A eterna malandragem

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol mundial anda de pernas para o ar, e não é de agora. Ocorre que a cada semana surgem novas e surpreendentes provas de que há algo de fora de ordem na geopolítica mundial da bola. Com exceção de clubes realmente ricos, com patrocínios consolidados e presença garantida nos principais torneios do planeta, a maioria segue atirando a esmo, catando aqui e ali ex-jogadores em atividade e se submetendo a maracutaias articuladas por empresários e agentes espertos.

A tal esperteza dos operadores da máquina de dinheiro que move o futebol se manifestou com extrema agressividade nesta semana, buscando colocar o atacante Alexandre Pato no Chelsea. Notícias plantadas em jornais e sites alimentaram a negociação, que começou a ruir quando o clube londrino se apercebeu do tamanho do prejuízo que estava prestes a contrair.

Pato surgiu como um jogador futuroso, apontado como candidato a suceder Ronaldo Fenômeno no escrete nacional e teve todas as chances para isso. Foi convocado seguidas vezes, mas aos poucos foi mostrando o que realmente era. Apenas um bom jogador de nível mediano, longe do super craque que o marketing tentou inventar.

Apesar disso, não pode se queixar da sorte. Rodou por grandes clubes e, mesmo jovem ainda, acumulou bom dinheiro. Depois de ficar por algum tempo no Milan, passar boa parte do tempo lesionado, acabou adquirido pelo Corinthians e depois foi repassado ao São Paulo, onde não conseguiu se firmar nem mesmo competindo com Luís Fabiano e Alan Kardec.

O Chelsea surgiu no horizonte como a chance de redenção do inconstante avante. A ideia era perfeita, pois permitiria alçá-lo de novo ao pelotão dos jogadores que rendem fortunas em negociações, mesmo quando em baixa. Mais ou menos como ocorre com o espanhol Fernando Torres, outro que não faz gol e nem encanta, mas segue enganando maravilhosamente e a fazer a alegria financeira de seus empresários.

Pelo que se noticiou nas últimas horas, o negócio murchou no nascedouro. A tal proposta de R$ 52 milhões para os investidores e para o Corinthians até agora não passa de miragem.

Mas Pato não é a única moeda desvalorizada em oferta na bolsa de apostas dos clubes de segundo escalão. Robinho, que foi jogar na China por não ter mais vez no mercado ocidental, ameaça se transferir para o Grêmio. Prova insofismável de que os dirigentes – mesmo os elogiados gaúchos – costumam não ter muita coisa na cabeça.

Depois de umas dez voltas ao futebol brasileiro, sempre para o Santos, Robinho segue insistindo – e faturando. Atravessou períodos altamente favoráveis no Real Madri, no Milan e no Manchester City, mas não jogou mais nada depois que suas pedaladas caíram em desuso. Na Seleção desfrutou de todas as oportunidades possíveis e imagináveis.

Robinho e Pato nunca foram pernas-de-pau, são apenas jogadores razoáveis, dentro da média. Estão sobrevivendo no futebol ainda às custas de uma mídia esportiva que baba ovo para qualquer indício ou resquício de craque. Não têm culpa disso. A estrutura do futebol é que precisa urgentemente tomar juízo e separar o shoyu do trigo.

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Bruno Veiga: nova chance com Dado

A recepção foi digna dos grandes reforços. Sócios torcedores do Papão foram até a sede social na sexta-feira à tarde aplaudir o retorno do atacante Bruno Veiga. Um desfecho inesperado depois que o jogador saiu meio à francesa no começo do Brasileiro da Série B 2015, insatisfeito com as poucas chances no time titular. Foi jogar no Mogi Mirim, um dos times rebaixados à Série C. Ao falar com os jornalistas, aparentando surpresa com o carinho dos torcedores, Bruno reconheceu o mau passo e desmentiu contatos (que aconteceram) com o rival Remo.

