Uma guerra sem vencedor

POR GERSON NOGUEIRA

Thiago Rodrigues

Na tempestade de especulações que costuma assolar o ambiente do futebol em final de temporada, ganha ares de verdade a agressiva investida do PSC sobre jogadores vinculados ao Remo. Depois de Dioguinho, ex-jogador do Leão, a diretoria alviceleste admite ter interesse em outros quatro atletas. Apesar de legítimo, o interesse quebra o pacto de não agressão que era mantido há anos pelos dois rivais.

Em nome da boa convivência, PSC e Remo evitavam contratar ou mesmo assediar jogadores presos por contrato ao rival. Esse armistício virou regra a partir de batalhas que deixaram marcas profundas na relação entre os clubes, no começo da década de 2000. O caso Vélber é um dos mais emblemáticos – a disputa pelo jogador chegou até aos tribunais.

Depois disso, praticamente não ocorreram mais “travessias” de jogadores entre os dois clubes. O mais próximo disso foi a contratação do volante Anderson Uchoa pelo Remo, no começo desta temporada, após encerramento de contrato com o PSC.

Caso sejam confirmadas as propostas do Papão a Tiago Coelho (goleiro), Artur (volante), Paulinho Curuá (volante) e Wallace (atacante, já liberado).

Em meio a isso, há quem critique a diretoria do Remo por não se pronunciar a respeito da investida do PSC sobre seus jogadores. Alegam que seria uma forma de dar fim à guerra de bastidores e tranquilizar a torcida. Penso diferente. Situações como essa não se decidem com notas ou declarações bombásticas. É necessário ter atitude.

Diante da pressão exercida pelo rival, o que a diretoria do Remo tem que fazer é cuidar da permanência dos jogadores que lhe interessam. Anderson Uchoa, por exemplo, que foi liberado das finais da Copa Verde, tem proposta para renovar e continuar no Baenão.

Os nomes que irão merecer especial atenção do clube, segundo fontes ligadas à diretoria, são: o artilheiro Neto Pessoa, os zagueiros Fredson e Marlon, o goleiro Tiago Coelho, os laterais Raimar e Igor Fernandes, os volantes Curuá e Pingo, o meia Erick Flores e o atacante Lucas Tocantins.

O Papão, depois do desmanche iniciado após a Série C, tenta iniciar a formação de um novo elenco, embora o técnico Márcio Fernandes ainda não tenha se pronunciado sobre os jogadores que estão na mira do coordenador Ricardo Lecheva.  

Soa estranho que mantenha o interesse em continuar com Robinho e Bruno Paulista, jogadores de baixo rendimento na Série C. A prioridade deveria ser a renovação com Danrlei, melhor contratação do ano, e José Aldo. Ambos podem virar alvo de contra-ataque nessa guerra inútil e de desfecho previsivelmente ruim para todos os envolvidos.

Ainda voltarei ao tema.

Direto do blog campeão

“Prezado Gerson. Estou escrevendo algo que nem sei se alguém vai ler, mas me sinto confortável fazendo isto. Ainda sobre o rebaixamento do Remo, é verdade que o time contribuiu com o fato, perdeu o foco, caiu de produção, mas mesmo assim vi algo que não foi discutido maciçamente pela imprensa. No jogo que culminou com o rebaixamento, o Remo foi garfado. Todo mundo viu o toque de mão do componente da barreira quando Gedoz bateu a falta, e o que mais assustou é que os atletas não foram reclamar. Apenas li o terceiro goleiro fazendo comentário no Diário, e nada mais. Mesmo com suas deficiências, o Remo deveria permanecer na Série B. Não quero nem comentar sobre o gol do Neto Pessoa que foi anulado. Enfim, somos sempre prejudicados e tudo fica por isso mesmo”. Edison Rodrigues.

“Que o Neto Pessoa se inspire em nosso saudoso Bira, jogador regional que se identificou com o Leão, brilhou por aqui e depois foi brilhar Brasil afora. Temos que diminuir o número de marujos que aportam por aqui e não sabem navegar nem com os modernos equipamentos disponíveis hoje. Os nossos ainda sabem se valer da posição dos astros. Barca por barca, ainda prefiro as nossas, com tripulação regional majoritária”. Miguel Silva

Bagre é o grande campeão da Copa Seel Marajó 2021

A Seleção de Bagre sagrou-se, pela primeira vez, campeã do arquipélago do Marajó. A população do município está em festa com a conquista da Copa Seel Marajó 2021, disputada na cidade de Melgaço. Em partida realizada domingo, 5, Bagre derrotou Curralinho por 2 a 1.

