
POR GERSON NOGUEIRA
Uma das grandes canções de David Bowie e de todo o rock britânico é “Heroes”, cujos versos garantem que podemos ser heróis apenas por um dia. Incorrigível camaleão, Bowie morreu ontem, aos 69 anos, vencido pelo câncer, mas coberto das glórias e do reconhecimento por uma carreira admirável e absolutamente diferente de tudo o que a música pop produziu nos últimos 40 anos.
Abri a coluna de retorno do breve recesso tributando o grande Bowie e aproveitando uma de suas criações para introduzir o verdadeiro tema central: a conquista do Prêmio Puskas de gol mais bonito do ano pelo goiano Wendell Lira.
Autor de uma jogada primorosa, em que aliou elasticidade e pontaria no arremate final praticamente de sem-pulo, Wendell teve seus minutos de ribalta em meio à solenidade organizada pela Fifa. Fez um discurso comovente, citando as dificuldades enfrentadas e dedicando o laurel à mulher e à filha. Citou, com muita propriedade, Davi e Golias.
Podia ter aproveitado para dizer também que está desempregado, sem jogar desde que saiu do Goianésia, clube que defendia quando executar o lance mais impressionante de sua vida no futebol.
Com um pouco mais de desembaraço, Wendell talvez dissesse ao mundo que o futebol milionário e nababesco é uma ilusão, pois só é realidade para alguns poucos privilegiados e sortudos atletas. Aliás, todos os sortudos estavam ali na plateia acompanhando atentamente suas palavras.
Seria oportuno e revolucionário, principalmente pelos milhares de boleiros brasileiros que vivem de salário mínimo ou nem isso. Teve a chance preciosa de falar aos donos do negócio, todos aqueles senhores engravatados da Fifa, que o marketing do mundo perfeito e pacífico que os torneios da entidade vendem não passam de nuvem de fumaça.
Mas, caso tivesse esse desprendimento, não seria exatamente Wendell Lira, que nasceu pobre e seguiu buscando o tal lugar ao sol, crente da força de seus atributos naturais. Esteve perto de atravessar a cerca que separa os sultões dos mendigos da bola.
Depois de disputar um mundial sub-20 em 2006, o Milan chegou a se interessar pelo seu estilo de fintas e improvisos. O Goiás, seu clube à época, fez jogo duro e travou o negócio.
Ontem, superando todas as barreiras que o mundo lhe impôs, Wendell fez valer a máxima de Bowie e foi herói por um dia. Merecidamente.
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La Pulga já ameaça majestades
A majestade de Pelé e a supremacia de Maradona na Argentina nunca estiveram tão ameaçadas quanto agora. Sou daqueles que sempre marcharam no exército dos defensores empedernidos do Rei. Acreditava que não haveria como fazer frente aos feitos magistrais do eterno camisa 10. Pois o imparável Lionel Messi desponta como o primeiro boleiro a ameaçar seriamente as glórias incontestáveis do nosso Edson.
O receio nasce da constatação de que não há ninguém que chegue perto do assombroso talento deste argentino mirrado e genial, tão bom que está prestes a superar Diego Maradona, outro argentino excepcionalmente bom de bola. O que ainda impede o mundo de denominá-lo melhor entre todos é a ausência de uma Copa do Mundo na prateleira.
O que impressiona Messi não faz o menor esforço para aumentar sua galeria de prêmios. A conquista da quinta Bola de Ouro, ontem, foi quase uma banalidade. Ganhar cinco vezes o troféu de melhor do mundo não é para qualquer mortal. Exige disciplina, aplicação e desempenho em alto padrão. Talvez seja muito mais difícil do que ganhar uma Copa.
Messi superou a todos. E não demonstra qualquer sinal de estar entediado ou cansado. O tédio, como se sabe, nasce da associação letal entre fortuna e fama. Os brasileiros são bastante vulneráveis a essa praga moderna.
