Mês: março 2015
Jogando com o regulamento
POR GERSON NOGUEIRA
Como no ano passado, remistas e bicolores estão classificados para a semifinal da Copa Verde. Como naquela ocasião, serão dois jogos com potencial para salvar as finanças de ambos no primeiro semestre. Os jogos do fim de semana definiram essa situação com performances sofríveis dos times locais.
No sábado, mesmo atuando em casa e podendo até perder por 1 a 0, o Remo passou pelo Princesa do Solimões com extrema dificuldade. Ontem, em Manaus, apesar de ampla vantagem de gols, o Papão sofreu o diabo para se classificar diante do Nacional.
Como visitante em situação folgada (até uma derrota por 2 a 0 lhe servia), o Papão pisou no gramado do estádio da Colina sem exibir a confiança necessária para superar os donos da casa. Logo de cara, seu melhor atacante (Bruno Veiga) levou infantilmente um cartão amarelo, revelando o nervosismo do time.
Aos 10 minutos, gol do Nacional. Léo Paraíba, cobrando falta. O que era tenso passou a ficar dramático ainda no primeiro tempo. O jogo se desenrolava com muitas faltas, choque físico entre os jogadores e muita provocação. Mais agressivo e organizado, o Naça levava perigo em vários momentos, com Leonardo e Fininho.
Acuado e preocupado apenas em desarmar, o Papão nada criava. Dado Cavalcanti optou por um meio-de-campo conservador, com três volantes, atento à vantagem que o regulamento lhe conferia. Carlinhos era peça decorativa na armação e os atacantes ficavam o tempo todo isolados lá na frente.
Até se justificava a preocupação com a defesa, mas o técnico exagerou na dose e deixou a equipe presa demais ao seu próprio campo. O retraimento do Papão deixou as forças niveladas e, com tantas cautelas, o primeiro bom ataque só aconteceu aos 39 minutos, com Aylon.
No começo do segundo tempo, o Papão se soltou um pouco mais, levando Pikachu ao ataque pela primeira vez e fazendo Bruno Veiga tentar um lance individual antes dos 10 minutos. Dado povoou a entrada de sua área, bloqueando as tentativas do Naça. Estratégia arriscada, mas que acabou funcionando, pois os amazonenses detinham a posse de bola sem saber fazer uso dela.
No desespero, Aderbal Lana manteve seu time sempre no ataque. Chegou a botar em campo o artilheiro Wanderlei, que havia sido poupado no primeiro tempo, mas o cansaço deu as caras e o Papão soube aproveitar o momento para empatar. Em boa jogada, aos 37, Aylon passou para Jonathan, que tocou na saída do goleiro Rodrigo Ramos.
Foi um jogo tecnicamente feio e até mais difícil do se previa, com pressão dentro e fora do campo, mas o Papão teve força e disciplina para se garantir na semifinal da Copa Verde. Os melhores da equipe foram Willian Alves e Jonathan.
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Leão vence em confronto nervoso
O Princesa chegou como franco-atirador. O Remo era o mandante e tinha a torcida a lhe apoiar. O gol aconteceu logo cedo, aos 10 minutos, ampliando ainda mais a boa vantagem azulina. Outros foram perdidos antes que Val Barreto fizesse o segundo, aos 43. Ainda assim, a partida era nervosa, sem que o torcedor se sentisse tranquilo nas arquibancadas.
A etapa final trouxe o Princesa ainda mais desprendido, na base do perdido por um, perdido por mil. Atacava com vários jogadores e encurralava o time azulino, que não conseguia se safar do cerco. Quando tentava sair jogando, o Remo sempre errava os passes e possibilitava a pressão adversária.
Aos 17 minutos, um susto. O beque Dewrick (que havia feito gol contra no começo) recebeu livre à altura da marca do pênalti e bateu rasteiro. Fabiano aceitou. Começava ali um período de martírio para os azulinos. Ciente de que podia sonhar com a vaga, o Princesa amiudou as investidas pelos lados, levando sempre de roldão os laterais Jadilson e Levy.
Inseguros, os remistas não conseguiam trocar três passes seguidos, facilitando sempre a marcação. O Princesa, ao contrário, era puro entusiasmo. Parecia destemido, como se estivesse em casa. Canutama, Edinho e Léo Paraíba se revezavam no cerco constante à grande área azulina, com cruzamentos e chutes perigosos.
A zaga se safava como podia, mas Ciro Sena andou levando dribles desconcertantes e Igor João não ajustava o combate ao centroavante Sandro Goiano, depois substituído por Nando. Amaral recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, mas nem assim o Remo conseguia se acertar em campo.
