Prisão de chefe das milícias do Sul do Pará mobiliza entidades sociais

Nota assinada por entidades sociais denuncia o posicionamento de proprietários de terra da região Sul/Sudeste do Pará, que estariam se articulando para pressionar o governo do Estado e o Judiciário objetivando conseguir a liberdade de José Iran Lucena, apontado como chefe das milícias regionais e que foi preso ontem pela Polícia Militar.

A seguir, íntegra da nota:

José Iran dos Santos Lucena foi preso no último dia 17 por policiais da Delegacia Especializada em Conflitos Agrários (Deca) de Marabá.

Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela justiça criminal, com base nas investigações realizadas na operação Longa Manus. Além de José Iran foram presos ainda o filho dele, Matheus da Silva Lucena e Hamilton Silva Ribeiro.

Tão logo a imprensa divulgou a prisão do bando, as organizações de produtores rurais do Estado divulgaram nota de protesto, deram inúmeras declarações e marcaram manifestação no fórum de Marabá, condenando a ação da polícia e do Judiciário, saindo em defesa da quadrilha chefiada por José Iran e exigindo sua imediata liberdade.

Para os fazendeiros, trata-se de um “pecuarista pai de família, honesto, empreendedor e que foi injustamente preso”. 

Mas, por que os fazendeiros reagiram de forma tão articulada e indignada contra essas prisões?

A resposta é simples: José Iran chefia a maior milícia armada com atuação no campo na região sudeste do Pará, a serviço dos fazendeiros.

Na Deca de Marabá existem inúmeras ocorrências feitas por grupos de trabalhadores/as rurais denunciando as práticas violentas dos pistoleiros chefiados por José Iran.

Há registros de ações criminosas do grupo nas fazendas Nova Era, município de Itupiranga; fazendas Gereba e Santa Tereza no município de Marabá; fazenda Petrópolis no município de Tucuruí; fazenda Santa Clara, município de Parauapebas; fazendas Bom Destino, Sossego e Santa Helena, no município de Anapu, entre outras.

O modus operandi da quadrilha é sempre o mesmo: contratado pelos fazendeiros eles se deslocam para o local do conflito, simulam uma ação policial e utilizando um arsenal de armas dominam as pessoas, espancam, queimam os barracos, motos e carros dos posseiros, ameaçam e, em alguns casos, executam as lideranças.

No pacote criminoso contratado pelos latifundiários interessados está inserido um batalhão de pistoleiros, armamento pesado, roupas camufladas, explosivos e carros blindados.

Ao dar cumprimento às ordens de prisão, a operação retirou de circulação o chefe da milícia responsável por organizar as ações criminosas encomendadas pelos fazendeiros, enfrentando uma das causas da violência no campo paraense.

Por essa razão, a Deca, o MP e o Judiciário local passaram a ser alvo dos fazendeiros.

Há muito, as entidades da sociedade civil com atuação voltada ao monitoramento e acompanhamento de conflitos fundiários no campo vem denunciando publicamente a atuação de milicianos financiados por latifundiários, com objetivo de aterrorizar a vida de trabalhadores/as rurais, sobretudo, aqueles que se encontram em situação de acampamento ou em ocupações nas áreas rurais no sudeste do estado; região que concentra o maior número de conflitos e assassinatos no campo no Pará e no Brasil.

Em contraponto às pressões exercidas pelas organizações dos produtores rurais, as entidades de direitos humanos e os movimentos sociais que assinam essa nota vão encaminhar um dossiê completo do caso para o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (CNDH), Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e para o Secretário de Segurança Pública do Pará (Wallame Fialho Filho), entre outros, requerendo o monitoramento do inquérito e da ação penal que será aberta para julgamento dos crimes praticados pela milícia.

Belém, 23 de janeiro de 2019.

Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST.

Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará – Fetagri.

Comissão Pastoral da Terra – CPT Pará.

Tragédia de Brumadinho tem 200 desaparecidos até agora

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O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou que há pelo menos 200 pessoas desaparecidas após o rompimento da barragem Mina do Córrego do Feijão nesta sexta-feira (25), em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A Vale informou que havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade de vítimas. Os bombeiros resgataram, até o final da tarde, quatro pessoas feridas, que foram encaminhadas ao hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

O rompimento da barragem ocorreu no começo desta tarde. Uma equipe da Defesa Civil do Estado já está atuando no local. Ao menos 19 municípios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama.

