Mês: março 2022
Bastidores do rock
Ninguém é neutro na guerra
Por Tatiana Dias – The Intercept_Brasil

Big techs sempre tomaram posições, só não deixavam isso claro
Até esta semana, por 10 euros – cerca de 60 reais – qualquer pessoa podia comprar na Amazon uma caneca estampada com o símbolo do Batalhão Azov, grupo extremista paramilitar ucraniano. Não é só um souvenir com um símbolo político agora popular por causa da guerra: é também o símbolo de um grupo ultranacionalista de direita, que reproduz os símbolos e a ideologia neonazistas, como o supremacismo branco e o ódio a judeus.
Apesar de figurar na lista de “Organizações Perigosas” – e, por isso, estar banido do Facebook desde 2019 –, o Batalhão Azov também conseguiu, temporariamente, o aval da rede social para receber elogios. Assim, o Facebook abriu uma exceção em suas políticas de moderação para que usuários possam elogiar o grupo extremista – porque ele está do lado contrário ao da Rússia. Quer dizer: pode vender produtos com símbolos neonazistas e pode elogiar neonazistas, desde que eles lutem contra o mesmo inimigo que nós.
Mais que qualquer outro evento recente no mundo, a guerra na Ucrânia obrigou as gigantes de tecnologia a se posicionarem. Em um momento em que um país é atacado de forma violenta e desproporcional, sua população é obrigada a fugir, batalhas e mortes são transmitidas em tempo real e a guerra de narrativas e desinformação transforma os feeds em campos de batalha, o discurso de “somos apenas uma empresa de tecnologia” foi fulminado pela realidade. Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Google, TikTok e Amazon não são apenas os meios neutros pelos quais as pessoas conversam e se conectam, mas também os editores da realidade.
Eles estão decidindo neste momento se os vídeos brutais dos ataques russos devem ganhar o mundo, se os imigrantes africanos negros barrados nas fronteiras podem publicar seus relatos, se imagens de corpos de soldados russos devem permanecer no ar, se o ataque a uma usina nuclear pode ser transmitido ao vivo e se a mídia estatal russa deve poder propagar sua narrativa livremente. As redes se tornaram, também, campos de batalha.
Com a guerra, naturalmente, as gigantes da tecnologia foram pressionadas a agir rapidamente para tentar coibir a desinformação e pressionar a Rússia. As consequências vieram: o Google interrompeu a monetização e removeu a RT e a Sputnik, veículos estatais russos, das primeiras páginas de seus serviços de notícias. A Meta, o novo nome do Facebook, também restringiu RT e Sputnik na Europa e desmonetizou os canais no mundo inteiro. O Twitter cancelou os anúncios relacionados à Rússia e à Ucrânia. O TikTok também deixou RT e Sputnik inacessíveis na Europa. E a Apple decidiu suspender a venda de seus produtos na Rússia, entre outras medidas.
Essa é, afinal, como avaliaram dois repórteres do New York Times, a maior oportunidade que as big techs têm para melhorar reputações abaladas por sucessivos escândalos nos últimos anos. Uma maneira de mostrar que suas tecnologias podem ser usadas para o bem, a liberdade, a democracia e o empoderamento individual, mensagem vendida nos protestos da Primavera Árabe, em 2011, e comprada por todo o Ocidente.
É suficiente? Muita gente diz que não. Entidades como Sleeping Giants e o The Real Facebook Oversight Board, um grupo de especialistas críticos à rede social, defendem que a mídia russa seja banida e que contas que glorifiquem agressões ou crimes de guerra sejam suspensas. Também afirmam que as empresas devem ser transparentes sobre os recursos de moderação que empregam em países não falantes de inglês – hoje, ninguém sabe ao certo quantos moderadores estão trabalhando especificamente no contexto da guerra. Sabemos só que está sendo ineficiente: um estudo já mostrou que a rede social falha em banir 91% das propagandas russas relacionadas à guerra.
Vale lembrar que, até poucos dias atrás, Vladimir Putin podia propagar suas mensagens livremente no YouTube, e os canais russos ainda eram remunerados por isso (o Google também ganhava com os anúncios veiculados nos canais estatais). Foi preciso que eclodisse uma guerra violenta para as big techs assumirem abertamente o que são: canais de comunicação, enormes e poderosos editores da realidade, usados não apenas por democracias liberais e suas alegadas liberdades, mas também por autocratas tiranos.
A eleição de Donald Trump, a crise da Cambridge Analytica, o Brexit, o genocídio em Myanmar, a eleição de Jair Bolsonaro e de outros extremistas de direita, a epidemia de desinformação e mentiras na pandemia de covid-19: não faltam exemplos de como as redes sociais estiveram no centro de crises geopolíticas e nas ameaças à democracia, com consequências catastróficas para populações inteiras.
