O jornalista que correu do furo

O desabafo do dinamarquês que desistiu da Copa é um antiexemplo para a cobertura jornalística – a que ele poderia ter feito e a de quem se contentou com um post no Facebook

Por Marcos Sérgio Silva, da Placar

Primeiro, um alerta: este não é um texto em defesa da Copa no Brasil, mas sobre o jornalismo, esse ofício tão castigado nas últimas décadas.

O último grande episódio desse vilipêndio da profissão é o post do jornalista dinamarquês Mikkel Jensen no Facebook. Ele diz ter desistido da cobertura da próxima Copa do Mundo por achar que absurdos estão sendo praticados no país por causa deles, estrangeiros.

De fato, absurdos estão sendo praticados. Há uma lista deles aqui neste dossiê, disponível no Portal Popular da Copa. Há abertura para que abusos sejam denunciados. E eles estão. Esta não é uma cobertura chapa branca de um evento. Há controle por todos os lados – e, felizmente, não é o controle oficial, mas o de ONGs, imprensa e gente interessada em transparência. O governo não tem controle sobre a informação que está sendo divulgada, ao contrário do que aconteceu na Rússia, durante a Olimpíada de Inverno em Sochi. Ponto para a Copa, não?

Sim, há uma preocupação para que não passemos vergonha diante de estrangeiros. E ela não está apenas embutida no discurso oficial, mas também no daqueles que não querem a Copa aqui. Para eles, seria interessante que o Brasil não fosse submetido ao risco de um vexame com o Mundial.

Isso explica porque quando um estrangeiro publica um texto desfavorável ele tenha tantos compartilhamentos (no momento em que escrevo este texto, na tarde de quarta-feira, 16 de abril, 1561 pessoas já o compartilharam). O deputado federal Romário, que parece ter gosto de surfar em qualquer polêmica que aparecer, já deu seu apoio. A página do dinamarquês no Facebook já tem print screens de páginas de portais que noticiaram o desabafo.

Aí vem o grande ponto: Jensen é jornalista. Jornalistas têm como missão apurar histórias, se envolverem nelas. A história que Jensen conta é, de fato, grande. Se você é jornalista e tem uma grande história nas mãos o seu dever é apura-la e publicá-la. A descoberta de Jensen é maior do que uma cobertura de Copa – havia suspeita de extermínio de crianças de Fortaleza para encobrir a pobreza nas cercanias de um estádio!

Mas ele correu dela. Ao invés de apura-la e publicá-la, ele preferiu apenas compartilhar uma experiência frustrada. Eu, como jornalista, teria vergonha de fazer isso. Seria expor minha falha, minha incompetência. Reproduzo aqui o Twitter de DiegoZlSP (infelizmente não pude identificar o seu nome completo): “Poxa, fico pensando nos jornalistas que deixaram de cobrir guerras e ataques terroristas por ficarem HORRORIZADOS com tudo aquilo”. Foi direto ao ponto.

Igor Natusch, no Facebook, fez o levantamento que nenhum outro meio de comunicação fez: pesquisou quem era Jensen e descobriu que ele é apenas um jornalista eventual. Pude apurar, inclusive, que ele nem mesmo havia conseguido uma credencial para cobrir os jogos da Copa.

Essa questão toda só deixa um recado: duvide de tudo o que ler. O benefício da dúvida é sempre o melhor caminho para a compreensão de uma história mal explicada.

Compromisso na hora errada

Por Gerson Nogueira

O direito de participar da Copa do Brasil, mesmo depois que o torneio foi inchado pela CBF, segue atraindo a cobiça de clubes de todo o país. Curiosamente, o Paissandu, que obteve a vaga a partir do título estadual do ano passado, encontra-se numa encruzilhada.

Para se classificar à próxima fase precisa empatar (por até um gol) ou derrotar o Maranhão, esta noite, no estádio Jornalista Edgar Proença. Pelo equilíbrio das equipes, o confronto tende a ser encarniçado, duro, de forte marcação.

unnamed (68)A batalha certamente vai provocar forte desgaste físico, que cobrará seu preço mais à frente. Na próxima segunda-feira, às 16h, o Papão faz o jogo mais importante do ano. Decide a Copa Verde, no estádio Mané Garrincha, enfrentando o Brasília.

Desconfio que, se fosse possível, o clube abriria mão da permanência na Copa do Brasil, poupando seus titulares da refrega. As falsetas do calendário, que obriga o Papão a disputar três competições simultaneamente, fazem com que o time tenha quatro dias de descanso antes do jogo que realmente importa.

O técnico Mazola Junior tem poupado ao máximo os jogadores fundamentais – Lima, Pikachu, Charles, Aírton –, evitando escalá-los em todos os jogos do returno do Parazão. Contra o MAC, porém, não pode se permitir esse luxo. Mesmo com o entendimento geral de que a Copa do Brasil não reserva futuro para clubes medianos, o Papão não pode correr o risco de uma eliminação em casa.

Na semana que antecede a final da Copa Verde, um eventual tropeço certamente acarretaria danos na musculatura emocional do time. Por vias tortuosas, o astral do time na grande decisão dependerá diretamente do que ocorrer hoje à noite.

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Uma surpresa candanga

Fiquei surpreso, até meio intrigado, com a confiança demonstrada pelos dirigentes do Brasília. Para uma cidade que normalmente vira as costas para seus times, não deixa de ser de um otimismo quase cego disponibilizar 64.480 ingressos para o jogo de segunda-feira (21) contra o Paissandu, na decisão da Copa Verde.