O rompimento da barragem em Brumadinho ocorre pouco mais de três anos do crime ambiental em Mariana, também em Minas Gerais – acidente que, em novembro de 2015, liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na região, destruiu casas e deixou 19 mortos após rompimento de barragem de Fundão, da mineradora Samarco.

No fim de 2018, o Brasil de Fato publicou uma matéria que alertava sobre a ampliação da mina na cidade. No dia 11 de dezembro, o Conselho Estadual de Política Ambiental  (Copam) aprovou a ampliação da mina em Brumadinho e de outra em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

As minas estão localizadas na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Rola Moça e enfrentavam forte resistência dos moradores. A continuidade das operações nas duas minas foi aprovada com apenas um voto contrário e duas abstenções.

O presidente Jair Bolsonaro deve viajar ao local e, no Twitter, lamentou o acidente. Ele disse que a maior preocupação no momento é “atender eventuais vítimas desta grave tragédia”. No início da semana, no Fórum Econômico Mundial de Davos, Bolsonaro afirmou que “somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós”. (Do Brasil de Fato)

Governo brasileiro falhou em proteger Wyllys, diz relatora da Comissão Interamericana

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Por Ricardo Senra, da BBC Brasil

Para a advogada chilena Antonia Urrejola Noguera, relatora especial do Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o país não foi capaz de garantir segurança e condições básicas para que o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) pudesse exercer suas funções.

Em entrevista à BBC News Brasil, Urrejola afirma que a Comissão havia cobrado, por meio de medida cautelar, que o governo brasileiro oferecesse proteção ao parlamentar. O texto, que narra uma série de ameaças ao congressista, foi enviado ao Brasil em 20 de novembro do ano passado.

“A Comissão Interamericana decretou uma medida cautelar para que o Estado tomasse medidas de proteção a favor de Jean e a resposta foi que ele já tinha medidas de proteção. Mas, eram exatamente essas medidas que o deputado indicava que eram insuficientes. Ele seguia recebendo ameaças”, diz.

“Efetivamente, (Jean Wyllys) não se sentia em condições de ficar no Brasil. É lamentável. Além disso, é lamentável pelo que ele representa. É um deputado LGBTI, em um contexto em que ouvimos recentemente sobre pelo menos quatro assassinatos contra pessoas deste grupo”.

Nesta quinta-feira, Jean Wyllys afirmou por meio de redes sociais e em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que abriu mão de seu terceiro mandato consecutivo de deputado federal, para o qual foi eleito com 24.295 votos. “Quero cuidar de mim e me manter vivo”, disse o deputado ao jornal, citando o assassinato de Marielle Franco e um aumento nas ameaças de morte que recebe.

Entre as provas enviadas pelo deputado à Comissão Interamericana, estão avisos. “Sua hora vai chegar. Falta pouco viadinho. Sai fora do Brasil enquanto dá tempo. Lixo escroto”, dizia um deles.

Congressistas lamentam

Na Câmara, alguns colegas de Jean Wyllys comentaram a decisão do colega carioca. O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), lamentou a decisão de Jean Wyllys. “Como presidente da Casa, e seu colega na Câmara, mesmo estando em posições divergentes no campo da ideias, reconheço a importância do seu mandato. Nenhum parlamentar pode se sentir ameaçado, ninguém pode ameaçar um deputado federal e sentir-se impune”, disse Maia, em nota.

O deputado Wadih Damous (PT-RJ) disse que Jean Wyllys tinha comentado com ele a possibilidade de abandonar o mandato já em novembro de 2018, logo depois das eleições. “Eu testemunhei por diversas vezes as ameaças feitas a ele (…). Às vezes na rua ele era hostilizado”. “É um ato de autopreservação, ele simplesmente não quer morrer. Agora, a que ponto chegamos aqui no país?”, disse.

O líder da bancada do PT, Paulo Pimenta (RS), e a deputada do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), emitiram notas em apoio a Jean Wyllys e cobraram explicações das autoridades brasileiras a respeito da segurança do parlamentar.

