Remo muda e surpreende

POR GERSON NOGUEIRA

Ponte Preta-SP 1×2 Remo (Felipe Gedoz)

Foi a melhor partida do Remo no campeonato. Jogou com esmero nos passes, capricho nas finalizações (poucas e certeiras), disciplina tática, aproximação entre setores e excelente movimentação tanto defensiva quanto na frente. Parecia outro time em campo, se comparado ao treinado por Paulo Bonamigo. A evolução é evidente, não só pelo avanço na tabela.

De início, o Leão impressionou pela concentração, exercendo pressão na saída de bola da Ponte. Erick Flores e Felipe Gedoz vigiavam a troca de passes entre o goleiro e os zagueiros. Logo aos 9 minutos, Flores acertou o bote e passou para Gedoz abrir o placar.

A vantagem não fez o time recuar, pelo contrário. O Remo resolveu se apossar da bola e sair sempre na vertical, criando problemas permanentes para a defensiva da Ponte. Victor Andrade, Dioguinho e Lucas Siqueira acompanhavam de perto o falso centroavante Gedoz.  

Flores voltava para ajudar no primeiro combate ao lado de Uchoa, mas outros jogadores também se dispunham a participar da recomposição quando a bola estava com o adversário. Dioguinho, Andrade e os laterais Igor Fernandes e Tiago Ennes.

Lucas quase fez o segundo, mas foi atrapalhado pelo corte providencial de um zagueiro. A Ponte, sem alternativas de avanço planejado pelo meio, apelava para os cruzamentos. Tanto insistiu que, quase ao final do primeiro tempo, Fessin acertou um cabeceio no pé da trave de Vinícius.

A contínua movimentação e troca de posicionamento entre os remistas confundiam a Ponte. Só no 2º tempo Gilson Kleina conseguiu melhorar o encaixe do meio-campo, com a entrada dos rápidos Locatelli e Renatinho.

Mas, como não tinha meios de entrar na defesa paraense trocando passes ou infiltrando, restava aos zagueiros da Macaca o expediente de lançar bolas na diagonal, quase todas recuperadas pelos defensores do Remo.

Ponte Preta-SP 1×2 Remo (Dioguinho, Felipe Gedoz, Lucas Siqueira, Igor Fernandes e Victor Andrade)

Aos 22 minutos, Gedoz tomou a bola de Ednei na intermediária, fintou Ivan e bateu para o gol vazio fazendo 2 a 0. Dois gols construídos de forma inédita pelo Remo, com roubadas de bola que até então o time não havia conseguido fazer. Com o placar consolidado, Felipe teve um ligeiro acesso de Bonamigo e fez duas trocas de risco: substituiu Gedoz e Dioguinho por Wellington Silva e Renan Gorne, que nada acrescentaram.

Ainda haveria um terceiro gol, em cabeceio de Marcos Junior, que a arbitragem erradamente anulou – quinto erro contra os azulinos nesta Série B. Nos 15 minutos finais, o Remo recuou e permitiu um sufoco desnecessário. Aos 36’, Igor chegou atrasado para o desarme e derrubou Felipe Albuquerque. Pênalti. Dawan cobrou e descontou.

O Remo foi superior à Ponte nos dois tempos. Talvez nem mesmo os azulinos mais empedernidos imaginassem ser possível tamanha transmutação do time previsível de antes para o ágil e focado de agora, principalmente pelo ataque sem posições fixas.

Papão patina nos erros e escapa de nova derrota

A história do PSC na Série C 2021 registra uma estranha alergia a vitórias dentro da Curuzu. Quatro jogos, duas derrotas e dois empates. No sábado, diante do Altos-PI, a repetição de erros conhecidos quase terminou em nova derrota. O time piauiense, mesmo sem dominar a partida, foi objetivo e abriu o placar ainda no primeiro tempo.

Aos 33 minutos, na melhor manobra ofensiva do Altos na partida, o atacante Lucas Campos bateu da entrada da área, sem defesa para Victor Souza. O PSC dominava as ações, controlava a posse de bola, mas não criava nenhuma situação de perigo para o adversário.

O gol só aumentou a aflição (e os erros) do time. Aos 39’, Bruno Paulista se lesionou e as coisas só se agravaram porque o técnico optou por colocar Ruy em campo.

No intervalo, sem alternativas, Eutrópio lembrou enfim do até então enjeitado Danrlei e tirou Bruno Paulo. E foi dos pés do atacante baionense que viria a salvação da lavoura. Aos 20 minutos, Danrlei aproveitou rebote do goleiro e finalizou para as redes. 

Dois minutos depois, quase marcou o segundo. Driblou o goleiro Fábio, mas chutou para fora. O PSC parecia mais animado, pressionava, mas cadê inspiração? Por falta de criatividade, recorria aos cruzamentos de Marlon e Diego Matos, todos sem oferecer risco ao Altos.

Na reta final, Cesinha andou ameaçando em duas chegadas perigosas, mas ainda coube ao PSC a última chance. Aos 45’, Danrlei fez boa jogada e passou para Ruy. Com duas boas opções de jogada junto à área, o meia resolveu arriscar e o disparo saiu muito alto.  

O empate foi lamentado por Eutrópio com o discurso habitual, reclamando da maneira como os adversários vêm jogar em Belém – como se fosse uma obrigação de todos oferecer alternativas para o PSC aproveitar.

Três atacantes acabam de ser contratados. Será preciso arranjar formas de aproveitamento e inclusão deles na equipe. Ao mesmo tempo, Danrlei, com boa atuação contra o Altos, dificilmente terá chances com a chegada de Grampola, Rildo e Tiago Santos.

O Pará volta, enfim, à Primeira Divisão

A Esmac será a representante paraense no Campeonato Brasileiro Feminino Série A1. Habilitou-se a isso ao vencer por 2 a 1, de virada, ontem, o time do Real Ariquemes, no Baenão.

Bia Batista abriu o placar para o time visitante, mas Anne e Cássia, aos 43’ e 47’ do primeiro tempo conseguiram reverter o placar.

A Esmac, com todos os méritos, chega à elite nacional. O futebol feminino não tem apoio maior, dependendo do investimento de empresas e abnegação de entusiastas. Que esta volta à Série A seja bem sucedida. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 19)

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