O Camaleão do Rock nos deixou há cinco anos, mas a carreira de imenso brilho e inventividade jamais será esquecida. David Bowie mudou a cultura pop, interferiu e subverteu, lançou tendência, se reinventou permanentemente. Inquietude deveria ser seu sobrenome. Poucos artistas contemporâneos, das mais diversas manifestações artísticas, podem exibir um currículo tão rico em experimentação e criatividade.
O compositor/cantor/visionário britânico transitou por todas as vertentes do rock, desde o mais tradicional passando pelo psicodélico e o sinfônico. Sua morte, em 10 de janeiro de 2016, consternou o mundo da música. Vitimado por um câncer, Bowie partiu e deixou um legado fabuloso, tanto quanto ao acervo como pelas influências que derramou no mundo.
Na penúltima rodada da segunda fase da Série C, o clima esquentou nos bastidores da competição, depois que a assessoria de comunicação do Londrina (PR) questionou a visita oficial do governador Helder Barbalho (MDB) ao presidente da CBF, Rogério Caboclo, na quinta-feira (7), no Rio de Janeiro. Com ironia, o perfil do clube paranaense no Twitter distorceu o sentido da reunião e procurou lançar suspeitas acerca de um suposto favorecimento aos clubes do Pará.
Helder esteve no Rio de Janeiro para visitar a Fiocruz e discutir os prazos da vacinação contra covid-19 no Pará. Durante a estada no Rio visitou a CBF, onde foi reafirmar o pedido para que a Seleção Brasileira realize um amistoso no estádio Jornalista Edgar Proença em agosto de 2022, marcando a reabertura oficial após reforma que será iniciada no próximo mês de março. Na sede da entidade, conversou com Caboclo e com o técnico Tite, da Seleção Brasileira.
A preocupação do Londrina é que a dupla Re-Pa está à frente na classificação do grupo D. O Remo é o líder com 7 pontos e o PSC vem em segundo, também com 7, mas com saldo de gols inferior. O Londrina tem cinco, na terceira colocação, enquanto o Ypiranga-RS tem três pontos e está na lanterna. Dessa maneira, apenas uma vaga pode ser definida neste domingo.
A questão levantada pelo perfil oficial do Londrina é que a Seleção não entrará em campo até o dia 25 de março. O time então ironizou a situação, citou a pandemia do coronavírus e relembrou o fato de que a próxima rodada da Série C “envolve dois clubes de Belém na briga direta pelo acesso contra Londrina e Ypiranga”.
No melhor estilo teoria da conspiração, a provocação feita pelos paranaenses gerou polêmica e irritou as torcidas de Remo e Paissandu, que criticaram a postura do clube na nota. Não faltou quem mencionasse que o Londrina tem sido bastante favorecido pelas arbitragens. Foram citados os jogos contra o Remo, quando um gol do atacante Tcharlles foi anulado, e a tumultuada partida com o Ypiranga, em Erechim, que teve três jogadores expulsos na derrota frente ao Londrina por 3 a 2.
Confira a nota postada pelo Londrina na íntegra:
“Hum… Vésperas de uma rodada que envolve dois clubes de #Belém na briga direta pelo acesso contra #Londrina e #Ypiranga-RS.
Então eis que o #governador do Estado do #Pará encara a #pandemia e decide ir pessoalmente à #CBF para falar dos jogos da #SeleçãoBrasileira masculina, que só vai voltar a atuar dia 25 de março… Na Colômbia!
#GoogleMeet? #Zoom? #MicrosoftTeams? #WhatsApp? Pra quê, né?
Somos do #interior, mas não somos bobos! #MenosBastidorEMaisFutebol, Confederação Brasileira de Futebol e Helder Barbalho!
Ah! E se a #Seleção quiser vir a Londrina, será muito bem recebida em um dos melhores CTs do país e terá o carinho do povo #paranaense aqui no Estádio do #Café! Faz um #call aí que marcamos!
As campanhas são expressivas. A dupla Re-Pa chega ao confronto decisivo deste domingo com números muito parecidos, que justificam e amparam as chances de acesso. Ambos tiveram momentos de queda ao longo da disputa, mas conseguiram se reequilibrar a tempo, trocando de comando e reforçando elencos.
O Remo, líder do grupo D da Série C com 7 pontos, chegou até aqui com 38 pontos, 10 vitórias, quatro derrotas e oito empates em 22 partidas. Tem, segundo o site da Universidade Federal de Minas Gerais, tem 82,7% de chances de conquistar o acesso à Série B.
O PSC, vice-líder do grupo, também com 7 pontos, acumula 36 pontos, 10 vitórias, seis empates e seis derrotas em 22 jogos. Segundo as projeções da UFMG, tem 68% de possibilidades de acesso.
Os dois rivais alcançaram a condição privilegiada de chegar ao penúltimo jogo da segunda fase com amplas perspectivas de sucesso, como há muito tempo não se via. O Remo, em particular, cumpre sua melhor trajetória na Série C, onde está desde 2016.
