Por André Forastieri
Cada um vive como bem entender e acredita no que preferir. Há que conviver com quem pensa outra coisa, sente, vive outra coisa. Há que procurar proveito nas diferenças. Porque as diferenças existem e existirão. Agora, há que ter coerência.
Rodolfo Abrantes foi meu letrista favorito. Nos anos em que esteve à frente dos Raimundos, não tinha para ninguém. Depois que se converteu, suas letras não me dizem nada. Nenhum problema com música de louvação. Se você dispensa de cara todo o cancioneiro pop religioso, está jogando fora uma parte fundamental da música negra americana, pra começar. Sem falar de algumas das minhas canções favoritas de Johnny Cash. Rodolfo, não tem jeito: ouço ele agora, comparo com o humor e energia dos Raimundos, e me dá tristeza.
Agora ele dá entrevista à revista Trip dizendo que está “100% arrependido” das letras. Mas continua embolsando os royalties gerados por elas. Cada vez que toca uma música dos Raimundos no rádio, ou que os Raimundos tocam uma canção escrita por Rodolfo, ele recebe uma graninha.
Ele explica: “Arrependimento quer dizer: eu reconheço que eu estava errado e não faço mais isso. Jesus falava para as pessoas: vá e não peque mais. O que você fazia, não faça mais agora. Se você comparar minha vida hoje com a vida que eu tinha você vai saber do que eu me arrependi.” A íntegra da entrevista está aqui.
Isso não explica nada. Como era de se esperar, seus ex-companheiros reagiram. Digão pregou fogo no Facebook:
— Que pena que a base de sua vida seja a hipocrisia… 100% arrependido” mas usufruindo 100% da sua parte dos direitos autorais e que não é uma “merreca” que ele gosta de falar para os desinformados…
Digão está certo e Rodolfo está agindo errado. Deveria abrir mão dessa grana, em benefício do restante da banda. Ou uma outra hipótese: doar a receita integral para alguma instituição. Desgraçado precisando de ajuda nesse país é o que não falta.
Se Rodolfo realmente renega as letras que escreveu nos Raimundos, deveria também renegar a receita que elas geram. Me recuso a admitir que Rodolfo seja um sepulcro caiado. Mas a maneira como está agindo é hipócrita. Indigna da retidão religiosa que professa hoje. E, o que me importa mais, indigna do seu passado com uma das bandas mais legais – e honestas – que esse país já viu.

Essa é uma contradição que Rodolfo vai ter que resolver. Mas o mais estranho é que todo artista brasileiro reclama de direitos autorais e os Raimundos faturam alto. Alguém mente ou esconde algo.
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realmente é muito contraditório, venho acompanhado a carreira do Rodolfo e vejo que ele não precisaria mais disso…pois se ele tem uma nova vida, não deveria mais ficar preso a isso…mas coração do homem é terra q ninguém vê…sou evangélico e acredito que na terra não exitam santos, pois todos nós somos pecadores…se Rodolfo, prega santidade, mas não vive como se deveria, ao minimo o mesmo deveria repensar seus conceitos
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LETRAS DE MÚSICAS DOS RAIMUNDOS???????? DÁ LICENÇA BELAS PORCARIAS MAS FOI O CARA QUE FEZ, SEJA EM QUE ESTADO DE ESPÍRITO, SÃO DELE E FAZ O QUE QUISER…PODE ESTAR USANDO O DINHEIRO PRA MELHORAR SIM E POR QUE NÃO???? DEIXEM O CARA PRA LÁ ELE QUER SE LIBERTAR DOS SEUS DEMÔNIOS E NÃO VENHAM ME DIZER QUE O ROCK NÃO ATRAI.
Date: Tue, 23 Dec 2014 17:05:36 +0000 To: rildoagro13@hotmail.com
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Rildo, asneiras como essa só alimentam preconceito. Observe que ritmos como lambada, salsa e merengue, pra ficar só em alguns exemplos, já foram, ou ainda são, tidos como vulgares ou indecentes. O forró não agrada todo mundo, assim como a bossa nova e o jazz. Isso é só música, ou ritmo. Rodolfo pode se arrepender da vida que levava, e daí? Eu tenho nada com isso. Ele é bem grandinho pra tomar as próprias decisões. Ele que leve a vida que quiser e arque com as consequências dos seus atos. Eu mesmo gostava dos Raimundos, ouvi muito as músicas dessa banda. Acho que os direitos autorais trazem bônus e ônus. Qualquer um é responsável pelo que diz, pelo que compõe, pelo que produz. Rodolfo tem uma obra que lhe rende receita, independente do conteúdo e do arrependimento. Direito não se discute. E gosto também.
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