Cartola do Cruzeiro revela suborno e pode ser punido

A polêmica declaração do supervisor de futebol do Cruzeiro, Benecy Queiroz, pode o afastar do futebol definitivamente. O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, informou que já está analisando o caso e deve oferecer denúncia ao dirigente. Benecy pode responder aos artigos 237 e 241 do CBJD, e 42 e 62 do Código Disciplinar da FIFA, pegando penas que podem ir de multa de R$ 100 a afastamento definitivo das atividades no futebol – incluindo proibição de acesso a estádios.

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Em entrevista ao programa “Meio de Campo”, da Rede Minas, o dirigente comentou já ter ‘comprado’ um juiz, durante a passagem do ex-treinador Ênio Andrade (falecido em 1997) pelo Cruzeiro. A ocasião ainda é desconhecida, já que o comandante esteve à frente do clube em cinco ocasiões (1989, 1990, 1991/92, 1994 e 1995).

“Só vou citar um caso específico, não falo o nome, aqui em Minas Gerais. O treinador era Ênio Andrade. E nós, através de indicação de uma pessoa, achamos que compramos um juiz. E o juiz falou: ‘olha, fique tranquilo que o time do adversário não sai do meio-de-campo’. Então, nos 45 primeiros minutos, ele deu muita falta só no meio-de-campo. Então, falei com ele: ‘é, o negócio, acho que vai dar certo’. Só que, por azar nosso, o adversário chutou uma bola do meio-de-campo, o goleiro, eu posso falar o nome, Vitor, no ângulo e gol. E o juiz, então, o que foi que ele fez? Continuou dando falta só no meio. Só no meio. Só no meio. E uma hora, antigamente podia entrar dentro de campo, eu falei: ‘velho, eu paguei você, vê se você dá o pênalti’. Ele falou assim: ‘manda o seu time lá para frente que eu dou o pênalti’. Aí falei com o capitão: ‘olha, manda todo mundo para frente, temos que empatar o jogo’. Aí foi para frente, toda bola ele dava falta contra o Cruzeiro. Eu cheguei à conclusão de que eu empreguei um dinheiro errado”, comentou Benecy.

O Tribunal entende que ele pode ser classificado no artigo 237 – Dar ou prometer vantagem indevida a quem exerça cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou órgão da Justiça Desportiva, para que pratique, omita ou retarde ato de ofício ou, ainda, para que o faça contra disposição expressa de norma desportiva – e também no 241, que diz: dar ou prometer qualquer vantagem a árbitro ou auxiliar de arbitragem para que influa no resultado da partida, prova ou equivalente.

Ainda de acordo com o STJD, o CBJD determina um tempo de prescrição de 20 anos – casos anteriores a 1996 não seriam denunciados. No entanto, o artigo 42 do Código Disciplinar da Fifa informa que não existe tal limite em caso de corrupção.

Também no código da Fifa, Benecy seria denunciado no artigo 42, o mais “pesado” de todos: “Qualquer pessoa que oferece, promete ou concede uma vantagem injustificada a um corpo da FIFA, um jogo oficial, um jogador ou um funcionária em nome próprio ou de terceiros, em uma tentativa de incitá-lo a violar os regulamentos da FIFA será sancionado: a) com uma multa de pelo menos 10.000 Francos suíços; b) com a proibição de tomar parte em qualquer atividade relacionada com o futebol, e c) com a proibição de entrar em qualquer estádio. 2. Corrupção passiva (solicitar, sendo prometido ou aceitar uma vantagem injustificada) será sancionado da mesma maneira. 3. Em casos graves e no caso de repetição, pode ser pronunciado para a vida. 4. Em qualquer caso, o corpo vai ordenar o confisco dos envolvidos ativos na infração. Esses ativos serão utilizados para o futebol e programas de desenvolvimento”. (Do UOL Esporte) 

Quatrocentona Cidade Morena

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É dia de celebrar a Cidade Morena, fundada há 400 anos para ser a porta de entrada da Amazônia. Terra do açaí, do jambu, do tacacá, do muruci, da maniçoba, do pato no tucupi, do banho de cheiro. Rodeada pelas águas e rica em aromas, sons, cores e sabores. Parabéns e vida longa, Belém!