Parecem estar apostando num amor que até agora a realidade não confirma. Há décadas que clubes cariocas e paulistas são os únicos que lotam estádios na capital federal. Amigos que moram lá garantem, porém, que desta vez haverá uma avalanche candanga em torno do Brasília, impulsionada pela beleza da arena construída para a Copa.

A conferir.

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As leis de Juvenal

Juvenal Juvêncio deu uma entrevista curiosa, ontem, à ESPN. Falou de aspectos folclóricos de sua longeva carreira de dirigente. Criticou Eurico Miranda e Caixa D’Água, reclamou da generalização que a imprensa usa em relação aos cartolas e afirmou, peremptório, que o gestor deve ser probo, mas não pode ser bobo.

Ressaltou a importância de algo que nossos clubes não conseguem extirpar: a regra imutável existente no São Paulo, que proíbe a contratação de comissões técnicas. No Morumbi, há uma comissão permanente, que trabalha com o técnico contratado. Não há espaço para filhos, irmãos, sobrinhos e apaniguados de treinador.

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Uma baixa séria no time do rock

A terça-feira trouxe a notícia fatídica de um desfalque incomensurável nas fileiras da música. Malcolm Young, guitarrista base do AC/DC, sofre um AVC que quase certamente implicará no fim de uma das maiores e mais legítimas bandas do verdadeiro rock. Ao lado do irmão Angus, também guitarrista, Malcolm sustentou a saga do AC/DC ao longo dos últimos 40 anos. Músico respeitado pela aristocracia do rock, viu o grupo sofrer e sobreviver a baixas sérias, como a de Bon Scott, o primeiro vocalista. Dificilmente,porém, resistirá a esse golpe do destino. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 16)

AC/DC sob uma nuvem de boatos

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O AC/DC vai se aposentar? Os rumores começaram quando o apresentador Peter Ford da rádio australiana 3AW soltou a afirmação: “Talvez a gente nunca mais veja a performance ou tenha um disco deles novamente”. Nesta terça-feira, está circulando a notícia de que o guitarrista e compositor, Malcolm Young, um dos fundadores da banda, voltou para a Austrália com a família, porque “não estaria apto para fazer uma turnê”, segundo o jornal “Sydney Morning Herald”. O jornal “The Australian”, por outro lado, afirma que a banda tem um contrato para fazer um novo álbum e o estúdio já está marcado a partir de 1º de maio, por seis semanas.

No início do ano, o vocalista, Brian Johnson, confirmou as especulações de que a banda traria um material novo para os fãs, além de ter demonstrado vontade de sair em turnê para comemorar os 40 anos do grupo. Mas as datas ainda não foram anunciadas. AC/DC é a banda australiana de maior sucesso, com mais de 200 milhões de álbuns vendidos pelo mundo. Lançado em 2008, o último disco do grupo, “Black ice”, vendeu mais de 5,3 milhões e teve uma turnê que durou dois anos, rendendo aos músicos a quantia de US$ 441 milhões.

O grupo, formado em Sydney em novembro de 1973, foi indicado ao Rock and Roll Hall of Fame em 2003. Os irmãos Angus e Malcolm Young são os formadores da banda, que lançou seu primeiro álbum em 1975 (”High voltage”), mas se tornou mundialmente conhecido em 1977, com “Let there be rock”. (De O Globo) 

Botafogo anuncia Emerson Sheik e Mancini

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O Botafogo acertou nesta terça-feira a contratação do atacante Emerson Sheik. O jogador de 35 anos foi emprestado pelo Corinthians até o final do ano. Emerson esteve no clube nesta terça para realizar exames médicos e assinar contrato. A tendência é que ele seja apresentado e treine com o restante do grupo nesta quarta-feira. O Botafogo vai ser o terceiro time carioca pelo qual Emerson jogará. O atacante já jogou pelo Flamengo, tendo participado da primeira metade da campanha do título brasileiro de 2009, e pelo Fluminense, onde fez o gol do título nacional em 2010.

Ao mesmo tempo, o clube anunciou Vagner Mancini como seu novo técnico. Após a queda de Eduardo Húngaro pela eliminação na Copa Libertadores, Mancini chega ao clube alvinegro nesta quarta-feira para assinar contrato até o final da temporada. Junto com o novo comandante, chegam o preparador físico Moraci Sant’Anna e os auxiliares Régis e Mauricinho. Mancini foi escolhido pela diretoria por conta dos recentes trabalhos do treinador, principalmente pela campanha com o Atlético-PR no ano passado.

Surgiu a informação que o zagueiro Bolívar, uma das lideranças das greves por conta dos salários atrasados, rescindiria o contrato com o Botafogo. Nesta terça-feira, porém, após conversa entre os dirigentes pela manhã, ficou decidido qua Bolívar ficará no clube. Bolívar deve participar normalmente dos treinos no Engenhão. O Botafogo se prepara para enfrentar o São Paulo, neste domingo, no Morumbi, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. (Com informações de O Globo) 

Copa: mais de 126 mil ingressos vendidos

Nas primeiras quatro horas da última fase de vendas, foram solicitados 126.837 ingressos para a Copa do Mundo da FIFA 2014 por torcedores de todo o mundo via FIFA.com – 80.496 deles são brasileiros (63,4%) e 46.341, estrangeiros. As 10 primeiras nacionalidades da lista, por ingressos alocados, foram: Brasil, EUA, Colômbia, Argentina, Alemanha, México, França, Inglaterra, Chile e Austrália. Ainda há ingressos disponíveis no sistema de compra por ordem de encomenda.