Gol nos acréscimos salva Papão

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POR GERSON NOGUEIRA

Uma bola desviada por Romário na trave direita de Mota, ainda no 1º tempo, deu o tom da agressividade do Bragantino dentro da Curuzu, na manhã de ontem. O time de Agnaldo de Jesus botava pressão em busca do empate, que viria aos 44 minutos, com finalização de Arian Taperaçu aproveitando cruzamento de Ricardo Capanema para a pequena área.

O fato é que o gol obtido pelo Papão, logo aos 2 minutos, com Caion cobrando pênalti (sobre Nicolas), deu uma falsa tranquilidade ao time, que relaxou e cedeu espaços preciosos ao adversário. O rendimento geral ficou muito abaixo do que havia sido mostrado na estreia contra o S. Francisco.

No meio-campo, Keoma e Capanema levavam ampla vantagem no combate direto e a movimentação dos atacantes do Braga criava imensas dificuldades para a excessivamente lenta defensiva bicolor.

Ao contrário da estreia, o PSC não conseguiu produzir ataques em velocidade e apenas Caion mostrava mais desenvoltura, antecipando-se à marcação e criando boas situações dentro da área.

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Inferior no primeiro tempo, o PSC voltou ainda mais tímido para a etapa final e acabou surpreendido pela determinação do visitante em buscar a vitória. Com ataques seguidos e boa presença de Marco Goiano no apoio ao ataque, o Braga perdeu chances seguidas para alcançar a virada.

Logo aos 2 minutos, Marco Goiano invadiu pela esquerda e disparou um foguete, que Mota espalmou para escanteio. Aos 16’, Mota rebateu mal para a entrada da área e Micael salvou com a barriga o chute de Goiano.

Num cochilo da zaga bragantina, Caion esteve a pique de desempatar aos 21’, mas o goleiro Axel defendeu bem o chute à queima-roupa. Depois disso, Goiano desperdiçou chance ainda mais clara diante do goleiro Mota, depois de receber excelente assistência de Fidélis.

O gol da vitória do PSC só veio nos acréscimos. Leandro Lima cobrou falta e fez a bola chegar limpa aos pés de Marcos Antonio, que não vacilou, batendo para o fundo das redes. O resultado trouxe alívio e salvou a domingueira da vibrante galera (mais de 13 mil pagantes) alviceleste.

Caion foi o melhor do PSC, Marcos Antonio revelou oportunismo no lance decisivo, mas Vinícius Leite nem foi notado. No Bragantino, Goiano, Capanema e Arian foram os destaques, mas toda a equipe esteve bem.

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Leão quebra tabu em Santarém com atuação segura

Com a vitória sobre o São Raimundo, sábado à noite, no estádio Barbalhão, o Remo quebrou um tabu de nove anos sem vitórias dentro de Santarém. O triunfo foi construído a partir da postura segura e determinada do time azulino desde os primeiros movimentos.

Apesar de erros seguidos no meio-campo, onde Dedeco não conseguia acertar passes simples, o Remo se impôs e jogou quase o tempo todo no campo de defesa do São Raimundo, surpreendendo ao inverter o que é tradicionalmente forte nos times de Santarém: o jogo de velocidade e pressão sobre os visitantes.

Logo nas primeiras ações, o ataque do Remo conseguiu ampla vantagem sobre a marcação. Henrique, driblando e fazendo tabelinhas com Mário Sérgio, era o mais participativo jogador do setor ofensivo azulino. O problema é que o setor de criação se mantinha distante, com Samuel e Wallacer se posicionando muito atrás.

O primeiro gol surgiu de uma jogada rápida na intermediária do Pantera. Samuel recebeu e resolveu arriscar de fora da área. A bola foi à meia altura, de curva, batendo no rosto do goleiro Jhones antes de entrar, aos 37’.

Sem mudar de característica, o Remo manteve no 2º tempo a marcação firme no meio e a segurança na última linha, mas deixando Henrique e Mário Sérgio meio isolados no ataque. Djalma, que havia sido discreto no primeiro tempo, passou a participar mais dos avanços pela direita.

Do lado santareno, o atacante Raí era o único a arriscar alguma coisa, mas não conseguia levar vantagem sobre Rafael Jensen e Mimica. Sem alternativa, disparou dois chutes de fora da área, longe do gol de Vinícius.

Depois de trocar Robson, lesionado, por Diogo Sodré, João Neto resolveu mexer no ataque tirando o arisco Henrique e lançando Gustavo, que entrou para explorar o lado esquerdo e fez Mário Sérgio passar a jogar pela direita.

Aos 32’, após várias tentativas pelo meio, o Remo ampliou numa jogada aérea. Djalma cobrou escanteio e Jensen subiu no centro da pequena área para cabecear forte, sem defesa para Jhones.

Com 2 a 0 no placar, o Pantera subiu ao ataque, o Remo teve alguns chances nos contragolpes, mas a partida já estava definida.

