus, com 24 pontos. Por critério de desempate, o Papão é o segundo colocado. O jogo desta noite valeu pela 15ª rodada do campeonato. Depois de um primeiro tempo morno, os times partiram em busca do gol na etapa final.

Logo a 1 minuto, Ruy cruzou para a área do Santa. Robinho e Marino se atrapalharam e desperdiçaram excelente chance. Depois, aos 9′, Pipico tocou de cabeça para as redes bicolores, mas o lance foi invalidado por impedimento. O único gol do jogo veio aos 13′, em grande jogada de Ruy. Ele driblou dois marcadores e lançou Leandro Silva, que cruzou para o cabeceio certeiro do volante Marino.

O PSC se iguala ao líder do Grupo A, Manaus-AM,  com 24 pontos, porém, fica atrás por conta do número de vitórias (6 a 7). O Santa Cruz segue na lanterna (10°) com 11 pontos sem se aproximar do oitavo colocado Floresta-CE, que tem 16 pontos.

Anvisa interrompe jogo Brasil x Argentina para cumprimento de protocolo sanitário

Devido à violação de protocolos sanitários por parte de quatro jogadores da Argentina, o jogo entre Brasil e os hermanos, na Arena Corinthians, foi interrompido ainda nos primeiros minutos do 1º tempo e os comandados de Leonel Scaloni não retornarão a campo. Após mais de 40 minutos de paralisação, os jogadores da Argentina se trancaram no vestiário e, com a chegada da Polícia Federal à arena, deixarão o estádio.

Ainda não se sabe se a partida será remarcada ou se o Brasil ficará com os pontos devido à quebra de regra por parte dos argentinos. Os jogadores da Seleção Brasileira permaneceram no gramado fazendo trabalhos leves com bola.

O goleiro Emiliano Martinez, os meia Emiliano Buendia e Giovani Lo Celso e o zagueiro Cristian Romero estariam violando as regras sanitárias do país por não terem cumprido a quarentena obrigatória após não comunicarem às autoridades que estiveram no Reino Unido nos últimos 14 dias.

Com isso, agentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recomendou a deportação do quarteto, tentaram entrar em campo. O clima de confusão impediu a continuidade do jogo, que foi paralisado pelo árbitro.

“Comungo completamente dessa sensação completamente complicada. Esses jogadores são 4 jogadores ao chegarem em território nacional apresentam documento e esse documento estava consignado que eles não passaram por 4 países”, afirmou, em entrevista ao vivo para a Rede Globo, Antônio Barra Torres, Diretor-presidente da Anvisa.

Torres ainda explicou que, após contatada a presença dos jogadores argentinos no Reino Unido, país que se encontra em zona restrita, junto de África do Sul e Índia, a Anvisa recomendou a quarentena e deportação dos jogadores.

A Polícia Federal chegou a comparecer à concentração argentina, mas não obteve sucesso em buscar os atletas. A Associação de Futebol Argentino, inclusive, teria trancado o vestiário para impedir a entrada de agentes da Anvisa e da Polícia Federal.

Jair, o corno tradicional e conservador

Por Ricardo Nêggo Tom (*)

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O chifre é um dos símbolos da família tradicional brasileira. Uma marca que muitos conservadores imprimem na testa de seus “conjes” e ostentam com orgulho quase cívico na própria. Não existe um patriota que não tenha sido corno, pelo menos uma vez na vida. É o caso de Jair, o polêmico síndico de um prédio em Brasília, que durante uma reunião de condomínio sugeriu que os moradores deixassem de comprar feijão e comprasses um fuzil para se defenderem dos constantes assaltos que ocorriam nas redondezas. Cristão, conservador, casado e pai de cinco filhos – pelo menos, até hoje; que um exame de DNA conteste as paternidades por ele assumidas – ele é um típico exemplo de corno bem-sucedido e respeitado entre os seus pares. Todos cornos, é claro.

O anedotário popular constituiu uma espécie de tipificação da cornice, na qual os nossos queridos chifrudos são classificados de maneira injustamente jocosa. Pura maldade. Afinal, como diria João Gilberto, no peito dos cornos também bate um coração. Já ouvimos falar em corno manso, que é aquele que pega a parceira com outro e só balança a cabeça. O corno Brahma, aquele que pensa que é o número 1. O corno 7 de setembro, que é aquele que a mulher vive dando bandeira. Tem também o corno patriota, aquele que coloca o chifre acima de tudo e a mulher em cima de todos. Entre outr as dezenas de definições. Jair é o que podemos chamar de corno coquetel, pois ele é uma mistura de todas as classificações existentes para definir o cornifício alheio.

