Tourinho admite disputar a presidência do PSC

Por Cláudio Santos

Artur Tourinho é, reconhecidamente, o maior dirigente do futebol paraense na era profissional. Sob sua gestão, o Paissandu conquistou suas maiores glórias, conquistando a Copa Norte, o Brasileiro da Série B, a Copa dos Campeões e chegando à inédita participação na Taça Libertadores da América em 2003, cumprindo excelente campanha. Curiosamente, apesar de todas as conquistas, Tourinho foi alvo de uma oposição radical – por vezes, rasteira – dentro do clube e acabou afastado das decisões e deliberações internas. Como grande desportista que é, continua acompanhando de perto a situação dos clubes e chegou mesmo a se aventurar numa tentativa de se eleger presidente da Federação Paraense de Futebol. Nesta entrevista, ele fala de sua administração no Papão e admite pela primeira vez a possibilidade de voltar a presidir seu clube de coração.  

unnamed (48)

1- Como é ser (em matéria de conquistas para um clube do Pará) o melhor presidente de todos os tempos do Paissandu e hoje não poder sequer entrar nesse clube? O sr. se conformou com isso?

Artur Tourinho – Conformarmos não é o melhor verbo para ser aplicado, o meu sentimento em relação, as pessoas que passaram ou ainda estão no PSC, eu que levei para trabalhar no clube, outras já estavam lá, ou chegaram no meio de nossas conquistas. O grande projeto de recuperação do Papão começou em 1996, quando o clube atravessava sua pior crise de gestão. Ninguém, nem sócios, nem beneméritos ou grandes beneméritos, tinham a coragem de reagir para mudar a situação. Fui convocado e estimulado a aceitar o grande desafio. Este lado ruim e arriscado ainda precisa ser contado e historiado na vida do clube. Tenho consciência do que fiz o melhor que podia fazer. Fico feliz sabendo da gratidão de nossa fiel torcida e do reconhecimento da mídia esportiva, local e nacional.

2- Sempre falo que o sr. teve 3 coisas que contribuíram para o seu sucesso no futebol do clube, em Brasileiros e Libertadores, principalmente, na minha opinião: a) não contratar técnico local; b) montar o elenco inicial, sempre ao lado de um bom técnico; c) não aceitar interferência de terceiros na sua administração, por saber o que estava fazendo. Foi por aí?

AT – Sim. Não tenho nenhum preconceito ao técnico local. Vários trabalharam comigo neste 10 anos de Paysandu – Samuel Cândido, Sinomar Naves, Agnaldo, Dutra, Nad etc…, Considero, no entanto, que Remo e Paissandu, pelo tamanho de suas torcidas, pelo fanatismo dos torcedores, pela busca incessante de títulos, pela exposição da mídia, acho, e a experiência confirma esta assertiva, é bem melhor submeter os projetos a treinadores de outros Estados, de preferência do Sudeste.
– Com relação ao elenco sempre foi montado ou alterado após a contratação do treinador, incluindo atletas de outros clubes locais e da base.
– Com relação à interferência de terceiros, é um grande problema que o Paysandu enfrenta. Inclusive quando comandei o clube, de 1989 até abril de 1990. Quando retornei ao Paissandu em 1996, usei o melhor conselho dos saudosos George Falângola e Nabor Silva que sugeriram que fosse administrado o clube da Curuzu, juntamente com o treinador. Claro que em muitas situações, consultava alguns ex-dirigentes, mas a decisão sempre era minha.

3- Aliás, como exemplo, o sr. iniciou um trabalho no Paissandu com os técnicos Givanildo Oliveira e Ademir Fonseca. Giva foi um sucesso. Ademir estava no caminho certo e depois desandou. Dizem que o sr. prometeu fazer o pagamento dos jogadores, fazendo com que o técnico Ademir Fonseca, por conta própria, pedisse mais esse “crédito” aos atletas (já que havia pedido outras vezes). Não houve o pagamento prometido e o sr. teria dito que não tinha condições de pagar o elenco, no que culminou com o pedido de demissão do treinador, “entrega” do jogo contra o Paulista e o rebaixamento do Papão à Série C.. Foi isso mesmo que aconteceu?

AT – O futebol é complexo e não se pode julgar o insucesso somente pelo trabalho do treinador. Grandes clubes do Brasil e do exterior experimentaram o rebaixamento, ex: Fluminense, Corinthians, Palmeiras (2 vezes), Vasco (2 vezes), Botafogo, Juventus (Itália) etc. O Ademir Fonseca trouxe de um clube do interior do Rio de Janeiro, metade do plantel e também seu auxiliar técnico, de nome Brasília, entretanto entre o 1° e 2° turno eles tiveram problemas de ordem pessoal e o auxiliar pediu demissão. Outros fatores como 2 meses de salários atrasados, resultados abaixo do esperados, contribuíram para a sua queda. Com relação ao Givanildo Oliveira, trata-se do melhor treinador com quem trabalhei.

