Atacante pede para deixar o Remo após receber ameaças nas redes sociais

Remo 1×0 Águia (Gabriel Lima, Edson Cariús)

Em má fase, sem marcar gols, Edson Cariús pediu para ser liberado pelo Remo e negocia junto ao Fortaleza seu retorno ao Ferroviário (CE), que disputa a Série C. Foi no Ferrão que o atacante experimentou a melhor fase de sua carreira. Marcou 35 gols nas temporadas de 2018 e 2019.

No Remo desde o começo do ano, Cariús não conseguiu se firmar como titular no Campeonato Paraense. Na Série C, virou reserva de Renan Gorne, entrando sempre no decorrer dos jogos, mas sem conseguir fazer gols. Tornou-se um dos alvos preferenciais da torcida remista.

Estava entre os mais hostilizados no embarque da delegação em Val-de-Cans, semana passada, para o jogo com o Coritiba, em Curitiba. Além disso, sofreu ameaças nas redes sociais e passou a temer pela segurança de sua família. Pediu para sair e a diretoria do Remo aceitou.

Liderança antes do previsto

POR GERSON NOGUEIRA

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O PSC fechou em 100% as contas de seu giro de dois jogos pelo Nordeste. Depois de bater o Floresta-CE por 2 a 0, meteu 2 a 1 no Santa Cruz, sábado à noite, no Recife. Os resultados foram indiscutíveis e merecidos, embora as atuações não tenham sido plenas. O time apresentou problemas de aproximação e balanço ofensivo. Compensou as deficiências com muita entrega e objetividade para aproveitar as oportunidades.

Chama atenção o fato de a equipe de Vinícius Eutrópio ter alcançado a liderança do Grupo A antes mesmo de mostrar um nível técnico confiável. Com 11 pontos e três vitórias (todas como visitante), o PSC ultrapassou o Manaus, que empatou na rodada com o Jacuipense. Poucos contavam com a chegada ao topo depois do começo de campanha meio conturbado.

Com rendimento satisfatório nos dois tempos, o PSC passou pelo lanterna Santa Cruz sem correr riscos. Chegou ao gol aos 20 minutos em presente dado a Nicolas pelo zagueiro Junior Sergipano. Sem marcar há 15 partidas, o goleador agradeceu a gentileza batendo na saída do goleiro.

O jogo era equilibrado, mas o Papão tinha mais consistência na defesa e tranquilidade nas tentativas de ataque. O Santa, ao contrário, se atrapalhava em lances simples, precipitava quase todos os lançamentos e só criou duas oportunidades em chutes de média distância.

Na etapa final, mais prudente e com mudanças no meio-campo, o PSC controlou o ritmo sem dar espaços ao Santa. Reativo, com margem de manobra para contra-atacar, chegou ao segundo gol e liquidou a fatura através de Ratinho, aos 33’, após cruzamento de Laércio.

Depois disso, Israel, Ratinho e Paulinho tiveram oportunidades para ampliar. O Santa fazia modificações por atacado, sem alterar o jeito caótico de jogar. Ameaçou uma vez com Wallace, mas só chegou ao gol aos 45’, com Pipico, livre dentro da área.

Um jogo revelador do desnível técnico existente no Grupo A. À exceção de Manaus, Volta Redonda e Botafogo, o PSC não tem adversários de peso. Mesmo com os problemas que o time tem, as vitórias têm sido conquistadas com relativa facilidade.

A partida marcou também a recuperação de Nicolas, que já demonstrava desconforto com o longo jejum de gols. Além do renascimento do goleador, peça fundamental da equipe, a falha infantil do beque do Santa mudou a cara do jogo, até então equilibrado.

O terceiro triunfo fora de casa estimulou o técnico Vinícius Eutrópio a dizer que o time “está ficando cada vez mais difícil de ser batido”. Não é bem assim. Fora de casa, o PSC tem ido bem, aliando marcação e eficiência nas finalizações. Na Curuzu, porém, sofre com a falta de criatividade e tem problemas para superar os adversários. (Foto: Vítor Castelo/PSC)

Leão busca reforços em nível de Série A

O Remo está à procura de jogadores para qualificar o elenco. Alguns nomes sondados, nenhum contratado ainda. De qualquer maneira, a diretoria trabalha para encontrar as peças que faltam ao elenco. A busca começou ainda com Paulo Bonamigo no comando e agora deve prosseguir, desde que Felipe Conceição dê o aval.

Wellington Paulista foi um dos poucos nomes confirmados, mas a pedida salarial alta (acima de R$ 200 mil) e a resistência do Fortaleza em liberar o jogador inviabilizaram as tratativas. Outros nomes têm sido especulados, mas, na grande maioria, sem confirmação.

O fato é que um atacante e um meia conhecidos devem ser contratados ainda nesta semana. O objetivo é trazer reforços com nível e experiência de Série A, a fim de encorpar o time para uma reação imediata no campeonato, a tempo de recolocar o Remo na disputa.

A série de seis jogos sem vitória, que determinou a queda na classificação, acelerou a decisão de reforçar a equipe, mesmo a um custo acima do previsto. O clube busca parceiros para viabilizar as aquisições.

Enquanto os medalhões não chegam, Felipe foi apresentado na manhã de ontem e já dirigiu o primeiro treino. Aproveitou para observar a garotada da base. Ronald atuou como ponta, Tiago Miranda na meia, Pingo e Warley como volante. O técnico elogiou os jogadores. 

A pressa que desafia pilares da filosofia oriental

A 18 dias da abertura da Olimpíada 2020 fica cada vez mais difícil entender a urgência com que os japoneses se lançaram à realização do evento. Para um povo conhecido pela sabedoria, soa incongruente a insistência em realizar um evento com a pandemia ainda presente. Somente a preocupação com patrocínios e anúncios explica a pressa.

Aliás, o número crescente de casos de covid-19 em Tóquio obriga a realização de metade das competições sem público. E, para eventos com público, a capacidade máxima permitida será de 5 mil pagantes. Jogos e provas que irão ocorrer depois das 21h serão sempre de portões fechados, o que inclui abertura e encerramento e disputas de futebol e beisebol.

Basquete cai na final e não vai à Olimpíada

O basquete masculino, uma de minhas paixões, está fora da Olimpíada. Caiu para a Alemanha na final do torneio pré-olímpico, depois de superar o México na semifinal. A campanha foi bonita, mas o desfecho escancara a grave crise da modalidade, assolada por erros de gestão acumulados há décadas e que só agora começam a ser enfrentados.

Há esperança de renascimento, mas o processo tem que começar já. Até porque a renovação abre caminho para o surgimento de novos talentos. A seleção, mesmo com astros como Anderson Varejão, não teve forças para sair vencedora de um torneio de nível apenas mediano.    

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 05)