A partir de agora, ele é mais uma opção para o ataque do Papão no Campeonato Paraense. Tem características que o habilitam a jogar ao lado de Leandro Cearense, mas tudo vai depender dos desenhos que Dado Cavalcanti vem montando nos treinos. É preciso lembrar que foi justamente sob o comando de Dado que Bruno fracassou no começo do ano passado.

Para ter êxito nesse recomeço, terá que mostrar as qualidades que exibia naquele ataque do time que conquistou o acesso em 2014 sob a batuta de Mazola Jr. Ao lado de Ruan, Bruno transfigurou o Papão na reta final da competição, quando muitos não acreditavam mais.

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E a montanha pariu um rato…

O propalado grito de liberdade de alguns dos grandes clubes brasileiros resultou em tremenda frustração, como a coluna antecipou há alguns meses. A Primeira Liga (ex-Liga Sul-Minas-Rio) teve que se submeter às rígidas leis do mercado, o que significa aceitar sem reclamar o que a Globo oferecia pelos direitos de transmissão – cerca de R$ 5 milhões.

Para que o fiasco não fosse ainda maior, seus dirigentes precisaram pedir arreglo à Federação do Rio, que disponibilizou duas datas. A CBF, inimiga de primeira hora da ideia, nem precisou fazer muito esforço para atrapalhar.

A verdade é que a cartolagem de Grêmio, Inter, Flamengo, Fluminense e Atlético-MG nunca acreditou nas próprias palavras. Aquele papo empolado de independência e ruptura visava apenas encobrir a criação de um torneio de começo de temporada para faturar um dinheirinho.

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Bola na Torre

O programa terá Guilherme Guerreiro no comando, com Tommaso e este escriba de Baião na bancada. O convidado da noite será o novo presidente do Remo, eleito neste sábado, que pela primeira vez dará entrevista sobre seus planos para administrar o clube.

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Atorres vai à praça

Neste domingo, na banca do Alvino na Praça da República, haverá sessão de autógrafos do livro “Leão, Papão e Outros Bichos”, de mestre Atorres, a partir das 8h.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 24)

André Cavalcante é o novo presidente do Remo

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O advogado santareno André Cavalcante, de 45 anos, é o novo presidente do Clube do Remo. Ele obteve vitória expressiva, ficando em primeiro lugar em todas as cinco urnas. Vai administrar o clube por nove meses, completando o mandado que foi iniciado por Pedro Minowa em 2015. Sócios remidos e proprietários compareceram em grande número durante todo o dia, no ginásio Serra Freire, para escolher o novo mandatário. André era o cabeça da chapa 30, “Sou + Remo”. Seu vice é o publicitário Fábio Bentes.

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O resultado final da apuração foi o seguinte:

André Cavalcante – 777 votos

Miléo Júnior – 667 votos

Zeca Pirão – 528 votos

Coronel Maroja – 108 votos

Total de votantes – 2.080

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A enquete do blog campeão, encerrada na madrugada deste sábado, sinalizou o resultado favorável a André.

Pelo que conheço do André, o Remo saiu vitorioso dessa eleição.

André Cavalcante será eleito no Remo, diz enquete

Com 30,96% (257 votos), André Cavalcante foi o vencedor da enquete “Quem será o novo presidente do Remo?”. O candidato Coronel Maroja recebeu 248 votos (29,88%). Miléo Junior ficou em terceiro, com 24,7% (205 votos). Zeca Pirão foi o quarto colocado, com 14.46% (120). No total, 830 internautas votaram na enquete. 

Para mudar a história

POR GERSON NOGUEIRA

Serão apenas nove meses de mandato, mas o período será determinante para a recuperação administrativa e financeira do Remo. Quatro candidatos estão na disputa pela presidência na eleição marcada para hoje. Todos devem estar conscientes da imensa responsabilidade que será conduzir o clube nos próximos 270 dias.

