Para 51% dos brasileiros, Lula é o melhor presidente que Brasil já teve; Bolsonaro é o pior

Por Fábio Zanini, na Folha de S. Paulo

Na montagem, o ex-presidente Lula (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL)

Metade dos brasileiros consideram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o melhor presidente que o país já teve, indica pesquisa Datafolha, bem à frente de Jair Bolsonaro (PL), seu provável adversário na eleição do ano que vem.

Segundo aferiu o instituto, o petista, que governou entre 2003 e 2010, é o líder no ranking dos ex-presidentes para 51% dos entrevistados, 40 pontos à frente de Bolsonaro, escolhido por 11%.

A pesquisa foi realizada de 13 e 16 de dezembro com 3.666 pessoas, em 191 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

Lula, assim, recupera parte de sua imagem perante os eleitores, que ficou seriamente abalada em pesquisas anteriores em razão de escândalos de corrupção e recessão econômica.

Em diversos levantamentos do Datafolha realizados entre o final de 2015 e 2016, auge da Lava Jato e da crise política que derrubaria Dilma Rousseff (PT), Lula era considerado o melhor presidente da história do país por entre 35% e 40% dos brasileiros, patamar bem abaixo do atual.

O mesmo já havia ocorrido em 2006, durante o mensalão, em que Lula, na época exercendo a Presidência, era tido como o melhor chefe de Estado da história por 35%.

O auge da imagem do petista ocorreu no final de 2010, quando ele passou a Presidência para Dilma, com a popularidade em alta em razão do forte crescimento econômico da época. Na ocasião, 71% dos pesquisados consideravam Lula o melhor presidente.

Curiosamente, a faixa etária dos eleitores de 16 a 24 anos, que eram crianças ou pré-adolescentes quando Lula governou, é que a tem maior apreço histórico pelo petista. Neste grupo, 61% consideram que ele foi o melhor presidente que o Brasil já teve.

No caso de Bolsonaro, é a primeira vez que seu nome foi incluído nesta pergunta pelo Datafolha, e portanto não é possível fazer comparações.

O atual ocupante do Palácio do Planalto é considerado o melhor presidente da história por 19% dos que se situam na faixa de renda mais alta, que recebe mais de dez salários mínimos por mês.

Na faixa dos empresários, há uma situação de empate técnico entre o atual e o ex-presidente. Bolsonaro é considerado o melhor presidente por 24% dos pesquisados, enquanto Lula é escolhido por 22%.

Durante seus dois governos, o petista conduziu uma política econômica ortodoxa, sem movimentos bruscos de rompimento com o mercado, e teve um empresário, José Alencar, como vice.

Em terceiro lugar na lista de melhores presidentes, aparecem empatados o tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54), mencionados por 4%.

Com 1%, foram lembrados Juscelino Kubitschek (1956-61), José Sarney (1985-90), Itamar Franco (1992-94), João Baptista Figueiredo (1979-85), Dilma Rousseff (2011-16), Jânio Quadros (1961) e Tancredo Neves (1985).

O Datafolha perguntou também quem foi o pior presidente da história do Brasil, e nesse caso a marca negativa claramente pertence a Bolsonaro. Ele é citado por 48% dos entrevistados, reflexo de sua queda de popularidade em razão da crise econômica e da má gestão da pandemia.

Lula é citado como pior presidente por 18% dos entrevistados, seguido por Fernando Collor (8%), Dilma (7%), FHC e Sarney (ambos com 2%).

Como esta é a primeira vez em que a pergunta é feita, não é possível fazer comparações com outros períodos.

Bolsonaro atinge índices mais negativos do que a média entre os desempregados, 57% dos quais o consideram o pior presidente da história. Também é mal avaliado para estudantes, em que a cifra atinge 65%.

Já Lula tem maior dificuldade entre os empresários, apesar dos acenos que sempre fez ao PIB. Para 40% deles, o troféu de pior presidente fica com o petista.

A frase do dia

“Cumprimento o povo chileno pela conclusão da eleição presidencial. Dignas de registro as manifestações de civilidade e espírito democrático do candidato derrotado e do atual presidente, saudando o vencedor. E formulo votos de boa sorte ao presidente eleito, Gabriel Boric”.