Na cerimônia da Fifa, a certeza de que seria o laureado era tão forte que Messi entrou despreocupado. Na comparação com Cristiano Ronaldo, fica óbvia a diferença. CR também tinha chances, mas lhe faltava confiança. O olhar agitado denunciava a dúvida. Messi não tinha qualquer dúvida.
No discurso de agradecimento foi minimalista como sempre. Jamais excede os limites da normalidade. Tímido, não produz grandes frases. Cristiano se sente à vontade ali, Messi não. Neymar, que ficou em terceiro lugar, marcha para emergir vitorioso daqui a algum tempo. Tem futuro porque parece mais com Messi com que Cristiano.
Pelas características, La Pulga é mais Garrincha que Pelé e Maradona. Como Mané, dribla só de um jeito e mesmo assim ninguém consegue pará-lo. De Pelé tem a volúpia e a facilidade de finalização. De seu ídolo Maradona herdou a incrível habilidade de controlar a bola em corrida, imune às tentativas de desarmes.
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Belém e os signos caboclos
Cheguei pelo rio Tocantins, desembocando nas águas barrentas da Guajará. Chegada turbulenta, com direito a um pé d’água à entrada da baía. Do barco castigado pelo banzeiro, dava pra entrever os prédios desenhando o perfil da cidade. Depois desse começo agitado, passamos a nos entender bem, a cidade e eu. Gostei tanto que quase a adotei de vez, só não fazendo isso porque Baião é Baião.
Era metade da década de 70 ainda. Desembarquei bem a tempo de espiar pela TV o Brasil levar uma lição dolorosa (ensaio do 7 a 1 alemão) da Holanda fantástica de Cruyff e Michels, na Copa de 74.
Adaptado ao clima único – de chuva dia sim, dia não -, aprendi a andar pelas ruas, inicialmente me aventurando pelo Telégrafo Sem Fio, perto da praça Brasil. Com mais tempo por aqui fui pegando intimidade. Passei a saborear a brisa do túnel das mangueiras, a sentir os cheiros gostosos que invadiam as ruas.
O lado bacana é que os moradores sabiam que viviam na cidade mais importante e bonita da Amazônia. Sentiam orgulho disso. Mais que isso: todos desfrutavam desses prazeres citadinos.
Tacacá, maniçoba, pato no tucupi. Cremes e sorvetes diversos. Açaí, bacuri, taperebá, uxi, cupuaçu. Feiras, ruídos, risadas. Gritos histéricos no Re-Pa.
Ah, havia também o perfume da Phebo instalado ali pelas beiradas do antigo Igarapé das Armas. E tinha muito jasmim, remetendo aos aromas de meus tempos de criança em Baião. Belém era então risonha e franca. Altiva e serena.
A propósito da vocação para os sentidos, que é a alma de Belém, o amigo Glauco Lima disse ontem no Facebook que ainda é tempo de se estabelecer um pólo de culinária a partir de uma identidade verdadeiramente amazônica. Vou além: nada é tão simbólico de Belém quanto a cultura ribeirinha, a vaidade cabocla, a musicalidade da urbe morena. A faceirice das ruas, a simpatia das pessoas.
Um dia, Belém há de restituir sua glória para encher de pavulagem este povo moreno e historicamente feliz. Parece sonho de uma noite quente de verão. Mas, como Obama, eu acredito. Pelo bem de meus filhos e netos.
(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 12)
Amigo Gerson,
Tem um aspecto que questiono nessa dominância de Messi que faz com que não consiga comparar com Pelé e mesmo Maradona. Sem tirar os méritos de Messi, que são muitos e já citados na coluna. Vou enumerá-la:
1) O futebol hoje é desigual entre as equipes. Mesmo na Europa existem os cinco, no máximo seis, favoritos ao torneio internacional.
2) O futebol desigual é resultado de times desiguais. Você olha para o Barcelona e vemos a seleção do resto do mundo.
3) A eleição é feita por todos os técnicos do mundo. Muitos não acompanham o futebol de outras equipes e outros jogadores. Concentrando seus votos em jogadores de times de maior expressão, no caso Barça é Real, que hoje estão um pouco à frente dos demais.
