O Brasil perde um grande jornalista

Por Gilberto Menezes Côrtes

Foto:CPDOC JB

O jornalismo brasileiro e mais particularmente o JORNAL DO BRASIL perderam domingo (18.07) um de seus grandes expoentes. O piauiense de Piripiri, Moacyr Andrade, faleceu, aos 85 anos, após uma sucessão de contratempos iniciados em abril, quando teve infarto e precisou colocar um “stent”. Recebeu alta mas, três dias depois, uma infecção urinária forçou nova internação. De volta à Tijuca, onde morava sozinho, teve problema no intestino. Internado, na véspera de receber alta, contraiu a covid e foi intubado por 15 dias, mas não resistiu.

Sócio da Associação Brasileira de Imprensa, Moacyr Andrade colaborou por muitos anos na revista “Novos Rumos”, do PCB. No JB, onde chegou em 1967 para trabalhar como arquivista do Departamento de Pesquisa e Documentação, e teve como companheiro o jornalista Fernando Gabeira, exerceu o seu ofício ao longo de 37 anos, numa carreira tanto produtiva como eclética. Foi supervisor de Documentação, redator e subeditor na equipe de Roberto Quintaes.

Especialista em música popular – conhecia a fundo todos os gêneros –, foi logo requisitado para trabalhar como redator do Caderno B, onde atuou no período da Ditadura e da efervescência cultural do país. No B, onde era subeditor de Humberto Vasconcellos, conheceu sua segunda mulher, a jornalista Mara Caballero, com quem casou, em 1976, e teve dois filhos, o jornalista Miguel Caballero, de “O Globo” e Bárbara. Do primeiro casamento nasceu Tesla Coutinho, também jornalista.

Com breve, mas marcante passagem pelo “Jornal da Tarde” nos anos 70, o tricolor Moaça, como era conhecido na redação, voltou ao JB nos anos 80 como redator da editoria de Esporte, na gestão de Oldemário Touguinhó. Eclético, Moacyr Andrade foi ainda redator da editoria de Política, da Primeira Página e organizador dos artigos de terceiros na página de Opinião do JB. Nos anos 90, recorda a editora Regina Zappa, “resgatei ele da Pesquisa e Moacyr voltou a escrever no Caderno B. Matérias sempre sensacionais. Sabia tudo de MPB. Grande crítico. Parceiro maravilhoso no B. Grande caráter”.

Quando o controle do JB foi vendido para Nelson Tanure, em 2001, atuou como Secretário Gráfico e fazia o relatório diário “Deu no JB”, com uma espécie de Ombudsman, sempre generoso e atencioso com os textos dos colegas, mesmo quando tecia reparos. Deborah Dumar, que trabalhou sob suas ordens muitos anos no Caderno B, nunca esqueceu a lição de “Kid Moaça”. Ele detestava a expressão “já que” e sugeriu simplificar com um “pois”.

Editora do Caderno B na volta do JORNAL DO BRASIL às bancas, em 2018, Deborah Dumar lembra das feijoadas na casa de Moacyr e Mara, em Ipanema. A iguaria era só o pretexto para um “verdadeiro sarau que começava de dia e se estendia noite à dentro”. Avesso à praia, jamais punha os pés na areia. Quando muito saboreava um uísque no calçadão ou em um bar da praia. A noite era o ambiente perfeito para Moaça e seu ponto preferido eram as mesas do Lamas, no Flamengo, quando se fumava e bebia à vontade. O filho Miguel lembra que o pai “abandonara o cigarro há mais de 30 anos e o álcool há duas décadas”.

O que animava a presença de Moacyr Andrade na noite ou numa roda de amigos era a troca de experiências e visões de mundo. Christine Ajuz, conviveu com Moaça “por 11 anos no JB e no centenário Lamas. Tivemos noites e madrugadas de primeira”, recorda. Romildo Guerrante, parceiro durante uns 20 anos no JB e resume o colega: “Era suave. Estivemos juntos a maior parte do tempo no copidesque da primeira página. Participava de uma mesa animada quase toda noite no Lamas. Acho que ele foi o último desses conversadores da noite a nos deixar”.