Jensen, Henrique e Tiago Félix se sobressaíram na partida. Por outro lado, chamou atenção a barração de Etcheverría, mas o triunfo leonino abafou qualquer questionamento à decisão do técnico Netão. Não esquecendo que o meia-atacante foi a principal contratação do Remo para a temporada.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 28)

Investigação da PF sobre ameaças a Jean Wyllys é fake

Por Fernando Brito

Em nota oficial emitida neste sábado, o Ministério da Justiça, chefiado por Sérgio Moro lamenta a decisão do deputado Jean Wyllys de renunciar ao mandato e deixar o país, mas diz que “não há omissão das autoridades constituídas” na identificação e punição aos que ameaçam o psolista.

Dá como exemplo solitário a prisão de Marcelo Valle Siqueira Mello, membro do grupo autointitulado ‘Homens Sanctos’, que foi preso em 2018, segundo a nota, por fazer ameaças contra Wyllys .

Não é verdade. Marcelo foi preso em maio de 2018, em razão de um inquérito policial iniciado em 2012, muito antes de Wyllys denunciar ameaças.

Inquérito que, aliás, começara um ano antes, como se pode ler no mandado de busca, apreensão e prisão do cidadão, assinado em abril deste ano pelo Juiz Marcos Josegrei, da 14a. Vara Criminal.

Aliás, o sujeito já fora condenado na Operação Intolerância (ação penal nº 5021040-33.2012.4.04.7000) pela prática de crimes via internet, através de postagens destinadas a disseminar o ódio, o racismo e a discriminação, “fatos ocorridos no período de outubro a dezembro de 2011”. Na peça, em 36 páginas, o nome de Jean Wyllys não é citado uma única vez.

O Ministério da Justiça “reciclou” um criminoso de ódio para “demonstrar” que está agindo contra os que ameaçam o deputado, usando um caso antigo e, aparentemente, não relacionado com as ameaças que o deputado sofre.

Aliás, não deve saber que os áudios em que o cidadão recomenda que os homens sejam “canalhas” para serem bem sucedidos com mulheres – que seriam satânicas, aliás – continuam podendo ser acessados na internet e que o canal dos tais “Homens Sanctos” continua ativo no Youtube, veiculando propaganda nazista.

Até porque Marcelo, preso desde maio, não poderia ser o autor de tentativas de intimidação recente.

O Ministério de Moro deveria caprichar mais nas respostas, limitando-se a informar a verdade e não pegando um condenado “na prateleira” para tentar apresentar serviço.

A mistificação só ajuda a dar razão ao que diz Jean Wyllys.

Moro: soldado raso do bolsonarismo

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Por João Filho – The Intercept_Brasil

Nos últimos anos, Sergio Moro se tornou o grande herói brasileiro do combate à corrupção. Ganhou prêmios, deu muitas entrevistas, viajou pelo mundo contando seus feitos, enfim, se sentiu muito bem no papel de salvador da pátria. Depois de se dedicar em apressar a prisão do candidato que liderava as pesquisas presidenciais e, consequentemente, pavimentar o caminho para o desfile vitorioso da extrema direita, topou fazer parte do novo governo.

Mas o nosso herói já conhecia o histórico da família Bolsonaro na distribuição de tetas para amigos e parentes no serviço público. Sabia que Jair Bolsonaro encaminhou R$ 200 mil recebidos da JBS para o partido mais investigado pela Lava Jato. Sabia que a Wal do Açaí era uma funcionária fantasma. Sabia que o presidente sonegou e incentivava a população a sonegar impostos. E também sabia da simpatia dele e de seus filhos pelas milícias. Bolsonaro chegou a defender grupos de extermínio da Bahia em plena Câmara dos Deputados. Como diria Jair, basta fazer uma “retrospectiva do passado” para concluir que o juiz topou integrar um governo cujas credenciais éticas do seu líder eram amplamente conhecidas. Moro sabia de tudo.

As notícias desta semana já não deixam mais dúvidas: o presidente tem ligações com as milícias do Rio de Janeiro. Sim, porque não é mais possível descolar as ações do senador Flávio do presidente Jair. Há fatos suficientes para se fazer essa afirmação.

Foi o presidente que apresentou o motorista Queiroz para Flávio, que era apenas uma criança quando seu pai e ele iniciaram uma amizade que já dura mais de quatro décadas. Bolsonaro não explicou o contexto nem apresentou comprovante do empréstimo feito a Queiroz, o homem que conseguiu empregos no gabinete de Flávio para a mulher e ex-esposa do chefe da milícia de Rio das Pedras — o mesmo lugar em que Queiroz ficou escondido antes de ser internado no Albert Einstein. A primeira-dama Michele Bolsonaro está sendo investigada pela Receita Federal por receber um cheque de Queiroz que, segundo Jair Bolsonaro, seria o pagamento do empréstimo feito a ele. O presidente da República é também sócio de Flávio Bolsonaro em uma empresa que o filho omitiu na declaração para o TSE.

