O problema está no número

Por Gerson Nogueira

unnamed (72)No dia da apresentação do Camisa 33 à torcida do Remo, no estádio Jornalista Edgar Proença, o que foi pensado para ser uma tremenda festa se transformou em constrangimento. O anticlímax criado pelo vazamento do nome do jogador escolhido afastou muita gente da programação e fez com que os presentes se irritassem com a diretoria do clube e, por tabela, com o próprio astro principal do evento.

Eduardo Ramos desceu do helicóptero acenando timidamente e foi brindado com uma sonora vaia. Ao lado dos dirigentes, caminhou até o palanque armado perto do placar. Não parecia um vencedor – pelo contrário. Parecia derrotado. Cabisbaixo na maior parte do tempo, ele misturou-se aos demais atletas do Remo e depois falou pouquíssimas palavras de saudação. As vaias voltaram, em menor intensidade, e o tom festivo daquela tarde se evaporou.

Como evaporaria, nas semanas seguintes, o futebol do Camisa 33. Tudo bem que não havia cumprido bom papel no Paissandu ao longo da Série B 2013, perdendo-se em atuações opacas e contribuindo para a derrocada e o rebaixamento. Mas permanecia vívida a lembrança da boa passagem no Campeonato Paraense, quando foi o principal nome da vitoriosa campanha alviceleste.

Pois nem essa imagem deixada no Parazão passado foi reapresentada ao torcedor remista e à diretoria, que investiu alto na contratação. Foram acertados valores muito acima da média para o futebol regional, equiparando-se a de clubes da Série B e até Série A.

Em campo, porém, Ramos não se encontrou. Nas primeiras rodadas até deu a impressão de que iria engrenar. Fez gol logo na estreia, movimentava-se e assumia o papel de protagonista do time, sob o comando de Charles Guerreiro. Aos poucos, esse ímpeto foi caindo, à medida que o campeonato avançava e as dificuldades aumentavam.

Bem marcado, desceu à condição de jogador apenas mediano, tocando para os lados e evitando riscos. Nos clássicos com o Paissandu, apesar do inegável esforço para acertar, foi facilmente anulado. Pior que isso: nos dois últimos, acabou substituído logo no começo do segundo tempo. E voltaram às vaias – nesse caso, dos dois lados. Azulinos e bicolores unidos na rejeição pública ao futebol do 33.

A chegada de um novo técnico reabriu as expectativas quanto ao futebol de Eduardo Ramos. Habilidoso, bom lançador, com virtudes de finalizador, ninguém acredita que tenha desaprendido a jogar, mas é evidente que não faz o mínimo que estava acostumado a mostrar, seja no Paissandu ou em outras equipes.

Roberto Fernandes parece disposto a recuperar o jogador. Já o conhecia do futebol pernambucano e, com base nisso, tem procurado prestigiá-lo como titular. Os efeitos disso começam a surgir. No último Re-Pa foi mais participativo e teve presença importante nos jogos contra o Gavião e o Paragominas. Falta a Ramos a companhia de outros jogadores importantes, que também não rendem a contento no Baenão. Casos de Leandrão, Athos, Tiago Potiguar e Zé Soares.

Camisa 10 por onde andou, Ramos talvez tenha sentido o baque de assumir o 33 tão emblemático para os azulinos, cobrado tanto pela atual quanto pela ex-torcida, que não perdoou a “travessia”. Mesmo que não faça bem ao marketing, talvez seja o caso de os azulinos trocarem o número de sua camisa. O 33 tem se mostrado muito pesado.

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Perguntinha (im)pertinente

Notícias vindas do Engenhão indicam que a camisa 7 será entregue a Emerson Sheik. Alguém já se preocupou em verificar se ele tem noção do que isso representa no Botafogo?

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Ficamos ainda mais solitários

A bio de Gabriel García Márquez, “Viver para Contar” (2002), é um de meus livros preferidos, embora não seja nem de longe o mais badalado dele. Aprecio particularmente porque Gabo revela muito dos caminhos que o levaram ao topo, com especial detalhamento da infância e juventude em Aracataca.

