Coleção sobre itens do futebol chega ao Guinness

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Dono do Floresta, time de futebol amador do Ceará campeão da várzea local em 1976, Felipe de Lima Santiago costumava guardar recortes de jornais sobre a equipe. Quando seu neto viajava de São Paulo para visitá-lo durante as férias, passavam manhãs inteiras revendo todas aquelas notícias.

O pequeno José Renato Sátiro Santiago Junior tomou gosto por publicações relacionadas ao esporte com o avô e orgulha-se de, praticamente, ter sido alfabetizado nas páginas da revista Placar. Por volta dos 11 anos, adquiriu o hábito de guardar esses papéis, hobby que cultivou ao longo da vida. Hoje, aos 45, possui o maior acervo de livros, revistas e jornais sobre futebol do mundo, reconhecido inclusive pelo Guinness, o livro dos recordes.

A coleção de José Renato impressiona qualquer apaixonado por futebol ou por literatura. O acervo soma, atualmente, cerca de 25 mil itens. Dentre os 3.050 livros, constam diversas obras raras, como A Verdadeira História do Futebol Cearense, de 1955, escrito por Frederico Maia, e A História do Futebol em São Paulo, de Antonio Figueiredo, editado em 1918. Tudo fica guardado em um pequeno sítio no meio da Serra da Cantareira, entre São Paulo e Mairiporã. Jornais, livros e revistas são rigorosamente organizados em cômodos amadeirados, também adornados por outras peças que remetem ao futebol, como bonecos de mascotes e flâmulas.

Se o início do acervo deu-se com as publicações de bancas, a partir de 1982, quando ganhou seu primeiro livro sobre futebol, As Copas Que Ninguém Viu, de Solange Bibas, o interesse de José Renato passou a estar também nessas obras. Pedia para seu pai lhe comprar algumas novidades e aos poucos a coleção crescia.

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Engenheiro de formação, intensificou as buscas após começar a trabalhar. Pedia em bancas para guardarem jornais que noticiavam as finais de campeonatos de diversos estados do País. “Às vezes demorava até duas semanas para ir buscar e, em alguns casos, perdia a viagem. Os jornaleiros não guardavam. Não acreditavam que alguém iria mesmo querer um exemplar velho da Bahia”, exemplifica.

A caçada estendia-se em sebos e livrarias. Encontrou muitas preciosidades, como exemplares da década de 1930, a menos de 2 reais. No início dos anos 1990, quando se mudou para uma casa na zona norte de São Paulo, com maior espaço para o acervo, aprofundou a garimpagem. “Comecei a crescer o olho, e as despesas também. Passei a comprar revistas antigas, como a Gazeta Esportiva Ilustrada, da década de 1960”, relembra, com um largo sorriso.

Acostumado desde cedo com revistas e jornais, José Renato é uma pessoa que preza imensamente por informações transmitidas com precisão e clareza. Para ele, um fato sempre é mais importante do que uma lenda, razão pela qual prefere os livros de não ficção. “A história do futebol não deve ser reescrita, ela tem de ser escrita da forma que ela é”, defende. “Atualmente, muitos escrevem mais para enaltecer o clube do coração do que para registar a história”, critica. A qualidade dos livros sobre futebol também tem caído. “De 2000 para cá, qualquer pessoa se acha capaz de escrever qualquer coisa, então não pesquisam nada além da internet.”

Hoje, José Renato tem 11 livros publicados e cuida do seu próprio site, o Memória Futebol. Evidentemente, usa muito de seu acervo na produção de seus textos. O sítio que abriga tanto conhecimento está aberto a todos aqueles que desejam se aprofundar no tema, basta procurá-lo antes para explicar as suas intenções. “Muita gente pede para ir lá fazer trabalho de faculdade, mas poucos pesquisam a fundo. Vão mais de curioso, para ter papo de torcedor.”

Há anos o interesse do colecionador está muito mais nas histórias do esporte do que nos gramados. São-paulino, diz ter perdido o encanto pelo futebol na semifinal do Campeonato Paulista de 1998, quando o árbitro argentino Javier Castrilli “inventou” um pênalti a favor do Corinthians contra a Portuguesa no final da partida, de onde surgiu o gol que eliminou o time do Canindé. “Tinha um vizinho português que chorou tanto… Fiquei pensando que o futebol não podia ser tão importante para uma pessoa ficar daquele jeito. Parei de ir a todos os jogos.”

