Em busca de tranquilidade

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão recebe o Sampaio Corrêa e tem a chance privilegiada de praticamente afastar os riscos de rebaixamento. Com dez pontos em relação ao primeiro da zona da degola (Bragantino), uma vitória dará à equipe paraense a condição necessária para cumprir sem sobressaltos o restante da competição. Ao mesmo tempo, despachará em definitivo o Sampaio para a Série C.

Por essas razões, o jogo desta tarde é seguramente o mais importante desta reta final de Série B para o Papão. Pode representar um divisor de águas na atribulada campanha bicolor, garantindo a Dado Cavalcanti tempo e tranquilidade para rodar e avaliar jovens atletas da base alviceleste.

unnamedEm meio à instável caminhada no campeonato, ficou sempre a impressão de que o time não decolou por erros pontuais na política de contratações. Jogadores que tinham bom histórico chegaram a Belém e frustraram as expectativas, custando caro aos cofres do clube. Algumas aquisições não chegaram sequer a passar pelo crivo crítico do torcedor, pois foram dispensadas sem ter uma sequência de jogos.

Um outro aspecto também contribuiu bastante para a decepcionante trajetória do Papão: as baixas no elenco por problemas de ordem médica e de condicionamento. Nos primeiros jogos, com Dado ainda no comando, quase um time inteiro ficou entregue ao departamento médico, criando sérios atropelos ao trabalho do técnico.

A vitória sobre o Sampaio é particularmente importante porque permitirá ao time começar a escapar da pressão natural pela busca de resultados. Com isso, comissão técnica e dirigentes da área do futebol terão tempo para estabelecer as bases de preparação para a próxima temporada.

Nos treinos da semana, o time desenhado apresenta algumas novidades interessantes. Começa pela volta de Pablo à zaga. Sua escalação foi imposta pelas lesões sofridas por Gilvan e Gualberto, mas é uma questão de justiça que o zagueiro ganhe nova chance, mesmo que seja apenas para a reta final da competição.

Outra mudança deve ser a efetivação de Cleyton, para atuar ao lado de Tiago Luís. Na estreia, contra o Goiás, o alagoano foi discreto no período em que atuou, mas treinou bem e pode ter papel estratégico como meia-atacante contra o Sampaio.

O ataque também depende de definições de última hora. A princípio, Bruno Veiga era dado como titular, ao lado de Leandro Cearense. Ontem, porém, Rivaldinho treinou na posição e pode ser escalado. Se confirmada, a troca causa certo espanto. Veiga vem evoluindo e Rivaldinho não se encaixou no time.

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Sob o peso das influências sombrias

A política anda tão rasteira e traiçoeira no Brasil que sua influência se espraia pelos mais diversos níveis de atividade. É o que se observa na campanha para a eleição presidencial do Remo, que, em certos momentos, faz lembrar a sujeira que permeia o pleito para a Prefeitura de Belém.

Definida a composição da comissão que irá analisar o relatório do Conselho Fiscal, que traz duras acusações ao presidente André Cavalcante, e a defesa apresentada por este, um detalhe crucial chama atenção.

Para surpresa de quase ninguém, dentro do clima de manobras de bastidores que assolam a campanha eleitoral, os membros da comissão têm vinculação notória com o presidente do Conselho Fiscal e com a chapa 10, encabeçada por Manoel Ribeiro.

O lado ruim dessa história é que, por mais que a análise dos relatórios seja a mais isenta possível (e não há razão para duvidar da idoneidade de ninguém), carregará sempre um fio de desconfiança quanto aos seus objetivos.

Há no Direito o princípio da suspeição justamente para casos dessa natureza, impedindo que alguém com interesse direto ou indireto em determinado processo possa analisá-lo e julgá-lo. Portanto, nenhum dos conselheiros escolhidos para a comissão poderia ter aceitado a incumbência.

Ocorre que no Remo atual as regras básicas de convivência têm sido atropeladas e afrontadas por expedientes ditatoriais, como a negação do contraditório, princípio elementar e sagrado em qualquer esfera judicial.

Como dizia antigo alcaide de Belém, aqui a Lei é potoca. Os azulinos fazem um esforço monumental para transformar a frase em verdade incontestável.

Ataques verbais de baixíssimo calão deram o tom das últimas reuniões no clube, para estupor de antigos dirigentes e beneméritos. Quando a desinteligência entra em cena, o bom senso sai pela janela.

O clube atravessa um de seus mais inglórios momentos, necessitando mais de união de esforços para vencer os gigantescos desafios impostos por dívidas e pendências acumuladas ao longo da última década.

É fundamental que todos tenham a exata dimensão de suas responsabilidades, mas, ao que parece, essa noção de grandeza foi deixada de lado.

Prevalece a ambição desmedida pelo poder e pelos holofotes, materializada nos truques e baixarias. Assusta que neste cenário de tantas incertezas não surjam vozes lúcidas para aplacar a tormenta fratricida que ameaça afundar de vez a nau azulina.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 29)

Roni garante vitória do Náutico sobre o líder

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