Profundo conhecedor do samba, o Império Serrano era sua escola do coração, foi várias vezes jurado dos desfiles na Sapucaí. Quando a Prefeitura do Rio selecionou escritores e personalidades para escrever sobre diversos bairros da cidade, nos anos 90, projeto em parceria com a editora Relume Dumará – o cartunista Jaguar escreveu sobre Ipanema, coube a Moacyr Andrade descrever a Lapa e seus ecléticos frequentadores de um século atrás, como Madame Satã e o poeta e acadêmico Manuel Bandeira. Moacyr também organizou “A Vida Continua – A Trajetória de Wilson Figueiredo”, que contempla as memórias do ex-editor de opinião do JB, editado pela FSB.

Ele não perdia os encontros dos ex-JB, realizados na Fiorentina, no Leme, como o que estava ao lado do fotógrafo Evandro Teixeira, na comemoração dos 80 anos do ex-editor Alberto Dines. No último encontro dos ex-JB, em 2019, na Taberna da Glória, pude também trocar amáveis palavras com o Moaça. Vá em paz, companheiro.

Conselho Brasileiro de Oftalmologia notifica Unimed Belém por ação que põe pacientes em risco de perda da visão

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Associação Paraense de Retina e Vítreo (APRV) notificaram extrajudicialmente a Unimed Belém Cooperativa de Trabalho Médico para que seja impedida de causar danos aos pacientes e médicos. Essa possiblidade apontada pelas entidades decorre de mudança na forma de compra, aplicação e armazenamento de medicamentos antiangiogênicos, utilizados para tratar doenças da retina.

Assista aqui a reportagem especial sobre ações tomadas pelo CBO.

O novo modelo proposto pela Unimed Belém prioriza aspectos econômicos diante de seus compromissos com o atendimento das necessidades dos pacientes, em especial no que se refere à saúde ocular. Com a alteração, médicos e pacientes são obrigados a cumprir uma série de etapas complementares entre o pedido dos medicamentos e seu envio para as clínicas. Esta situação aumenta o tempo de espera pela chegada dos produtos e pode prejudicar o efeito das drogas, aumentando o risco de complicações para as pessoas que contam com o atendimento.

Frentes – “Temos a convicção de que o fluxo proposto pela Unimed Belém coloca em risco a saúde do paciente e todo o seu tratamento médico. A tentativa de monopolização da entrega de medicamentos antiangiogênicos por parte desta cooperativa será combatida em todas as frentes possíveis”, declara o presidente do CBO, José Beniz Neto.

Pelo novo fluxo, a Unimed decidiu fazer a compra da medicação e entregar nos locais de aplicação, o que tira do médico oftalmologista a possibilidade de controle da cadeia dessa medicação. Apesar da operadora ter ganho pela compra centralizada, perdem os pacientes que ficam sob ameaça de danos por conta da demora na entrega dos produtos, que antes permaneciam em estoque nas clínicas para uso imediato, e de erros de logística (trocas de receitas), entre outros pontos.

Para o vice-presidente do CBO, Cristiano Caixeta, este é mais um importante passo na batalha acirrada que o CBO, representado pelo Departamento Jurídico, vem travando em diferentes estados em defesa da saúde ocular da população, em especial quanto a ilegalidade cometida pela Unimed com a alteração do manuseio dos medicamentos antiangiogênicos. (Da Assessoria de imprensa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia-CBO)

Vale tudo contra Lula (de novo)

Por Chico Alves, no UOL

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Ninguém é obrigado a gostar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eleitores da direita não o toleram por ser esquerdista. Alguns de esquerda torcem o nariz porque consideram que ele conciliou demais com a direita. Tem quem ache que Lula não é honesto, apesar de as condenações na Lava Jato terem sido anuladas porque o Supremo Tribunal Federal considerou desonesto o juiz que o condenou.

Leve-se em conta também os que avaliam como insuficiente seu desempenho nos dois mandatos como presidente. Outra parte tem ranço de Lula porque ele é corintiano. Seja lá qual for o motivo, é legítima a posição dos que não gostam do líder petista e não querem nunca mais vê-lo na Presidência. Assim como também é genuína a admiração demonstrada por muitos brasileiros que sonham em ter Lula como presidente outra vez.

Em lugares civilizados, há uma solução simples para essa divergência. Chama-se eleição. Funciona assim: vários políticos se candidatam e os brasileiros maiores de 16 anos escolhem no voto quem consideram ser o melhor. O mais votado torna-se presidente. Parece óbvio, mas essa fórmula singela de encaminhar a democracia representativa, que dá certo em todos os países livres, parece estar fora de moda no Brasil. Continua valendo para todos os candidatos, menos para Lula.