As trocas de técnicos acabaram fazendo bem aos dois times. O Remo começou com Mazola Junior e foi tropeçando na fase de classificação em função do esquema excessivamente cauteloso. Paulo Bonamigo assumiu, tratou de abolir as duas linhas de marcação e ativou as laterais. Conseguiu ajustar a equipe e as vitórias voltaram.
No PSC, o começo com Hélio dos Anjos foi frustrante. O time tropeçava nas próprias pernas, veio a primeira troca. Assumiu Mateus Costa, por quatro jogos, sendo dispensado logo em seguida, sem deixar herança ou saudade. Aí, a diretoria se despiu de vaidades e contratou João Brigatti, que havia saído em litígio. A mudança salvou a campanha.
Com uma série de jogos invictos, incluindo quatro vitórias seguidas, o PSC de Brigatti conquistou a classificação, que chegou a estar ameaçada depois da saída de Hélio. O elenco ganhou dois reforços, Vítor Feijão e Marlon, mas as mudanças foram orgânicas. Ao contrário da fase inicial, o time passou a ter intensidade, capacidade reativa e transpiração.
No Leão, a transformação foi obtida na base da conversa. Bonamigo é um técnico de diálogo, voz mansa e conceitos bem definidos. Acredita na qualidade dos jovens e aposta no talento. Com ele, Hélio e Wallace passaram a ser jogadores prioritários.
Paulo Ricardo foi a grande aposta de Brigatti, embora já tivesse sido utilizado antes de sua chegada. Virou titular absoluto, adquiriu segurança e passou a transmitir segurança a todo o sistema defensivo.
A partida de hoje, como ocorre sempre em dia de choque-rei, vai parar o Estado. Como o torcedor não pode ser testemunha ocular dos fatos, impedido pelas imperiosas cautelas quanto à covid-19, irá se antenar na transmissão da Rádio Clube, como ocorre desde os primórdios.
É pouco provável, porém, que tenhamos um clássico mercurial, disputado com avidez ofensiva. Creio em confronto de estudos, com prevalência da tática sobre a tempestade de esforços em busca do gol.
A questão é simples. O Remo do goleiro-vereador Vinícius sabe que tem um último jogo em casa, contra o Londrina, que pode lhe assegurar o acesso. Não é inteligente se expor demasiadamente se o empate pode ser bom.
Com a possibilidade concreta de obter o acesso com uma vitória, o Papão tem todos os motivos possíveis para se lançar ao ataque. Mas, pelo estilo de Brigatti, é improvável que faça isso sem adotar as cautelas devidas.
Reafirmo aqui a convicção de que os dois velhos adversários, gêmeos em paraensismo, estarão na Série B 2021, independentemente do resultado deste clássico histórico. Mas a magia e o clima em torno do jogo justificam a reutilização de um título de coluna usado há uma década. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)
Bola na Torre
O programa tem apresentação de Guilherme Guerreiro e vai começar depois do jogo da NBA, na RBATV, por volta de meia-noite. Participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em debate, lances e gols do Re-Pa decisivo. A direção é de Toninho Costa.
Choques de cabeça abrem espaço para a 6ª substituição
A coluna vem abordando há tempos os problemas decorrentes de choques de cabeça em jogos e treinos de futebol. O problema alcança níveis cada vez mais sérios e está levando a Fifa a promover uma experiência, no próximo Mundial de Clubes. Será testada a substituição extra (a sexta) quando constatado um quadro de concussão ou mesmo de risco de uma lesão mais séria na cabeça.
Um comunicado da entidade, divulgado ontem, que será feita uma avaliação médica ainda no gramado após trauma. Se confirmada a possibilidade de concussão ou risco, o time será autorizado a fazer uma substituição extra, além das cinco já permitidas.
Fontes da Fifa revelam que a mudança vinha sendo estudada desde dezembro passado pelo International Football Association Board (Ifab), responsável pela formulação de regras do esporte. Foi o Board que implementou as cinco substituições (em três janelas, com exceção do intervalo), em função da longa paralisação que os times tiveram durante a quarentena da pandemia.
Quase todos os times classificados para o Mundial de Clubes já estão definidos, faltando somente o da América do Sul.
É importante observar que a experiência posta em prática em uma competição da Fifa geralmente leva à efetivação da regra. Por isso, é bem provável que a novidade seja adotada ainda nesta temporada.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 10)
Algumas presepadas da narração de futebol na TV são inconcebíveis, tanto pela falta de inspiração quanto pelo desrespeito evidente. Rony, atacante rápido e habilidoso, sem qualquer característica de agressividade grosseria na maneira de jogar, vem sendo carimbado pelo locutor Téo José (SBT) com o tosco apelido de Rony Rústico.
O jogo seguia animado em Buenos Aires, o Palmeiras vencia o River Plate – com o gol de abertura marcado por Rony – e a bola é lançada para o ataque. Com aquela pose de quem está abafando, o locutor se esgoela: “É Rony! Rony Rústico na bola, minha gente!”.
Um despropósito com o profissional, uma afronta à lógica das coisas e um óbvio tom preconceituoso. Antes do jogo do Palmeiras, eu ainda não tinha tido o desprazer de acompanhar uma jornada da Libertadores pelo SBT. Lá no fundo, pressentia que não ia gostar da experiência.
