Villareal pune torcedor racista com exclusão

villareal-comunicadoO Villarreal, equipe que disputou a 35ª rodada do Campeonato Espanhol com o Barcelona, no último domingo, divulgou nota garantido que já identificou o torcedor que atirou uma banana no lateral-direito da equipe adversária, o brasileiro Daniel Alves, e mais, afirmou que o responsável já teve o seu carnê de sócio retirado, e que nunca mais poderá acessar o estádio El Madrigal.

Graças às forças de seguranças e à inestimável colaboração da exemplar torcida amarela, o clube já idenfiticou o autor (do ato racista) e decidiu retirar seu carnê de sócio, além de proibir seu acesso ao estádio El Madrigal pelo resto da vida”, publicou o Villarreal por meio de seu site oficial.

Na nota, o clube ainda fez questão de repudiar qualquer manifestação e atos preconceituosos, além de lamentar o ocorrido ressaltou que não serão toleradas atitudes que incentivem a discriminação.

“O Villarreal volta a manifestar sua vocação pelo respeito, pela igualdade, pela desportividade e pelo jogo limpo, tanto dentro como fora do campo, e rechaça qualquer ato que vá contra esses princípios, como violência, discriminação, racismo e xenofobia”, ressaltou o comunicado.

O CASO
O lateral-direto do Barcelona e da seleção brasileira, Daniel Alves, se preparava para cobrar escanteio quando uma banana foi atirada por um torcedor do Villarreal, mandante da partida. O jogador pegou a fruta do chão e comeu, ironizando o ato racista. (Do Estadão) 

Sobre racismo e protagonismo

Do blog A Estrada Amarela

Domingo, 27 de abril de 2014. Na TV um programa de boa audiência fazia uma homenagem a um de seus dançarinos, assassinado pela PMRJ. Não quero aqui entrar na questão do que foi ou não dito pelas pessoas que lá estavam, se foi bom ou não. Isso é um outro assunto. Eu quero falar aqui sobre protagonismo.

Douglas, o dançarino assassinado, era preto e favelado. E morreu por causa disso. Os pretos favelados desse país morrem por serem pretos e favelados. Não interessa muito como eles levam as suas vidas, ser preto e favelado aqui é motivo suficiente pra alguém ter o direito (ou o dever quase cívico, segundo muitos) de meter-lhe uma azeitona na testa. Somos um país racista e classista, e acho que sobre isso não há muito o que se discutir. As estatísticas dão conta de encerrar qualquer argumento contra esta afirmação.

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Depois da morte do Douglas, que morreu como tantos iguais a ele morrem todos os dias, um outro preto e favelado, Rene Silva, do Voz da Comunidade, ativista atuante na rede, postou uma foto segurando um cartaz escrito “eu não mereço morrer assassinado”, seguindo o mote da campanha feminista em que dizíamos: “eu não mereço ser estuprada”.

Até aí tá tudo certo, tudo no seu devido lugar. Rene é negro, mora no Complexo do Alemão, e ainda é ativista. Quais são as chances que ele tem de ter o mesmo fim do Douglas? Muitas! Ele, e todos como ele, têm total direito de segurar esse cartaz, porque esse cartaz diz o seguinte, nas entrelinhas: as chances reais de eu ser assassinado são enormes, e eu não mereço isso.

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Vamos ao segundo ponto: no programa de TV de hoje, tinha gente pra dedéu. Foi bonito ver um programa inteirinho homenageando um pretinho funkeiro favelado. Em quase 37 anos de vida eu nunca vi isso. Eles, os invisíveis, estavam lá, sendo protagonistas na TV, em rede nacional. Coisa linda! A única coisa que ralmente me incomodou muito foi quando todos os presentes, incluindo brancos ricos, ergueram um cartaz igual ao do Rene. Não, gente! Tá errado. A Carolina Dieckmann corre risco quase nulo de ser assassinada nos mesmos termos. Na verdade, eu me arrisco a dizer que não há possibilidade disso acontecer. Como eu também não corro esse risco. Porque diabos eu levantaria um cartaz dizendo que “eu não mereço morrer assassinada” se, em comparação aos douglas todos, as minhas chances são pífias? O protagonismo não é meu. Eu posso tomar essa causa para mim também, mas eu nunca vou poder ser protagonista dela. Nunca! E eu não tenho sequer o direito de tentar. Eu posso fazer o meu protesto junto com eles, mas sem o EU. Não é sobre mim, embora me doa; mas por mais que me doa, nunca vai doer igual como dói neles. Não é e nunca será sobre mim!

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Neste mesmo domingo, Daniel Alves, jogador brasileiro que atua na Espanha, protagonizou mais um episódio escrotíssimo de racismo. Estava pronto para bater um escanteio quando jogaram bananas nele. Daniel foi fodástico. Pegou a banana, comeu, e bateu o escanteio em seguida. Foi do caralho! Foi tipo um: “eu vi, eu entendi e fodam-se vocês racistas de merda!”. Eu achei a coisa mais sensacional do mundo o que ele fez! Do caralho!

