Brasil de Bolsonaro: quantidade de armas com civis dobra em três anos

O número de armas registradas por civis na Polícia Federal dobrou nos últimos três anos. É o que mostra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (15). A estatística, dizem especialistas, é um resultado direto das políticas do governo federal que incentivam a aquisição de armas pela população.

Os dados, que são compilados, analisados e publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelaram ainda um crescimento 43% em apenas um ano nos pedidos de registro dos chamados CACs (caçadores, atiradores desportivos e colecionadores), que eram 200 mil em 2019, chegando a 287 mil em 2020.

Em 11 estados o crescimento no registro de armas de fogo por civis ficou acima da média nacional. O Distrito Federal ocupou a primeira posição disparado, com um aumento de 562% no último triênio. Lá, os cidadãos tinham 355.693 armas em 2017, número que chegou a 236.296 no ano passado.

Além do número de civis armados, aumentou também o tamanho do arsenal guardado dentro das casas dos brasileiros, já que mudanças na legislação propostas pela gestão de Jair Bolsonaro alteraram a quantidade de armas que cada cidadão pode comprar. (Da Revista Fórum)

Leão espanta a fase ruim

Remo vence o Brusque pela 11ª rodada da Série B do Brasileiro

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo conseguiu finalmente vencer em Belém, superando o Brusque, de virada, por 2 a 1. Um jogo que era dominado amplamente pela equipe azulina sofreu mudança traumática no segundo tempo, quando o zagueiro Rafael Jansen bateu contra as próprias redes, aos 15 minutos, fazendo o time afundar emocionalmente. A recuperação começou com a entrada do estreante Marcos Jr. aos 27’. Felipe Gedoz e o próprio Marcos se encarregaram da virada.

A narrativa da partida na primeira etapa mostrou um Remo mais dinâmico e organizado que nas últimas partidas. Trocou passes em velocidade, arriscou chutes de média distância e optou pelo jogo de habilidade para furar o forte bloqueio defensivo do Brusque. Faltou, porém, capricho e pontaria no arremate final.

Como novidade, o atacante Victor Andrade, estreante, movimentou-se muito e buscou sempre os dribles em velocidade, criando boas situações de perigo junto à área do Brusque. De maneira geral, o time controlava o jogo atuando dentro do campo adversário.

Lance da partida entre Remo x Brusque, válido pela série B.

Logo aos 4 minutos, Dioguinho acertou um chute rasteiro criando dificuldades para o goleiro Zé Carlos. Minutos depois, Victor Andrade arriscou e o goleiro deu rebote, mas Dioguinho chegou atrasado para conferir. O Remo insistia o tempo todo, com desenvoltura e variação de repertório.

Tudo teria sido perfeito se as várias chegadas com os alas e homens de centro resultassem em gol. Como Dioguinho, Gedoz e Victor Andrade não conseguiam acertar o gol, o Brusque se fortalecia no projeto de se defender. E fazia isso com gosto, usando até oito jogadores posicionados sempre atrás da linha da bola, o que dificultava as manobras do Remo.

Aos 18 minutos, Dioguinho tentou uma meia bicicleta e se lesionou na queda. Saiu do jogo e foi substituído por Wallace, que mudou um pouco a dinâmica do ataque, passando a trabalhar mais o passe para tentar furar as linhas de marcação do Brusque.

Victor Andrade insistia tanto nas jogadas de profundidade que acabou atraindo marcação dobrada. Mesmo sem ter o apoio constante de Tiago Ennes, ele levou vantagem sempre que partiu para os dribles curtos e em velocidade. Quase ao final do primeiro tempo, chutou em direção ao gol e a bola tocou na mão do lateral Airton, mas o árbitro ignorou o pênalti.

No intervalo da partida, Felipe Conceição trocou Erick Flores por Artur e o time ganhou em qualidade na articulação. Apesar disso, voltou em ritmo mais cadenciado, talvez pelo cansaço de Victor Andrade, que estava há vários meses sem atuar. Aos 13 minutos, ele foi substituído por Lucas Tocantins.

Quando o jogo ainda era travado mais no meio, com predomínio da marcação sobre a criação, veio o lance que parecia conduzir o Remo a mais um resultado desastroso dentro de casa. Aos 15 minutos, bola cruzada por Bruno Alves foi desviada por Rafael Jansen para as próprias redes. A bizarra finalização abateu por completo o time.

Por quase 10 minutos, o Remo não acertou nenhuma tentativa de reação. Os jogadores pareciam desanimados. Foi aí que Felipe Conceição lançou Renan Gorne e Marcos Jr. no lugar de Lucas Siqueira e Uchoa, mudando o eixo de mobilidade da equipe.

Marcos Jr. foi jogar adiantado, próximo a Gedoz e Gorne. Aos 32’, Artur entrou pela direita e tocou para Wallace junto à linha de fundo. O atacante deu um passe recuado para a entrada da área alcançando Gedoz, que chegava em velocidade. O chute saiu forte e rasteiro. A bola resvalou no goleiro e entrou.

Cinco minutos depois, Gedoz cobrou escanteio, a bola atravessou a área e foi desviada por Marcos Jr. no segundo pau para o fundo das redes. A vitória reabilitou o Remo numa partida cheia de dramaticidade e representou a saída da zona de rebaixamento, pulando para o 15º lugar. (Fotos: Samara Miranda/Fernando Torres)

Atuação coletiva sustentou a reação final

Nas observações pós-jogo, o técnico Felipe Conceição destacou a disciplina dos jogadores no cumprimento das orientações. Podia também ter enfatizado a mudança de perfil tático, com a utilização do 4-3-1-2 sem atacante de referência na área.

A entrada de Victor Andrade contribuiu para que o Remo pudesse trocar passes sempre em velocidade e em direção ao gol. Em torno dele, Dioguinho e Gedoz se revezavam nas subidas ao ataque.

O bloqueio dobrado do Brusque à frente da área foi bem sucedido ao longo dos 45 minutos iniciais, até porque o Remo não conseguiu aprumar as finalizações e errava no arremate de definição.

Vale destacar as substituições feitas desde o intervalo. Artur deu mais afirmação às jogadas de aproximação, tanto que participou do lance do primeiro gol chegando à linha de fundo.

Fica faltando uma colaboração maior dos laterais Tiago Ennes e Igor Fernandes, que ontem tiveram um papel mais discreto do que o habitual. Não esquecendo que o esquema sem centroavante de ofício requer intensa participação dos homens de lado.

Como atuação coletiva, o time fez sua apresentação mais encaixada no campeonato. Fica uma expectativa positiva porque foi apenas a segunda partida sob o comando do novo técnico, que naturalmente ainda está descobrindo as características e valências dos jogadores do elenco.

Com clareza e sem teorizar muito na hora de analisar a vitória, Felipe demonstrou humildade, principalmente ao atribuir méritos aos atletas. Assim é que se fala. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 15)