Foi pior do que eu esperava. Com Jorginho, pastor nas horas vagas, e Mauro “sem palavras” Beting comentando, Téo José tentava encaixar uma piadinha a todo instante, sem a verve de um Sílvio Luís. A inspirada atuação do Palmeiras dispensava artifícios.
Narrador gaiato brilha em jogos ruins, quando a bola é castigada e o telespectador pode se distrair. O clássico dispensava coadjuvantes midiáticos. Bastava descrever o que acontecia em campo. E aconteceu muita coisa, tanto que o Palmeiras meteu três gols e podia fazer mais.
O ponto mais bizarro da noite foi a matéria de intervalo, quando Rony foi o destaque, ao lado de seu “pai” (assim apareceu na legenda) e empresário Hércules. Em meio a variadas citações bíblicas, por parte do atacante e de seu mentor, o exótico apelido virou tema principal.
Descobri que Rony, espantosamente, acha lindo ser chamado de “rústico”. Pareceu até agradecido pela alcunha. Téo José explicaria depois que teve a brilhante ideia a partir de uma velha música da Blitz. Estou tentando compreender até agora qual seria a ligação entre o garoto bom de bola e o pop inofensivo da banda carioca.
A reportagem, do gênero jornalismo piadista que assola a cobertura esportiva, não fez nenhuma menção ao Pará e às agruras que Rony teve que atravessar no começo da carreira. Também não houve muita preocupação em corrigir as críticas impiedosas que ele teve que engolir no esquema atrapalhado de Vanderlei Luxemburgo em seu início no Palmeiras.
Não apareceu ninguém para analisar o motivo da transfiguração. Em dois meses sob o comando do português Abel Ferreira, ex-Braga, Rony recuperou o futebol ágil e insinuante dos tempos de Atlético-PR quando entortava todos os zagueiros que via pela frente.
No Palmeiras atual, agora cantado em prosa e verso, Rony tem cinco gols assinalados na Libertadores e 12 assistências. É o melhor jogador do time na campanha que deve levar o Verdão à decisão do torneio continental.
Téo José talvez não saiba, mas o apelido talvez tenha mais a ver com a tortuosa transação que tirou Rony do Remo em 2015, na gestão de Pedro Minowa. De fato, a negociata foi tão rústica que até hoje não há uma explicação decente para o traço que o Leão tomou.
Reinauguração do Mangueirão terá jogo da Seleção
A visita que o governador Helder Barbalho fez à CBF, ontem, no Rio de Janeiro, foi muito mais objetiva do que pode parecer. A intenção era reafirmar e oficializar o pedido à entidade para marcar um jogo da Seleção Brasileira na inauguração do reformado estádio estadual Jornalista Edgar Proença (Mangueirão), em 2022.
As obras começam em março e serão finalizadas em 18 meses, com data de entrega prevista para agosto de 2022, ano de Copa do Mundo. Como as Eliminatórias Sul-Americanas já terão terminado, restará o período de amistosos preparatórios para o Mundial do Qatar, que será disputado em novembro e dezembro.
Rogério Caboclo, presidente da CBF, recebeu Helder e o presenteou com uma camisa do escrete. Na conversa, ficou alinhavada a vinda da Seleção a Belém para abrilhantar o novo estádio estadual, que passará pela mais profunda reforma de sua história.
Helder expôs os planos de revitalização do Mangueirão a Caboclo, que estava acompanhado pelo coronel Antonio Carlos Nunes, vice-presidente, que também participou do encontro.
Como manda a tradição do Re-Pa, bastidores fervilham
Além das dúvidas sobre a escalação de Rafael Jansen e Uchôa, o torcedor começa a ser brindado com as muvucas próprias do maior clássico da Amazônia. Não há Re-Pa sem guerrinha de nervos ou boataria para espalhar suspeições e desconfianças. Até domingo, às 18h, muita conversa ainda vai rolar pelas ruas, esquinas e bares da cidade.
O tema em debate é a suposta contratação de uma equipe de filmagem pelo PSC para acompanhar exclusivamente a atuação do árbitro Wilton Pereira Sampaio e do 4º árbitro, Andrey da Silva e Silva.
Ninguém mostrou o contrato ou divulgou o nome de tal firma, o que só reforça a impressão de fake news. Um jornal divulgou a história, acrescentando que a diretoria bicolor teria mais preocupações com Andrey, “inseguro” demais, segundo uma fonte não identificada.
A reação foi imediata. Com a memória em forma, Fábio Bentes, presidente do Remo, lembrou que Wilton Sampaio apitou o Re-Pa do Parazão, expulsando o remista Fredson e aliviando com o bicolor Micael. Como se vê, nada que vá afetar o andamento da partida, que pode definir acesso à Série B, mas na dose certa para agitar os clubes e atiçar as torcidas.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 9)
Fãs do mundo inteiro comemoram hoje o 74º aniversário de nascimento de David Bowie, um dos mais inventivos e geniais artistas do pop internacional. Ele morreu a 10 de janeiro de 2016, em Nova York.