Os episódios de racismo no futebol têm se multiplicado ultimamente, a coisa saiu completamente do controle e precisa mesmo ser combatida, com toda e qualquer ação possível.

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Não sei como começou o que veio depois, mas a primeira foto que eu vi foi do Neymar. Ele e seu filho numa foto, com bananas, seguida da hashtag #somostodosmacacos. Houve quem criticasse o Neymar por isso ou por aquilo, houve quem dissesse que ele só estava fazendo marketing (como se ele precisasse), que no passado ele tirou o corpo fora quando sofreu racismo também (daí a galera esquece que o moleque é uma criança ainda, que só tem vinte e poucos anos e fica cobrando dele uma maturidade que não cabe). Mas o que interessa é que o Neymar pode pegar o protagonismo dessa causa pra si. Eu não tenho nenhum direito de criticá-lo por isso. Não vou eu aqui, branca, querer dizer a um não branco como ele deve lutar, ou se deve, pelo racismo que ele sofre, provocado por gente branca como eu. Eu posso até não concordar (muito embora nem em pensamento eu me dê esse direito), mas quieta, no meu canto, sem atrapalhar, sem querer ditar regras de como ele, que sofre racismo, deveria lutar contra isso, ou – pior! – se ele deveria ou não fazer isso. Eu nunca fui chamada de macaca. Eu nunca vou ser chamada de macaca. Eu não tenho como avaliar como é ser chamada de macaca. Então me cabe apenas me solidarizar e lutar contra o racismo, que eu – mesmo sendo branca – repudio. Mas de outra maneira que não dizer ao coleguinha como ele deve lutar contra mim! (Sim, contra mim! Eu, pessoalmente ou conscientemente, posso não oprimir, mas eu sou parte da parte opressora!)

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Eis que surge, então, a grande pérola do dia. Um casal rico, famoso, branco pra dedéu, fazendo o quê, meuzamigos? Querendo ser protagonistas dessa luta! Valhamedeus, socorro! Naonde que Angélica e Luciano podem usar uma a tal hashtag supracitada? Me digam, em que planeta alguém chamaria essas duas criaturas de macacos?

Tá muito errado isso aí! Muitos de nós, brancos, queremos ajudar na luta contra o racismo? Sim, queremos! Façamos isso, sempre, incessantemente, só sem querer ocupar o lugar dos negros nessa luta. Os protagonistas são eles. São eles que sofrem, são neles que jogam bananas. Não tenhamos a pachorra de levantar cartazes dizendo que não merecemos morrer assassinados, quando são eles que morrem. Não gritemos que somos todos macacos, porque são eles que são chamados assim. Por favor, vamos tirar os nossos umbigos do caminho e deixar quem sofre com isso passar com a sua dor e a sua cor.

A gente pode gritar sim, a gente pode fazer muito, mas a gente precisa entender que há momentos em que nós devemos ser coadjuvantes. Na luta contra as desigualdades, contra a opressão, todos são bem vindos, tem função pra todo mundo, mas é preciso que se saiba o seu devido lugar.

Banana neles!

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Por Juca Kfouri

A atitude de Daniel Alves corre o mundo.

Comer a banana que um animal atirou nele foi o que de melhor ele poderia ter feito.

Mesmo porque, rica em potássio, a banana produz energia, reforça a ação muscular, previne cãimbras, e dá até boa música, pois não, porque, yes, nós temos bananas, bananas pra dar e vender.

Banana, menina, tem vitamina, e, como bem sacou também o Neymar, nós gostamos porque somos todos macacos.

A maioria evoluiu e uma minoria, imbecil, tem ódio do que vê no espelho.

Não é digna de desfrutar das delícias da banana.

Banana faz crescer.