Colega de bancada de Wyllys, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) escreveu que o colega foi “alvo de preconceito, mentiras e ameaças de morte” por “exercer um mandato com ideias e causas”.

Messi lidera pedidos para retomada das buscas por avião de Emiliano Sala

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A situação dramática envolvendo o desaparecimento da aeronave que levava o jogador Emiliano Sala recebeu mais um capítulo nesta sexta-feira. Dada a confirmação por parte da polícia britânica do fim das buscas pelo atleta argentino e os demais passageiros do avião, a Premier League divulgou um comunicado lamentando o acontecimento e indicando a realização de um minuto de silêncio nos jogos do Campeonato Inglês. “A Premier League está profundamente triste por saber que a operação de busca por Emiliano Sala e pelo piloto David Ibbotson foi encerrada”, diz o comunicado.

Por outro lado, o coro pela retomada das buscas do avião que levava o jogador Emiliano Sala da França ao País de Gales, local onde o atacante assinaria contrato com o Cardiff, seguem ganhando cada vez mais adeptos. Dessa vez, Lionel Messi endossou os pedidos com uma publicação em sua rede social, na qual pediu para que a polícia britânica faça valer as possibilidades que ainda existam.

Em seus stories, no Instagram, o craque argentino do Barcelona também escreveu a mensagem “NoDejenDeBuscar” (Não Deixem de Buscar, em português), que tem sido utilizada nas redes sociais a fim de viralizar para que as buscas sejam retomadas, já que a polícia britânica confirmou o fim da operação na última quinta-feira na região do canal da Macha, onde a aeronave perdeu conato e saiu do radar.

Além de Messi, outros nomes importantes do futebol lamentaram o acontecido e prestaram sua homenagem para o jogador argentino. A família do atacante, inclusive, tem pedido para que as buscas pelo avião sejam retomadas. O pai de Emiliano, Horácio, solicitou até mesmo a interferência do presidente da Argentina, Maurício Macri, na tentativa de uma conversa com o Reino Unido para o recomeço da operação.

“Enquanto seja possível e exista esperança, peço por favor que não desistam de procurar o Emiliano. Toda a minha força e apoio para seus familiares e amigos”, escreveu Messi.

A frase do dia

“TOP SECRET: A ditadura militar-miliciana vai mostrando a sua cara. Agora, qualquer guarda da esquina com cargo comissionado pode classificar dados como ultrassecretos e secretos. Assim se defende dos abelhudos que trazem à tona um Queiroz, um Flávio ou até mesmo um Bozo”.

Palmério Dória, jornalista e escritor

Facebook faz parceria com a Fox para exibir jogos da Libertadores

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A Facebook fechou nesta semana uma parceria com o Fox Sports para a produção e exibição na rede social dos jogos da Libertadores nas noites de quinta-feira a partir deste ano. Segundo apurou o UOL Esporte, a parceria é nos mesmos moldes que a rede social de Mark Zuckerberg tem com o Esporte Interativo para a Champions League.

A exibição e escolha de jogos ficará por parte do Facebook, enquanto a Fox vai produzir, gerar o sinal e colocar sua equipe para transmissão. As partidas serão geradas a partir da página do Fox Sports na rede social. Além disso, o Facebook pagará ao canal um valor pelo serviço, assim como faz com a Turner.

Procurado oficialmente para falar sobre o assunto, o Facebook confirma a parceria com a Fox. As negociações avançaram principalmente no último mês, quando várias reuniões ocorreram no Rio de Janeiro. A escolha do Facebook novamente em ter acordo com um canal já existente, em vez de montar sua própria equipe, mostra uma linha de raciocínio de negócio da rede social para começar no esporte.

A reportagem apurou que a escolha por esse caminho se dá por três fatores. O primeiro deles é o preço que os canais oferecem ao Facebook para realizar tudo, bem mais em conta do que montar toda uma estrutura técnica e de pessoal.

O segundo ponto é a questão técnica. Principalmente no caso da Fox, a empresa já recebe todos os sinais de transmissão da Libertadores. Qualquer outra empresa de comunicação escolhida teria de investir no mínimo para receber com qualidade a imagem que será enviada pela Conmebol a partir deste ano.

