Mês: dezembro 2021
Belém é a 9ª capital em índice de vacinação
No ranking de vacinação, Belém é a 9ª capital com maior índice de população totalmente vacinada (2ª dose ou dose única). Dados do Ministério da Saúde.
Carta aberta à Humanidade
Em manifesto dirigido à população brasileira, intitulado “Carta Aberta à Humanidade”, Chico Buarque, Leonardo Boff, Zélia Duncan, D. Mauro Morelli, Padre Júlio Lancellotti, Carol Proner e outras personalidades denunciam que o Brasil se tornou uma “câmara de gás a céu aberto”.
A carta contém um apelo para que STF, OAB, Congresso Nacional, CNBB e Nações Unidas entrem em ação: “Pedimos urgência ao Tribunal Penal Internacional (TPI) na condenação da política genocida desse governo que ameaça a civilização”.
Autores e autoras do texto afirmam que “o monstruoso governo genocida de Bolsonaro deixou de ser apenas uma ameaça para o Brasil para se tornar uma ameaça global”.
Abaixo, a íntegra do texto:
“Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança.” (Hanna Arendt)
O Brasil grita por socorro.
Brasileiras e brasileiros comprometidos com a vida estão reféns do genocida Jair Bolsonaro, que ocupa a presidência do Brasil, junto a uma gangue de fanáticos movidos pela irracionalidade fascista.
Esse homem sem humanidade nega a ciência, a vida, a proteção ao meio-ambiente e a compaixão. O ódio ao outro é sua razão no exercício do poder.
O Brasil hoje sofre com o intencional colapso do sistema de saúde. O descaso com a vacinação e as medidas básicas de prevenção, o estímulo à aglomeração e à quebra do confinamento, aliados à total ausência de uma política sanitária, criam o ambiente ideal para novas mutações do vírus e colocam em risco toda a humanidade. Assistimos horrorizados ao extermínio sistemático de nossa população, sobretudo dos pobres, quilombolas e indígenas.
Nos tornamos uma “câmara de gás” a céu aberto.
O monstruoso governo genocida de Bolsonaro deixou de ser apenas uma ameaça para o Brasil para se tornar uma ameaça global.
Apelamos às instâncias nacionais – STF, OAB, Congresso Nacional, CNBB – e às Nações Unidas. Pedimos urgência ao Tribunal Penal Internacional (TPI) na condenação da política genocida desse governo que ameaça a civilização.
Vida acima de tudo!
A era da ilusão
Chance para novos talentos
POR GERSON NOGUEIRA
É sempre bonito ver a festa que os garotos fazem após uma conquista importante. Foi assim na manhã de ontem quando o time sub-17 do Remo sagrou-se bicampeão estadual (2019 e 2021) em campanha invicta, que culminou com triunfo sobre o PSC na decisão. Os azulinos venceram as duas partidas pelo mesmo placar, 2 a 1, em confrontos realizados quarta-feira no Baenão e ontem na Curuzu.
A comemoração é mais do que justa até pelo grau de dificuldades que as divisões de base enfrentam. Os meninos lutam contra a falta de estrutura adequada e as raras oportunidades de ascensão à categoria profissional.
Nos últimos anos, a formação de atletas adquiriu uma relevância ainda maior pela carência de atletas jovens e qualificados nos principais clubes do Estado. A necessidade ficou escancarada quando o Remo foi buscar nas divisões de base do Atlético-PR o lateral esquerdo Raimar.
Apesar da desconfiança generalizada, foram os garotos revelados em casa que quebraram o galho em situações críticas da campanha azulina na Série B deste ano. Quando os titulares superlotavam o departamento médico do clube, a saída foi olhar para o almoxarifado. Ronald, Warley, Tiago Mafra entraram na equipe e fizeram boa figura.
No campeonato estadual da categoria, a coisa se complica a cada ano. Os problemas começam pela pouca visibilidade e o baixo nível técnico da competição. O torcedor só toma conhecimento quando a disputa entra nas fases decisivas, passando a merecer atenção maior da mídia esportiva.
Mais do que os títulos conquistados, o que realmente importa é a revelação de jogadores. Nem todo mundo que trabalha com as categorias formadoras parece ter consciência disso, focando mais nas vitórias do que na evolução dos meninos. Garimpar atletas é tarefa que exige dedicação e método, compreensão e persistência.
O desenvolvimento técnico dos atletas deve merecer acompanhamento meticuloso, com a observação das características mais destacadas de cada um, levando em conta também o perfil físico e as habilidades naturais.
