Héverton pode desistir da aposentadoria

Reviravolta na aposentadoria do jogador Héverton, do Paissandu. Ele revelou nesta terça-feira que o anúncio formal de adeus ao futebol pode ser repensado. “Falei ao Vandick que iria parar de jogar, mas por conta de toda essa repercussão decidi conversar com as pessoas que amo para poder conversar a respeito da decisão que vou tomar”, admitiu o meia-atacante, aparentemente satisfeito com as manifestações de apoio que recebeu. Ele deve conceder entrevista na quinta-feira (3) para esclarecer de vez sua decisão. O presidente Vandick Lima, que anunciou o desligamento do jogador na segunda-feira, disse que não sabe da mudança de atitude de Héverton.
Ele foi o pivô do rebaixamento da Portuguesa no Campeonato Brasileiro do ano passado. Depois de escalado de maneira irregular no jogo contra o Grêmio, pela última rodada, a Lusa foi punida com a perda de quatro pontos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o que provocou seu rebaixamento. Depois do episódio, o jogador estaria recebendo ameaças de torcedores que o acusam de ter sido subornado para favorecer o Fluminense, clube que ficou com a vaga na Série A.
Héverton jogou na Turquia e na Coreia do Sul. No Brasil, passou por Guarani, Ponte Preta, Vitória, Corinthians e Portuguesa. De acordo com os dirigentes do Paysandu, o atleta falava em aposentadoria desde o final do ano passado, quando havia chegado ao clube. “O Héverton me disse que não tem mais prazer em treinar nem em jogar, e que por ter jogado fora do Brasil tem condições financeiras para parar agora”, contou Vandick na entrevista de segunda-feira. “Acho que pesou o que ele passou na Portuguesa.”

Jogadores do Botafogo fazem novo protesto

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Os jogadores do Botafogo voltaram a protestar de forma pacífica contra os atrasos de salário no clube. Na manhã desta terça-feira (1), os atletas permaneceram sentados por pouco menos de dez minutos no gramado do campo anexo ao Estádio João Havelange (Engenhão).

Na quarta-feira o Botafogo recebe o Unión Española, no Maracanã, às 19h45, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. Se vencer, a estrela solitária garante vaga para as oitavas-de-final da competição e, de quebra, também leva o primeiro lugar do Grupo 2.
Para o lateral Lucas, entretanto, o ato não influenciará na partida. “A gente só faz isso para cobrar o que é direito nosso. Vamos nos entregar ao máximo no jogo, quanto a isso o torcedor pode ficar tranquilo”, disse o camisa 2. Este é o terceiro ato dos integrantes do elenco nesta semana. O presidente do clube carioca, Maurício Assunção, afirmou que não tem como pagar os salários no momento em função de um bloqueio das contas do clube determinado pela Justiça. (Com informações da Gazeta Press) 

Exército de robôs virtuais pressionou STF

Por Daniel Bramatti, do Estadão

No ano passado, um exército de “robôs” entrou em campo no Twitter durante o julgamento do mensalão com o provável objetivo de levar um slogan aos “trending topics” – a lista de termos mais citados, espécie de “pódio” dos assuntos debatidos na rede social.

Tudo começou quando, no dia 15 de setembro de 2013, uma usuária do Twitter postou uma mensagem para o perfil do Supremo Tribunal Federal com os dizeres “diga #NaoAosEmbargosInfringentes” – referência a um possível recurso que, se aceito pela Corte, poderia levar à redução de penas de alguns dos condenados pelo mensalão. O texto trazia ainda um link para um vídeo no YouTube, intitulado #OperaçãoBrasilSemPT.

No dia seguinte, a mensagem foi “retuitada” (reproduzida) por outros 23.846 usuários do Twitter – um volume expressivo e inusual. Análise feita pelo Estadão Dados detectou que apenas três das 23.846 reproduções do conteúdo foram feitas por pessoas de verdade e as demais, por perfis falsos.

Os “robôs” tinham várias características em comum: eram seguidos por zero usuários e também não seguiam ninguém no Twitter; entraram na rede em 13 ou 14 de setembro; e tinham em sua descrição biográfica ditados populares como “Pense duas vezes antes de agir”, “A fome é a melhor cozinheira”, “Onde come um, comem dois” – todos retirados de uma mesma página na internet.

A articulação provocou impacto na rede social: em determinado momento do dia 16 de setembro, #NaoAosEmbargosInfringentes foi o 153.º termo mais popular em todo o mundo no Twitter.

Pois é…

“Lula é uma figura fora de série. Vocês não se dão conta porque o têm o tempo todo. Nunca antes um presidente da América Latina colocou um país nesse patamar de importância para o mundo.” 