O terceiro ponto é de exposição. O Fox Sports mantém um estigma de “casa da Libertadores” com a exibição de jogos em sua rede social, além de já ter os direitos de TV. Enquanto isso, o Facebook lucra com a audiência alta e custos bem mais baixos de produção. Todo mundo sai ganhando.

Vale lembrar que a Libertadores terá quatro exibidores este ano. Além do Facebook com jogos exclusivos nas noites de quinta, a Globo vai exibir uma partida por rodada na TV aberta, enquanto SporTV e Fox Sports, nas noite de terça e de quarta, têm os direitos para TV paga. (Do UOL) 

Fenaj denuncia ameaça à Lei de Acesso à Informação

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiu nota criticando a mudança na Lei de Acesso à Informação.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vem a público lamentar e repudiar o decreto presidencial que alterou a Lei de Acesso à Informação (LAI) e que, na prática, pode fazer com que a lei não seja aplicada ao governo federal. O decreto nº 9.690, publicado hoje no Diário Oficial da União, foi assinado pelo vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), na qualidade de presidente interino, e permite que servidores comissionados e dirigentes de fundações, autarquias e empresas públicas imponham sigilo secreto e ultrassecreto a dados públicos.

A LAI, uma importante conquista da sociedade brasileira aprovada em 2011 e aplicada a partir de maio de 2012, durante o primeiro mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), estabeleceu a transparência como regra para a administração pública. Resguardou, entretanto os interesses do Estado brasileiro ao permitir que, excepcionalmente, alguns documentos fossem considerados reservados ou secretos, estabelecendo uma escala de classificação, com sigilo de 5 a 25 anos. Essa classificação somente poderia ser feita pelos presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas e chefes de missões diplomáticas ou consulares permanentes no exterior.

Ao alterar a Lei para autorizar que servidores públicos, ainda que de alto escalão, possam classificar dados do governo federal como informações ultrassecretas e/ou secretas, o governo Bolsonaro joga por terra o princípio da transparência. A ampliação indiscriminada dos agentes públicos com poder de cercear as informações vai favorecer a ocultação da improbidade administrativa e outras formas de corrupção.

Em entrevista, o presidente em exercício disse que o decreto visa “reduzir a burocracia na hora de desqualificar alguns documentos sigilosos”. A retórica, entretanto, não é capaz de desmentir o que está estabelecido no decreto: servidores públicos de alto escalão poderão impedir o acesso dos cidadãos e cidadãs, incluídos os jornalistas, às informações públicas. Se o acesso era a regra e o sigilo a exceção, prenuncia-se o inverso: o sigilo como regra e o acesso como exceção, caracterizando um ataque à liberdade de imprensa e ao exercício da cidadania.

A Fenaj espera que a sociedade brasileira reaja à medida arbitrária e antidemocrática, exigindo do governo Bolsonaro a sua revogação.

Brasília, 24 de janeiro de 2019.

Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj.

Toda habilidade será castigada

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POR GERSON NOGUEIRA

O futebol marcha para um buraco sem fundo quando um técnico diz que talento e dribles devem ser enfrentados com pancadaria, justificando a saraivada de pontapés que um zagueiro do Strasbourg aplicou em Neymar após ser fintado três vezes, na partida de anteontem contra o PSG, tirando-o de campo e possivelmente do restante da Champions League.

Depois de ter ficado inativo por 80 dias no primeiro semestre do ano passado, com uma lesão no pé, o camisa 10 do PSG volta a se defrontar com o risco de inatividade por longo período. A trajetória de Neymar tem sido marcada por contusões sérias, desde que passou a integrar o patamar dos melhores e mais caros futebolistas do mundo.

O episódio mais dramático ocorreu na Copa de 2014 quando levou uma joelhada do colombiano Zuniga, sofrendo fratura da vértebra. Além de desfalcar o Brasil na fase aguda do Mundial, chegou a ficar com a carreira ameaçada, pois havia a possibilidade de um aleijão permanente.

