“A facada no mito”: novos vídeos reforçam desconfianças

https://www.youtube.com/watch?v=Mcel27CKdmg

O BMG no Corinthians

Por Juca Kfouri

Em 2011 o BMG patrocinava quatro dezenas de clubes brasileiros, seis da Série A.

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E já havia sido, em 2005, denunciado no escândalo do mensalão, por relações com o publicitário Marcos Valério, com o PSDB e com o PT, no que ficou conhecido como “valerioduto”. É impressionante como o futebol atrai confusão e não há de ser por acaso.

Ricardo Guimarães, o dono do banco, e ex-presidente do Atlético Mineiro, chegou a ser condenado a sete anos de prisão em primeira instância, teve a pena diminuída para seis anos em segunda instância e acabou absolvido pelo Tribunal Regional Federal 1, por 2 a 1.

Hoje está afastado do comando do banco. O novo patrocinador corintiano virou uma potência graças ao chamado crédito consignado e imagina repetir no Corinthians o sucesso de seu concorrente no Palmeiras.

O Corinthians passou quase dois anos sem patrocínio master, desde que a Caixa Econômica Federal saiu da camisa alvinegra. Calcula-se que com os 30 milhões de reais anuais do banco o clube chegue aos 65 milhões que planejava em patrocínios para 2019.

Insuficiente diante da dívida da Arena Corinthians, até agora não equacionada, ou dez vezes menor que ela se, de fato, for de 650 milhões como diz a atual diretoria, embora a anterior a estimasse como o dobro disso.

Fux ‘mata’ no peito e trava investigação do escândalo Bolsogate

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O deboche está patente: Luís Fux suspendeu a investigação sobre as movimentações financeiras de R$ 1,2 milhão anuais do ex-PM Fabrício Queiróz, amigo de Jair Bolsonaro e ex-assessor – com mulher e filhos pendurados também – no gabinete do senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do “homem”.

O curioso é que Flávio, ao que se saiba, nem mesmo investigado é, tinha sido chamado na condição de testemunha e, estranhamente, se recusado a dar informações sobre o caso, o que não é facultativo, mas obrigatório e – aí, sim, com a recusa em comparecer – até objeto de pedido de condução coercitiva.

O caso, que já corria em sigilo, sem os vazamentos que marcaram toda a onda de investigações sobre políticos, agora vai ficar trancado a sete chaves. Não se ouviu, até agora, um pio de Moro, Dallagnol e de toda a turma que dizia que “a lei é para todos” e que o povo tem o direito de saber o que se passa nos gabinetes políticos.

Vai se cumprindo o que há tempos vem sendo dito aqui: o ex-Supremo tornou-se, à toda evidência, o Ínfimo Tribunal Federal. É composto daqueles antigos “juízes da roça”, sempre dóceis aos desejos do “coronel”. Aliás, nem isso: aos do capitão. (Do Tijolaço)

É possível identificar autores de fake news contra Haddad e o PT nas eleições

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O especialista em telecomunicações da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, Miguel Freitas, enviou à Procuradoria-Geral da República, em 26 de novembro de 2018, um parecer técnico com rastreamento de algumas das principais notícias falsas disseminadas na campanha eleitoral.

De acordo com Freitas, o relatório permitiria identificar quem foram os primeiros propagadores das mentiras que mais circularam na eleição passada. O documento, de acordo com matéria da Folha publicada nesta quinta-feira (17), foi recebido pela procuradora Raquel Branquinho e enviado para a Polícia Federal.

Após negar ter recebido o relatório, a assessoria da PF afirmou que a documentação foi recebida fora dos autos pelo delegado Thiago Marcantonio, responsável por inquérito sobre envio em massa de mensagens pelo WhatsApp nas eleições.

Segundo ele, o material reúne “informações técnicas e indícios sobre as origens de algumas das postagens falsas mais relevantes observadas neste processo eleitoral em grupos públicos de WhatsApp”. Até hoje, quase dois meses depois, ninguém entrou em contato com o pesquisador.

Nos EUA, o WhatsApp já forneceu esses metadados ao FBI (polícia federal americana) algumas vezes, mediante ordem judicial durante investigação de crimes.

Não é possível dizer se uma pessoa repassou um vídeo ou imagem que veio originalmente do Facebook ou por e-mail. Mas é possível identificar a primeira pessoa que fez o upload de um conteúdo no WhatsApp. Por mais que não tenha criado o conteúdo, essa pessoa é chave na disseminação —e pode ser um IP de uma agência de marketing ou alguém ligado a algum partido. (Da Fórum)

A burrice do Golpe

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Por Ladislaw Dowbor (*)