Nas duas partidas decisivas, alguns garotos chamaram atenção nos dois times, demonstrando potencial para alcançar sucesso no ramo. O setor ofensivo do Remo conta com jogadores de qualidade, como os meias Ramires e Solano e os atacantes Stuart, Santos e Pedro Vítor.
O PSC, apesar da derrota na decisão, mostrou alguns valores que devem ser observados com atenção. Os laterais Juan e Valdiran e os atacantes Alisson e Júlio César tiveram boas atuações.
Com contas ajustadas, Papão foca no acesso
A entrevista do presidente Maurício Etttinger ao Bola na Torre (RBATV) neste domingo foi esclarecedora e serviu para detalhar os projetos do PSC para 2022, com ênfase na busca pelo acesso à Série B. Com humildade, ele admitiu a frustração pelo insucesso na Série C deste ano, sem esconder os aspectos que resultaram no mau desempenho.
Longe de apenas valorizar o bicampeonato estadual no futebol, a vitória na regata e o tricampeonato no basquete masculino, Ettinger foi direto: erros estratégicos nas contratações atrapalharam os passos do time na Série C. O planejamento levou em conta que o campeonato com jogos mais espaçados permitia um time mais envelhecido.
“A gente optou por uma característica mais de técnica, mas a competição, principalmente na fase final, mostrou uma linha de força, rapidez e intensidade”, observou o presidente. A entrada em cena de um coordenador técnico (Ricardo Lecheva) vai possibilitar fazer um trabalho mais qualificado na montagem de elenco.
Destacou os esforços para sanear as contas, com ênfase na quitação da dívida com o ex-jogador Arinelson, pendência que se estendia há quatro anos. O empenho para recuperar as finanças após a queda para a Série C há três anos permite hoje ir ao mercado com faca nos dentes, contratando um técnico valorizado, Márcio Fernandes, e atletas de bom nível – Tiago Coelho, João Paulo, Ricardinho, Polegar.
A mescla que tem sido observada no lote de contratações deste final de temporada é uma reação à falha cometida na Série C 2021. Ao mesmo tempo em que foi buscar Ricardinho e Henan, ambos com 35 anos, o clube se preocupou em trazer jogadores mais jovens, como Dioguinho, Marcão e Robinho, na faixa dos 27 anos.
O cuidado em organizar etapas, para responder ao calendário cheio, é outro ponto digno de registro na conversa com Guilherme Guerreiro e com este escriba baionense. A intenção é começar 2022 com um elenco praticamente fechado com 32 atletas. Ao final do Parazão, serão feitas contratações pontuais para encarar o Campeonato Brasileiro.
Ettinger aproveitou para desfazer especulações que circularam quanto à volta do atacante Leandro Carvalho: “Estamos fazendo uma administração mais consciente, dentro do que o clube pode. Falou-se em trazer jogadores mais caros, como o Leandro, mas são coisas que o PSC não pode ainda arriscar e não queremos deixar esse ônus para as próximas gestões”.
Nas próximas semanas, o presidente deve anunciar um projeto inovador para fortalecer a base do Papão. Não detalhou porque contratos ainda estão sendo fechados, mas a iniciativa vai coincidir com a abertura dos primeiros campos no futuro CT exclusivo da base, em Benfica.
Caeté faz manobra ousada e aposta em Josué
Em meio à agenda de reforços dos clubes, quase passou batido o anúncio pelo Caeté da contratação de Josué Teixeira para dirigir o time em sua primeira participação no Campeonato Paraense. Estudioso e disciplinador, o técnico carioca é um especialista em montar equipes emergentes e com poucos recursos. Teve boa passagem pelo Sampaio Corrêa e brilhou no Macaé em 2014, conquistando o Brasileiro da Série C.
Veio para o Remo logo em seguida e é responsável pela indicação do goleiro Vinícius, titular absoluto desde então e hoje ídolo da torcida remista. Se houver uma estrutura que permita a Josué formar uma equipe competitiva, o Caeté pode ser uma das surpresas da competição. Um bom reforço.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)
Rock na madrugada – The Clash, “I Fought the Law”
Fazer o bem sem olhar a quem
A face cínica do genocida
A frase do dia
“E à medida que fui ficando mais velho, tive mais tendência a procurar pessoas que vivam pela bondade, tolerância, compaixão e uma maneira mais gentil de ver as coisas”.
Martin Scorsese, diretor de cinema
Bastidores do rock
Há 54 anos, nesta data, acontecia a primeira exibição do filme “Magical Mystery Tour”, dos Beatles, na TV britânica – em preto e branco.