Ranking dos clubes que mais vendem camisas

Que o brasileiro ama futebol todo mundo sabe! E até mesmo os mais discretos torcedores sabem bem qual o maior símbolo dessa paixão: a camisa, o uniforme, o manto sagrado! No país pentacampeão até apelidamos carinhosamente o nosso uniforme de “amarelinha”. Não é à toa que independente da fase, a camisa do clube do coração é um item indispensável no armário de todo torcedor.

A venda de camisas de futebol no Brasil se mantem aquecida, mesmo diante da crise. É o que apontam os números da Futfanatics, empresa especializada em venda de itens esportivos. As vendas pelo site da empresa www.futfanatics.com.br demonstram que nem a fase ruim de alguns clubes, e muito menos a queda de consumo em geral afetou o hábito do brasileiro de colecionar o manto dos seus times favoritos.

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As campeãs nacionais

Quando se trata de tradição, literalmente a camisa pesa! Prova disso é que mesmo em fases não tão brilhantes na temporada de 2015, os clubes cariocas seguem firme na venda de camisas, principalmente graças aos torcedores do Mengão, maior torcida do Brasil. No páreo das grandes torcidas temos o São Paulo, que cravou a segunda colocação graças ao lançamento do novo uniforme pela Under Armour, alavancando as vendas da camisa tricolor.

Embalados pelas conquistas de 2015, diversos torcedores do Verdão e do Timão correram as lojas especialmente nos últimos meses do ano e garantiram uma reviravolta no ranking dos campeões de venda. Certamente vários torcedores se presentearam com a camisa símbolo dos títulos da temporada.

Até em fase medíocre, a seleção canarinho continua no entre as queridinhas dos brasileiros, afinal, brasileiro não desiste nunca, ainda mais quando o assunto é futebol! Veja o ranking:

As 10 camisas nacionais mais vendidas em 2015

1º. Flamengo

2º. São Paulo

3º. Palmeiras

4º. Seleção Brasileira

5º. Corinthians

6º. Atlético-MG

7º. Santos

8º. Fluminense

9º. Cruzeiro

10º. Grêmio

Fonte: Futfanatics

Clubes internacionais

Apesar de ser a pátria das chuteiras, é inegável que o futebol europeu está mais embalado do que nunca e caiu no gosto do brasileiro. O Barcelona, possivelmente o clube mais popular do mundo na atualidade, é líder absoluto entre as camisas de clubes internacionais mais vendidas no Brasil. Graças a fama de Neymar e Messi, o clube virou sensação e unanimidade entre os amantes de futebol. Outro grande clube espanhol está entre os mais queridos dos brasileiros, graças a fama do atual melhor do mundo, Cristiano Ronaldo, o Real Madrid também tem uma das camisas mais procuradas pelos amantes do futebol.

Os clubes da terra da rainha também caíram nas graças do público brasileiro, dentre vários nomes conhecidos por aqui, o grande destaque da última temporada foi o ex-jogador do Vasco Philippe Coutinho, cuja boa fase no Liverpool impulsionou a procura pela camisa 10 desse grande clube inglês. Confira:

Ranking: As 5 camisas internacionais mais vendidas em 2015

1º. Barcelona

2º. Real Madrid

3º. Manchester United

4º. Liverpool

5º. Chelsea

(Fonte: Futfanatics)

Uma estrela que transcendeu

POR ERIKA GIM

Hoje o assunto não é futebol, embora os jornais queiram para sempre saber qual a cor da camisa de major Tom..

Hoje, uma estrela mudou seu domicílio, deixou nossa minúscula realidade, transcendeu para um universo desconhecido para nós, meros mortais

Hoje é dia de descobrir se há vida em Marte.

Hoje é dia da odisseia espacial.

DAVID BOWIE AT THE CANNES FILM FESTIVAL - 1983
Mandatory Credit: Photo by Richard Young/REX

Ele seguirá seu caminho, enquanto lamentamos sua perda, choramos sua partida.

Mas o legado deixado pode suprir a dor.

Foi uma unanimidade rara, quase como a dos Fab Four.

Um gênio que constituiu com Lou Reed e Iggy Pop uma trindade sagrada para o rock, para a arte.

Parece que perdi alguém muito próximo, mais um padrinho, como Lou – “Rebel, rebel” embalou minha adolescência.

Perdi a voz que foi minha companhia em momentos tristes e alegres, alguém que me acompanhou nessa louca jornada chamada vida.