Ele tem um pouco de cada um. É um corno versátil, mas hétero, como gosta de deixar bem claro. Conhecido como o síndico motoqueiro, por causa dos eventos de motociata que costuma organizar pelo país afora, onde reúne milhares de cornos que deixam suas mulheres em casa na companhia de algum Ricardo (Que não é o Nêggo Tom, que fique bem claro, para que não tenha problemas.), para exibirem seus chifres em alta velocidade pelas estradas das grandes cidades, Jair começou a espalhar por aí que entrou para o Guiness Book, ao reunir mais de um milhão de moto-cornos no mesmo evento. Ele sempre gostou de contar vantage m. Principalmente, quando era contrariado. Uma vez, disse que usava o dinheiro das taxas de condomínio para “comer gente”, quando, na verdade, ele fazia rachadinhas com os profissionais que prestavam serviço no prédio. Isso quase deu um rolo para ele.

Certa vez, Jair estava no boteco e um Bombeiro adentrou o recinto. O porte físico atlético do militar chamou a atenção de sua mulher, que não conseguia disfarçar a comichão que o sujeito lhe causava entre as pernas. Aliás, outra coisa da qual Jair costumava se gabar, era do seu perfil de atleta. Ele costumava dizer que não pegava nenhuma doença, porque tinha uma saúde de ferro. Na verdade, o seu chifre era de ferro. Resistente, inquebrável, imbrochável, incomível, inoxidável. Voltando ao Bombeiro, ao perceber que sua mulher estava inquieta na presença do rapaz, Jair começou a co& ccedil;ar a cabeça. Era um tique nervoso que o acometia sempre que ficava nervoso e sabia que teria problemas.

Quando se se via ameaçado por alguma presença masculina mais imponente do que a sua, Jair tentava se impor e começava a falar grosso. Do nada gritava coisas sem sentido como: “quem manda aqui sou eu” e “minha especialidade é matar”, tentando intimidar aqueles que tentassem colocar alguma coisa na sua cabeça. Outra tática que ele costumava usar, era a de questionar a masculinidade de quem fazia a sua cabeça coçar. “Esse gosta de queimar a rosca. Olha a cara de homossexual dele. “, dizia ele, arrancando gargalhadas dos amigos. Todos cornos, é claro. Porém, naquele fatídico dia, Jair sent iria o golpe mais cruel de sua vida. A sua condição de corno se tornaria pública para ele. Sim, porque todos do prédio, assim como toda a vizinhança, já sabiam do par de chifres que ele levava.

Mas agora era diferente. Ele se tornaria um corno impresso e auditável. Todos receberiam um comprovante da sua condição. Não haveria mais dúvidas de que tudo que saia de sua cabeça, era consequência dos chifres que ele sempre levou a vida inteira. Sua mulher não resistiu à mangueira do Bombeiro apagador de incêndios e despertou a ira de Jair. Vingativo, ligou para o zelador do condomínio, conhecido como o negão do Jair, e arquitetou uma vingança. Resolvera trair aquela vagabunda, como ele costumava chamar a todas as mulheres, com o seu fiel e silencioso assistente. Gritos e gemidos eram ouvidos vindos da casa do zelador, o que chamou a atenção dos moradores.

Ao perceber que havia se excedido na vingança, e, que, além de corno, agora também saberiam que ele era “veado”, como ele costumava chamar os homossexuais, Jair deve uma ideia amoral e abjeta. Simulou estar sendo esfaqueado por um ladrão que tinha invadido a residência do seu assistente zelador, e começou a gritar por socorro. O seu negão, digo, o seu zelador, imediatamente incorporou a farsa e ligou para a polícia. Em minutos o prédio estava cercado por forças policias. Os moradores se compadeceram e aplaudiram o gesto de Jair em tentar livrar o zelador das mãos do suposto bandido. Alguns o chamavam de her&oa cute;i, outros de “o salvador do prédio” Os mais empolgados, todos cornos, é claro, o chamaram de “mito”, e este grito eclodiu em todos os cantos onde haviam cornos patriotas e conservadores.

Após a suposta facada, Jair virou uma espécie de deus dos cornos. Um messias que traria alívio para dor que o chifre lhes causava. Separou-se daquela mulher que o corneava, e logo arrumou outra mais nova e mais bonita. Faz parte da tradição dos cornos patriotas e conservadores, trocar a esposa que ficou velha e passou a socializar o sexo com amantes comunistas, por uma novinha capitalista e neoliberal, que vai movimentar a economia desfrutando do estado máximo que o seu dinheiro pode lhe conceder, oferecendo em troca um estado mínimo de amor e fidelidade. Devido a toda essa representatividade que passou a ter entre os cornos, passou a exigir que o chamassem de comandante em chefe das forças corneadas. Uma demonstração da força e do poder que um corno possui.

Mas como todo castigo para corno é pouco, corre à boca miúda que Jair pode estar sendo chifrado novamente. É o que vamos saber na próxima eleição do condomínio, quando os cornos do prédio irão às urnas para eleger o novo síndico. De qualquer forma, Jair já entrou para a história do edifício que administra, como o maior corno que já ocupou aquele cargo. Como diria o filósofo Paulo Guedes, “quem foi corno nunca perde a majestade”. Mito!