Fenômeno uruguaio: técnico ruim sempre em alta no Brasil

Diego Aguirre é um enigma no futebol brasileiro. Bom jogador nos tempos de Peñarol, virou de repente queridinho de clubes brasileiros para ocupar a função de técnico. Nunca fez grande coisa como montador de times, mas passou por São Paulo e Atlético-MG e agora é o comandante (pela segunda vez) do cambaleante Internacional na Série A.

O modelo de jogo é aquele manjado esquema de bolas longas, típico do decadente futebol uruguaio e pouco adequado ao Brasil, embora utilizado à larga por técnicos preguiçosos. Com bons jogadores no elenco, fez do Inter um amontoado, recordista em partidas bisonhas.

Óbvio que Aguirre não ficará no Colorado para 2022, mas é certo que daqui a uns dois anos estará de volta, contratado por um dos grandes do país. Diante da reiterada insistência dos clubes, fico curioso é por saber quem é o genial empresário do uruguaio.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 07)

Câmara homenageia estudante que ganhou competição científica promovida pela Nasa

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Na manhã desta segunda-feira, 6, a Câmara Municipal de Belém, por meio do presidente Zeca Pirão (MDB) e dos vereadores Amaury da APPD (PT) e Enfermeira Nazaré (PSOL), prestaram uma homenagem ao estudante, de 14 anos, do 9º ano da Escola Municipal Honorato Filgueiras, do bairro do Jurunas, Antony Davi Costa de Sena, com diploma e com a medalha “Clodomir Grande Colino”, que é entregue as pessoas que prestaram ou prestam relevantes serviços à educação no Estado do Pará.

“Nós entregamos o diploma e a medalha como forma de reconhecimento e incentivo ao estudante para que ele continue com seus estudos. Com certeza nos dará mais alegria com o seu sucesso e será inspiração para muitas crianças e jovens”, disse o presidente da Casa, vereador Zeca Pirão.

Antony participa do Programa de Caça Asteroides da Agência Aeroespacial Norte Americana (Nasa) em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações (MCTI). Ele ganhou a competição Nasa Space Apps Challenge, com o time “AmaRzonia”, realizada em outubro de 2021.

Um concurso considerado o maior hackathon mundial, no qual consiste em uma maratona de dois dias cujo o objetivo é identificar regiões onde a população esteja com problemas socioambientais e/ou com problema de falta de acesso aos recursos naturais, com informações obtidas por meio de ferramentas da Nasa.

O estudante participou também da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astrofísica e da Mostra Brasileira de Foguete, ganhando medalhas ouro, prata e no ano de 2021 ficou em primeiro lugar Olimpíada Paraense de Química.

“Para mim é uma honra está recebendo esta medalha, que é o reconhecimento por todo o meu trabalho e por toda a minha dedicação na pesquisa científica e sua divulgação em Belém, incentivando jovens a seguirem carreira na ciência”, disse Antony.

General Heleno autorizou projetos de exploração de ouro na Amazônia, denuncia jornal

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), autorizou sete projetos para o garimpo de ouro na Amazônia. A decisão foi tomada em nome do Conselho de Defesa Nacional, e trata-se de medida inédita. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O general deu o aval para a exploração de ouro na região de São Gabriel da Cachoeira, região que faz divisa com a Colômbia e Venezuela. A cidade de 35 mil habitantes, a 1100 km de Manaus, abriga 23 etnias indígenas, sendo o município mais indígena do país, em uma das regiões mais preservadas na Amazônia. Por se tratar de uma região de divisa – conhecida como “Cabeça de Cachorro” a cidade conta também com a forte presença das Forças Armadas.

As autorizações para mineração, encaminhadas para a Agência Nacional de Mineração (ANM), foram concedidas este ano e são as primeiras concedidas para empresas na última década. A agência foi questionada sobre a liberação para o local, mas não respondeu.

No caso dos sete projetos listados na matéria, seis estariam localizados em terrenos da União, e cinco estão em sigilo. Outros 2 mil atos analisados pela reportagem apontam que a maioria dos projetos autorizados por Augusto Heleno estão localizados em regiões indígenas.

