Lula e o poder da fotografia

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Noves fora o circo, Lula foi o único presidente que entendeu a força da fotografia. Um bom fotógrafo oficial é fundamental. Deveria ser escolhido com o zelo de que se nomeia um ministro. Não é exagero. Foi o caso com o fotógrafo de Lula, Ricardo Stuckert. Trata-se de algo corriqueiro nos presidentes das democracias ocidentais. Vide o Pete Souza, retratista do Obama, o mais recente exemplo.

No Brasil, escolhem o porta-voz da presidência com o maior cuidado e o fotógrafo oficial, quase como um apertador de botão. Não entro no mérito da propaganda nem no culto da personalidade, mas boas imagens, é inegável, são favoráveis aos presidentes. Isso é algo que, na maioria dos casos, ainda não foi dado o devido valor e peso.

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Qual foi o presidente mais bem fotografado do Brasil? Goste não goste, a resposta é evidente: Lula. Jornais, revistas, sites usam as fotos oficiais sem o menor recuo crítico. O melhor dos mundos para a engrenagem da divulgação oficial.

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Não fazem a mesmo coisa com os comunicados dos poderosos. Dissecam. No melhor dos casos, decifram o que está nas entrelinhas. Pois bem, fotografia é igual. No entanto passa fácil. Falta cultura visual e um certo senso de responsabilidade.

Em tempo: faço aqui uma observação puramente técnica. Não é manifestação de simpatia ou apoio ao ex-presidente Lula, réu da Lava Jato. (Por Antonio Ribeiro, no Comunique-se) 

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Irmãos anunciam saída da diretoria do Papão

Depois da saída do presidente Sérgio Serra, o Paissandu acaba de sofrer nova baixa importante – na verdade, duas. Os irmãos Ulisses e Ícaro Sereni, dois dos principais colaboradores do clube, principalmente nos esportes amadores, pediram desligamento do clube. Decidiram renunciar aos cargos de diretores e conselheiros.

Entre outros motivos de insatisfação dos Sereni está a recusa da atual diretoria em aceitar que, na festa programada para 4 de agosto, os jogadores que conquistaram a Copa dos Campeões em 2002 possam usar a camisa oficial do clube.

Outra razão teria sido ato da diretoria impedindo que o ex-basquetebolista Pelé usasse na capa de seu livro a camisa do Papão com a marca Lobo. Ulisses e Ícaro integram o grupo Novos Rumos desde sua criação, há seis anos.

Cem juristas escreverão livro sobre os erros da sentença de Moro

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Quando condenou Lula sem provas, o juiz Sérgio Moro fez uma escolha: ele preferiu ficar bem com seus fãs e a imprensa corporativa a observar a lei. Toda escolha tem seu preço e o de Sérgio Moro será a execração nos meios jurídicos mais sérios. Os primeiros passos nessa direção já foram dados com artigos publicados aqui e ali que mostram a farsa da sentença.

Os repórteres da Globo repetem um texto padrão ao falar sobre os fundamentos da sentença. Repare que todos dizem:

O juiz Sérgio Moro baseou a decisão em provas documentais, periciais e testemunhais.

A pergunta que todo jornalista deveria fazer é: Quais?

As reportagens não esclarecem, mas o professor de direito penal Fernando Hideo Lacerda procurou na sentença e o que encontrou foi:

“Um monte de documentos sobre tratativas para compra de um apartamento no condomínio do Guarujá (nenhum registro de propriedade, nada que indique que o casal tenha obtido sequer a posse do tal triplex) e uma matéria do jornal O Globo (sim, acreditem se quiser: há NOVE passagens na sentença que fazem remissão a uma matéria do jornal O Globo como se prova documental fosse).”

A professora de direito Elo Machado, da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, reparou que Moro não tratou propriamente da acusação em sua sentença. E fez troça:

“A sentença gasta 218 páginas para dizer muito pouco. Moro se defende na maior parte, lançando sua candidatura ao Nobel da Paz cumulado com Santo Padroeiro dos Patos Amarelos (mas, cá entre nós, tá mais pra prêmio Jabuti).”

São tiros desconcertantes para quem vive no meio acadêmico, mas os petardos mortais estão reservados para um livro que será lançado já em agosto, com artigos de 100 advogados e juristas sobre a farsa do julgamento de Sérgio Moro.

A ideia do livro surgiu na quarta-feira à noite, logo depois que os advogados e juristas leram a sentença do juiz e começaram a trocar suas impressões. Se entre eles ainda havia alguma dúvida sobre a parcialidade de Sérgio Moro, ela caiu por terra.

Os professores Juarez Tavares, da UERJ, e Carol Proner, da UFRJ, assumiram a organização e contataram outros juristas. A aceitação foi imediata. O livro terá artigo de Marcelo Nobre, Marco Aurélio de Carvalho, Eugênio Aragão, Pedro Serrano e Lênio Streck, entre outros.