4- Gostaria que o sr. definisse alguns jogadores que disputaram a Série A, em 2002, quanto a comprometimento e profissionalismo no clube: Marcão, Sandro Goiano e Jobson. Aliás, só a título de esclarecimento, aquele ano foi marcado pelo polêmico jogo contra o Internacional no Mangueirão.

AT – Com relação ao jogo contra o Internacional, em 2002, quando era treinador do PSC o Hélio dos Anjos, aliás um excelente treinador, fiz tudo o que foi possível fazer para derrotar o Inter e levá-lo para a Série B. Já dei entrevistas para emissoras de rádio, TV, blogs e para imprensa de um modo geral. Sei que alguns jogadores fizeram corpo mole, porém em nenhuma hipótese citei os nomes jogadores mencionados.

5- Apesar de lhe elogiar por sempre ter tentado contratar bons técnicos, mas o sr. contratou alguns de procedência duvidosa, como Marinho Peres, Daryo Pereira, Carlos Alberto Torres. Qual o pior e o melhor técnico que o sr. pensa ter contratado em sua passagem pelo clube?

AT – Prefiro citar aquele que passou o menor tempo e que teve muitas dificuldades para dirigir o PSC, em função dos seus problemas de saúde, que foi o sr. Marinho Peres. O melhor foi Givanildo.

6- Eu sempre digo, que se fosse presidente do Paissandu, faria uma proposta ao sr. pra ser diretor de futebol do clube e ganharia tudo. Toparia essa nova função no clube, caso fosse convidado?

AT – Obrigado pelo elogio, mas depois de passar mais de uma década à frente de um clube no nível do Paissandu e ter a experiência adquirida, não aceitaria. Hoje o comando do futebol é tarefa de profissionais. Exemplo: Bebeto de Freitas foi Presidente do Botafogo, e hoje é o responsável (comando) pelo futebol do Atlético Mineiro e remunerado.

7 – Gostaria que desse sua avaliação sobre algumas pessoas de dentro do Paissandu: Ricardo Rezende, Luiz Omar e Rui Salles.

AT – Prefiro citar o bicolor e botafoguense Rui Salles, que foi campeão brasileiro em 1991 juntamente com o Asdrúbal Bentes. O Rui praticamente nasceu no Papão, os outros eu ignoro.

8 – O sr., em 2005, por ocasião da derrota do Paissandu para o Atlético-MG, demitiu o ala esquerdo Cleber, por pensar ter sido ele o culpado pela derrota do Papão, visto que foi expulso de campo, mesmo contra a vontade do técnico. O sr. interferia muito no trabalho dos técnicos que passaram pelo clube na sua gestão? Presidente de clube tem que interferir na escalação, contratação de jogadores?

AT – Sim, e não me arrependo de ter dispensado o jogador. Com relação ao outro atleta que foi atingido, André Dias, continuou no Paissandu, e depois foi para o São Paulo. Diferente do que você interpreta como interferência, sempre vivi o dia a dia do clube, do plantel e com todos os treinadores que passaram pelo PSC mantive sempre relacionamento muito próximo com eles, com o gerente e a comissão técnica. Procurei sempre o diálogo. O presidente não bate só o pênalti, ele também participa das vitórias.

9- Quais as causas dos insucessos do Paissandu a partir de 2005?

AT – Muitas: financeiras, econômicas, arbitragens, alguns atletas sem caráter e de baixo nível, oposição ferrenha comandada pelo sr. Ricardo Resende e outros, jogos de portões fechados (8).

10- Como o sr. avalia o trabalho de Vandick Lima à frente do Paissandu até agora? O que pensa estar correto e o que pensa estar errado? Papão, com ele, ainda poderá sonhar em voltar à Série B e a uma competição internacional?

AT – Ainda é muito cedo para fazer uma avaliação do trabalho do Vandick Lima como presidente. Sou fã do Roger Aguilera.

11– Existem pessoas dentro do Paissandu que se virassem “casaca” não fariam falta ao clube?
AT – Existem em todos os clubes pessoas que atrapalham por paixão ou por ignorância, todo mundo acha que entende de futebol e de sua administração. O dirigente precisa separar a paixão da razão. Futebol é coisa muito séria.

12 – O sr. teve uma passagem na Tuna como dirigente. Por que não deu certo? Ou deu certo, em sua opinião?
AT – Não exerci cargo de dirigente da Tuna. Durante um ano prestei consultoria ao presidente Fabiano Bastos, a convite dos meus amigos Barata e Alírio Gonçalves.

13- Essa consultoria trouxe frutos à Tuna?
AT – Não, porque o trabalho era para preparação da base da Tuna. O Fabiano Bastos não seguiu as minhas orientações. Quando o Charles foi demitido eu quis colocar o Dutra, pra fazer um trabalho desde a base, mas o presidente resolveu contratar outro. O Fabiano não me ouvia. Por isso não deu certo.

14- O sr. ainda pensa em voltar ao futebol? De que jeito? Como colaborador, como diretor, presidente?
AT – O futuro a Deus pertence, sou fanático por futebol.