Ali está retratada sua determinação inabalável, desde os tempos de repórter talentoso do El Universal de Cartagena até a glória de autor reverenciado, ganhador do Nobel. Esquerdista até o fim, amigo e defensor de Fidel, Gabo deixa obra extensa e brilhante. Mais um grande homem, um gênio da raça, se vai. Ainda outro dia foi Mandela, agora Márquez. O mundo fica cada vez mais despovoado de inteligência.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 18)

29 comentários em “O problema está no número

  1. Lembro do futebol que Ramos jogou contra o Independente, ainda no primeiro turno do parazão. Era maestro!
    Tabelava, chutava de fora da área (Um desses disparos acertou o travessão), avançava em direção ao gol…
    Hoje ele se limita a passar a bola para os lados e força lançamentos, mesmo quando a lógica pede para que coloque a bola no chão. Também parou de finalizar, como quem tem medo de errar e ser (ainda mais) vaiado.

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  2. Ramos encontrou aqui um ambiente bastante hostil. Desde sua apresentação…
    Jogou bem até antes do primeiro RE x PA, mas aí as coisas desandaram. A torcida pega muito no pé.
    Em seu primeiro lance do jogo passado, deu grande arrancada pela lateral (Que não é seu forte), mas escorregou no gramado liso (como ocorreu com outros atletas posteriormente) antes de efetuar o cruzamento e o Baenão começou a vaiá-lo em uníssono.

    Minha opinião: O Remo precisa recuperar este jogador, mas o principal trabalho deve ser fora das quatro linhas. Ramos deveria ser sacado da onzena titular para a entrada de Athos e, assim, aprimorar sua técnica, tática e o psicológico longe das cobranças da torcida.

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  3. Realmente, a perda de Gabo, apesar de seu monumental legado literário, dá essa sensação de empobrecimento na inteligência planetária, algo que angustia pela ‘substituição’ com que costumeiramente nos deparamos.

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  4. Poxa! O Remo não tem dinheiro, paga talvez 60 ou 70 mil por mês pra esse jogador e ainda tem quer recupera-la haja paciência, ne? Já foi gasto só com esse jogador ate agora mais de 250 mil. Tem que cobrar tem cobrar mesmo quando o Remo deixar de honrar os seus compromissos ele ira cobra na justiça do trabalho, não e?
    Jogador não tem que se deixar levar por torcida, isso e balela , quando joga no interior porque também não faz nada?
    Foi uma péssima contratação!
    E o pior o Remo não vai dar conta de pagar esse salario por dois anos! Esse e mais um Ramon, aquele do ano passado!

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  5. Na verdade essa contratação bombástica à época se transformou em um tremendo mico nos dias de hoje, principalmente em razão dos valores monetários em jogo. O pior é que o próprio jogador não demonstra vontade de mudar esse quadro. Concordo com o amigo Thiago, um banco seria a melhor coisa a fazer pra recuperar o cara.

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  6. Um cara que já vestiu a camisa do Corinthians e do Paysandu, vai sentir peso de uma camisa de um time sem divisão?

    Tenho direito e por isso discordo do amigo baionense e botafoguense Gerson Nogueira.

    Já o Emerson irá vestir a camisa 7 do fogão, a mesma que Garrincha eternizou, só espero que quando ele tiver pro cima, não perca as estribeiras, todo bom botafoguense, está disposto a esquecer o que este rapaz já fez de besteira na carreira.

    Boa sorte Emerson com a camisa gloriosa do Fogãooo!

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  7. Eduardo Ramos menosprezou a pressão que é o futebol paraense…se jogar em um dos clubes a pressão já é forte, imagina fazendo o que ele fez…outra coisa: Marketing bem feito, entrega o objetivo de uma excelente ideia…faltou essa avaliação para quem deu a 33 pra ele…O resultado da venda das camisas mensura o sucesso da ação de Marketing…excelente ideia, com execução inadequada…simples assim…

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  8. Eduardo está conseguindo ser pior do que na série B, quando teve altos e baixos.

    Mesmo assim, penso que o Remo fez uma aposta interessante.

