
Capa icônica do álbum The Freewheelin’ Bob Dylan (1963) traz Dylan e a namorada Suze Rotolo passeando pelo bairro de Greenwich Village, em Nova York, e é reveladora da importância que a jovem teve na vida do bardo. Musa dos primeiros anos de carreira de Dylan, Suze morreu no dia 24 de fevereiro de 2011 após longo período doente.
Foi a inspiradora de diversas canções de amor compostas por Dylan, entre as quais “Don’t Think Twice, It’s All Right”, “Boots of Spanish Leather” e “Tomorrow Is a Long Time”. Ela tinha apenas 17 anos quando eles começaram a namorar, em 1961.
Em Crônicas Volume Um, bio de Dylan, ele revela que conheceu Suze no backstage de um show em Nova York. “Desde o começo eu não conseguia tirar meus olhos dela”, escreveu.
“Ela era a coisa mais erótica que já tinha visto. Tinha a pele clara e cabelos dourados, puro sangue italiano. Começamos a conversar e minha cabeça começou a girar. A flecha do cupido tinha assobiado nos meus ouvidos antes, mas desta vez ela acertou meu coração e seu peso me arrastou para fora do barco.”
No começo de 1962, Dylan e Suze Rotolo começaram a morar juntos em um pequeno apartamento. Suze vinha de uma família nova-iorquina de esquerda e teve papel importantíssimo na conscientização política de Dylan. Quando eles começaram a namorar, ele era apolítico e seu repertório consistia de músicas folk antigas.
Suze levou Dylan às reuniões do CORE (The Congress of Racial Equality – em português, Congresso da Igualdade Racial) e o apresentou ao movimento dos direitos civis. “Muito do que dei a ele foi o olhar de como a outra metade vivia – coisas da esquerda que ele não sabia”, disse ela em entrevista ao escritor David Hajdu, no livro Positively 4th Street. “Ele sabia sobre Woody [Guthrie] e Pete Seeger, mas eu estava trabalhando para o CORE e me envolvi nas marchas da juventude pelos direitos civis, e tudo aquilo era novo para ele.”

Suze contou a Dylan sobre o brutal assassinato do menino afro-americano Emmett Till em 1955, inspirando-o a compor o clássico de protesto “The Death of Emmett Till”. “Acho que foi a melhor coisa que já escrevi”, disse ele na época. “Quantas noites fiquei acordado compondo canções e as mostrando a Suze e perguntando ‘Isto está certo?’, porque sabia que a mãe dela era associada com os grupos, e ela estava envolvida com essa coisa de liberdades iguais muito tempo antes de mim. Eu checava as músicas com ela. E ela gostava de todas.”
No verão de 1962, Rotolo fez uma viagem a Itália, deixando Dylan em Nova York, sozinho e com o coração partido. Durante esse período ele compôs “Don’t Think Twice, It’s All Right”, “Boots of Spanish Leather” e “Tomorrow Is A Long Time” – canções de amor sobre Suze. Ela retornou em janeiro de 1963 e semanas depois a gravadora Columbia enviou o fotógrafo Don Hunstein para fazer a capa de The Freehweelin’ Bob Dylan.
O jovem casal andou pelas ruas de Nova York por alguns minutos enquanto Hunstein captava as imagens. “Bob enfiou suas mãos no bolso da calça jeans e se inclinou sobre mim”, escreveu ela em seu livro A Freewheelin’ Time: A Memoir of Greenwich Village in the Sixties, de 2009. “Em algumas imagens fica claro que estávamos congelando; certamente Bob estava, com aquele casaco fino.”
A fama crescente de Dylan acabou atrapalhando o relacionamento dos dois, e ela se mudou para o apartamento de sua irmã em agosto de 1963. “Eu não podia mais lidar com toda a pressão, com as fofocas, verdades e mentiras”, escreveu. “Eu era incapaz de encontrar um chão firme – estava em areia movediça e muito vulnerável.”
No final daquele ano, já não era possível ignorar os boatos de que a relação de Dylan com a cantora folk Joan Baez ia além do lado profissional. Eles terminaram o namoro, permanecendo amigos por um curto período. Durante sua viagem à Itália, em 1962, Suze havia conhecido o editor de cinema Enzo Bartoccioli. Casaram em 1970 e tiveram um filho, chamado Luca. Suze viveu em Nova York sua vida inteira e trabalhou como professora, pintora e ilustradora de livros. (Com informações da Rolling Stone)