Basta que ele apareça à frente nas pesquisas de intenção de voto para que formas heterodoxas de ocupação do Palácio do Planalto brotem por aí. Em 2018, o petista foi arrancado da corrida eleitoral e mandado para a prisão por um juiz que o STF considerou depois como incompetente e parcial.

Lula está livre agora, mas a cadeira presidencial, como se sabe, é ocupada por alguém que provavelmente não estaria lá se ele concorresse. De volta à raia política, o ex-presidente lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para 2022. A cada levantamento, a distância aumenta.

Diante disso, aqueles que não o querem novamente à frente do país alegam nefasta “polarização” para tentar um nome que represente uma “terceira via”. Experimentaram vários, mas até agora nenhum vingou. Sendo assim, chegamos à fase em que os adversários de Lula cogitam mais uma vez trilhar caminhos esquisitos para definir quem vai dirigir o Brasil.

A invencionice é um tal semipresidencialismo. Seu principal patrono é o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Pela proposta, o país passaria a ter um primeiro-ministro como governante de fato, enquanto o presidente resguardaria prerrogativas como o poder de sanção e veto, nomeação e exoneração de integrantes do governo e comando das Forças Armadas, entre outras.

Por Lira, a ideia se tornaria realidade já em 2022. O modelo esdrúxulo tornaria o governo ainda mais refém do Centrão. Com poder de influenciar na queda do primeiro-ministro, o grupo de políticos fisiológicos poderia cobrar uma fatia maior de benesses em troca da estabilidade. Setores que não querem ver Lula retomar o posto de presidente começam a considerar a ideia com carinho.

Assim, caso o petista vença a eleição, seria mais fácil limitar seu raio de ação. Para esses, não importa a mínima que em dois plebiscitos (em 1963 e 1993) a população brasileira tenha rejeitado o parlamentarismo e optado pelo presidencialismo. Não pelo semipresidencialismo. A vontade do povo é um mero detalhe.

Por isso, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski resumiu essa maracutaia em uma palavra pesada: golpe.

Depois que o sistema político descarrilou, com um impeachment questionável e a prisão de Lula, é preciso recolocá-lo nos trilhos. O método para conseguir isso não implica nenhuma complicação: basta seguir as regras. Se estas não forem obedecidas novamente, ficará claro de uma vez por todas que democracia por aqui é uma palavra desprovida de sentido.

O equilíbrio institucional é tênue e o cenário nacional desolador que assistimos nos últimos anos é uma boa amostra do que acontece quando as peças são movidas aleatoriamente. Tudo pode desmoronar. Não só os políticos, mas também outros setores da sociedade já deveriam ter aprendido a lição. A boa notícia é que há tempo de sobra para evitar que esse erro gigantesco se repita pela segunda vez. A grande questão é saber se querem acertar.

Remo emplaca 3 na seleção da 12ª rodada da Série B

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Remo e Guarani (SP) dominam a seleção eleita pelos torcedores em votação promovida pelo perfil oficial do Campeonato Brasileiro Série B no Twitter. A atuação do time contra a Ponte Preta garantiu a presença de Erick Flores e Felipe Gedoz na equipe escolhida pela galera.

O técnico Felipe Conceição também aparece na seleção. Gedoz ganhou destaque pelos dois gols marcados e pela artilharia do Remo na competição, 4 gols. É também o principal goleador do time na temporada, com 10 gols.

Remo muda e surpreende

POR GERSON NOGUEIRA

Ponte Preta-SP 1×2 Remo (Felipe Gedoz)

Foi a melhor partida do Remo no campeonato. Jogou com esmero nos passes, capricho nas finalizações (poucas e certeiras), disciplina tática, aproximação entre setores e excelente movimentação tanto defensiva quanto na frente. Parecia outro time em campo, se comparado ao treinado por Paulo Bonamigo. A evolução é evidente, não só pelo avanço na tabela.

De início, o Leão impressionou pela concentração, exercendo pressão na saída de bola da Ponte. Erick Flores e Felipe Gedoz vigiavam a troca de passes entre o goleiro e os zagueiros. Logo aos 9 minutos, Flores acertou o bote e passou para Gedoz abrir o placar.