15- Esse futuro estaria longe ou poderia ser ainda esse ano, neste caso, para presidente?
AT – Existe possibilidade, sim, de eu vir a ser candidato à presidência do Paissandu ainda este ano. Vai depender de algumas coisas. Vamos com calma. Vandick está vendo como é difícil ser presidente do Paissandu. A cobrança é muito grande.

16- Ainda há muito jogador e técnico mau caráter no futebol? 
AT – Existem pessoas de caráter duvidoso em todas as profissões. No futebol não poderia ser diferente.

17- O que faltou para o clube evoluir, financeiramente, quando disputou as competições mais rentáveis, como Libertadores e Série A?
AT – Quando você avalia um clube ou uma empresa, um dos fatores importantes que temos a considerar é a receita. Um clube para disputar uma Série A, Libertadores, Copa do Brasil, Campeonato Paraense, Copa Norte, Copa dos Campeões, montando sempre o time com foco em ser campeão, além dos investimentos nos esportes amadores, como basquetebol, futebol de salão, remo, divisões de base etc., modalidades que acarretam despesas enormes e, às vezes, até descontroladas. Além da responsabilidade em investir recursos na manutenção e melhoria patrimonial, existiram dívidas trabalhistas, nossas e de outras gestões que tivemos de honrar pagando. A gestão de um clube de futebol no Brasil, seja ele um Flamengo ou Paissandu, é muito difícil, mas mesmo assim conseguimos refazer as arquibancadas que ficam para a Almirante Barroso, colocando cadeiras plásticas, troca do sistema de iluminação, reforma de vestiários etc. As minhas prestações de contas, com exceção do ano de 2006, foram todas aprovadas pelo Conselho Fiscal e Deliberativo.

18- Pensa o sr. que uma das salvações do Paissandu, financeiramente, seria investir na base e em jogadores locais, ou não daria certo, pois o imediatismo atrapalha?
AT – Sim. Mas um clube do nível do Paissandu não pode depender somente de atletas formados na base. O importante é saber manter o plantel com qualidade focado nos objetivos estabelecidos, em seu planejamento estratégico.

19- O sr. foi presidente do Paissandu de 2000 a 2006. Qual o melhor e pior momento de sua passagem pelo clube? Alguém lhe ajudou nessa caminhada? Quem?
AT – Várias pessoas me ajudaram bastante contribuindo com o êxito de minha administração como presidente. Não se ganha ou se perde sozinho. Os melhores momentos foram as inúmeras conquistas, tais como Campeonato Paraense, Copa Norte, Campeão Brasileiro Série B, Copa dos Campeões e com brilhante e inédita participação na Taça Libertadores da América. Podemos apontar como melhores momentos também importantes na história do PSC, as conquistas no basquete, regata etc. O pior momento foi o rebaixamento.

20 – O sr. tentou ser presidente da FPF certa vez. Hoje, se eleito, o que mudaria para fazer o futebol paraense crescer?
AT – Sim tentei e constatei a dificuldade em substituir o atual presidente da Federação Paraense de Futebol, coronel (Antonio Carlos) Nunes, que foi levado à presidência da FPF graças ao trabalho desenvolvido na época por mim e pelo Ricardo Resende. O futebol brasileiro está bastante atrasado em relação ao futebol europeu, e o futebol paraense apesar da interiorização, precisa dar um salto de qualidade. Este ponto para mim de fundamental importância.

Obs.: o Bate-Papo do mês de abril com o ex-presidente do Paissandu Artur Tourinho visou atender a inúmeros pedidos. O torcedor do Paissandu lembra muito bem dele, por tudo que fez de bom pelo seu clube. Agradeço desde já aos amigos Seseu e Marcos Tourinho pela força. Sem eles não teria conseguido concretizar a entrevista. Agradeço, também, ao próprio Tourinho, sempre solícito e que se colocou à disposição para responder a todas as perguntas, quer por e-mail, quer por telefone. Espero que os amigos tenham gostado. Em maio, tem mais Bate-Papo.

Artilheiro tem proposta para deixar o Papão

unnamed (58)

Como antecipado aqui no blog pelo baluarte Cláudio Santos, o Paissandu deve perder o centroavante Lima logo depois da decisão da Copa Verde. O jogador recebeu proposta para defender a Chapecoense na Série A, a partir de 20 de abril. O próprio gerente de futebol do clube, Sérgio Papelin, confirmou a negociação entre Lima e o clube catarinense, embora ressalvando que poderá haver “uma reviravolta”. Lima é um dos destaques do time na temporada. Confirmou a fama de goleador, tendo marcado oito gols no Parazão e sete na Copa Verde. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Remo enfrenta o Paragominas no Baenão

Depois de seis meses fechado para reforma geral, o estádio Evandro Almeida será reaberto neste domingo para o jogo entre Remo e Paragominas pela sétima rodada do returno. A Federação Paraense de Futebol confirmou ontem a partida para o estádio remista. O Remo cumpriu as exigências e apresentou os laudos técnicos no prazo estipulado pelo departamento técnico da FPF. A primeira etapa da reforma no estádio foi entregue e liberada para uso pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Segundo informações do coronel Cavalcante, da PM, a capacidade autorizada pelos órgãos de segurança é de 14 mil torcedores.