Entre os nós da liberdade

Tudo é previsível.
O relógio que não pára,
o ovni visto e incrível,
o desígnio de Che e de Sara.

O tempo de olhar com rímel,
a pose do retrato e o das rugas,
mesmo o se dado ao impossível,
mesmo amor e seus verdugos.

Viver ganha a certeza
de que tudo acontece,
porque um povo explode e arde.

Prever denuncia e enfeza
o homem que quase esquece:
amanhã será possível, ou tarde.

(Márcio Almeida, poemas II, Ed. Civilização Brasileira, 1979)

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