A rigor, as plataformas são muito parecidas entre os pleiteantes ao cargo, mas a maneira de executar a gestão é o grande diferencial. Miléo Jr. e André Cavalcanti mostram-se muito focados na modernização dos procedimentos. Suas propostas, centradas no enxugamento da estrutura e na busca de novas receitas, mostram-se tão próximas que quase levou a uma composição de chapas.

Os demais candidatos têm propostas mais conservadoras. Focam seu interesse no futebol profissional, com poucas indicações sobre como pretendem dar sustentabilidade a um clube que tem dívidas pesadas (R$ 13 milhões de passivo trabalhista), muitas despesas diretas e limitadas fontes de arrecadação.

Preocupa, principalmente, a insistência com algumas propostas claramente danosas aos cofres do clube e a repetição de velhas promessas. O Remo chegou a um ponto tão delicado que não pode mais ficar refém de promesseiros. A situação contábil não permite novos endividamentos, ainda mais para quem terá que se habilitar ao Profut.

A rigor, os maiores problemas do clube hoje dizem respeito à limitação de uso do estádio Evandro Almeida e ao pagamento do robusto débito trabalhista.

Sem contar com o Baenão desde 2014 para realizar seus jogos pelo Campeonato Paraense e Copa Verde, o Remo desperdiça receita significativa. Mais que isso: desvaloriza e fragiliza o patrimônio do clube. As obras mal planejadas de desmanche da área de cadeiras e camarotes do estádio, ordenadas pelo então presidente Zeca Pirão, acarretaram danos que a nova gestão terá muito trabalho para sanar. Só as dívidas com compradores de cadeiras somam quase R$ 3 milhões.

As pendências na Justiça Trabalhista obrigaram a atual diretoria a celebrar um acordo draconiano, que compromete antecipadamente todos os patrocínios do clube pelos próximos dois anos. Tal situação obrigará a nova diretoria a agir no limite máximo de responsabilidade, evitando contrair novas dívidas junto à JT e cuidando de equilibrar receita e despesa.

Dos que estão concorrendo, por tudo que acompanho, apenas os dois primeiros, Miléo Jr. e André Cavalcanti, mostram-se firmemente comprometidos com a austeridade necessária para reerguer o clube como instituição, apresentando alternativas que vão além da bilheteria dos jogos.

Que os sócios remidos, sócios proprietários, conselheiros e beneméritos avaliem bem o passo a ser dado nesta eleição. Pelo bem do Remo é premente que não haja retrocesso através das urnas.

E os candidatos devem ter em mente que, encerrado o pleito, as diferenças acabam. A partir daí, todos têm que se unir em torno do projeto de reconstrução do clube.

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Chances de observação para Leston e Dado

A movimentação de Leão e Papão no domingo deve garantir aos técnicos Leston Junior e Dado Cavalcanti as condições necessárias para formatar os times que estrearão no Campeonato Paraense no fim de semana seguinte.

Em Castanhal, o Papão vai enfrentar um time razoavelmente entrosado, que deve oferecer certa resistência. Dado terá oportunidade de testar o esquema com Leandro Cearense como homem mais avançado, auxiliado de perto pelos meias Marcelo Costa e Rafael Luz.

No Baenão – sem presença de torcida, por recomendação do Corpo de Bombeiros -, Leston terá nova oportunidade de movimentar seus jogadores. Como no treinamento do meio da semana contra o selecionado de Ananindeua, o adversário não é expressivo e dificilmente escapará de nova goleada.

O que importa na prática é a possibilidade de fazer com que os jogadores se movimentem e que o esquema com Eduardo Ramos como atacante possa ser experimentado.

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Quando o futebol entra em fase delirante 

No final da tarde, chegou a notícia via agências e internet que o atacante Alex Teixeira, ex-Vasco, está cotadíssimo para ir jogar na Inglaterra ganhando salários astronômicos. É a confirmação de que, neste início de temporada, o futebol resolveu se assumir de vez como “a mãe mais generosa”. Na coluna de amanhã darei mais exemplos desta onda extremamente favorável a jogadores de segunda linha.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 23)