Eduardo Ramos cansou na metade do segundo tempo e Val Barreto não recebia passes na área. Improdutivo, Flávio Caça-Rato custou a sair. Rony o substituiu nos 15 minutos finais, a tempo de perder um gol incrível aos 42.
Mesmo limitado, com sérios problemas de cobertura e organização, o Remo joga muito mais do que apresentou no sábado à tarde. É aceitável imaginar que os muitos problemas externos tenham afetado o elenco, influindo no desempenho em campo.
Apesar da diminuição de ritmo no segundo tempo, Ramos foi o mais lúcido do time, secundado por Alberto, Barreto e Dadá. Caça-Rato, Macena e Jadilson foram peças destoantes. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
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PFC reage, Castanhal afunda
O Parazão teve apenas um jogo no fim de semana e o Paragominas aproveitou para assumir a liderança do grupo A2. Com autoridade, derrotou o Castanhal na Arena Verde por 3 a 0, sábado à noite. Especialista na competição, Charles Guerreiro dá mostras de que o PFC ainda pode surpreender neste returno.
O Castanhal, que tinha grandes ambições na volta à primeira divisão, errou nas apostas e está à beira do rebaixamento. Com apenas um ponto na classificação geral, precisará vencer todos os jogos restantes e ainda rezar bastante.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 23)
Papão conquista vaga com empate em Manaus
Leão 100% na Copa Verde
Nacional x Papão (comentários on-line)
Um jogo de risco calculado
POR GERSON NOGUEIRA
Deveria ser quase um amistoso, mas virou jogo de alto risco. O esquema montado em Manaus para Nacional x Paissandu, neste domingo, no estádio Ismael Benigno – a Colina – indica que há expectativa de um grande público. Algo em torno de 10 mil torcedores são aguardados, levando as autoridades a mobilizarem mais de 400 homens para a segurança dentro e fora do estádio. Está previsto até monitoramento de câmeras em áreas próximas ao estádio, como ocorria nos jogos da Copa do Mundo, no ano passado.
É mais do que uma sinalização de que o torcedor nacionalino não jogou a toalha em relação à classificação. O desafio é arrojado. O time baré precisa vencer por três ou mais gols de diferença para se classificar. O revés em Belém, quando a equipe então dirigida por Sinomar Naves levou de 4 a 1, ainda não foi devidamente digerido e o Naça nutre esperanças de uma reabilitação heroica.
Diante disso, mais do que nunca, o Papão precisa estar precavido. Sua vantagem é expressiva. Pode perder até por 2 a 0 ou dois gols de diferença. Caso faça um gol, praticamente sepulta as possibilidades do Naça, que seria obrigado a marcar cinco.
Como futebol é dado a falsetas, o técnico Dado Cavalcanti procedeu bem ao definir a partida como decisão e sem favoritismos. No raciocínio dele, o representante paraense deverá entrar no gramado da Colina pensando exclusivamente nos 90 minutos, esquecendo-se do jogo de ida. Truque psicológico para fazer com que todos se empenhem em busca de uma vitória ou até mesmo um empate, sem se contaminar pelo favoritismo decorrente da goleada em Belém.
Dado não fará mudanças drásticas em relação ao jogo em Rio Brilhante, quando uma vitória certa foi frustrada por erros de posicionamento. A única mudança deve ser na defesa, com a saída de Marquinhos. Os demais setores permanecem inalterados, garantindo o entrosamento.
A experiência de jogadores como Augusto Recife e Radamés pode ser fundamental para que o Papão desenvolva um jogo tranquilo, sem se deixar influenciar pela pressão dos donos da casa. Caso funcione bem desde o início, o ataque terá papel decisivo, com Carlinhos funcionando como suporte para os homens de frente, além da habitual presença de Pikachu como falso atacante pelo lado direito. Marcar um gol é tudo que o Papão precisa para levar as coisas a bom termo.
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Percalços atormentam o Leão
A sexta-feira reabriu a porta da desesperança no Evandro Almeida. Explodiram, via diferentes fontes, as notícias de cisão na diretoria, com presidente e vice que mal se falam. Diretores ameaçam pedir o boné e, em meio a isso, surge o risco de um motim a bordo do elenco de jogadores. A crise não podia eclodir em pior momento, quando o time acaba de renascer no campeonato estadual e está em vias de se classificar à semifinal da Copa Verde.