No entanto, apesar de frequentemente alertadas sobre seus papéis nesses cenários, as big techs mantinham uma postura cínica: limitavam-se a dizer que defendiam a democracia, os direitos humanos e que tinham regras internas de uso e moderação. Mas há um problema crônico de falta de moderação qualificada, e a mera exibição das regras é insuficiente para garantir que as plataformas possam alegar que não têm responsabilidade sobre os conteúdos que difundem. Já denunciamos no Intercept muitos e muitos casos de conteúdos que flagrantemente violavam os termos de uso mas permaneciam no ar.
É porque, embora possam ajudar a passar a imagem de neutralidade, esses termos não são leis escritas em pedra. São regras de conduta que podem ser interpretadas e aplicadas de acordo com o contexto político, social e, claro, econômico. A guerra, agora, só explicitou que as redes sociais desrespeitam as regras que elas mesmas criaram – permitindo conteúdos sobre o Batalhão Azov, por exemplo – de acordo com a maré.
As regras valem para todo mundo? Está claro que não – e isso é esperado. É por isso que os moderadores existem: diferenciar caso a caso o que deve ou não ser removido ou ter alcance limitado na plataforma. Mas essas são decisões difíceis e custosas, inclusive politicamente. Os Facebook Papers mostravam, por exemplo, que a empresa tinha um esforço desproporcional de moderação em países ricos e falantes de língua inglesa, e simplesmente abandonava outros. Se afirmar como mera “empresa de tecnologia” é a maneira de não assumir a responsabilidade sobre o esgoto que se formou nas timelines e contaminou o debate público em contextos muito distantes do sol da Califórnia.
A guerra escancarou que ficar neutro é inviável. Enquanto eu terminava este texto, Putin decidiu banir o Facebook da Rússia. Ainda há rumores de que a medida se estenderá também para outras empresas, em uma nova cortina de ferro (digital, desta vez) que pode isolar ainda mais os russos (e prejudicar a comunicação de quem se opõe à guerra). As big techs são, cada vez mais, atores políticos e econômicos com um poder incalculável nas mãos, capazes de mover placas tectônicas e aprofundar crises geopolíticas se tomarem as decisões erradas. O mundo está assistindo, horrorizado, em tempo real, essas consequências.
Enquanto isso…
Faltou pouco para o Japiim
POR GERSON NOGUEIRA

Foi por detalhes que o Castanhal não conseguiu a classificação à segunda fase da Copa do Brasil. Fez o gol no primeiro tempo, produziu jogadas que poderiam ter levado a mais um gol, mas acabou falhando no jogo aéreo e permitiu o empate antes do intervalo. No 2º tempo, o jogo ficou aberto, mas ninguém chegou ao gol e o resultado favoreceu o Vitória.
A escalação do Japiim foi ousada. O time veio com Lukinhas e Fazendinha na criação, com o trio ofensivo formado por Pecel, Leandro Cearense e Ruan. Valente, o time partiu para o ataque contra um Vitória cauteloso nos primeiros movimentos.
Com a marcação adiantada, o Castanhal não permitia ao visitante se movimentar e criar jogadas entre suas linhas. Apesar disso, aos 5 minutos, em escapada rápida pelos lados, Luidy cruzou rasteiro para Erick, que perdeu o gol de frente para Axel Lopes.
A resposta castanhalense foi imediata. Aos 7’, Daelson bateu forte e Lucas Arcanjo segurou. Melhor nas articulações, o Japiim mandou uma bola na trave aos 13’, com Leandro Cearense disparando de fora da área.
Atordoado, o Vitória abriu a guarda no instante seguinte. Ruan rouba a bola na intermediária e passa para Fazendinha, que aciona Cearense para abrir a contagem. A movimentação do Castanhal arrefeceu e, aos 24’, Mateus aproveitou rebote de uma falta e empatou o jogo.
Pecel ainda teve excelente chance, mas errou o cabeceio, na melhor chegada do Castanhal antes do intervalo. O Vitória, satisfeito com a igualdade, fechou-se um pouco mais.
Estava claro que o caminho das pedras era forçar erros na saída da equipe baiana, mas adiantar marcação exige força física e atenção redobrada. O Castanhal custou a retomar a pegada ofensiva. Aceitou a estratégia do Vitória de priorizar o embate no meio-campo.