    Isto por que, Eduardo, para os padrões local (e mesmo para série D), é um jogador que tem totais condições de se destacar, ja que tem uma qualidade técnica acima da média local.

    Particularmente, ainda acredito que o mesmo vá crescer no rival, espero que somente na série D, todavia, penso que isto só ocorrerá se o mesmo for tratado com o devido carinho por todos (atenção) e ter o time armado para jogar entorno dele (coisa que não aconteceu até o momento no rival).

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  9. A CAMISA 33 tem peso sim senhor EDSON, essa camisa representa um tabu nunca igualado pela região, o seu GRANDIOSO PAPINHA ficou desgraçados 5 anos, 33 jogos sem ganhar do “TIME PEQUENO” que voce se refere, e olha que todo ano tem vários jogos re x pa, apesar de o Remo tá sem divisão e tá nessa penúria a vários anos por falta de competência de seus gestores e também um pouco de falta de sorte o Remo não deixou de ser grande, os jogadores que aqui chegam não deixa de pesar a camisa como vc diz. o TEU PAPINHA tu diz que é grande prq? pelas glórias do passado? quem vive de passado é museu, se for pra falar de passado teu papinha não chega aos pés do glorioso CLUBE DO REMO, pesquisa a história desse clube e para de falar besteira….

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  10. O engraçado é que quando a gente avisava que o Ramos era laranja podre, diziam que estavamos com inveja. Agora que se virem com essa bomba pelos próximos 2 anos.

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  11. Essa pustema, de tão ruim, consegue mascarar outras “grandes contratações” da ousada gestão Pirão que também não rendem PN: Potiguar, ô bicho preguiçoso e fominha, sem senso coletivo nenhum, e o trombadorLeandrão. Enquanto isso, o Papão vai dar um rolezinho no DF e trazer mais uma taça, que era uma das metas dos sem divisão até trombarem e apanharem do listrado.

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  12. Vi no globo esporte, amigo Cláudio. Denis também não acompanhará a delegação (este não é desfalque). Penso que Heverton fará falta, ja que é um jogador disciplinado taticamente.

    Penso que Mazola pode lançar o time com Leandro Carvalho. Ganhando em velocidade, mas perdendo em marcação no meio.

    Vamos Papão!!!

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  13. Este assunto abordado pelo Gerson é muito interessante.

    Na verdade esse negocio de peso de camisa, não causa muitos efeitos não.

    Lembro que o maluco do Lazaroni deu a 10 ao Silas, mas botava ele no banco.

    A 10 do Flamengo, que já foi do Zico, já foi vestida por cada penca.

    Por isso que acho que não é camisa ou número o problema, e sim quem veste, o Ramos poderia tá jogando com a 10, com a 8 ou 24 e estaria rendendo o mesmo.

    No Paysandu foi assim, no Remo está sendo assim.

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  14. Eu falei que 33 é o número que o médico pede para o paciente repetir para ver se o peito do cara tá cheio de catarro. No caso, o Remo tá é tuberculoso pois levou o Eduardo Ramos, fez um enorme favor ao Paysandú e eu vou rir mesmo é quando acionarem o Remo na justiça porque não terão como pagar os 60 ou 70 mil por mês do cara, ai é quando vão leiloar o Baenão! E o que falo não é profecia, é fato!

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  15. Não acho que o 33 esteja pesando ao jogador, tanto que ele até atuou bem nas primeiras rodadas com essa mesma camisa. Vejo que ER está sim sem tesão para jogar. Demonstrou isso desde a Série B do ano passado. O cara parece bem desmotivado, joga por jogar. Se perder ou ganhar, tanto faz. Não é a “travessia” que a torcida bicolor não aceita, é a falta de comprometimento dele com a causa do Papão na Série B do ano passado que a fiel não se esquece de jeito nenhum!

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  16. Na atual situação psicológica de E. Ramos, certamente que mudar o número da camisa poderia lhe tirar uma carga de cobrança visível. Acredito que o técnico atual vai ajudá-lo no emocional. Se até o fim do paraense o mesmo não der retorno, sem dúvida o melhor é fazer acordo e liberá-lo nem que seja por empréstimo.

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