A vantagem não fez o time recuar, pelo contrário. O Remo resolveu se apossar da bola e sair sempre na vertical, criando problemas permanentes para a defensiva da Ponte. Victor Andrade, Dioguinho e Lucas Siqueira acompanhavam de perto o falso centroavante Gedoz.  

Flores voltava para ajudar no primeiro combate ao lado de Uchoa, mas outros jogadores também se dispunham a participar da recomposição quando a bola estava com o adversário. Dioguinho, Andrade e os laterais Igor Fernandes e Tiago Ennes.

Lucas quase fez o segundo, mas foi atrapalhado pelo corte providencial de um zagueiro. A Ponte, sem alternativas de avanço planejado pelo meio, apelava para os cruzamentos. Tanto insistiu que, quase ao final do primeiro tempo, Fessin acertou um cabeceio no pé da trave de Vinícius.

A contínua movimentação e troca de posicionamento entre os remistas confundiam a Ponte. Só no 2º tempo Gilson Kleina conseguiu melhorar o encaixe do meio-campo, com a entrada dos rápidos Locatelli e Renatinho.

Mas, como não tinha meios de entrar na defesa paraense trocando passes ou infiltrando, restava aos zagueiros da Macaca o expediente de lançar bolas na diagonal, quase todas recuperadas pelos defensores do Remo.

Ponte Preta-SP 1×2 Remo (Dioguinho, Felipe Gedoz, Lucas Siqueira, Igor Fernandes e Victor Andrade)

Aos 22 minutos, Gedoz tomou a bola de Ednei na intermediária, fintou Ivan e bateu para o gol vazio fazendo 2 a 0. Dois gols construídos de forma inédita pelo Remo, com roubadas de bola que até então o time não havia conseguido fazer. Com o placar consolidado, Felipe teve um ligeiro acesso de Bonamigo e fez duas trocas de risco: substituiu Gedoz e Dioguinho por Wellington Silva e Renan Gorne, que nada acrescentaram.

Ainda haveria um terceiro gol, em cabeceio de Marcos Junior, que a arbitragem erradamente anulou – quinto erro contra os azulinos nesta Série B. Nos 15 minutos finais, o Remo recuou e permitiu um sufoco desnecessário. Aos 36’, Igor chegou atrasado para o desarme e derrubou Felipe Albuquerque. Pênalti. Dawan cobrou e descontou.

O Remo foi superior à Ponte nos dois tempos. Talvez nem mesmo os azulinos mais empedernidos imaginassem ser possível tamanha transmutação do time previsível de antes para o ágil e focado de agora, principalmente pelo ataque sem posições fixas.

Papão patina nos erros e escapa de nova derrota

A história do PSC na Série C 2021 registra uma estranha alergia a vitórias dentro da Curuzu. Quatro jogos, duas derrotas e dois empates. No sábado, diante do Altos-PI, a repetição de erros conhecidos quase terminou em nova derrota. O time piauiense, mesmo sem dominar a partida, foi objetivo e abriu o placar ainda no primeiro tempo.

Aos 33 minutos, na melhor manobra ofensiva do Altos na partida, o atacante Lucas Campos bateu da entrada da área, sem defesa para Victor Souza. O PSC dominava as ações, controlava a posse de bola, mas não criava nenhuma situação de perigo para o adversário.

O gol só aumentou a aflição (e os erros) do time. Aos 39’, Bruno Paulista se lesionou e as coisas só se agravaram porque o técnico optou por colocar Ruy em campo.

No intervalo, sem alternativas, Eutrópio lembrou enfim do até então enjeitado Danrlei e tirou Bruno Paulo. E foi dos pés do atacante baionense que viria a salvação da lavoura. Aos 20 minutos, Danrlei aproveitou rebote do goleiro e finalizou para as redes. 

Dois minutos depois, quase marcou o segundo. Driblou o goleiro Fábio, mas chutou para fora. O PSC parecia mais animado, pressionava, mas cadê inspiração? Por falta de criatividade, recorria aos cruzamentos de Marlon e Diego Matos, todos sem oferecer risco ao Altos.

Na reta final, Cesinha andou ameaçando em duas chegadas perigosas, mas ainda coube ao PSC a última chance. Aos 45’, Danrlei fez boa jogada e passou para Ruy. Com duas boas opções de jogada junto à área, o meia resolveu arriscar e o disparo saiu muito alto.  

