ONGs pedem que MPF fiscalize no Pará maior navio de exportação de animais vivos

ONGs pedem que MPF fiscalize o Mawashi Express, maior navio de exportação de animais vivos do mundo, que chegou no início da noite de ontem (24) ao porto de Vila do Conde, em Barcarena. As ONGs de proteção animal realizarão atos públicos amanhã, 6, contra o transporte de animais vivos. A representação encaminhada ao MPF é assinada pela Mercy For Animals (MFA), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e Princípio Animal. Navio jordaniano que navega sob a bandeira do Panamá, o Mawashi foi construído em 1973 e convertido para transporte de animais vivos em 1982.

RISCOS

O Mawashi tem capacidade de carga total de 46.265 toneladas e pode levar mais de 30 mil bovinos. O navio já esteve duas vezes no Brasil, a última delas em 2017. A representação pede que uma equipe técnica do MPF acompanhe o embarque, para avaliar as condições de transporte, o bem-estar dos animais e os riscos ambientais da operação. As ONGs também alertam para os riscos da operação, citando o caso do navio Haidar, que naufragou no Porto de Vila do Conde em 2015 com 5 mil bois a bordo, causando um dos maiores desastres ambientais da história do Pará.

A cada ano, centenas de milhares de bois são transportados vivos pelo mar do Brasil até o Oriente Médio e o Norte da África, onde são mortos por sua carne. Ao longo dessa viagem, geralmente realizada em embarcações antigas e não projetadas originalmente para essa finalidade, os animais passam por imenso sofrimento físico e psicológico. 

Nos navios, eles são confinados em espaços minúsculos e obrigados a viver entre as próprias fezes e urina por semanas. Nos países de destino, são frequentemente manejados de forma brutal e abatidos enquanto ainda estão conscientes e são capazes de sentir dor. Além de comprometer o bem-estar dos animais e acarretar sérios riscos ambientais, a atividade não faz sentido do ponto de vista econômico

Atualmente, o Brasil é o segundo maior exportador de bovinos vivos por via marítima do mundo, ficando atrás apenas da Austrália. Em 2019, o país foi o que mais exportou para o Oriente Médio e o segundo que mais exportou para o Norte da África. Por ano, 11 milhões de bois são exportados vivos para abate – 18% deles são embarcados em portos da Oceania e da América do Sul e enfrentam longas jornadas por mar até o país importador

No Brasil, o transporte marítimo de animais vivos começou em 2002 e, hoje, apenas três Estados concentram quase 95% das exportações. Os animais são predominantemente embarcados dos portos de Vila do Conde, no Pará (66,4%), Rio Grande, no Rio Grande do Sul (20%), e São Sebastião, em São Paulo (8,3%) – os dados se referem ao período 2012-2020 e constam no Relatório Investigativo Exportação de Animais Vivos no Brasil, lançado em 2021 pela Mercy For Animals.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s