José (Pepe) Mujica, ex-guerrilheiro e presidente do Uruguai, explicando Lula a certos brasileiros.

A efeméride da loucura

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Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa

Na segunda-feira (31/3), véspera do cinquentenário do golpe civil e militar perpetrado em 1º de abril de 1964, a imprensa completa o ciclo das revisões históricas com que procura “explicar” aquele período. Faz um quarto de século que o Brasil reencontrou o caminho da democracia, mas a sociedade brasileira ainda arrasta muitos cadáveres da ditadura e a imprensa ainda não assumiu seus erros.

Artigos, editoriais, pesquisas, entrevistas e reportagens publicados nos últimos dias dão o tom da insanidade que se abateu sobre o país durante aqueles 21 anos. A leitura desse material revela alguns aspectos que os jornais gostariam de ver soterrados no esquecimento.

O primeiro deles é a responsabilidade direta das empresas jornalísticas que se tornaram hegemônicas na imprensa brasileira justamente no período ditatorial: os grupos Globo, Folha e Estado não podem escapar ao fato de que seus dirigentes na época fizeram parte do grupo civil que manipulou e insuflou a violência militar contra as instituições. Meio século depois, os editores tentam reescrever a História.

Nas edições que marcaram a véspera do golpe, o Globo dava a senha para a mobilização das tropas golpistas: “Criou-se um soviete na Marinha de Guerra”, dizia o texto principal na primeira página. No alto, outro título afirmava: “Reage o Congresso à comunização do Brasil”.

Observe-se, porém, que na edição de segunda-feira (31), os textos que circundam a reprodução daquela primeira página de 31 de março de 1964, na seção intitulada “Há 50 anos”, omitem esse conteúdo claramente golpista. Há uma profusão de análises, algumas delas embalada por chavões do tipo “1964 – o ano que não acabou”. Predomina a tese de que o golpe foi um resultado natural da consolidação de um grupo de protagonistas que se organizou em 1930 em torno do ideário messiânico de salvação da pátria.

Os tenentes de 1930, amadurecidos em 1964, seriam, nessa versão, quase uma fatalidade inevitável. No entanto, não se pode dissimular a responsabilidade dos líderes civis nessa aventura golpista, nem omitir o fato de que os controladores da imprensa que hoje predomina na cena midiática brasileira foram os grandes articuladores da derrubada de João Goulart.

O terrorismo de Estado

Dos três grandes diários de circulação nacional, o que mais se empenha em justificar o golpe é o Estado de S.Paulo, ao afirmar que as marchas de civis “em defesa da família” foram uma demonstração de apoio da sociedade. Mas omite-se que tais mobilizações eram estimuladas pelos próprios jornais.

Folha de S. Paulo faz uma simplificação perigosa ao destacar as supostas realizações econômicas dos governos militares, omitindo ou relativizando o fato de que as políticas do período provocaram o desmanche dos sistemas públicos de educação e saúde e agravaram profundamente a desigualdade social, tornando a economia nacional extremamente dependente dos Estados Unidos.

Os militares e seus ministros, alguns dos quais ainda são incensados pela imprensa, eram submissos vassalos do governo americano, conforme atestam documentos da época tornados públicos pela própria mídia. A observação daqueles acontecimentos no contexto da Guerra Fria, como fazem alguns articulistas, não explica como o nacionalismo exacerbado dos líderes da ditadura não os impediu de submeter suas decisões e a própria soberania nacional aos interesses dos Estados Unidos.

O fato de a marcha militar que deu início ao golpe ter sido liderada por um general de poucas luzes que um dia declarou se considerar “apenas uma vaca fardada” é parte do contexto de insanidade que define esse episódio histórico. Essa mesma insanidade se manifesta nos cinquenta paulistas que se juntaram sob a estrutura do Museu de Arte de São Paulo para homenagear os aventureiros que tomaram o país de assalto em 1964 e está presente no fato, revelado pelo Globo, de que a cúpula do regime conhecia e aprovava reservadamente os crimes de tortura e os assassinatos de dissidentes.

O atentado frustrado no Riocentro, ocorrido em 1981, em pleno processo de redemocratização, revela o grau da irracionalidade que conduzia o Estado nas duas décadas da ditadura: o jornal carioca demonstra também que o então presidente, general João Batista Figueiredo, sabia dos planos terroristas, que poderiam ter causado a morte de centenas de jovens durante um show musical – e nada fez para impedir o crime.

Nada existe para ser comemorado nesta data. O Brasil de 2014 ainda vive sob o signo da loucura que explodiu em 1964.