O Banco Mundial qualificou os anos 2003 a 2013 de The Golden Decade¸ a década dourada da economia brasileira. É preciso ser muito ideologicamente cego para ignorar o imenso avanço que representaram a queda do desemprego de 12% em 2002 para 4,8% em 2013, a abertura de 18 milhões de empregos formais, a retirada de 38 milhões de pessoas da pobreza, a redução do desmatamento da Amazônia de 28 para 4 mil quilómetros quadrados, o acesso à luz elétrica para 15 milhões de pessoas e assim por diante. A opacidade mental dificulta naturalmente a aceitação dos números por quem quer se convencer do contrário. Então se gera uma forma sofisticada de bobagem chamada hoje de “narrativa”: fazer política para o povo é populismo, o populismo quebrou as contas do Estado e o caminho certo é o da boa dona de casa que só gasta o que tem. Portanto, a dona de casa Dilma tem de ir para casa. Mas os números são simples: o que gerou o déficit não foram as políticas econômicas e sociais do governo, e sim os juros escorchantes sobre a dívida pública e a dívida privada, a chamada financeirização. Já pararam para pensar o que significa o Brasil ter, em 2018, 64 milhões de adultos endividados até o ponto de não poderem mais pagar suas dívidas? São adultos, acrescentem as famílias, estamos falando da massa da população.

Quando a Dilma tenta, entre 2012 e 2013, reduzir as taxas de juros, começa a guerra política, com manifestações, boicote e denúncias. A partir de meados de 2013 não há mais governo. A Dilma ainda ganha a eleição, mas como foi anunciado pelos adversários, não governaria. A burrice atinge o seu ápice quando se cortam as políticas sociais com a lei do teto de gastos, mas se mantêm as taxas de juros. Os bancos agradeceram, a classe rentista também. Jogaram a economia na recessão.

(*) Formado em Economia Política na Universidade de Lausanne (Suíça), mestrado e doutorado em Ciências Econômicas (1976) na Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia. Professor da PUC-SP.

STF manda suspender investigação contra Queiroz e caso deve ser engavetado

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Através de uma nota de esclarecimento publicada na manhã desta quinta-feira (17), o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que suspendeu a investigação contra o ex-assessor do senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz. Ele era investigado por movimentações suspeitas de grandes quantias de dinheiro que teriam sido depositadas em contas pessoas de familiares do presidente Jair Bolsonaro (SPL).

“Pelo fato do procedimento tramitar sob absoluto sigilo, reiterado na decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), o MPRJ não se manifestará sobre o mérito da decisão”, declara o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Segundo o MP, a investigação contra Queiroz teria sido suspensa em razão de decisão cautelar ajuizada no STF. A decisão liminar (caráter provisório) foi tomada pelo ministro Luiz Fux a partir de reclamação de Flávio, na quarta-feira (16). O ministro determinou que a apuração seja suspensa até que o relator da ação, ministro Marco Aurélio Mello, se pronuncie sobre a continuidade dela, após o recesso do Judiciário.

Há cerca de dois dias, o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, concedeu entrevista ao portal G1  afirmando que os procuradores consideravam a abertura de um inquérito mesmo sem os depoimentos de Queiroz e os outros envolvidos nas investigações – que incluem sua fila e esposa, além da família Bolsonaro.

A investigação começou a partir de um relatório da Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que identificou transações incompatíveis com a renda do ex-assessor. O relatório originou 22 investigações que incluem nomes de vários parlamentares. Destes, apenas quatro depuseram espontaneamente: Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), André Ceciliano (PT), Tio Carlos (SDD) e Paulo Ramos (PDT).

Segundo Gussem, a investigação é baseada em “provas documentais consistentes” e os depoimentos seriam para apresentar versões das defesas dos acusados. “O depoimento vai apresentar a versão deles dos fatos. A ausência não atrapalha. O Ministério Público pode chegar à conclusão de que tem indícios suficientes para ajuizar ação penal e eles posteriormente podem se pronunciar”, afirmou, em entrevista ao G1.

Ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Alerj, o policial militar Fabrício Queiroz se tornou o principal personagem no caso que trouxe as primeiras dores de cabeça ao novo governo de Jair Bolsonaro após a eleição. Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ele fez movimentação atípica superior a R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, inclusive pagamentos de R$ 24 mil a Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Após faltar a dois depoimentos marcados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e ser internado, Queiroz corre o risco de ser denunciado sem dar sua versão sobre o caso aos promotores, conforme afirmou na terça-feira o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem.

Todos contra a corrupção. Brasil acima de tudo. Não tenho bandido de estimação. Hahahaha… Brasiiil-iiil-iiill…

Hora de achar novos caminhos

POR GERSON NOGUEIRA

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Na volta de rápido recesso – e merecido descanso para os 27 baluartes –, encontro cenário de angústia e desespero entre os azulinos, pela falta de um estádio para chamar de seu neste Campeonato Estadual que se aproxima. É a chamada crônica da morte anunciada. Todo mundo sabia que a situação era de alto risco desde que o Baenão foi desmanchado há cinco anos. Os problemas eram contornados paliativamente, mas o clube estaria a descoberto caso o estádio estadual não pudesse ser utilizado.