Na verdade, tudo começou lá atrás, ainda em 2014. O pior dos cenários para o Remo, desenhado há meses, era o da malquerença interna. O conflito entre grupos políticos sempre ameaçou a estabilidade da gestão. A primeira eleição direta da história do clube foi feita, forçosamente, em dois turnos e Pedro Minowa emergiu das urnas como o grande vitorioso, reunindo novos e velhos azulinos em torno de uma plataforma confusa e mal explicada.
Como todos aprendemos a pensar que renovação é sempre saudável e sinal de vigor democrático, os buracos negros dos planos de governo de Minowa não foram levados em conta. Preferiu-se acreditar que tudo se arrumaria com o tempo. Ledo engano.
A herança de gastos e dívidas deixada pela diretoria anterior caiu sobre os ombros dos novos dirigentes. A reação de surpresa indica que não se informaram sobre a real situação contábil do clube. Com a necessidade premente de contratar um técnico e formar elenco, a diretoria tratou de engordar as dívidas.
Internamente, falava-se em discórdia entre o presidente e seu vice, Henrique Custódio. O que era apenas rumor se confirmou nesta semana, depois que os jogadores começaram a se manifestar, incomodados com o distanciamento em relação aos dirigentes. O técnico Zé Teodoro ainda conseguiu represar as insatisfações do elenco, mas na sexta-feira eram fortes os rumores de que alguns atletas estariam insatisfeitos.
A coisa degringolou de vez com a notícia de que Flávio Caça Rato e Mateus Carioca teriam sido despejados de um hotel e abrigados às pressas em outro, por consideração de um dos abnegados do clube.
De erro em erro, o Remo vem cavando sua própria desdita, diretoria após diretoria. A de agora apenas reproduz um velho script. O torcedor, que nada tem a ver com a incompetência dos gestores, a tudo assiste, impotente, sem ter como agir.
As mazelas administrativas conspiram até mesmo contra as possibilidades de receita. Além da queda, o coice: os ingressos para a partida contra o Princesa do Solimões, neste sábado, chegaram com muito atraso, prejudicando consideravelmente a venda.
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Bola na Torre
O atacante Val Barreto, do Remo, é o convidado deste domingo no programa Bola na Torre (RBATV). Guilherme Guerreiro apresenta, com as participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h15.
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Rio de raivas e desconfianças
O clássico Vasco x Flamengo, válido pelo Campeonato Carioca, marca o retorno oficial de Eurico Miranda à arenga das rivalidades do sempre turbulento futebol do Rio. Depois de voltar à presidência do Vasco, Eurico vinha se mantendo razoavelmente discreto, mas nesta semana voltou a ser o Eurico de sempre, pressionando arbitragem, provocando os rubro-negros e se aproximando da cúpula da Federação Carioca de Futebol. O Flamengo age como se nada estivesse acontecendo, mas todos sabem que algo mudou na paisagem. E, certamente, não foi para melhor.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 22)
Rock na madrugada – Jimi Hendrix, The Wind Cries Mary
Capa do Bola, edição de domingo, 22
Remo x Princesa (comentários on-line)
Capa do DIÁRIO, edição de domingo, 22
Crise interna tumultua ambiente no Remo
Desde sexta-feira à noite, o Remo enfrenta uma grave convulsão interna, causada pelo distanciamento entre o presidente Pedro Minowa e o vice, Henrique Custódio. Como ambos praticamente não se falam, a gestão está comprometida e alguns diretores já pensam em deixar os cargos.
Em meio a isso, o elenco começa a reclamar da ausência dos dirigentes e treinou nos últimos dias sob protesto. O técnico Zé Teodoro tem procurado manter a situação sob controle, mas encontra dificuldades até para resolver questões básicas, como a compra de gelo para trabalhos de recondicionamento de atletas.
À noite, os jogadores Flávio Caça Rato e Mateus Carioca tiveram que deixar o hotel onde residiam e foram encaminhados para outro, onde um conselheiro conseguiu vagas. O problema inquietou os demais jogadores, que reclamam de atraso salarial e decidiram não se concentrar.
Diante disso, foi marcada a reapresentação para 11h30 deste sábado no estádio Evandro Almeida. Depois disso, o grupo almoçaria e iria para o Mangueirão, onde o jogo com o Princesa do Solimões está previsto para 16h.
Nos bastidores, diretores trocam acusações e críticas e o presidente Minowa é acusado de ausente. Seu afastamento é defendido abertamente, em consequência da oposição que lhe é movida pelo vice.
Rumores sobre um suposto boicote dos jogadores no jogo desta tarde, em represália pelo comportamento da direção, foram duramente rechaçados pelo grupo. Todos garantem que o elenco está unido e disposto a conquistar uma grande vitória em respeito à torcida azulina. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)