Luís Roberto Barroso, ministro do STF

Ciência vs. insanidade

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Em resposta às ameaças do presidente Jair Bolsonaro, servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgaram um vídeo de solidariedade aos colegas responsáveis diretamente pela autorização do uso da vacina da Pfizer em crianças de cinco a 11 anos. Funcionários de diversas áreas do órgão divulgaram fotos, segurando cartazes, dizendo que aprovaram a imunização infantil.

O vídeo, produzido pela Associação dos Servidores da Anvisa (Univisa), reforça a ideia transmitida na semana passada pelo comando do órgão regulador, que disse que a responsabilidade pela aprovação da vacina não era individual, mas do corpo de servidores técnicos da agência. Ao final da gravação, é dado um recado ao presidente: “Não irão nos intimidar. A ciência, o trabalho, a saúde e a democracia prevalecerão. #SomosAnvisa”.

A decisão técnica da Anvisa rendeu críticas do presidente Jair Bolsonaro na semana passada. Durante a live semanal transmitida na noite da última quinta-feira (16), o chefe do Planalto afirmou que iria divulgar os nomes dos integrantes da Anvisa envolvidos na aprovação da vacina fabricada pela Pfizer para o público infantil. Ele diz ainda que pediu a lista de forma “extraoficial” para que “todos tomem conhecimento” dos nomes dos técnicos responsáveis pela aprovação.

Na sexta-feira (17), a Univisa divulgou nota repudiando as falas do presidente. Na tarde desse domingo, a Anvisa publicou ofício solicitando proteção policial para servidores que estão sendo ameaçados de morte. A agência também pediu abertura de investigação para apurar os fatos. “Mesmo diante de eventual e futuro acolhimento dos pleitos, a Agência manifesta grande preocupação em relação à segurança do seu corpo funcional, tendo em vista o grande número de servidores da Anvisa espalhados por todo o Brasil”, declarou a agência em nota. (Com informações do Congresso em Foco)

A festa chilena foi linda. E agora?