4) Futebol é um esporte coletivo que a qualidade individualizar a diferença. A Pulga, quando compôs times mais fracos (sim a Argentina é mais fraca que o Barça) não teve o mesmo desempenho técnico (Pelé, Maradona e Garrincha eram na seleção o que são nos clubes que jogaram).
Bem escriba… Esse é meu ponto de vista. Vejo as glórias da FIFA mais como obra do Marketing. É como Oscar, nem sempre o melhor ganha.
PS.: teve um ano que Inieste e Xavi deveriam ter ganhado da Pulga, mas, como na Copa do Mundo de 2014, os cegos elegeram mais do mesmo.
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Amigo Gerson Nogueira, eu muito diferente e não vejo nenhum perigo de Lá Pulga tirar a majestade do Rei Pelé. Definitivamente na minha opinião O Rei Pelé foi majestade do futebol no século XX, o maior atleta e não pode mais ser superado por ninguém porque o tempo já terminou. O Lá Pulga pode e tem condições de ser o melhor deste século XXI porque o tempo ainda existe e falta muito para terminar. Muitos outros craques consagrados até o fim deste século surgirão e ainda é muito cedo ou precipitado tornar La Pulga o melhor. Ele vai ter ainda de trabalhar muito e esperar do jeito que o rei Pelé esperou, e quase é superado pelo Maradona, o qual muitos ainda dizem que foi melhor que Pelé. Gerson o tempo é dinâmico, não para. Por isso eu gosto de classificar as coisas conforme o tempo que existiram para a gente poder ser mais justo. Rei Pelé foi rei no tempo que jogar futebol era mais brutal, sem o aparato técnico, físico, clínico e segurança que existe hoje no mundo do Messi. No futebol de hoje os atletas tem médico 24 horas e um monte de regra de segurança para o cara jogar mais tranquilo. No tempo do Pelé nem ambulância tinha. Aparelho de desfibrilação nem existia, mas mesmo assim o Rei Pelé conseguiu jogar muito, por muito tempo, marcar o maior número de gols que um atleta fez até hoje, e faturou incontáveis títulos. então querer alguém agora tirar esse mérito do Rei no século XX não cabe quando estamos no século XXI. Messi ou qualquer outro vão ter de se contentar em ser o melhor deste século, mas ainda vão ter de esperar muito porque ainda estamos apenas no início dele.
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Moral da história é que o Messi pode ganhar 10 bolas de ouro, mas daí ser melhor que o Rei Pele foi no século XX, não cabe na minha opinião. E vou até polemizar: Com todo respeito ao Messi, mas com esse porte físico dele jogando no tempo que jogou o Rei Pele, ele não durava uma temporada, porque naquele tempo não existia as muitas leis e aparato de proteção aos atletas dentro de campo e os brutos baixavam o “sarrafo” par valer. O próprio Rei Pelé foi apelidado de homem borracha por causa da pancadas violentas que levava dentro de campo. Na copa de 66, o Português Moraes é que quase tira o título de Rei do Futebol do Pelé porque deu tanta porrada na canela do Rei Pele dentro de campo, que tirou o Pelé da Copa 66, e quase tira da Copa 70, que o consagrou.
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Ainda acredito que para o Messi falta ganhar uma Copa do Mundo, como o Pelé e o Maradona e aí sim pode-se dizer que ele é um grande jogador. Na seleção argentina ele é pra lá de azarado.
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Nem Pelé, nem o Papão perderão a supremacia em seus respectivos territórios.
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Kkkkkkkkk esse aí anda bebendo também kkkkkkkkk coitado do centernada kkkkkkk foi o efeito de ficar cinco anos apanhando do Leão kkkkkkkkkkk centernada kkkkkkkkk por falar em trambique, já prenderam o Roubagol, já devolveram o dinheiro da SUDAM? Time caloteiro do carvalho
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