Fosse como Ziggy, Major Tom, White Duke, Alladin Sane ou simplesmente Bowie..

Num Labirinto, como vampiro ao som de Bauhaus, o major de Furyo, o Pilatos de Scorcese, o eterno absolute begginner surpreendia sempre.

Para mim, para muitos, eterno.

Ouvi Blackstar, novo disco, durante o fim de semana, e sábado à noite, com a família com vinho, tivemos os clássicos nos acompanhando durante a conversa em volta da mesa…

Meu despertador é Life on Mars?, mas meu despertar hoje foi triste, como a cidade está, cinzenta e chuvosa, apagada…

Lazarus denunciava, ele sabia, chagava a hora…

Ashes to ashes.

Leve nossa gratidão, sua voz continuará nos fazendo companhia nessa odisseia prosaica que você tornou mais poética…

Obrigada.

Herói por um dia

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POR GERSON NOGUEIRA

Uma das grandes canções de David Bowie e de todo o rock britânico é “Heroes”, cujos versos garantem que podemos ser heróis apenas por um dia. Incorrigível camaleão, Bowie morreu ontem, aos 69 anos, vencido pelo câncer, mas coberto das glórias e do reconhecimento por uma carreira admirável e absolutamente diferente de tudo o que a música pop produziu nos últimos 40 anos.
Abri a coluna de retorno do breve recesso tributando o grande Bowie e aproveitando uma de suas criações para introduzir o verdadeiro tema central: a conquista do Prêmio Puskas de gol mais bonito do ano pelo goiano Wendell Lira.
Autor de uma jogada primorosa, em que aliou elasticidade e pontaria no arremate final praticamente de sem-pulo, Wendell teve seus minutos de ribalta em meio à solenidade organizada pela Fifa. Fez um discurso comovente, citando as dificuldades enfrentadas e dedicando o laurel à mulher e à filha. Citou, com muita propriedade, Davi e Golias.
Podia ter aproveitado para dizer também que está desempregado, sem jogar desde que saiu do Goianésia, clube que defendia quando executar o lance mais impressionante de sua vida no futebol.
Com um pouco mais de desembaraço, Wendell talvez dissesse ao mundo que o futebol milionário e nababesco é uma ilusão, pois só é realidade para alguns poucos privilegiados e sortudos atletas. Aliás, todos os sortudos estavam ali na plateia acompanhando atentamente suas palavras.
Seria oportuno e revolucionário, principalmente pelos milhares de boleiros brasileiros que vivem de salário mínimo ou nem isso. Teve a chance preciosa de falar aos donos do negócio, todos aqueles senhores engravatados da Fifa, que o marketing do mundo perfeito e pacífico que os torneios da entidade vendem não passam de nuvem de fumaça.
Mas, caso tivesse esse desprendimento, não seria exatamente Wendell Lira, que nasceu pobre e seguiu buscando o tal lugar ao sol, crente da força de seus atributos naturais. Esteve perto de atravessar a cerca que separa os sultões dos mendigos da bola.
Depois de disputar um mundial sub-20 em 2006, o Milan chegou a se interessar pelo seu estilo de fintas e improvisos. O Goiás, seu clube à época, fez jogo duro e travou o negócio.
Ontem, superando todas as barreiras que o mundo lhe impôs, Wendell fez valer a máxima de Bowie e foi herói por um dia. Merecidamente.

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La Pulga já ameaça majestades