Por Carlos Alves

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O neoliberalismo sofreu seu mais duro golpe na América Latina com a vitória de Gabriel Boric ontem na eleição chilena. Mais até do que o triunfo da esquerda ba urna, derrotou-se um modelo econômico que era apontado pela direita como exemplar. A repulsa do povo chileno foi clara. Mas quem é Boric e como chegou, com apenas 35 anos, ao triunfo? Bem, para começar, Boric não é um quadro clássico da política.
Boric foi um dos líderes das manifestações estudantis de rua de 2011 que escancararam a desigualdade monstruosa da Educação chilena. O modelo imposto pela ditadura de Pinochet tornou o acesso à Saúde e boa Educação praticamente impossível aos mais pobres. O Estado ausentou-se de quase todas as suas obrigações aí.
Depois, Boric, filho de uma família de classe média para alta, optou pela vida parlamentar. Mesmo com a pouca idade, marcou a atividade pela defesa intransigente de causas identitárias e dos direitos humanos. Ao mesmo tempo, firmou-se como hábil negociador, o que sempre alimentou olhares de lado da esquerda ortodoxa.
Na verdade, Boric presidente era improvável. Para começar, entrou como zebra na eleição primária que a esquerda fez para escolher seu candidato presidencial. O favorito e tido como imbatível era Daniel Jadue, do Partido Comunista. A disputa interna era meio que uma formalidade, diziam quase todos, já que Jadue era bem mais popular. Boric surpreendeu e ganhou. Pausa necessária. A esquerda anos 60 no Brasil e, em publicações em rede social, insinuou fraude na eleição interna. Tão ridículo que Jadue e o PC chileno imediatamente assumiram a campanha de Boric.
O jovem presidente eleito tem quase uma obsessão sobre a luta pelos direitos das mulheres. O compromisso foi bem enfatizado ontem no discurso da vitória. É também, bem mais que a esquerda tradicional da América do Sul, militante das causas climáticas e pelo respeito às diversidades.
Boric é mesmo um sujeito fora do figurino tradicional. Recentemente, surpreendeu o Chile ao assumir que sofre de TOC e se internou 14 dias para tratamento psiquiátrico. Não escondeu o fato, pelo contrário. Na política internacional, também não veste o figurino tradicional da esquerda da região. Considerou a última eleição na Nicarágua uma “fraude” de Daniel Ortega e detesta Maduro. Recentemente, o presidente da Venezuela tuitou sobre o avanço do campo progressista no Chile, tentando se aproximar de Boric, mas levou uma voadora em resposta, apontando o desrespeito aos Direitos Humanos na Venezuela.
Boric tem compromissos claros para desmontar a herança de segregação social deixada pelo pinochetismo. Não terá tarefa fácil, no entanto. Provavelmente, a mais simbólica das perversidades, a Previdência, será um dos mais difíceis problemas para resolver. No Chile, a aposentadoria e seus benefícios são administrados por fundos privados, o que empurra para a pobreza e a miséria quase todos os trabalhadores que têm acesso às pensões. É o modelo de higienização social definitiva que Paulo Guedes sonha em implantar no Brasil.
A questão mapuche, povo originário, também exigirá solução. O Boric deputado sempre foi fiel defensor dos mapuches. A partir de março, terá a caneta na mão.
Mais até do que no Brasil, a riqueza chilena está concentrada em torno de 15 famílias de bilionários. Boric provavelmente vai introduzir alguma maneira de taxar essa turma e, assim, distribuir renda e acessos para quem precisa. Não será fácil. Afinal, o candidato fascista foi derrotado mas teve expressivos 45% dos votos. Não é pouco e mostra que o conservadorismo é ainda protagonista de relevo no Chile. De qualquer maneira, pode-se apostar que a vida política do Chile vai começar um período fascinante em 2022. Uma esquerda diferente, em muitos pontos importantes dúbia, vai assumir com um presidente de 35 anos a enorme responsabilidade de desmontar uma política econômica excludente. Tarefa para fortes. Viva Chile!

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Futebol com olhar regional

POR GERSON NOGUEIRA

Depois de muitas cabeçadas e erros em cascata, a dupla Re-Pa decidiu investir para 2022 em profissionais de gestão de futebol com vivência e conhecimento da cena regional. Ricardo Lecheva foi contratado pelo PSC e João Galvão pelo Remo. Ao que parece, a coincidência foi produto do mero acaso, mas é fato que os dois clubes entenderam a necessidade de ter um olhar caseiro sobre as decisões envolvendo o futebol.

Lecheva, ex-jogador de destaque no Papão, com presença importante no time que conquistou títulos e prestígio no começo deste século, leva para a coordenação de futebol a bagagem acumulada na bem-sucedida carreira como técnico e supervisor.

VÍDEO: Paysandu divulga apresentação de Lecheva e ídolo afirma: 'Quero  escrever nova história' | Paysandu | O Liberal

O amplo conhecimento da realidade interna do PSC é o maior trunfo de Lecheva para conduzir seu trabalho. Terá como missão fazer a ponte entre jogadores, comissão técnica e diretoria. Será um embaixador interno, responsável por apagar incêndios e se antecipar a crises.

É uma função relativamente recente, mas com grande importância na estrutura profissionalizada que o clube tem hoje. A experiência de atleta também é preciosa, contando pontos para a compreensão de problemas e entendimento das frustrações de cada um.

João Galvão também atuou como jogador pelo Remo por curto período, nos anos 80, sem o brilho de Lecheva no PSC, mas compensa essa pequena ligação de campo com a vivência experimentada durante mais de uma década no Águia de Marabá.

Foi técnico, supervisor, coordenador, gerente e diretor, algumas vezes simultaneamente. Desempenhou com competência essas tarefas, aprendendo na prática a fazer o que a necessidade impunha.

