Papão faz boa largada

POR GERSON NOGUEIRA

Márcio Fernandes projeta jogo difícil contra o Remo: “Vem com a moral  elevada” | Remo 100%

O anúncio da contratação de Márcio Fernandes pelo PSC foi o segundo ponto a indicar que o clube está determinado a não repetir os muitos tropeções de 2021 na estruturação do futebol para a próxima temporada. O primeiro havia sido a escolha de Ricardo Lecheva como coordenador, anunciado logo depois da eliminação na Série C.

Houve um ligeiro passo atrás na aquisição do executivo de futebol (Fred Gomes), mas contrabalançou ao acertar na aquisição de Márcio Fernandes para o comando técnico. Experiente e em alta na carreira, o ex-técnico do Remo pode ser fundamental para a montagem de um elenco capaz de alcançar o maior objetivo do clube em 2022.

Márcio, que defendeu o PSC como jogador há três décadas, chega embalado por trabalhos de relevo no Vila Nova, Santo André e Londrina. Subiu com o Vila para a Série B, evitou o rebaixamento do Londrina e conduziu o Santo André a uma boa campanha no Paulista.

Experiente e com amplo conhecimento do mercado boleiro, Márcio será de extrema valia na busca por jogadores que possam dar ao PSC o nível de competitividade necessário para brigar pelo acesso à Série B. As improvisações deste ano servem apenas como referência do que não deve ser feito.

É improvável que na Curuzu o novo técnico venha a ter os mesmos problemas que comprometeram sua caminhada no Remo há três anos. Faltou mais investimento, o que frustrou expectativas da torcida e do próprio Márcio, que foi dispensado na Série C 2019 após ter ganho o título estadual.

Bicampeão da Terceira Divisão (em 2015 e 2020) pelo Vila Nova, ele chega com o desafio extra de desfazer a fama de técnico “bombeiro”, com dificuldades para trabalhos de longo curso.

Futebol dividido em castas exclui emergentes

O futebol é cada vez mais um esporte dos endinheirados, sem permitir chances para franco-atiradores ou times emergentes. Mais do que nunca, faz sentido o chiste “lisos, abandonem o futebol”, consagrado pelo repórter Paulo Fernando, da Rádio Clube. Talvez os últimos exemplos de sucesso nacional por parte de times de porte médio tenham sido o Sport-PE em 1997 e o São Caetano em 2000.  

Nesta Série A, RB Bragantino e Fortaleza até se posicionaram bem ao longo da disputa, surpreendendo bichos-papões que gastam à larga e deixando para trás potências como o Grêmio, que está seriamente ameaçado de rebaixamento.

Ocorre que, no momento de dar o passo definitivo rumo às primeiras posições, faltou cacife, dinheiro e estrutura para avançar. A diferença em relação aos favoritos Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras nem é tão expressiva na pontuação, mas é abissal quanto aos recursos disponíveis.

Caminha-se no Brasil para a estabilização de um fenômeno já observado em países como a Espanha, França, Portugal e Inglaterra, onde só aos gigantes é dada a primazia de conquistar títulos. Aqui e ali, alguém fura o bloqueio e se insere, como penetra, no banquete dos granados.

Foi o caso do Leicester em 2016, na acirradíssima Premier League inglesa. Um fenômeno que dificilmente se repetirá nas próximas décadas. Na Espanha, o entediante revezamento entre Barcelona e Real Madrid volta e meia permite ao Atlético levantar uma taça, e fica nisso.

No Brasil da exclusão, inclusive no futebol, nem essa fugaz alegria é concedida aos emergentes.

Erro do TJD pune clubes e atrasa definição da Série B

A escaramuça provocada por erro grosseiro do TJD paraense está acarretando prejuízos graves a todas as equipes que participam da fase da Série B do Campeonato Paraense. O Amazônia Independente, com acesso assegurado à elite estadual, arca com uma série de despesas em função da demora na realização da final da competição.  

Segundo seu representante jurídico, Marco Antônio Pina, caso a FPF não ajude financeiramente, o Amazônia dificilmente irá participar da final. A trapalhada gerada por uma interpretação equivocada quanto ao recurso inicial (notícia de infração) do S. Raimundo levou à paralisação da disputa.

A semifinal entre Caetés e Parauapebas foi autorizada, apesar do recurso que o S. Raimundo interpôs apontando a irregularidade praticada pelo Pebas na escalação de um jogador suspenso pelo terceiro cartão amarelo.

O que era direito líquido e certo do time santareno se tornou uma novela, depois que o TJD acusou o reclamante de não pagamento da taxa pelo recurso, ignorando norma nacional que isenta de taxação o instrumento da notícia de infração. Isso retardou ainda mais o encerramento da Série B.

Na sexta-feira, o vice-presidente do TJD suspendeu finalmente o torneio até que seja julgado o mérito do recurso do S. Raimundo. Enquanto isso, o Amazônia arca com um custo extra de cerca de R$ 33 mil, com folha salarial, alimentação, estadia do elenco e aluguel do CT da Desportiva.

O clube de Walter Lima não tem como ficar gastando indefinidamente enquanto espera que o tribunal decida a sorte da outra chave, que envolve Caetés, S. Raimundo e Parauapebas. A essa altura, em situação normal, o clube já estaria cuidando do planejamento para a disputa do Parazão.

(Coluna publicada na edição do Bola de domingo, 05)

Nova pesquisa aponta Lula com 42%, Bolsonaro com 19% e Moro com apenas 5%

“O ex-presidente Lula continua dando um baile nos outros postulantes à presidência da República para as eleições de 2022. Uma nova pesquisa mostra que não é só de goleada que vive o ex-presidente petista contra seus adversários, como bem resumiu a coluna. Os novos números deixam claro, na verdade, que, caso as eleições de 2022 fossem hoje, Lula venceria no primeiro turno, o que ele mesmo não conseguiu – nem em 2002, nem em 2006”, escreve o jornalista Matheus Leitão, na revista Veja.

“Pela pesquisa, Lula tem 42% das intenções de voto, contra 19% de Jair Bolsonaro. Sergio Moro e Ciro Gomes, principais nomes da terceira via hoje, aparecem na terceira posição (risos) com 5% das intenções de voto. Dois detalhes importantes da pesquisa são a consolidação de Lula acima dos 40% e a consolidação do presidente Jair Bolsonaro abaixo dos 20%”, aponta ainda o jornalista.