Por irresponsabilidade da antiga Seel, que não fez uma revisão séria no velho estádio Jornalista Edgar Proença, eis que a queda de placas de reboco na semana passada reabriu o drama de sempre. O Remo – e, por tabela, o futebol do Pará – enfrenta a possibilidade real de disputar um campeonato sem contar com a principal praça de esportes, com todos os prejuízos disso decorrentes.

Como a combinar essa plêiade de notícias ruins, a nova diretoria azulina, que assumiu no final do ano, foi confrontada com uma penca de dívidas acumuladas em nome do clube na esfera da Justiça Trabalhista, gerando bloqueios em cascata das verbas de patrocínio e de premiações da CBF na Copa do Brasil.

À espera de uma definição quanto à utilização do Mangueirão, a boa notícia para o Remo é a mobilização voluntária de um grupo de advogados e administradores, dispostos a empreender uma rigorosa reengenharia econômica que garanta o resgate da credibilidade perante o mercado e garanta ao clube abraçar uma visão empresarial.

Para ser viabilizado, o plano de recuperação do Remo exige uma profunda análise de seus números contábeis, rolos financeiros e imbróglios jurídicos, libertando-se de velhas e ultrapassadas amarras administrativas. Será necessária a adesão de toda a comunidade azulina, incluindo a torcida. Os resultados só serão visíveis a médio e longo prazo, mas que podem ter um caráter libertador para tantos anos de atraso.

Nada melhor do que um momento de atropelo e incerteza para que todos se conscientizem de que é imperioso romper com as velhas práticas, que subtraíram da agremiação cotas expressivas de prestígio, liquidez e respeito público.

A utilização inteligente dos espaços comerciais disponíveis e dos que podem vir a ser criados é um dos pilares do plano de reengenharia. Para tanto, é fundamental que o clube volte a explorar plenamente seu próprio estádio, o que atenderia também as necessidades imediatas. Os esforços são inegáveis para finalizar as reformas no Baenão, com a destacada participação de setores da torcida, mas há urgência.

Por ora, caso não consiga mesmo mandar jogos no Mangueirão, incluindo o clássico Re-Pa, o Remo deve se movimentar para estabelecer parcerias com as cidades próximas a Belém, como Castanhal e Bragança, sem excluir a alternativa de Santarém ou Macapá-AP.

Nada disso, porém, pode ser levado a cabo sem respeitar os princípios da austeridade e transparência, eleitos como pontos fundamentais da nova gestão. A auditoria que está em andamento nas contas do clube deve chegar a conclusões importantes nas próximas semanas. Que o Remo seja forte o suficiente para aguentar o tranco.

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Dos enganos e ilusões da vida

Esporte mais popular do planeta, o futebol é dado a ilusões fugazes, falsetas, enganos e desenganos. Movido pelo combustível da paixão, o jogo costuma pregar peças impagáveis em todos os que acreditam em verdades absolutas.

Surpreende a movimentação febril dos clubes mais endinheirados do país, Palmeiras e Flamengo, ávidos em torrar fortunas com jogadores pouco mais do que medianos.

Alvo da maior gastança já empreendida por um clube nacional, custando cerca de R$ 50 milhões ao Fla, o uruguaio De Arrascaeta é um exemplo dessa fúria consumista. Apesar de bom meia, eficiente nos dribles e chutes de média distância, o uruguaio não pode inspirar esperanças exageradas.

E pensar que já tivemos uma legião de jogadores com essas características. Produzíamos aos montes gente do porte de Mendonça, Pita, Dirceu Lopes, Aílton Lira, Djalminha, Felipe, Marcelinho Carioca, Alex, Raí, Neto etc.

Com a valorização de técnicos cada vez mais rígidos e preocupados com marcação, esse tipo de jogador foi perdendo espaço. A irreversível tendência retranqueira relegou os mais talentosos ao banco de suplentes ou, em casos mais drásticos, ao olho da rua.

Ao mesmo tempo, leio na web e nas folhas impressas que a brava mídia esportiva paulistana não entende o fracasso do lateral-direito Arana no Sevilla. Jogou apenas duas partidas como titular. Como se sabe, Arana foi campeão brasileiro pelo Corinthians em 2017, dirigido por Fábio Carille.

Os colegas da Paulicéia não conseguem atinar e buscam uma explicação para a queda de rendimento daquele que já carimbavam como um quase-craque, espécie cada vez mais em voga no insípido e ilusório futebol brasileiro atual.

Naquele Corinthians retrancado e cheio de pernas de pau, Arana se destacava. Voluntarioso e brigador, de vez em quando acertava um cruzamento para o incrível Jô.

Foi o suficiente para que ganhasse aplausos e salamaleques da sempre generosa e engajada imprensa de S. Paulo – a mesma que até hoje acha que Rodriguinho, Guerrero e Vagner Love estão em patamar diferenciado e que agora elege Ricardo Goulart, reforço palmeirense, como fora-de-série.

Precisamos, urgentemente, de referências.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 17)