Entre os beneficiados das decisões de Heleno estão os empresários Avemar Roberto Rocha, Roniely Oldenburg Barbosa, o casal Fernando Mondini e Jerusa Coelho Mondini, e as empresas SF Paim e Amazonrios Navegação. (Transcrito do Congresso em Foco)

Bolsonaro nada aprendeu com a pandemia e nada esqueceu

Do Blog do Noblat

Era preciso salvar a Economia para que o presidente Jair Bolsonaro não perdesse as chances de se reeleger, foi o que ele mesmo disse. E o caminho indicado para isso seria deixar que o coronavírus se alastrasse, contaminando os mais vulneráveis a doenças. Que morressem os que tivessem de morrer.

Esse filme já passou, matando quase 616 mil brasileiros até agora. Mas o presidente, pelo visto, nada aprendeu com isso. Bolsonaro quer mudar a lei e restringir ao governo federal o poder de tomar decisões sobre o chamado passaporte da vacina. Para quê? Para evitar que estados e municípios o adotem.

De novo, teme que haja estragos na Economia e comprometa seu futuro político. Daí o desprezo pela vida humana mais uma vez destilado por Bolsonaro. Na última quinta-feira, ele repetiu: “Você nunca viu o governo federal obrigar a tomar vacina. E nem vai ver o governo federal exigir passaporte vacinal”.

E voltou a defender a teoria descartada pelo resto do mundo de que a contaminação em massa é a maneira ideal de combater o vírus:

“Quer melhor vacina, comprovada cientificamente, do que a própria contaminação? E qual a validade de cada vacina? Vale por quantos meses? Parece que há um interesse de vender cada vez mais”.

De uma só tacada, o presidente prega a imunidade coletiva do rebanho, desacredita a eficácia das vacinas e sugere que interesses inconfessáveis estão por trás de sua compra e venda. Governadores e prefeitos seguem sendo tratados como inimigos:

“Eu poderia partir para uma vacinação obrigatória, mas jamais faria isso, porque, apesar de vocês não acreditarem, defendo a verdade e a democracia. Agora, não pode dar para prefeitos e governadores essa liberdade. Alguns já estão ameaçando demitir”.

Pesquisa feita pela Info Tracker, plataforma de dados da Universidade de São Paulo e da Universidade Estadual Paulista, aponta que 79,7% das pessoas que morreram de Covid-19 no Brasil entre março e novembro deste ano não receberam nenhuma dose de vacina.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária acha que se deve cobrar o certificado de vacinação para liberar a entrada de pessoas no Brasil. Representantes do Ministério da Saúde tentam convencer Bolsonaro de que é vantajoso exigir o comprovante de vacinação.

Em breve, provocado por ação do partido Rede Sustentabilidade, o Supremo Tribunal Federal tomará decisão a respeito. Será uma nova oportunidade para que Bolsonaro alegue que a justiça não o deixa governar em respeito à vontade dos que o elegeram.

Nasce um candidato a ídolo

Remo 2×0 Paysandu (Neto Pessoa)

POR GERSON NOGUEIRA

As semifinais da Copa Verde consagraram um jogador: Neto Pessoa, autor de quatro gols nos dois jogos entre Remo e PSC. O fato é mais impressionante porque há muito tempo um jogador não fazia tantos gols em clássicos disputados consecutivamente. No Pará, como se sabe, centroavante só se estabelece quando faz gol em Re-Pa.

O último a realizar tal feito havia sido Moisés, do PSC, em 2010. Na decisão do primeiro turno do Campeonato Paraense daquele ano, ele fez dois gols em cada um dos jogos entre os rivais – 4 a 2 na ida e 3 a 3 na volta.

Os gols guardam ainda uma incrível coincidência. Dois foram com bola rolando e dois em cobrança de pênaltis. As duas penalidades sofridas pelo próprio Neto Pessoa. Ágil, antenado com o jogo e oportunista, o camisa 9 mostrou na Copa Verde qualidades que não ficaram evidentes na Série B.

Pode-se dizer que o desnível técnico entre as competições ajudou bastante nos números obtidos por Neto Pessoa, mas é justo reconhecer que os gols foram assinalados no clássico maior do futebol paraense, historicamente marcado pelo equilíbrio entre os rivais.

Uma explicação mais plausível para o súbito sucesso do artilheiro foi a mudança imposta por Eduardo Baptista no modelo de jogo praticado pelo Remo. Com Felipe Conceição, o Remo era propositivo e explorava a troca de passes como maneira de se impor aos adversários.