Quando Welthon (que substituiu Pecel) entrou aos 15 minutos, o Japiim passou a investir nas ações pelo meio e a criar algumas situações de perigo, mas na prática o jogo ficou prejudicado pelo excesso de erros.
Com os times desfigurados por mudanças, o Vitória ensaiou um cerco com jogadas em velocidade, mas foi o Castanhal que quase chegou ao gol nos minutos finais. Após boa jogada de Welthon, Lukinhas recebeu e mandou com muito perigo. Foi a chamada bola do jogo. No fim das contas, resultado justo pelo esforço dos times.
Sem criação, Remo terá que fechar o meio-campo
Por falta de criatividade no meio, o Remo não desabrochou no Campeonato Estadual até agora. Deu um pequeno sinal de crescimento diante do Itupiranga, quando Felipe Gedoz estreou, mas depois mergulhou no marasmo criativo e não conseguiu mais vencer nas três rodadas seguintes: Tuna, Bragantino e PSC.
Com o camisa 10 em campo, o time tem opções de saída, troca mais passes e encurta a distância entre meio e ataque. Sem ele, que se lesionou e só vai voltar ao time na Série C, o Leão perde força criativa e fica mais previsível.
Caso Paulo Bonamigo queira compensar o vazio de qualidade na meia-cancha, pode radicalizar e abraçar a previsibilidade. Simples: fechando o setor com três volantes de marcação e um médio, Erick Flores, que sabe transitar entre os três compartimentos da equipe.
No Cartaz Esportivo de ontem, tomei a liberdade de mencionar a maneira usada pelo Palmeiras de Abel Ferreira para não ceder o contra-ataque aos adversários. Povoa o meio, usa volantes e meias para socorrer os lados mais visados e explora o contragolpe como arma permanente.
Não é um futebol vistoso, nem bonito de ver. Às vezes chega a ser tedioso, mas é inegável que funciona. Ainda mais quando não se tem jogadores de grande habilidade para propor uma forma mais interessante de jogar.
Como o Parazão não é propriamente um primor de técnica, especialmente nos gramados rastaqueras vistos até aqui, reforçar a marcação não é propriamente um ato de retranca burra. É possível fazer com que o meio funcione ofensivamente se os volantes tiverem iniciativa ofensiva.
Uchoa-Pingo-Curuá-Flores ou Curuá-Uchoa-Marco Antonio-Pingo é um desenho perfeitamente possível no Remo atual. Bruno Alves e Brenner seriam os homens de frente, com Ronald e Veraldo como alternativas.
Caso essa composição seja bem treinada, pode dar certo em jogos de mata-mata, que devem ser equilibrados, levando em conta o nível técnico do campeonato. Sem um criativo na armação, recompor e fechar a linha central com três volantes pode ser mão na roda, desde que a saída seja sempre rápida, através do médio e dos laterais.
A transição vai depender da retomada de bola e de passes em velocidade. Utilizar um monte de volantes fixos é um pecado que o sistema de forte marcação não pode cometer. Todos têm a responsabilidade de cuidar da aproximação e de imprimir rapidez nos passes.
Welthon: atuação surpreendente em 30 minutos
Fico imaginando o desconforto do gênio azulino que dispensou Welthon ao ver os 20 minutos dele ontem à noite diante do Vitória, na Curuzu. Veloz, agudo, insistente, raçudo e finalizador. Exatamente como deve ser um atacante de Série C. Incomodou a zaga baiana e quase ajudou o Castanhal a fazer o segundo gol nos instantes finais.
Dentre os destaques do Japiim na partida, Welthon foi um dos mais surpreendentes, pois chegou há uma semana e ainda não teve tempo de conseguir o necessário entrosamento com os companheiros. Apesar disso, jogou com o desembaraço habitual, sempre verticalizando os ataques. Vai fazer falta na campanha do Remo nas próximas fases do Parazão.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 04)
ONGs pedem que MPF fiscalize no Pará maior navio de exportação de animais vivos
ONGs pedem que MPF fiscalize o Mawashi Express, maior navio de exportação de animais vivos do mundo, que chegou no início da noite de ontem (24) ao porto de Vila do Conde, em Barcarena. As ONGs de proteção animal realizarão atos públicos amanhã, 6, contra o transporte de animais vivos. A representação encaminhada ao MPF é assinada pela Mercy For Animals (MFA), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e Princípio Animal. Navio jordaniano que navega sob a bandeira do Panamá, o Mawashi foi construído em 1973 e convertido para transporte de animais vivos em 1982.