A majestade de Pelé e a supremacia de Maradona na Argentina nunca estiveram tão ameaçadas quanto agora. Sou daqueles que sempre marcharam no exército dos defensores empedernidos do Rei. Acreditava que não haveria como fazer frente aos feitos magistrais do eterno camisa 10. Pois o imparável Lionel Messi desponta como o primeiro boleiro a ameaçar seriamente as glórias incontestáveis do nosso Edson.
O receio nasce da constatação de que não há ninguém que chegue perto do assombroso talento deste argentino mirrado e genial, tão bom que está prestes a superar Diego Maradona, outro argentino excepcionalmente bom de bola. O que ainda impede o mundo de denominá-lo melhor entre todos é a ausência de uma Copa do Mundo na prateleira.
O que impressiona Messi não faz o menor esforço para aumentar sua galeria de prêmios. A conquista da quinta Bola de Ouro, ontem, foi quase uma banalidade. Ganhar cinco vezes o troféu de melhor do mundo não é para qualquer mortal. Exige disciplina, aplicação e desempenho em alto padrão. Talvez seja muito mais difícil do que ganhar uma Copa.
Messi superou a todos. E não demonstra qualquer sinal de estar entediado ou cansado. O tédio, como se sabe, nasce da associação letal entre fortuna e fama. Os brasileiros são bastante vulneráveis a essa praga moderna.
Na cerimônia da Fifa, a certeza de que seria o laureado era tão forte que Messi entrou despreocupado. Na comparação com Cristiano Ronaldo, fica óbvia a diferença. CR também tinha chances, mas lhe faltava confiança. O olhar agitado denunciava a dúvida. Messi não tinha qualquer dúvida.
No discurso de agradecimento foi minimalista como sempre. Jamais excede os limites da normalidade. Tímido, não produz grandes frases. Cristiano se sente à vontade ali, Messi não. Neymar, que ficou em terceiro lugar, marcha para emergir vitorioso daqui a algum tempo. Tem futuro porque parece mais com Messi com que Cristiano.
Pelas características, La Pulga é mais Garrincha que Pelé e Maradona. Como Mané, dribla só de um jeito e mesmo assim ninguém consegue pará-lo. De Pelé tem a volúpia e a facilidade de finalização. De seu ídolo Maradona herdou a incrível habilidade de controlar a bola em corrida, imune às tentativas de desarmes.

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Belém e os signos caboclos

Cheguei pelo rio Tocantins, desembocando nas águas barrentas da Guajará. Chegada turbulenta, com direito a um pé d’água à entrada da baía. Do barco castigado pelo banzeiro, dava pra entrever os prédios desenhando o perfil da cidade. Depois desse começo agitado, passamos a nos entender bem, a cidade e eu. Gostei tanto que quase a adotei de vez, só não fazendo isso porque Baião é Baião.
Era metade da década de 70 ainda. Desembarquei bem a tempo de espiar pela TV o Brasil levar uma lição dolorosa (ensaio do 7 a 1 alemão) da Holanda fantástica de Cruyff e Michels, na Copa de 74.
Adaptado ao clima único – de chuva dia sim, dia não -, aprendi a andar pelas ruas, inicialmente me aventurando pelo Telégrafo Sem Fio, perto da praça Brasil. Com mais tempo por aqui fui pegando intimidade. Passei a saborear a brisa do túnel das mangueiras, a sentir os cheiros gostosos que invadiam as ruas.
O lado bacana é que os moradores sabiam que viviam na cidade mais importante e bonita da Amazônia. Sentiam orgulho disso. Mais que isso: todos desfrutavam desses prazeres citadinos.
Tacacá, maniçoba, pato no tucupi. Cremes e sorvetes diversos. Açaí, bacuri, taperebá, uxi, cupuaçu. Feiras, ruídos, risadas. Gritos histéricos no Re-Pa.
Ah, havia também o perfume da Phebo instalado ali pelas beiradas do antigo Igarapé das Armas. E tinha muito jasmim, remetendo aos aromas de meus tempos de criança em Baião. Belém era então risonha e franca. Altiva e serena.
A propósito da vocação para os sentidos, que é a alma de Belém, o amigo Glauco Lima disse ontem no Facebook que ainda é tempo de se estabelecer um pólo de culinária a partir de uma identidade verdadeiramente amazônica. Vou além: nada é tão simbólico de Belém quanto a cultura ribeirinha, a vaidade cabocla, a musicalidade da urbe morena. A faceirice das ruas, a simpatia das pessoas.
Um dia, Belém há de restituir sua glória para encher de pavulagem este povo moreno e historicamente feliz. Parece sonho de uma noite quente de verão. Mas, como Obama, eu acredito. Pelo bem de meus filhos e netos.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 12)

Belém 400 anos, apesar dos danos…

Esta música, de Chico Senna, na voz de Walter Bandeira, resume tudo o que se pode dizer da Belém dos primórdios – romântica, generosa e bela. “Flor do Grão Pará” tem pouco a ver com a Belém de hoje, cujos habitantes se preocupam mais em escapar das balas perdidas do que em admirar seus muitos encantos.
Mas, independentemente dos danos que lhe foram impostos por sucessivos picaretas, a Cidade Morena permanece viva em nossos corações e será sempre amada por todos.
Viva Belém!!