Águia reforça elenco para a Série C

O Águia de Marabá não poupa investimentos para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série C. Sob o comando do técnico Dario Pereyra, o time já acertou com o lateral-esquerdo Xaro e com o meia Eduardinho, que vieram do futebol gaúcho, e contratou também o goleiro Bruno Colaço, o volante Reinaldo, o lateral-direito Ceará e o meia Lineker. Todas as contratações foram baseadas no desempenho dos atletas nos campeonatos estaduais. Com exceção de Lineker, que não era titular do Papão durante o Parazão, todos os outros jogadores vinham atuando com frequência.

O goleiro Bruno Colaço é bastante jovem, mas já acumula experiência. Com apenas 22 anos, ele disputou o campeonato sul-matogrossense pelo Mixto neste ano e o Campeonato Brasileiro da Série D pelo Grêmio Anápolis. O lateral-direito Ceará chegou do Anapolina e o volante Reinaldo jogou o Campeonato Gaúcho pelo Cruzeiro. Os jogadores já iniciaram treinamentos em Marabá. A estreia do time paraense na Série C será no próximo sábado, às 16 horas, contra o Paysandu, no estádio Maximino Porpino, em Castanhal, de portões fechados.

Nos detalhes, a diferença

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Por Gerson Nogueira 
Nos três atos do jogo de ontem, pode-se dizer que o Paissandu decepcionou no primeiro, mas foi vibrante e guerreiro nos instantes finais do segundo. Preservou as esperanças de conquista até a série de penalidades, quando as incertezas e tensões acabaram prevalecendo. O Brasília levantou a taça com méritos e um futebol às vezes surpreendente.
unnamed (67)Mazola Junior entrou com um time cauteloso demais, preso à marcação e esfriando até o ânimo da torcida alviceleste, em maioria no Mané Garrincha. Confiando na vantagem do empate, o Papão não saía do joguinho de enceradeira no meio-campo e travava nas subidas ao ataque.
Mais ainda: deixava de explorar as fragilidades de marcação do adversário. Com o passar do tempo, o Brasília se posicionou melhor em campo, avançou Mateuzinho e Fernando, pressionando as laterais do Papão. Providência de duplo efeito: ganhou campo e oportunidades seguidas de cruzamento, além de inibir as subidas de Djalma e Aírton.
No caso de Djalma, o prejuízo do Papão era maior, pois a ele caberia botar em ação a velha dupla com Pikachu, responsável por inúmeras vitórias conquistadas pelo corredor direito. Ambos, por sinal, jogaram muito abaixo do que costumam mostrar.
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Teve ainda a jogada isolada em que Zé Antonio recebeu livre pela esquerda e desperdiçou a chamada bola do jogo – talvez do título. Bateu sem direção, diante do goleiro, tendo Pikachu e Lima a esperar o passe na pequena área.
O segundo ato do espetáculo começou com a expulsão de Charles e o gol (de Gilmar, de pênalti, aos 39 minutos). O lance nasceu de desatenção total da defesa e da saída estabanada do goleiro Mateus, driblado pelo atacante Clécio.
Quando veio o segundo tempo, ainda com a zaga desarvorada pela ausência de seu melhor beque, o time começou fraquejando. Uma arrancada sensacional de Fernando pela direita entortou dois marcadores – Aírton levou uma finta de treino – e a bola chegou limpa para a conclusão tranquila de Alekiton, desmarcado à altura da marca do pênalti.
Só com a entrada do moleque Leandro Carvalho foi possível ver em campo a velha flama bicolor. Mesmo isolado pela esquerda, criou situações perigosas, quase sempre levando a melhor sobre a dura marcação do Brasília.
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Os donos da casa buscavam controlar o jogo e desperdiçaram dois bons lances de área, mas, em raro contra-ataque, Lima poderia ter mudado a história da final com o gol anulado pelo bandeirinha, aos 33.
No final, quando tudo parecia perdido, Leandro acertou um disparo rasteiro e sem defesa, recolocando o Papão na disputa. Por oito minutos seguintes, o Brasília se arrastou em campo, mas os bicolores preferiram administrar e aguardar as penalidades.
Na série de cobranças, os erros dos bicolores podem ser avaliados como acidentes de trabalho. Lima parece ter errado a passada ao avançar para a bola, indicando ao goleiro onde iria botar a bola, e Héliton bateu no canto errado. Acontece.
Grande jogo, com momentos heróicos, como deve ser uma decisão. (Fotos: CADU GOMES/DF)
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Direto do blog