O advogado Anderson Lopes, que fez parte da defesa de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, absolvido por Sérgio Moro, escreverá sobre uma ilegalidade que cimentou o alicerce de toda a operação: a falta de competência de Moro para atuar no processo.

Moro plantou a semente do que viria a ser a Lava Jato em 2006, quando foi informado pela Polícia Federal da investigação do crime de lavagem de dinheiro.

Era um caso relacionado a recursos do mensalão e o personagem central era José Janene, então deputado federal.

“O inquérito teria que ser remetido para o Supremo Tribunal Federal, mas Moro, por razão nunca esclarecida, vinculou-se ao inquérito”, observa Anderson.

No despacho em que se assume como juiz do inquérito, Moro faz referência ao processo em que homologou a colaboração do doleiro Alberto Yousseff, no processo do Banestado, a megalavanderia de dinheiro sujo que funcionou principalmente nos anos em que Fernando Henrique Cardoso foi presidente.

Segundo a PF informou Moro, Yousseff estava de volta ao mundo do crime.

O procedimento correto teria sido Moro anular o acordo que fez com Yousseff e mandá-lo de volta para a cadeia.

Mas Moro o manteve solto, como uma isca para buscar outros alvos. Mas que alvo? Não está claro.

Em 2009, a Polícia Federal mostra que Yousseff está mais ativo do que nunca, só que, como em 2006, longe do Paraná, na cidade de São Paulo.

Moro prossegue na investigação, quando deveria ter encaminhado tudo para a Justiça federal da capital paulista.

Justiça não é um instrumento de ação pessoal.

A lei está acima de todos e, pela lei, se o crime estava sendo cometido em São Paulo, era para lá que Moro deveria ter enviado o inquérito.

Como se tivesse interesse pessoal na investigação, Moro retém o inquérito e esconde essa decisão do Ministério Público Federal, à época representado por uma procuradora – Dallagnol ainda não estava lá.

Moro continuou num trabalho que parecia firmado em parceria com a Polícia Federal, e mantém o processo aberto, sem julgar ninguém, investigando tudo e todos, até chegar a Petrobras.

Na democracia, a lei define limite para a atuação do juiz, o que garante o exercício da cidadania.

Só na ditadura é que o Estado mantém-se permanente vasculhando a vida das pessoas.

A análise da investigação mostra que Moro e a Polícia Federal permitiram que Yousseff prosseguisse no crime de lavagem de dinheiro durante quase oito anos, de 2006 a 2014, quando ele voltou a ser preso.

Por quê?

Mais escandaloso ainda é que, depois de todo esse tempo, o que restou em relação ao ex-presidente Lula, que parece ser um alvo definido, é um power point que mostra o ex-presidente no centro do que seria uma quadrilha.

Um power point e nenhuma prova.

Nenhuma prova.

No livro que os juristas lançarão em agosto, Moro deve sair como uma figura da estatura do médico-legista Harry Shibata, que teve um papel vergonhoso durante a ditadura militar.

Ele foi acusado de assinar laudos necroscópicos falsos de presos políticos assassinados pela ditadura.

Seu nome aparece diversas vezes no “Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964”, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Entre os laudos assinados por ele, estão o de Carlos Marighella, dado como morto em tiroteio, mas, na verdade, executado com diversos tiros; Vladimir Herzog, que, segundo o regime teria cometido suicídio, versão já desmentida oficialmente pelo Estado brasileiro; e Sônia Maria Angel Jones, cuja tortura e estupro teria sido transformada por Shibata em morte por tiroteio.

No ambiente do golpe de 2016, Moro foi promovido a herói pela imprensa corporativa – os efeitos dessa ação ainda devem durar algum tempo, pouco tempo –, mas ele tem, certamente, um encontro marcado com a história, e vai pagar o preço de quem escolheu ser parte num processo em que teria que ser juiz.

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Protestos e ovadas épicas no casamento-ostentação

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

Nem tudo está perdido.

O casamento da deputada Maria Victoria Borghetti Barros, do PP do Paraná, com o advogado Diego da Silva Campos foi marcado por uma alvissareira onda de protestos com ovos e bebidas lançados sobre os convivas. 

Centenas cercaram a Igreja do Rosário no Largo da Ordem, em Curitiba, na sexta, dia 14, proferindo palavras de ordem contra a ostentação. A lista de presentes passou para a história. Ali estava a famosa garrafa térmica de 2 300 reais.

O Palácio Garibaldi, símbolo de Curitiba tombado pelo estado, ganhou uma estrutura transparente na frente de sua fachada para a cerimônia para mais de mil convidados.

Maria Victoria chegou acompanhada do pai, o ministro da saúde Ricardo Barros, por volta das 19 horas. A mãe, a vice-governadora Cida Borghetti, aguardava lá dentro.