Presidente Fábio Bentes ao lado de João Galvão, novo coordenador de futebol do Remo — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

No Remo, terá a oportunidade de atuar como elo entre comissão técnica e direção, mas será figura de grande utilidade na observação de jogadores, como acontecia no Águia. Graças ao talento para descobrir joias escondidas em clubes sem tradição, ele trouxe para o futebol paraense vários atletas de qualidade. O maior exemplo é Keno, hoje no Atlético-MG.

A capacidade de trabalho sempre foi muito elogiada por todos, inclusive concorrentes, mas Galvão estava disposto a se aposentar. Desistiu desse intento ao receber o convite do presidente remista Fábio Bentes para reforçar a gestão do futebol. É a chance que esperava há anos de atuar num clube de grande porte. A hora chegou e ele está preparado para a missão.    

Custo de “reforços” livra o Papão de um mau passo

Ouvi nos últimos dias especulações sobre meias que o PSC estaria buscando para 2022. Fiquei espantado principalmente com a menção a Cícero e Ricardinho, dois jogadores que passaram pelo Botafogo nas últimas temporadas. Acompanhei com atenção a produção de ambos, por força de minha ligação afetiva com o Alvinegro, e posso dizer que hoje constituem apostas de alto risco.

O rendimento de Ricardinho foi muito aquém do esperado na campanha do Botafogo na Série B. Indicado por Marcelo Chamusca, jogou poucas vezes e, quando entrou, foi sempre nos minutos finais, atuando mal. Jogador de bom passe, sofre com problemas físicos que reduziram sua movimentação em campo. Foi uma das piores contratações da temporada.

Um ano antes, Cícero esteve no Botafogo e o desempenho foi pífio, tanto como segundo volante quanto meia-atacante, como chegou a ser utilizado desastrosamente em algumas partidas. Não se consolidou na equipe e saiu sem deixar saudades.

Ao que parece, as conversas entre o PSC e os jogadores citados não evoluíram por conta das pedidas salariais. Ainda bem – para o clube. A busca de reforços deve ter como critério básico a qualidade técnica, levando em conta o. Se o jogador não está bem, embora tenha atuado na Série B ou mesmo na A, não serve para a Série C.

Nossos clubes precisam entender que a Terceira Divisão não é uma vala comum, onde cabe qualquer um. É uma competição nacional, exige atenção e foco, com seus desafios e particularidades.

Com méritos, Caeté finalmente garante acesso

As duas vitórias sobre o São Raimundo (1 a 0 e 3 a 0) serviram para assegurar ao Caeté o acesso à primeira divisão paraense. Podia ter se garantido antes, ao derrotar o Parauapebas, mas a semifinal foi invalidada por irregularidade na escalação de um jogador pelo time adversário. Mesmo sem nada a ver com isso, o time bragantino foi obrigado a voltar a campo e ratificar a classificação. Fez isso com categoria e intensidade.

Toda glória para o novo rei da cesta de três pontos

Stephen Curry, astro em ascensão da NBA, brilhou nesta semana. Consolidou-se como recordista em bolas de três pontos na liga norte-americana. Jogador do Golden State Warriors, ele cravou a cesta histórica no primeiro tempo do jogo com o New York Knicks, na terça-feira (14). Um feito e tanto: foi a 2.974ª vez que ele converteu uma cesta de três pontos. Seu time venceria o jogo por 105 a 96, mas o assunto que correu o mundo foi o recorde de Curry.

Ele superou Ray Allen, que detinha a marca de 2.973 arremessos de três. Bem no estilo americano de enaltecer ídolos do esporte, a partida foi pausada no momento em que caiu a bola arremessada por Curry e o astro foi festejado pelos companheiros de time e pelo próprio Allen, que estava no Madison Square Garden para prestigiá-lo.  

Curry não é apenas o maior cestinha do momento. Segundo Reggie Miller, outro ícone da NBA, ele é também o melhor arremessador pós-drible, uma habilidade que pouquíssimos jogadores possuem.  

O Golden State Warriors segue na disputa pela liderança da Conferência Oeste, com 22 vitórias e cinco derrotas na temporada. Apesar de contar com um craque, a equipe reúne 13,3% de chances de conquistar o título. É a segunda nas projeções, abaixo do favorito Brooklyn Nets, que tem 27,8%. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 20)