RISCOS
O Mawashi tem capacidade de carga total de 46.265 toneladas e pode levar mais de 30 mil bovinos. O navio já esteve duas vezes no Brasil, a última delas em 2017. A representação pede que uma equipe técnica do MPF acompanhe o embarque, para avaliar as condições de transporte, o bem-estar dos animais e os riscos ambientais da operação. As ONGs também alertam para os riscos da operação, citando o caso do navio Haidar, que naufragou no Porto de Vila do Conde em 2015 com 5 mil bois a bordo, causando um dos maiores desastres ambientais da história do Pará.
A cada ano, centenas de milhares de bois são transportados vivos pelo mar do Brasil até o Oriente Médio e o Norte da África, onde são mortos por sua carne. Ao longo dessa viagem, geralmente realizada em embarcações antigas e não projetadas originalmente para essa finalidade, os animais passam por imenso sofrimento físico e psicológico.
Nos navios, eles são confinados em espaços minúsculos e obrigados a viver entre as próprias fezes e urina por semanas. Nos países de destino, são frequentemente manejados de forma brutal e abatidos enquanto ainda estão conscientes e são capazes de sentir dor. Além de comprometer o bem-estar dos animais e acarretar sérios riscos ambientais, a atividade não faz sentido do ponto de vista econômico
Atualmente, o Brasil é o segundo maior exportador de bovinos vivos por via marítima do mundo, ficando atrás apenas da Austrália. Em 2019, o país foi o que mais exportou para o Oriente Médio e o segundo que mais exportou para o Norte da África. Por ano, 11 milhões de bois são exportados vivos para abate – 18% deles são embarcados em portos da Oceania e da América do Sul e enfrentam longas jornadas por mar até o país importador
No Brasil, o transporte marítimo de animais vivos começou em 2002 e, hoje, apenas três Estados concentram quase 95% das exportações. Os animais são predominantemente embarcados dos portos de Vila do Conde, no Pará (66,4%), Rio Grande, no Rio Grande do Sul (20%), e São Sebastião, em São Paulo (8,3%) – os dados se referem ao período 2012-2020 e constam no Relatório Investigativo Exportação de Animais Vivos no Brasil, lançado em 2021 pela Mercy For Animals.
Rock na madrugada – Patti Smith, “Horses”
Direto do Twitter
A frase da noite
“Se o Flãmeângo ou nossos simpáticos coirmãos da ZL tivessem feito o que o Coelho fez hoje no Paraguai teríamos programas inteiros dedicados à façanha amanhã”.
Flavio Gomes, jornalista
O voo seguro da velha Águia
POR GERSON NOGUEIRA

Contra a maioria das previsões, inclusive a deste escriba, a Tuna superou o Novorizontino e passou pela primeira vez à segunda fase da Copa do Brasil. O jogo foi equilibrado e difícil, mas no fim das contas prevaleceu a gana do time cruzmaltino, que aproveitou a primeira oportunidade para estabelecer a vantagem, mantida a ferro e fogo até o fim do confronto.
Sob o sol escaldante do inverno paraense, no estádio Evandro Almeida, a Tuna entrou como se não houvesse amanhã, afinal R$ 750 mil estavam em jogo. Consciente da qualidade do visitante, procurou se resguardar defensivamente contra as primeiras pontadas do adversário.
Aos 12 minutos, logo na primeira tentativa mais aguda, a Tuna achou o caminho das redes, com o zagueiro Lucão. Após cobrança de escanteio, ele subiu livre para desviar de cabeça. O jogo então ficou bem intenso, com o Tigre em busca do empate enquanto a Lusa se fechava e tentava sair em contra-ataque.
O time de Emerson Almeida ainda desfrutou de outra grande oportunidade com Luan, mas o destaque ficou com a segurança defensiva, Lucão à frente. O Novorizontino ficava com a bola, cercava a grande área, mas não acertava nas finalizações.
Para o segundo tempo, o Novorizontino voltou mais animado a pressionar, mas repetia o mesmo equívoco: bola de pé em pé, sem pressa e raros chutes a gol. Quando tentou alguma coisa esbarrava em Vítor Lube, novamente aparecendo muito bem.
Apesar da vantagem no placar, a Tuna acertadamente não desistiu do ataque. Com isso, manteve o visitante preocupado com a defesa. É verdade que Paulo Rangel não contribuía com tentativas canhestras de fintas na hora errada. Ainda assim, quase Jayme e Edinaldo conseguiram ampliar o marcador nos 15 minutos finais.
No Tigre, o melhor momento foi aos 23’ quando Chrigor entrou na área, mas foi travado na hora H pelo seguro Lucão, melhor homem em campo. Aos 30’, foi a vez de Pulga receber livre em contragolpe puxado pela esquerda. Invadiu a área, mas o goleiro Giovanni impediu o gol.