Para perfazer o trajeto curto entre a igreja e o local da festança, os noivos entraram numa van e seguiram sob proteção policial. Não escaparam das ovadas.

Maria Victoria é mais um zero à esquerda que vive do dinheiro da família, ou seja, público. Ficou conhecida ao defender o pai no Facebook quando este pediu o corte de bilhões destinados ao Bolsa-Família“É triste ver o governo federal dando o peixe, ao invés de ensinar a pescar”, escreveu na época a filha, neta, irmã e sobrinha de políticos. Um triunfo da meritocracia.

Eles são donos de Maringá, terra de Sergio Moro. Maria Victoria precisa saber que é odiada pela população que finge representar. Odiada e desprezada. “Qualquer governo que não seja originário do consentimento livre dos indivíduos faz destes escravos, ou seja, homens que não gozam do estatuto de livres e, através da rebelião, o povo pode destruir este governo, sem que isso constitua qualquer tipo de violação (será até de acordo com a vontade de Deus)”, disse o filósofo John Locke, a grande influência da Revolução Inglesa.

“Donde fica claro que o repúdio a um poder que a força e não o direito instalou sobre alguém, embora tenha o nome de rebelião, não constitui contudo ofensa a Deus, mas é o que Ele permite e aprova”.

Que essa linda revolta se espalhe e saiamos do século 18.

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Abaixo, o relato do pintor Antonio Veronese no Facebook:

A revolta do ovo

Era para ser o casamento dos sonhos, aquele casamento arranjado da aristocracia, foram convidados ministros, deputados, os golpistas todos. Tava feita a campanha eleitoral!!

O casamento era muito mais do Ricardo Barros do que da filha. Demonstração de poder, no centro histórico, na Igreja do Rosário, a igreja dos negros de Curitiba, a festa no palácio Garibaldi, lugar em que anarquistas se reuniam no passado.

Uma grande tiração de onda com o povo e nada menos que demonstração de poder da abastada família de políticos golpistas paranaenses! Uma verdadeira humilhação para o povo que acaba de perder direitos trabalhistas, povo que acaba de ver um símbolo de trabalhadores, o operário que chegou lá ser condenado, sem provas enquanto os playboys cheios de provas continuam soltos e no poder.

A ostentação no reduto do povo, na rua, nos peti pavês em que a boêmia curitibana se encontra a noite, em que a periferia se reúne nos fins de semana para curtir, em que vivem muitos moradores de rua, um lugar do povo.

Se deram mal! Nunca na história desse país um casamento que tanto custou foi tão fracassado, nunca na história deste país golpistas levaram ovo, foram chamados de golpistas, ladrões e algozes do povo! Tomaram chumbo! Ovo e vaias, afrontaram o povo e não imaginavam que levariam um troco desses!

Convidados devidamente ovados, dali não sai paquera aristocrata e é até possível que tenham sido evitados alguns conchavos e outros contratos de casamento do mesmo modelo que este.

Aos que acham que casamento é muito pessoal e não se deve fazer isso respondo que casamento feito em local público com tamanha ostentação de gente corrupta e se propaga dentro da politica, ou seja, tem dinheiro nosso ali, casamento de gente que prejudica saúde do povo, tira farmácia popular e congela gastos da saúde, pior Ministro da saúde da história, é casamento que se tornou público!

Mandaram ao povo brioches, levaram do povo a revolta e muito ovo!

 

Poema do dia

“É Lula, desiste!
você não agrada elite 
Nasceu pobre, pensou no pobre
e foi roubar como pobre!
Um triplex no Guarujá
aqui no próprio país
quando podia comprar
apartamento em Paris!
Foi pensar em pedalinho
querendo agradar netinhos
Se tivesse aceito propina
em barras de cocaína…
A justiça é quase cega
não é tudo que enxerga
Nunca vê corrupção
em donos de avião!
E bem que você podia
ter barrado investigações
como se faz hoje em dia
para impedir delações
Como você foi bobo
pensando só no seu povo!
Um cara com Silva no nome
querer acabar com a fome
isso é muita ousadia!
Pra que estabilizar energia,
Escolas Federais, universidades
não tinha necessidade
Pobre estudar pra quê?
Reforma agrária, bolsa família
Isto é coisa do PT
Neguinho virando doutor!
Viram nisso um horror
Acha que correriam este risco?
Transpor o São Francisco
acabar com a indústria da seca
só mesmo um cabra besta
Um ingênuo nordestino
que sonha como menino!
Um homem que nem estudou
chegar aonde chegou
pensar que ficaria impune!
Da inveja ninguém é imune
Criaram uma justiça nova
que sentencia sem prova
enquanto inocenta bandido
Você vai ser perseguido
Nunca vão lhe perdoar
Você não soube roubar”

Valéria Maria Soares