Há 180 anos, o povo tomava o poder no Pará

Por Antônio José Soares, via Facebook

O aniversário de Belém, que ocorre a 12 de janeiro, não foi comemorado em 1835, quando a cidade completava 219 anos de fundada, por Francisco Caldeira de Castelo Branco. Cinco dias antes do aniversário de Belém naquele ano, eclodiu o movimento revolucionário que ficou conhecido como a Cabanagem. Belém era uma pequena cidade de 12 mil habitantes. As causas da Cabagem foram várias e complexas, ditadas pelas condições sócioeconômicas que predominavam na época.

O objetivo do movimento era a conquista da independência da Província do Grão-Pará, mas isso não foi alcançado. Embora por causas diferentes, os cabanos (índios e mestiços, na maioria) e os integrantes da elite local (comerciantes e fazendeiros) se uniram contra o governo regencial nesta revolta.

Os cabanos pretendiam melhores condições de vida (trabalho, moradia, comida). Já os fazendeiros e comerciantes, que lideraram a revolta, pretendiam maior participação nas decisões administrativas e políticas da província. Nada disso foi alcançado, embora o movimento tenha feito três governadores: Félix Clemente Malcher, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim, principais líderes do movimento, ao lado de Batista Campos.

CONTEXTO HITÓRICO

No início do Período Regencial, a situação da população pobre do Grão-Pará era péssima. Mestiços e índios viviam na miséria total. Sem trabalho e sem condições adequadas de vida, os cabanos sofriam em suas pobres cabanas às margens dos rios. Esta situação provocou o sentimento de abandono com relação ao governo central e, ao mesmo tempo, muita revolta.

Os comerciantes e fazendeiros da região também estavam descontentes, pois o governo regencial havia nomeado para a província um presidente, Bernado Lobo de Souza, iniciado em 1833, e que não agradava a elite local. No dia 7 de janeiro de 1835, as tropas cabanas tomaram o palácio do governo e mataram Lobo de ouza e o tenente =-coronel Joaquim José da Silva Santiago.

A Cabanagem estendeu-se por um, lustro (1835 e 1840) na Província do Grão-Pará, que compreendia toda a região norte do Brasil, e não apenas só o atual Estado do Pará. .O movimento recebeu este nome, por envolver grande parte de revoltosos saídos das classes menos favorecidas, pessoas pobres que moravam em cabanas à beira dos rios da região. Essa gente era chamada de Cabanos.

TRINTA MIL MORTOS

Com início em 1835, a Cabanagem gerou uma sangrenta guerra entre os cabanos e as tropas do governo central. As estimativas feitas por historiadores apontam que cerca de 30 mil pessoas morreram durante os cinco anos de combates.

No ano de 1835, os cabanos ocuparam a cidade de Belém (capital da província) e colocaram na presidência da província Félix Malcher. Fazendeiro, Malcher fez acordos com o governo regencial, traÍndo o movimento. Revoltados, os cabanos mataram Malcher e colocaram no lugar o lavrador Francisco Pedro Vinagre, sucedido por Eduardo Angelim.

Contanto com o apoio inclusive de tropas de mercenários europeus, o governo central brasileiro usou toda a força para reprimir a revolta que ganhava cada vez mais força.

Após cinco anos de sangrentos combates, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta. Em 1840, muitos cabanos tinham sido presos ou mortos em combates. A revolta terminou sem que os cabanos conseguissem atingir seus objetivos.

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