O passado é uma parada…

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Trecho do discurso de Rui Barbosa no Senado Federal, em dezembro de 1914.

3 comentários em “O passado é uma parada…

  1. Palavras de um longevidade indiscutível. À propósito, neste mesmo põema-discurso, uma estrofe antes, Rui também disse:

    “Tenho vergonha de mim
    pela passividade em ouvir,
    sem despejar meu verbo,
    a tantas desculpas ditadas
    pelo orgulho e vaidade,
    a tanta falta de humildade
    para reconhecer um erro cometido,
    a tantos “floreios” para justificar
    atos criminosos,
    a tanta relutância
    em esquecer a antiga posição
    de sempre “contestar”,
    voltar atrás
    e mudar o futuro.”
    (…)

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  2. Prezado Ferdinando, Rui Barbosa fala dos exageros e desvios que a ignorância pode provocar. Por exemplo. Nos versos que trouxe o caro Oliveira. O velho Rui trata da indiferença e da covardia. Ele fala de uma apatia e de uma certa passividade, de uma aceitação ruminante que ouve e não discute, só aceita. Trata-se da ignorância e dos prejuízos que ela traz, como certos comportamentos típicos. Mas está lá mesmo no poema a senha para entender o velho Rui. Humildade só serve para reconhecer os próprios erros e aprender com eles. A humildade não te traz a grandeza, é condição para chegar a ela. Com orgulho digo a você que só sou humilde nessas horas, nas horas de reconhecer os erros e aprender com eles. Nas outras, erro e acerto como todo mundo. Só se é humilde nessas horas, nesse contexto e, fora dele, a humildade é uma qualidade até lembrada, às vezes, mas só às vezes. No resto do tempo se é orgulhoso e vejo o orgulho como a qualidade necessária ao humilde. Posso dizer que já errei na vida e tive humildade pra reconhecer meus erros e aprender com eles, mas foi o meu orgulho que me levou a não cometer os mesmos erros de novo, de lembrar a experiência. Nas outras horas é falsidade falar em humildade, como também é falso rechaçar o orgulho como defeito. Humildade e orgulho se complementam. Isso tudo é meio Nietzsche…

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