“Dentro das limitações foi um jogaço, desses em que as duas torcidas têm que aplaudir ao final. Eu achava que o Brasília iria fazer 3×0, mas o Paysandu superou minhas expectativas. Quando Lima pegou a bola e se preparou, sério, eu falei pra minha esposa – tá muito nervoso, e ela – quem não está? Quando ele partiu sem velocidade e deu aquela paradinha estranha, certamente não treinada, eu disse – ih, perdeu! Não deu outra. Os caras do Brasília correram sempre atrás nos pênaltis e controlaram os nervos. Parabéns pra eles. Amigos bicolores, encarnação faz parte. como diz o Claudio, isso é apenas futebol. E vamos todos nos unir e torcer pelo mesmo time daqui a quarenta dias, onde a decepção e o choro podem ser infinitas vezes maiores!”.

De Maurício Carneiro, bicolor naturalmente triste mas sem perder a ternura jamais.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 22)

Quando os idiotas perdem a modéstia

Por Sérgio Saraiva

Vivemos momentos em que a modéstia, a prudência e o resguardo parecem ter sido deixados de lado. Poucos souberam ler tão bem o momento em que o Brasil e eles mesmos viviam como Nelson Rodrigues. Cruel e visceral, como só os que têm uma úlcera como companheira podem ser, decretou: “Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia”.

Pois bem, vivemos momentos de um recrudescimento tal da intolerância que parece-me que alguns agentes políticos se acham, se não a salvos de críticas, imunes à suas conseqüências e, assim, se permitem declarações que em momentos de maior cuidado não cometeriam.

O ministro Joaquim Barbosa resmungando entre dentes, mas não em baixo tom como quem falasse a si, saiu-se com o revelador “Foi por isso mesmo, ora” e desnudou a manipulação das sentenças da AP 470 para garantir a condenação a regime fechado dos réus.

Depois, o senador e candidato do PSDB às eleições presidenciais de 2014, Aécio Neves, em uma recepção em que era homenageado pela fina flor da plutocracia nacional, provavelmente sentindo-se protegido por estar entre iguais, entregou-nos sua proposta de governo: “Estou preparado para tomar as medidas necessárias, por mais que elas sejam impopulares”. Como não falava a populares e foi aplaudido, é certo que tais medidas não seriam o aumento dos impostos para os ricos.

Agora, outro senador pelo PSDB, Álvaro Dias, em entrevista relâmpago a Noblat nos deixa a todos boquiabertos com a sinceridade da revelação da estratégia de campanha tucana: “Ao mesmo tempo, precisamos desconstruir a imagem do governo, alimentando o noticiário negativo com ação afirmativa. A instalação da CPI da Petrobras vai ajudar nessa desconstrução”.

Sem dúvida, vivemos momentos em que parece que a modéstia, a prudência e o resguardo, assim como os pruridos de consciência em 68, foram mandados às favas. E por personagens que podem ser acusados de muitas coisas, mas não de serem idiotas.

Sinais de tempos novamente imprudentes?

A frase do dia

“Sofremos gols em todos os jogos. Usamos todos os jogadores, formamos o time com vários esquemas diferentes, com quatro zagueiros, três zagueiros e não deu certo. Precisamos de peças e a diretoria já sabe disso”.

De Mazola Junior, técnico do Paissandu, analisando a campanha da equipe e pedindo providências.