Morre Luciano do Vale, um craque da narração

622_2244c33b-dfb7-3f10-a111-3daff5824f61Faleceu neste sábado aos 70 anos o locutor esportivo Luciano do Valle. A notícia foi dada pela emissora na qual ele trabalhava desde 2006, a TV Bandeirantes. Não se informou o motivo da morte. Ele estava em Uberlândia para cobrir a partida entre Atlético-MG e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro e já havia passado mal no avião no caminho de São Paulo a Minas Gerais.

Luciano do Valle trabalhou na Band também entre 1983 e 2003, na Rede Globo entre 1971 e 1982 e na Rede Record entre 1982 e 1983 e 2003 e 2006, tornando-se um ícone do esporte brasileiro. Foi um dos responsáveis pela promoção do boxeador Maguila e do vôlei no país. Narrou de corridas de automobilismo a partidas de futebol americano.

Um craque das letras visitando o Patropi

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Por Fernando Morais (via Palmério Dória, no Face)

Em setembro de 1978 Gabriel García Márquez decidiu passar uns dias em São Paulo, acompanhado de Mercedes, sua mulher. Não lembro se ele já conhecia o Brasil, mas era a primeira vez que ia a São Paulo.
Encarregado de ciceroneá-lo, levei o escritor (que ainda não havia recebido o prêmio Nobel, mas já era uma estrela internacional) para conhecer o Masp, acompanhei-o a uma reunião de estudantes do Centro Acadêmico XI de agosto e apresentei-o ao cardeal Paulo Evaristo Arns. Rodamos pela cidade, comemos sushi na Liberdade, lasanha no Giovanni Bruno e um inesquecível sarapatel na Freguesia do Ó. Tentei arrastá-lo a Sorocaba para a inauguração da praça “Alexandre Vannucchi Leme”, em homenagem ao estudante morto pelo Doi-Codi anos antes. García Márquez escapou da tarefa, mas datilografou e assinou uma mensagem que entreguei à família Vannucchi.
Uma semana depois Garcia Márquez partiu para Brasília, onde pedi a um amigo que me substituísse como cicerone. no dia seguinte, 28 de setembro, às cinco horas da madrugada, o telefone tocou na cabeceira da minha cama. Era ele, chamando de Brasília. Temi que o escritor pudesse ter sido vítima de alguma provocação política. A ditadura estertorava, mas ainda estava viva (meses depois a polícia federal prenderia em São Paulo o prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, sem nenhum motivo). Gabo me tranquilizou:
– Não é nada disso. estou te chamando para avisar que o papa morreu.
Não entendi o que ele dizia. Afinal, já fazia mais de um mês que morrera o papa Paulo VI, dando lugar ao sucessor, João Paulo II:
– Mas Gabo, essa notícia é velha. Já faz um mês que o papa morreu…
– Moreeu de novo, Fernando.
– Gabo, desculpe, mas só nos seus livros as pessoas morrem de novo.
– Se estou dizendo que morreu é porque morreu. ouvi agora, no rádio. O papa João Paulo II morreu de infarto esta madrugada.
Continuei sem entender nada:
– Mas por que você me chama às cinco da manhã para contar que o papa morreu?
– Fernando, temos que iniciar imediatamente uma mobilização internacional. Temos que eleger Fidel Castro papa. É agora ou nunca.

Sobre as pessoas

“Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouvir. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer”.

Charles Bukowski