Nem sempre funcionou, mas era assim que Conceição fazia o Remo jogar. Baptista chegou e modificou por completo o funcionamento do setor ofensivo. O camisa 9 voltou a ser, de fato, referência no ataque. Com isso, o time dedicou mais atenção e cruzamentos em direção ao centroavante.

O jogo de sábado evidenciou isso. As duas jogadas que resultaram em gols surgiram de cruzamentos vindos do lado esquerdo. O primeiro, aos 16 minutos, em cobrança de falta bem executada por Marlon – que, aliás, havia saído do time nos últimos da Série B sem maiores explicações.

A bola veio para o centro da defesa do PSC, passou por Yan e Victor Salinas, mas chegou ao endereço certo: Neto Pessoa quase nem saiu do chão para testar de cima para baixo, sem defesa para Victor Souza.

O segundo gol veio de outro lance originado da esquerda, com Ronald, em grande atuação, cruzando na medida para a chegada do artilheiro em velocidade. Quando ia finalizar, Neto foi puxado por Salinas e sofreu o pênalti, mais ou menos nas mesmas circunstâncias do clássico de quarta-feira na Curuzu (quando o autor da falta foi Yan).

É bom destacar que, nos dois casos, tanto com Marlon quanto com Ronald, o Remo teve em seu favor dois especialistas em cruzar com precisão. Experiente, Marlon é também muito eficiente nos tiros diretos. Ronald é velocista e tem alta média de acerto em cruzamentos.

O desempenho nos clássicos credencia Neto junto ao torcedor remista, carente desde a rápida passagem de Salatiel, em 2020. Dependendo do desempenho na difícil decisão contra o Vila Nova, torna-se candidato a ídolo e a permanecer no elenco para 2022. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Gigantes, torcidas driblam até as desconfianças

Muita gente ficou abismada com a afluência de público nos dois clássicos da Copa Verde. Imaginou-se que as frustrações causadas pelos times no Campeonato Brasileiro poderiam afastar o torcedor, mas o Re-Pa voltou a mostrar força e capacidade de resistência.

No fundo, a história do clássico mostra que, mesmo quando os times estão em decadência, até sem divisão, o público sempre se manteve fiel e participante. Um amor incondicional que jamais negou fogo.

Contribuiu também a saudade do clássico, agravada pela proibição de público nos estádios durante a pandemia. O único Re-Pa da temporada tinha ocorrido no começo do ano, no Parazão, já sem a presença da torcida.

Para uma temporada que termina muito aquém das expectativas, as torcidas deram duas poderosas demonstrações de força, mesmo desconfiadas em relação aos times. Na quarta-feira, cerca de 10 mil pessoas lotaram a Curuzu para empurrar o PSC rumo à vitória.

A conexão funcionou ao longo do 1º tempo, quando o time correspondeu aos incentivos da torcida jogando com intensidade e vibração. Fez os gols, mas não teve forças para manter o resultado.

No Baenão, desafiada pelo exemplo da rival, a torcida do Remo respondeu com um show nas arquibancadas. Compareceu maciçamente (em torno de 10 mil pessoas), cantou a partida toda, incentivou a equipe e não arrefeceu nem quando o PSC era superior, e isso aconteceu em grande parte do jogo.

O reencontro com o time – e alguns jogadores – ainda não foi pleno. Restam sequelas profundas deixadas pelo rebaixamento, mas não deixa de ser admirável o comparecimento em nome da paixão pelo clube.

Mesmo sem apresentar times tão confiáveis, Leão e Papão atestaram nos dois jogos que o gigantismo de suas torcidas continua intacto.

Meio século depois, o justo tributo ao Rei atleticano

O melhor do fim de semana na Série A foi a comovente homenagem do campeão Atlético-MG a grandes ídolos de sua história, com destaque para Reinaldo, um dos mais brilhantes centroavantes de todos os tempos.

Artilheiro maior do Galo (309 gols), Rei – como a torcida o chama – não apareceu na foto dos campeões de 1971, embora já estivesse no grupo de jogadores, sob a direção de Telê Santana.

Meio século depois, ele finalmente apareceu levantando a taça ao lado de Diego Costa e Hulk. Merecia demais essa distinção, carimbada pela massa atleticana com o refrão clássico: “Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei”.

O gesto característico do punho cerrado no ar, imitando-tributando os Panteras Negras, segue mais vivo do que nunca, principalmente no Brasil atual. Viva Reinaldo! 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 06)