O Remo e a baderna impune

Por Gerson Nogueira

unnamed (92)Da arruaça orquestrada na manhã de sábado por uma gangue uniformizada ligada ao Remo a maior vítima, como de praxe, é o próprio clube. Baderneiros – o próprio nome já diz tudo – não têm a menor preocupação com o bem-estar de ninguém, muito menos do clube que dizem amar e defender. São movidos exclusivamente pelo prazer de se fazer notar e poder depois propagandear valentia e coragem.
De valentes e corajosos o mundo anda cheio. A questão é saber até que ponto alguns descerebrados podem agir livre e impunemente, conforme seus instintos, sob a passividade constrangedora (quase cúmplice) dos dirigentes.
Não foi a primeira vez, nem certamente será a última, que uma turba invade treino e hostiliza profissionais em seu horário de trabalho. O abuso é consentido há anos em Belém. Os dois grandes clubes, que concentram atenções e interesses de milhares de pessoas, abrigam em suas hostes gente de toda natureza e motivação. Isso, é claro, inclui os chamados radicais, barras bravas papachibés, que têm extensa folha corrida de maus serviços prestados às duas agremiações.
O Paissandu, por exemplo, foi obrigado a estrear na Série C neste sábado em jogo de portões fechados em Castanhal. Tudo porque um grupelho de “torcedores uniformizados” atirou rojões no gramado na partida contra o Avaí na Série B do ano passado. A travessura rendeu ao Papão um punhado de jogos longe de sua verdadeira torcida, impedido de obter faturamento nas bilheterias.
O Remo, alvo mais recente da fúria sem freios de seus hooligans, coleciona também um histórico alentado de punições sérias advindas de atos irresponsáveis e criminosos em estádios de futebol.
Por tudo isso, a baderna levada a cabo no sábado não surpreende ninguém mais. A surpresa está na plena aceitação dos turbulentos como representantes da massa torcedora. Não representam ninguém, a não ser seus próprios impulsos bélicos.
Quando o clube se prostra como instituição, aceitando que uma minoria ponha abaixo regras mínimas de convivência, ignorando princípios básicos de civilidade e enlameando ainda mais a imagem pública da instituição, algo de muito sério deve ser feito.
Não é admissível que agremiações centenárias do nosso futebol se tornem reféns de grupelhos que se fantasiam de adeptos fanáticos. No ritmo que o problema se apresenta, sem solução aparente há anos, logo haverá muito mais do que agressões e constrangimentos a lamentar.
A impressão é de que, enquanto um dirigente não se sentir fisicamente vulnerável perante os brucutus “organizados”, os clubes continuarão a adiar providências, como que esperando que o problema se resolva pela força da mente.
A desgraça é que quando isso ocorrer pode ser muito tarde para agir. A história mostra que facções violentas no futebol devem ser tratadas como realmente são: quadrilhas criminosas. A Inglaterra, que inventou o futebol moderno e se reinventou como nação esportiva, está aí como exemplo maior de ação enérgica e implacável em relação aos delinquentes.
Repito o que já escrevi aqui dezenas de vezes, há mais de uma década e meia, o futebol precisa aprender a se defender de seus inimigos. E o baderneiro organizado é um deles – e dos mais perigosos.

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Série C: apenas a primeira impressão

O Paissandu foi a Castanhal e, cumprindo uma sina de outros campeonatos, apresentou-se para arquibancadas vazias diante do Águia. O lado positivo é que, em campo, o time voltou a apresentar a objetividade que o caracteriza nesta temporada. Mesmo ainda emocionalmente ferido pela perda da Copa Verde, Lima e seus companheiros foram capazes de superar a desconhecida nova equipe marabaense.
No primeiro tempo, pelos relatos do amigo Carlos Gaia (da Rádio Clube), nenhum time prevaleceu. Reinou o equilíbrio ditado pela cautela. Na etapa final, o entrosamento bicolor falou mais alto. O pênalti, sofrido e convertido por Lima, deu ao Papão tranquilidade para se impor, enquanto o Águia saía de seu campo para buscar o empate.

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Esta busca pela igualdade tornou o time previsivelmente mais vulnerável, com buracos na defesa e hesitações no meio. O segundo gol (Zé Antonio) retratou um pouco essa desorganização defensiva.
Nada está perdido. Foi apenas a primeira rodada da Série C, um campeonato que se prenuncia dificílimo para os representantes paraenses. Para o Papão ficou a sensação do dever cumprido, garantindo os três pontos como mandante. Ao Águia resta o consolo de ter sido apenas a primeira exibição deste novo grupo de jogadores. O que se viu em Castanhal dá a entender que pode estar surgindo um time bem interessante.

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A conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 28)

 

Mazola destaca importância da estreia vitoriosa

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O técnico Mazola Junior comentou, neste domingo, que o resultado positivo diante do Águia no sábado devolveu a tranquilidade à equipe, depois da derrota na final da Copa Verde. “O mérito é todo do grupo. Foi muito importante o nosso grupo sair do fundo do poço e chegar aqui e dar a resposta competitiva que nos demos. O importante para nós no momento é ganhar uma estabilidade defensiva e como nós íamos reagir após o desastre da última segunda-feira (21). Temos que dar parabéns a todos os meninos, pois saímos do poço e demos um retorno competitivo aceitável”, disse o técnico, em entrevista ao repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube do Pará.

Sobre o papel desempenhado pelo atacante Leandro Carvalho, que entrou no segundo tempo, Mazola não poupou elogios ao atleta, embora ressalvando a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso: “É um jogador que tem uma facilidade muito grande no um para um. Vamos com calma, sem grandes ilusões e sem grandes idolatrias. Eu já trabalhei com muito jogador jovem e se não tomar esses cuidados eles perdem o caminho”. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

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