Léo Baiano ainda foi expulso por xingar o árbitro e o Novorizontino ficou cruzando bolas até o apito final. Podia permanecer por horas que a bola não entraria, tal a segurança do sistema defensivo tunante. (Foto: Junior Borges/Ascom da Tuna)
Em ritmo de treino, Papão confirma favoritismo em Macapá

Como estava previsto, o PSC foi a Macapá apenas para carimbar a classificação à próxima etapa da Copa do Brasil. Contra um adversário que ainda não tinha feito um jogo oficial na temporada, o time de Márcio Fernandes mostrou-se à vontade para meter um 3 a 0 sem contestações.
E olha que o Papão não tinha a qualidade do passe de Ricardinho para facilitar as tramas ofensivas. Mesmo assim, começou ofensivo e tentando chegar ao gol. A luta maior era contra as condições do campo do Zerão.
A baixa produção do time da casa não diminui os méritos do bicampeão paraense, que só vacilou nas finalizações. O excesso de erros nas tentativas de ataque acabou compensado pela eficiência nas bolas paradas.
Logo aos 2 minutos, o lateral João Paulo mandou uma bola na trave. Enquanto o time do Trem se complicava pelo abuso nas faltas, o Papão avançava e balançou as redes aos 22’. Em escanteio, o zagueiro Genilson concluiu após Bileu raspar de cabeça na pequena área.
Por alguns minutos, o PSC se acomodou e cedeu espaços ao Trem. Mesmo insistindo em avanços pelos lados, a única jogada proveitosa foi um disparo de Aldair que levou perigo à meta alviceleste.
O time macapaense fez mudanças para tentar reagir no segundo tempo, mas a movimentação não resultou em nada. Em contrapartida, o PSC ampliou logo aos 10 minutos. O volante Mikael aproveitou cruzamento na área e entrou livre para desviar para o fundo das redes.
Para não dizer que o ataque foi a Macapá a passeio, Dioguinho, que entrou no lugar de Marcelo Toscano, também explorou bem um cruzamento nascido de troca de passes para estabelecer 3 a 0 no placar.
Com o jogo resolvido, Márcio Fernandes providenciou algumas mudanças – colocou em campo Polegar, Christian, Patrick e Henan – e a partida perdeu em qualidade, pois o PSC se descaracterizou e abandonou as ações ofensivas e tratou de administrar a tranquila vantagem.
Na próxima fase, a coisa muda de figura. O adversário será bem mais encrespado: o Papão vai enfrentar o CSA, em Maceió.
Castanhal encara o novo Vitória de Dado
Para superar o Vitória de Dado Cavalcanti, hoje à noite, na Curuzu, o Castanhal precisa se inspirar na raça da Tuna de Emerson Almeida. Terá que fazer seu melhor jogo numa temporada marcada por muita instabilidade. A entrada em cena de Robson Melo melhorou a pegada, mas o time continua com sérios problemas de criação e timidez ofensiva.
Com muitos problemas no Estadual, onde segue ameaçado de desclassificação, o Castanhal depende de um jogo mais afirmativo e coletivamente perfeito para superar o adversário baiano, que tem a vantagem do empate.
Ex-comandante do PSC, Dado conhece o futebol paraense e tenta dar pegada competitiva ao Vitória. Rebaixado à Série C, o time passou por grandes mudanças e baseia sua força na transição ágil no meio, virtude que se torna potencialmente mais perigosa para quem deverá jogar explorando contra-ataques.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 03)
Bastidores do rock
Tuna derrota Novorizontino e avança na Copa do Brasil

A Tuna conquistou a sonhada classificação à próxima fase da Copa do Brasil ao derrotar o Novorizontino (SP) por 1 a 0 (gol do zagueiro Lucão), na tarde desta quarta-feira, no Baenão. Na condição de franco-atirador, o time paraense suportou a pressão inicial dos visitantes, mas teve tranquilidade para aproveitar a primeira chance que teve no primeiro tempo.
Na etapa final, sob sol escaldante, o time do Novorizontino tentou impor pressão, mas a defensiva tunante esteve firme e não cometeu falhas. Em contra-ataques, Jayme, Kaíque e Giovane perderam excelentes chances para ampliar o marcador.

O Novorizontino cercou a área, mas não conseguiu vencer a marcação e o goleiro Vítor Lube. Por reclamação, o atacante Léo Baiano foi expulso aos 44′ da etapa final. A conquista da vaga à segunda fase, inédita na história da Tuna, rende ao clube a bonificação de R$ 750 mil.