Thierry Laurey, técnico do Strasbourg, surpreendeu pela agressividade nas declarações pós-jogo. Em tom insolente, disse que Neymar tem qualidades inegáveis, mas joga como se tirasse sarro dos adversários e que os demais jogadores não estão ali para dançar balé.

“Ele gosta de brincar em campo. Chega uma hora que o zagueiro se cansa e tem que jogar duro com ele”, comentou Laurey. A afirmação é descarada e até cínica, pela falta de respeito mínimo ao que o jogo e suas regras exigem. É como se Neymar fosse obrigado a não driblar ou firular a fim de não despertar a selvageria dos pernas-de-pau que o marcam.

Foi mais ou menos como se pronunciou, durante a Copa da Rússia, o colombiano Juan Carlos Osorio, técnico do México. Mordido por ter sido eliminado do torneio pelo Brasil, saiu insultando o craque brasileiro (e a própria ética boleira) com a afirmação de que futebol é para homens.

Acima de tudo, ambos demonstraram ser maus perdedores e técnicos limitados (Laurey mais ainda), sem um histórico de conquistas que permita um mínimo de comparação com Neymar, seguramente um dos maiores astros do futebol mundial.

Assusta mais, porém, é o tom de quase aprovação a esse comportamento violento contra Neymar entre profissionais da mídia esportiva brasileira. Vi na ESPN ontem o ex-volante carniceiro Zé Elias defendendo a mesma opinião de Laurey, entendendo que o camisa 10 faz muita firula, nem sempre em direção ao gol. Ora, a partir de agora, talvez tenhamos que considerar que habilidade definitivamente virou crime.

Zé Elias e outro comentarista chegaram a reprovar a atitude de Neymar sem ao menos recriminar a sarrafada tripla (no mesmo lance!). Na mesma linha, o volante Anthony Gonçalves, do Strasbourg, foi mais explícito: “Ele gosta de brincar com a bola, mas não estamos para brincadeira. Não somos seus fantoches. Respondemos com nossas armas”.

Os termos usados pelo brucutu francês buscam amenizar as agressões praticadas contra Neymar, mas não são menos assombrosos do que a opinião expressada pelos comentaristas, que teoricamente deveriam ser defensores da aplicação das regras do jogo, cuja finalidade é proteger os mais habilidosos e punir a quem bate e agride.

Tristes tempos de crescente tolerância à violência, no campo e na vida. O certo é que não conheço torcedor que pague para ver zagueiros botinudos mostrando seus recursos de MMA em jogos de futebol. Isso pode ser qualquer coisa, menos esporte.

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A importância de Etcheverría para o novo Leão

Depois de muito procurar (e errar), o Remo conseguiu achar um meia-armador de qualidade na Série C 2018. Pena que foi por pouco tempo. Everton encaixou muito bem no esquema elaborado pelo técnico Artur Oliveira na ocasião, mas acabou desertando quando o time mais precisava de qualidade e alternativas no setor de criação.

Para esta temporada, o clube se esmerou nas buscas e terminou por acertar com Eduardo Etcheverría, um paraguaio habilidoso e com facilidade para finalizações que se destacou no Botafogo-PB.

Apresentado como a principal contratação para o Campeonato Estadual, o próprio jogador fez questão de se esquivar, rejeitando a pecha de salvador da pátria. Recorreu ao clichê boleiro, dizendo que veio para somar e não quer ser visto como astro da companhia.

Apesar desse cuidado, compreensível nos dias que correm, Etcheverría é visto pela torcida como o jogador mais qualificado do time. Aliás, a diretoria o distinguiu dos demais contratados. Por isso, sofrerá mais cobranças do que os demais.

Para a estreia, amanhã à noite, contra o São Raimundo, no estádio Barbalhão, caberá ao meia-armador a responsabilidade de comandar a evolução ofensiva da equipe, representando um ponto de equilíbrio para um grupo que obviamente ainda não é um primor de entrosamento.

Auxiliado por Wallacer ou Diogo Sodré, terá condições de se aproximar dos homens de linha, Alex Sandro e Henrique (ou Mário Sérgio). Nos amistosos recentes, Etcheverría mostrou que está fisicamente apto para executar essas funções. O Remo vai precisar muito dele.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 25)