Não adianta o presidente dizer que nada tem a ver com as ações do seu “garoto”, que só chegou ao Senado por causa do sobrenome. Trata-se de uma família que cresceu e enriqueceu unida ao longo dos anos na política. Negar isso agora é apenas cinismo. O deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, é deputado federal, mas tem atuado como um dos porta-vozes do governo federal no exterior. Assim como o vereador Carlos Bolsonaro trabalha com as redes sociais do presidente. Tudo junto e misturado.

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Moro largou uma carreira jurídica admirada por boa parte da sociedade para virar um político bolsonarista. Para todo problema ético do governo Bolsonaro, Sergio Moro tem uma resposta hipócrita e constrangedora. Quando Onyx Lorenzoni foi pego duas vezes no caixa 2 — crime que o ex-juiz considerava “pior que corrupção” — Moro aceitou seu pedido desculpas e afirmou que o chefe da Casa Civil goza da sua “confiança pessoal”.

Na semana em que o núcleo bolsonarista aparece envolvido até o osso com as milícias do Rio de Janeiro, o super ministro da Justiça deixou a violência correndo solta no Ceará e viajou com o presidente para Davos. Eu não entendi muito bem o que ele foi fazer em um fórum econômico além de conferir um verniz ético que falta para o governo Bolsonaro, mas, beleza, a explicação até que é razoável. Ele diz que foi apresentar seu trabalho “contra a corrupção, contra o crime organizado, contra o crime violento” e que trabalhar isso no “ambiente de Davos, é bom para os negócios”. Ok. O problema é que no ambiente do Brasil, as ligações da família do presidente com a corrupção, com o crime organizado e violento do Rio de Janeiro estão ficando cada vez mais evidentes.

Nos dias em que esteve em Davos, Moro evitou ao máximo falar das ligações de Flávio Bolsonaro com milicianos. “Não me cabe comentar sobre isso, mas as instituições estão funcionando”. Como não cabe? Não é adequado para um ministro da Justiça comentar o principal escândalo de corrupção do momento do seu país? Não é essa a postura que se espera de um super-herói empenhado em varrer a roubalheira na política. Muitos devotos de Moro devem estar decepcionados.

Os corruptos certamente comemoraram a notícia de que o Banco Central quer excluir parentes de políticos da lista de monitoramento das instituições financeiras e derrubar a exigência de que todas as transações bancárias acima de R$ 10 mil sejam notificadas ao Coaf. Mas Sergio Moro não pareceu chocado com esse retrocesso no combate à corrupção: “Temos de entender melhor por que os reguladores do Banco Central estão propondo essa medida, e aí podemos discutir com eles se é uma boa ideia”.

Moro quer entender melhor os motivos que levaram o banco a querer afrouxar o monitoramento que ajuda a coibir lavagem de dinheiro e desvios de verbas do Estado. A intenção do banco é clara e objetiva, sem espaço para dúvidas, mas Moro ainda precisa pensar se é uma boa ideia. Ele alegou ainda que essa é uma medida do governo anterior, o que não justifica a sua passividade. Esperava-se uma declaração mais firme do atual ministro da Justiça contra o absurdo. As regras que o Banco Central pretende reverter entraram em vigor em 2009, durante o governo Lula, e ajudaram a desvendar muita roubalheira em família, inclusive o laranjal de Flávio Bolsonaro. É inacreditável que o nosso cão de guarda da corrupção esteja titubeando tanto justamente agora.

Enquanto o ministro da Justiça estava em Davos, outra notícia boa para os corruptos brasileiros: Onyx Lorenzoni e Mourão baixaram um decreto que amplia o número de funcionários públicos que podem decretar sigilo sobre documentos. O ato é um duro ataque contra a Lei de Acesso à Informação, uma importante ferramenta que visa tornar transparente as ações dos governantes e facilitar a fiscalização pela sociedade civil. Agora não são apenas presidente, vice, ministros e embaixadores que podem tornar documentos inacessíveis, como previa decreto de 2012 do governo Dilma, mas funcionários de segundo e terceiro escalão. Segundo apuração do jornalista Breno Costa, agora “mais de 1.200 pessoas no governo federal poderão receber poderes para definir que documentos públicos fiquem em segredo pelo menos até 2034″.

A consequência disso é óbvia: mais documentos se tornarão secretos e haverá menos transparência nas ações do governo. “Transparência acima de tudo. Todos os nossos atos terão que ser abertos ao público”, foi o que prometeu Jair Bolsonaro na primeira semana de governo. Qual será a opinião do nosso ministro da Justiça? Ainda não é conhecida, mas provavelmente ele ainda deve estar pensando se é ou não uma boa ideia.

Sergio Moro se tornou o político que posa para a selfie do Luciano Huck e foge da coletiva de imprensa para não ter que falar sobre a bandalheira da família do seu chefe. Parece que toda aquela volúpia anticorrupção esfriou. A imagem heroica está sendo moída pela realidade. Até agora, Sergio Moro tem se mostrado apenas um soldadinho raso e fiel do bolsonarismo.