Ministério da Saúde distribuiu vacina vencida; Belém não aplicou doses que estavam sem validade

A cidade de Belém não aplicou nenhuma dose da vacina AstraZeneca com prazo de validade vencido. A informação é do diretor de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Claudio Salgado. As anotações das doses aplicadas eram feitas manualmente e depois registradas no portal do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SIPNI). Por isso, doses já aplicadas antes do vencimento entraram no sistema após o tempo de validade, o que levou a uma distorção no sistema nacional.

Em entrevista, Claudio Salgado informou que a Sesma já respondeu ao jornal Folha de S. Paulo, que publicou a notícia sobre lotes vencidos da vacina AstraZeneca. “O jornal deveria ter considerado nossa resposta antes de divulgar a matéria”, disse. O lote divulgado na reportagem da Folha, o de nº 4120Z005, com 9.910 doses da vacina, foi recebido em Belém no dia 2 de fevereiro de 2021 e aplicado dentro do prazo de validade, que terminava em 14 de abril.

O diretor de Vigilância Sanitária observou que a Sesma tem um rigoroso controle da câmara fria de armazenamento, conferindo os lotes e todas as informações necessárias para evitar qualquer erro na aplicação das doses. Salgado disse que atualmente todo o sistema da Sesma é eletrônico, o que facilita o preenchimento de informações e impede erros.

Segundo matéria do jornal Folha de S. Paulo, 139.911 doses de oito lotes da AstraZeneca foram distribuídos pelo Ministério da Saúde fora do prazo de validade, sendo que 25.935 doses foram aplicadas.

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Leão faz aposta de risco

POR GERSON NOGUEIRA

Contratar Felipe Conceição é uma aposta de risco. Um risco calculado. O Remo entendeu que, dentre as opções existentes no mercado, ele era a melhor alternativa para substituir Paulo Bonamigo, que entregou o cargo após a derrota para o Sampaio Corrêa. A movimentação da diretoria foi rápida. Acertou a contratação um dia após ficar sem treinador.

Há temeridade e justificativa na preferência por um técnico de perfil parecido com o de Bonamigo. Felipe é adepto de times programados para exercer domínio com troca de passes e ocupação de espaços. O problema é que os últimos trabalhos dele foram decepcionantes.

Felipe Conceição

Falta bagagem ao jovem treinador. Foi bem no América-MG e no RB Brasil, mas fracassou ao dirigir Guarani e Cruzeiro. Não conseguiu fazer com que os times jogassem dentro de sua filosofia. É claro que no Bugre campineiro enfrentou problemas de qualidade no elenco. No Cruzeiro, com opções de sobra, o trabalho não fluiu.

Com pouco mais de cinco anos como profissional, Felipe, que começou no Botafogo (como jogador e técnico), terá um grande desafio pela frente: reposicionar o Remo na competição. Para isso, vai começar a contar com novos jogadores: Marcos Jr. para o meio e Victor Andrade para o ataque, reforços interessantes que Bonamigo não teve tempo de utilizar.

Além disso, alguns dos titulares lesionados (Marlon, Wellington e Lucas Tocantins) já estarão em condições de jogo nas próximas semanas.

Há também um esforço da diretoria para buscar um atacante “de peso” e um meia-armador de qualidade. Jogadores com rodagem e prestígio, trunfos para turbinar o trabalho de Felipe. Tudo, porém, vai depender dos primeiros resultados à frente da equipe.

O Remo encara o vice-líder Coritiba, hoje à noite, dirigido por João Neto, sem mudanças drásticas na escalação. O meio segue o mesmo: Uchoa, Lucas, Gedoz e Erick Flores. No ataque, Dioguinho e Renan Gorne. Se atuar com a segurança defensiva e a intensidade de marcação mostradas contra o Náutico, são razoáveis as chances de êxito.

Depois, o Leão terá quase uma semana de preparação para o jogo com o Vila Nova em casa. Tempo suficiente para que o treinador, que chega amanhã, conheça o elenco e comece a desenhar nova formação.

(Parêntesis para corrigir uma omissão cometida na coluna de ontem: Bonamigo, além dos méritos pelo acesso à Série B, foi responsável pela satisfatória campanha na Copa do Brasil, que garantiu ao clube visibilidade e bom aporte financeiro.)

A terra de ninguém das arbitragens

Vi nas redes sociais uma síntese perfeita do atual cenário das arbitragens. “Os árbitros de Série A se escoram muito no VAR. São muito fracos, erram muito. Os da Série B não têm como se escorar no VAR e erram ainda mais”. É por aí.

Papão muda ataque para enfrentar o lanterna

Luan está confirmado no ataque do PSC, ao lado de Nicolas e Marlon. É a mudança mais significativa na equipe para o confronto de amanhã contra o lanterna Santa Cruz, no Recife. A boa movimentação exibida contra o Floresta garantiu a titularidade, barrando Robinho. No meio, o inconstante Paulinho deve voltar no lugar de Jhonnatan.

Pena que Vinícius Eutrópio ainda não se mostre seguro o suficiente para aprofundar mudanças. Por que não mexer no posicionamento de Nicolas, que não tem funcionado dentro da área? Seria interessante utilizá-lo como meia avançado, ajudando na elaboração de jogadas e ao mesmo tempo suprindo um crônico problema da meia-cancha.  

Eutrópio poderia também poupar o atacante em determinadas situações. Sem marcar há 15 jogos, ele está sem confiança e é natural que se sinta desconfortável. Importante como é para o time, talvez respondesse bem à ideia de jogar um tempo só, entrando no segundo tempo.

Jogador que raramente se lesiona ou é suspenso, Nicolas está jogando direto desde o ano passado. É bastante provável que o jejum de gols esteja associado ao cansaço físico e mental. Diminuir a carga pode funcionar.

O técnico precisa também pensar soluções para o meio de campo, onde sobra volante e falta talento. Sem um meia criativo ou um volante capaz de executar bem a transição, o time seguirá meramente reativo, sem qualidade e força para envolver os adversários.

Direto do blog campeão

“Acho totalmente precipitada a demissão do Bonamigo no momento em que o Remo finalmente contrata um atacante de fato, não esses contrabandos paraguaios pra disponíveis. Exagero meu? Pode ser, todavia, dos quatro gols assinalados pelo Remo na competição só um foi de atacante. Atrás, o Remo tem dado respostas positivas, o meio de campo cria, acho as avaliações sobre Gedoz injustas; mas, quando a bola chega lá na frente, prevalece o desperdício. Se Renan Gorne e Jefferson tivessem feito minimamente seu dever o Remo não estaria lamentando a canalhice do bandeira que favoreceu o Náutico, pois teria resolvido o jogo antes, coroando uma atuação que mostra a insensatez na demissão do treinador. Acho uma perda para o futebol paraense a saída do Bonamigo.  Independente dos percalços que motivaram a demissão, a formatação do time no gramado significou um avanço à mesmice que ora nos assola”.

Jorge Amorim

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 02)