Leãozinho derrota rival e conquista o bicampeonato paraense Sub-17
A garotada do Clube do Remo fez a festa na manhã deste domingo, dentro da Curuzu, ao vencer o PSC por 2 a 1 (o primeiro jogo da decisão também terminou 2 a 1 para os azulinos) e conquistar o título invicto do Campeonato Paraense Sub-17, repetindo o feito de 2019 – em 2020, não houve campeonato em consequência da pandemia.
Os gols da partida foram marcados por Santos e Pedro Victor para o Leão, ainda no primeiro tempo, enquanto que Ruan Pitbull diminuiu para a equipe bicolor na etapa final. O PSC desperdiçou um pênalti ainda na etapa inicial da partida.
O título garante o Remo na Copa do Brasil da categoria no próximo ano, representando o Pará.
(Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)
A insatisfação do privilégio a policiais
Por Elio Gaspari
)
Só um inimigo de Bolsonaro seria capaz de propor que, às vésperas do fim do ano, ele entrasse em campo para obter um reajuste salarial dos policiais federais, e só deles. Colheu a devolução de mais de 500 cargos de confiança da Receita Federal e uma ameaça de greve. O presidente que prometeu acabar com o ativismo, fabricou-o mobilizando contra o governo funcionários concursados, nada a ver com a cumbuca de nomeações dos políticos amigos.
O que o Planalto pode dizer a um servidor cuja categoria tem um pleito funcional e chegou em casa tendo que explicar à família que ficou de fora da generosidade presidencial?
O estilo Bolsonaro de gestão já encrencou com o Inep, o Iphan, o Inmetro e a Anvisa. Cada encrenca deixou cicatrizes, até que explodiu a crise da Receita.
O doutor Paulo Guedes, parceiro da manobra, talvez possa contar ao capitão o que é o “efeito do túnel”, descrito pelo economista Albert Hirschman (1915-2012). Ele celebrizou-se explicando de maneira simples problemas que seus colegas expõem de forma complicada.
O “efeito do túnel” relaciona-se com a distribuição de renda. Se duas fileiras de carros estão engarrafadas num túnel e ambas se movem lentamente, os motoristas aceitam o contratempo. Se uma fileira começa a andar mais rápido, quem está parado acha que o jogo está trapaceado. Bolsonaro gosta de arriscar, mas mesmo sabendo-se que Hirschman talvez não seja flor do orquidário de Guedes, pouco custaria ao doutor pela universidade de Chicago explicá-lo ao capitão.
Os servidores públicos, como todos os trabalhadores, perderam renda. Com o ativismo em favor dos policiais, Bolsonaro mobilizou a insatisfação.
A escolha de Moro
Almoçando num restaurante de São Paulo, Sergio ouviu o maître enumerar um prato de espaguete ao molho de tomate com camarões e lulas. Preferiu um assado.
O futuro de Tarcísio
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, é candidato ao governo de São Paulo e vem guardando um obsequioso silêncio diante da escandalosa autoimolação da companhia aérea Itapemirim. O dono da empresa sacou um ervanário do caixa, os funcionários receberam instruções para sair de fininho dos aeroportos e deixaram 25 mil passageiros com os bilhetes nas mãos às vésperas das festas de fim de ano.
O ministro participou de um teatrinho em louvor da empresa, mas, depois do desastre, informou:
“Ela (a Itapemirim) tinha todas as condições de operar e vinha até com uma proposta interessante de operação rodoviária com operação aérea. E, em tese, era um diferencial em relação a outras companhias.”
Quem autorizou as operações foi a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas o candidato será cobrado a explicar por que na prática os passageiros ficaram com o mico.
Estranho governo. As agências são autônomas. Briga com o almirante da Vigilância Sanitária que sugere a vacinação das crianças e deixa de lado as vítimas da Itapemirim.
Recordar é viver
Nos anos 80 do século passado, quando o governo do general João Figueiredo agonizava, o general Golbery do Couto e Silva, que se demitira da chefia do Gabinete Civil, saiu-se com esta:
“Você pode ir para todos os guichês de uma rodoviária, pedindo desconto na passagem. Vão negar, mas se uma vendedora aceitar o pedido, fará uma pergunta e você deverá respondê-la: Para onde o senhor quer ir?”
Figueiredo não sabia. Bolsonaro acha que sabe.
Boas notícias
Bolsonaro levou 38 dias para cumprimentar Joe Biden pela sua eleição nos Estados Unidos. Donald Trump até hoje não reconhece o resultado.
No Chile, José Antonio Kast reconheceu a derrota no domingo, e Bolsonaro mandou cumprimentar “o tal de Boric” na quinta.
(Transcrito de O Globo)