José Renato tem, porém, as suas recaídas. “Neste ano fui assistir Iranduba e Operário, no Campeonato Amazonense. Tinha 15 pessoas na arquibancada, desses jogos eu gosto.” Talvez por conta das grandes histórias que rondam o futebol amador, como lhe ensinou o avô Felipe. (Por Rodrigo Casarin, na CartaCapital) 

FPF divulga árbitros da primeira rodada do Parazão

A Federação Paraense de Futebol divulgou nesta terça-feira a escala de arbitragem para a rodada de abertura do campeonato estadual, no próximo fim de semana. No sábado, 30, Andrey da Silva e Silva (auxiliado por Ederson Albuquerque e Odonaldo Antonio Junior) apita São Raimundo e Tapajós no estádio Barbalhão, em Santarém.
Já no domingo, 31, Dewson Fernando Freitas comanda Remo x Águia no estádio Jornalista Edgar Proença. Será auxiliado por Rafael Vieira e Dimmi Chagas Cardoso. Ainda no domingo, Parauapebas e Cametá jogam no estádio Rosenão, com arbitragem de Djonaltan Costa Araújo, auxiliado por Márcio Glêidson Corrêa Dias e Bárbara da Costa Loiola.
Na segunda-feira, às 20h30, na Curuzu, o Paissandu recebe o Paragominas, com apito de Joelson Nazareno Cardoso – auxiliares: Luís Diego Lopes e Robson dos Reis.

Coronel do MS revela: CBF planeja extinguir Série D

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Do Blog do Quartarollo

A informação vem de Campo Grande com meu amigo Raimundo Nonato, com quem trabalhei na Rádio Record na década de 80. No lançamento do Campeonato Estadual 2016, ontem à noite, o presidente da Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul, o “Coronel” Francisco Cezário de Oliveira (está no cargo desde 1986), disse ter sido autorizado pela CBF a informar que a partir de 2017 a Série D do Campeonato Brasileiro será extinta.

Serão apenas as Séries A, B e C. A Série C a partir do próximo ano reunirá os campeões estaduais que não estiverem nas séries acima. Até aí normal. Segundo o “Coronel”, Cezário, a Série D é deficitária e o investimento necessário para uma campanha de acesso está muito acima da realidade da grande maioria dos clubes participantes.

Imprensa vendida

Vem de lá também a informação que hoje a ACEMS (Associação dos Cronistas Esportivos de Mato Grosso do Sul) assina convênio de R$ 50 mil com o governo do Estado. O dinheiro, segundo o presidente da entidade, é para ajudar nas despesas dos “cronistas esportivos” durante a disputa do Campeonato 2016.

Acho que a independência dos colegas do Mato Grosso do Sul está à deriva. Lamentável.

Opinião do Blog: Será? A conferir. De qualquer forma, o Remo se livrou de boa. 

Os 62 donos do planeta

Nesta semana, a organização não governamental britânica Oxfam divulgou os resultados de um estudo no qual afirma que o 1% mais rico do mundo já detém tanta riqueza quanto o resto dos habitantes do planeta. Além disso, a ONG destacou que as 62 pessoas mais ricas têm tanto dinheiro e bens quanto metade da população global.

A lista tem dois brasileiros: o empresário Jorge Paulo Lemann, que atua em uma série de setores – como de cervejarias e o de varejo –, e o banqueiro Joseph Safra. A Oxfam se baseou no ranking anual de bilionários compilado pela revista americana Forbes. Confira quem faz parte da lista:

1. Bill Gates (EUA), 60 anos – US$ 79,2 bilhões

Microsoft

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2. Carlos Slim (México), 75 anos – US$ 77,1 bilhões

Setor de telecomunicações

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3. Warren Buffett (EUA), 80 anos – US$ 72,7 bilhões

Berkshire Hathaway

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Decisão microcéfala em 1998; uma tragédia em 2016

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POR ANDRÉ FORASTIERI em seu blog

Na década de 60, o Brasil erradicou o Aedes Aegypti. Não quer dizer que 100% dos mosquitos morreram. A dengue tem presença contínua em algumas regiões do país – é doença endêmica. Quando a incidência aumenta muito é que é epidemia.
A primeira epidemia da “nossa época” foi em 1986. Fruto da urbanização, do aumento da população, da falta de investimento em saneamento. De lá para cá, tivemos novas epidemias periodicamente. Mas no século 21 a situação piorou muito. E a explicação para isso é simples.
Em 1996, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Saúde, Adib Jatene, anunciou um projeto ambicioso e detalhado para acabar com a dengue no Brasil. O orçamento seria de R$ 4,5 bilhões, a ser coordenado pela Fundação Nacional da Saúde, a Funasa, órgão do Ministério. Esse dinheiro seria investido em saneamento básico (mais da metade do valor), inseticida e educação da população. Em novembro do mesmo ano, Jatene deixou o ministério. Seu substituto durou um ano e não implementou o plano.
Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde. Anunciou como seu objetivo fundamental enfrentar uma nova epidemia de dengue, que fazia estragos, principalmente no Rio de Janeiro. Disse que o Brasil entrava em “guerra” contra o mosquito. Declarou: “o triunfo será das forças da saúde.” Mas era época de contenção de gastos. Serra também não implementou o plano de Jatene e realizou uma mudança fatal. O combate à proliferação do mosquito, que antes era responsabilidade federal, passou a ser dos municípios.
O governo federal passou a mandar uma fatia da verba para cada cidade. Pior: boa parte da verbas foi mandada com o objetivo genérico de combater doenças transmissíveis, e não especificamente a dengue. Os prefeitos gostaram, claro, mais dinheiro para gastar como bem entendessem. O Ministério da Saúde não supervisionou o uso do dinheiro. Novas e piores epidemias se seguiram.
Em reportagem de 2002, quando Serra deixou o ministério, o repórter Mário Magalhães detalhou na Folha de S. Paulo o que aconteceu no Rio, foco principal da epidemia, e ouviu especialistas sobre a decisão de Serra. A reportagem completa está aqui.
Alguns trechos:

“Em 1998, um plano operativo da Funasa previu que seriam necessários 10.461 agentes sanitários no Rio concentrados na aplicação de inseticidas. Havia 1.638 efetivos da fundação e 5.243 contratados por temporada -um déficit de 3.580. Em 1999, os temporários eram 5.792. Foram demitidos no fim de junho daquele ano.”

“Num depoimento à Justiça no ano passado, o coordenador de Vigilância Ambiental da Funasa, Guilherme Franco Neto, ex-coordenador regional no Rio, disse que foi contrário à dispensa dos mata-mosquitos. Em abril de 2001, a Coordenação de Dengue do município do Rio previu uma epidemia no verão de 2002 com grande incidência de febre hemorrágica. A sugestão de contratação de 1.500 agentes e compra de equipamentos foi ignorada. O prefeito Cesar Maia (PFL) exonerou em seguida seu secretário da Saúde, Sérgio Arouca (PPS), que o alertara.”

“A Funasa não informou quanto gastou em 2000 e 2001, quando parte das verbas contra a dengue foi enviada aos municípios em pacotes gerais contra doenças transmissíveis, sem estabelecer a enfermidade-alvo. Nos últimos anos, a Saúde aprofundou no combate ao Aedes aegypti a política de descentralização e municipalização prevista pela Constituição e pela Lei Orgânica de 1990. Os mata-mosquitos contratados pela Funasa foram dispensados em todo o país porque a fundação repassou a verba para os municípios executarem as ações antidengue.”

“A descentralização da saúde não foi feita de forma bem planejada no país”, diz o epidemiologista Roberto Medronho, diretor do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Muitas vezes não há capacitação e recursos. O afastamento dos mata-mosquitos no Rio foi uma atitude irresponsável. Precisaria de transição.” Em Nova Iguaçu (RJ), a prefeitura contratou uma agência de extermínio de baratas para abater larvas e mosquitos. No Rio, a tarefa é da empresa de lixo.”

“O ministério tem obrigação de fazer a vigilância do dinheiro que está repassando”, diz o diretor do Instituto de Doenças Tropicais da Universidade de São Paulo, Marcos Boulos. “Tem de monitorar e uniformizar o trabalho.” Boulos aponta outro problema: uma cidade pode implantar um projeto vitorioso contra a dengue. Se o município ao lado não tiver o mesmo comportamento, “seus” mosquitos contaminarão o vizinho. “É jogar dinheiro pelo ralo.”

“Para o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, professor de doenças infecciosas e parasitárias da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o “fracasso começa no abandono do projeto de Jatene. Nos últimos anos, deu-se ênfase quase exclusiva ao controle químico. A utilização de inseticidas é feita irracionalmente. Em locais como Campo Grande e Fortaleza, as larvas desenvolveram resistência a inseticidas”. O coordenador de pós-graduação em Medicina Tropical da Universidade Federal de Minas Gerais, Manoel Otávio da Costa Rocha, destaca outros três problemas: a falta de mobilização social “adequada” contra a dengue, a manutenção do bate-boca entre esferas de poder sobre a culpa pelas epidemias e a falta de continuidade nas ações antidengue. “Os mosquitos voltam a nível exponencial em dois, três anos.”

E, como sabemos em 2016, voltaram mesmo. E voltaram piores. Espalhando a febre Chikungunya e a Zika.
Na época, Serra foi muito criticado por sua gestão no Ministério da Saúde, e pela explosão da dengue. Depois ele foi ser candidato a presidente da república. A piada na época é que ele seria o “presidengue”. Perdeu para Lula. Segue com o objetivo de chegar à presidência da República.
Agora, a Dengue mata mais que nunca. E a Zika ameaça a gravidez de milhares de brasileiras. Moças jovens e pobres que terão bebês com problemas de saúde inimagináveis. Tragédia que podia, devia ter sido evitada. Mas se tornou inevitável a partir da decisão microcéfala de José Serra, com aprovação de FHC.
E do descaso dos governantes que vieram depois. Depois de catorze anos do governo “dos trabalhadores”, seguimos com metade das casas do país sem esgoto… agora é que Dilma propõe ações de emergência contra o mosquito?
A dengue e a Zika não são obra do acaso. Nem maldade da natureza.
São crime de responsabilidade.