O empate foi lamentado por Eutrópio com o discurso habitual, reclamando da maneira como os adversários vêm jogar em Belém – como se fosse uma obrigação de todos oferecer alternativas para o PSC aproveitar.

Três atacantes acabam de ser contratados. Será preciso arranjar formas de aproveitamento e inclusão deles na equipe. Ao mesmo tempo, Danrlei, com boa atuação contra o Altos, dificilmente terá chances com a chegada de Grampola, Rildo e Tiago Santos.

O Pará volta, enfim, à Primeira Divisão

A Esmac será a representante paraense no Campeonato Brasileiro Feminino Série A1. Habilitou-se a isso ao vencer por 2 a 1, de virada, ontem, o time do Real Ariquemes, no Baenão.

Bia Batista abriu o placar para o time visitante, mas Anne e Cássia, aos 43’ e 47’ do primeiro tempo conseguiram reverter o placar.

A Esmac, com todos os méritos, chega à elite nacional. O futebol feminino não tem apoio maior, dependendo do investimento de empresas e abnegação de entusiastas. Que esta volta à Série A seja bem sucedida. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 19)

Vamos assumir nossa burrice, que dói menos

Por André Forastieri

O brasileiro é burro. É uma média. Não quer dizer que todos os brasileiros são burros. Mas vamos assumir, como nação.

Hoje foi divulgado que o Brasil ficou em 75º lugar, em um ranking global do IDH (índice de desenvolvimento humano). Estamos quase na virada entre a primeira e a segunda metade dos 182 países avaliados pela ONU.

O coordenador do relatório desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Flávio Comim, explica como nossa economia gigante está em 75º quando se trata da qualidade de vida de sua população.

Nossos principais problemas: saúde e educação. Que são interligados, claro. Temos uma altíssima taxa de mortalidade infantil.

Especialmente entre crianças filhas de mães sem nenhum acesso à educação – neste caso, as taxas de mortalidade infantil chegam a 119 por mil nascidos vivos.

“É um número maior do que os de muitos países africanos”, diz Flávio.

“Filho de mulher burra morre mais” – dava uma boa manchete do saudoso jornal Notícias Essa é uma das grandes explicações para morrermos tão cedo. A expectativa de vida é de 72 anos em média, dez anos menos que a japonesa.

E nossa educação? Somos o país 71 do ranking de 182. Está convencido de que somos burros?Eu estou e não tenho problema nenhum de reconhecer minha burrice. O tamanho da minha ignorância só é sobrepujado pela minha preguiça de minimizá-la. Tenho lá meus espasmos autodidatas.

Mas na prática me eduquei sobre alguns temas – um pouco de história e geografia, um pouco de economia, um teco de culinária, o arroz com feijão de história da arte, o beabá da tecnologia. M e escondi medrosamente de outros – ciência mesmo, física, química, biologia, botânica. Fiz como todo mundo, o que me foi mais fácil.

Por isso que um ano atrás, quando Tomás foi mudar de escola, decidi que a perfeita para ele seria uma que fosse muito boa de ciências e de esportes. Porque o resto eu estimulo ele a gostar. Como você vê, além de burro, sou preguiçoso.

A prova definitiva é que depois de um ano de pré-primário na Cigarrinha, sete anos na EEPG Barão do Rio Branco, mais quatro no Colégio Luiz de Queiroz (pago), sempre na gloriosa Piracicaba, e de conseguir entrar na USP duas vezes (jornalismo e história), sou o famoso “curso superior incompleto”.

Jornalismo, que fiz algum esforço para completar, abandonei porque era inútil e, principalmente, chato. História fui um dia e nunca mais voltei. Devo ser um raro caso de duplo jubilamento na USP, mas nunca me mandaram nenhuma cartinha…

Quando escrevo sobre escola e temas assim, sempre tem um ou outro cobrando “então, qual é a sua proposta?”. Não sou candidato a nada. Não tenho que ter proposta nenhuma. Mas tenho uma sugestão, que é ler Neil Gaiman, autor das seguintes palavras:

“I’ve been making a list of the things they don’t teach you at school.

They don’t teach you how to love somebody.

They don’t teach you how to be famous.

They don’t teach you how to be rich or how to be poor.

They don’t teach you how to walk away from someone you don’t love any longer.

They don’t teach you how to know what’s going on in someone else’s mind.

They don’t teach you what to say to someone who’s dying.

They don’t teach you anything worth knowing.”