Chance para novos talentos

POR GERSON NOGUEIRA

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É sempre bonito ver a festa que os garotos fazem após uma conquista importante. Foi assim na manhã de ontem quando o time sub-17 do Remo sagrou-se bicampeão estadual (2019 e 2021) em campanha invicta, que culminou com triunfo sobre o PSC na decisão. Os azulinos venceram as duas partidas pelo mesmo placar, 2 a 1, em confrontos realizados quarta-feira no Baenão e ontem na Curuzu.

A comemoração é mais do que justa até pelo grau de dificuldades que as divisões de base enfrentam. Os meninos lutam contra a falta de estrutura adequada e as raras oportunidades de ascensão à categoria profissional.

Nos últimos anos, a formação de atletas adquiriu uma relevância ainda maior pela carência de atletas jovens e qualificados nos principais clubes do Estado. A necessidade ficou escancarada quando o Remo foi buscar nas divisões de base do Atlético-PR o lateral esquerdo Raimar.

Apesar da desconfiança generalizada, foram os garotos revelados em casa que quebraram o galho em situações críticas da campanha azulina na Série B deste ano. Quando os titulares superlotavam o departamento médico do clube, a saída foi olhar para o almoxarifado. Ronald, Warley, Tiago Mafra entraram na equipe e fizeram boa figura.

No campeonato estadual da categoria, a coisa se complica a cada ano. Os problemas começam pela pouca visibilidade e o baixo nível técnico da competição. O torcedor só toma conhecimento quando a disputa entra nas fases decisivas, passando a merecer atenção maior da mídia esportiva.

Mais do que os títulos conquistados, o que realmente importa é a revelação de jogadores. Nem todo mundo que trabalha com as categorias formadoras parece ter consciência disso, focando mais nas vitórias do que na evolução dos meninos. Garimpar atletas é tarefa que exige dedicação e método, compreensão e persistência.

O desenvolvimento técnico dos atletas deve merecer acompanhamento meticuloso, com a observação das características mais destacadas de cada um, levando em conta também o perfil físico e as habilidades naturais.

Nas duas partidas decisivas, alguns garotos chamaram atenção nos dois times, demonstrando potencial para alcançar sucesso no ramo. O setor ofensivo do Remo conta com jogadores de qualidade, como os meias Ramires e Solano e os atacantes Stuart, Santos e Pedro Vítor.  

O PSC, apesar da derrota na decisão, mostrou alguns valores que devem ser observados com atenção. Os laterais Juan e Valdiran e os atacantes Alisson e Júlio César tiveram boas atuações.

Com contas ajustadas, Papão foca no acesso

A entrevista do presidente Maurício Etttinger ao Bola na Torre (RBATV) neste domingo foi esclarecedora e serviu para detalhar os projetos do PSC para 2022, com ênfase na busca pelo acesso à Série B. Com humildade, ele admitiu a frustração pelo insucesso na Série C deste ano, sem esconder os aspectos que resultaram no mau desempenho.

Longe de apenas valorizar o bicampeonato estadual no futebol, a vitória na regata e o tricampeonato no basquete masculino, Ettinger foi direto: erros estratégicos nas contratações atrapalharam os passos do time na Série C. O planejamento levou em conta que o campeonato com jogos mais espaçados permitia um time mais envelhecido.

“A gente optou por uma característica mais de técnica, mas a competição, principalmente na fase final, mostrou uma linha de força, rapidez e intensidade”, observou o presidente. A entrada em cena de um coordenador técnico (Ricardo Lecheva) vai possibilitar fazer um trabalho mais qualificado na montagem de elenco.

Destacou os esforços para sanear as contas, com ênfase na quitação da dívida com o ex-jogador Arinelson, pendência que se estendia há quatro anos. O empenho para recuperar as finanças após a queda para a Série C há três anos permite hoje ir ao mercado com faca nos dentes, contratando um técnico valorizado, Márcio Fernandes, e atletas de bom nível – Tiago Coelho, João Paulo, Ricardinho, Polegar.

A mescla que tem sido observada no lote de contratações deste final de temporada é uma reação à falha cometida na Série C 2021. Ao mesmo tempo em que foi buscar Ricardinho e Henan, ambos com 35 anos, o clube se preocupou em trazer jogadores mais jovens, como Dioguinho, Marcão e Robinho, na faixa dos 27 anos.

O cuidado em organizar etapas, para responder ao calendário cheio, é outro ponto digno de registro na conversa com Guilherme Guerreiro e com este escriba baionense. A intenção é começar 2022 com um elenco praticamente fechado com 32 atletas. Ao final do Parazão, serão feitas contratações pontuais para encarar o Campeonato Brasileiro.

Ettinger aproveitou para desfazer especulações que circularam quanto à volta do atacante Leandro Carvalho: “Estamos fazendo uma administração mais consciente, dentro do que o clube pode. Falou-se em trazer jogadores mais caros, como o Leandro, mas são coisas que o PSC não pode ainda arriscar e não queremos deixar esse ônus para as próximas gestões”.

Nas próximas semanas, o presidente deve anunciar um projeto inovador para fortalecer a base do Papão. Não detalhou porque contratos ainda estão sendo fechados, mas a iniciativa vai coincidir com a abertura dos primeiros campos no futuro CT exclusivo da base, em Benfica.

Caeté faz manobra ousada e aposta em Josué

Em meio à agenda de reforços dos clubes, quase passou batido o anúncio pelo Caeté da contratação de Josué Teixeira para dirigir o time em sua primeira participação no Campeonato Paraense. Estudioso e disciplinador, o técnico carioca é um especialista em montar equipes emergentes e com poucos recursos. Teve boa passagem pelo Sampaio Corrêa e brilhou no Macaé em 2014, conquistando o Brasileiro da Série C.

Veio para o Remo logo em seguida e é responsável pela indicação do goleiro Vinícius, titular absoluto desde então e hoje ídolo da torcida remista. Se houver uma estrutura que permita a Josué formar uma equipe competitiva, o Caeté pode ser uma das surpresas da competição. Um bom reforço. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)

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