As novas regras do jogo

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Vivemos num mundo de mitos, as tais “pós-verdades” de que tanto se fala.

Dizem que nossa produtividade caiu, embora seja impossível, sequer por um minuto, convencer alguém de que possa ter caído a produtividade humana com tantas inovações tecnológicas.

Dizem que somos mais ociosos, mas como, se smartphones e computadores acabaram com a “hora do almoço”, o “depois do expediente”, o “só na segunda-feira”?

Ou você e eu não estamos sujeitos à “coleira eletrônica”?

Ah, mas agora vamos nos modernizar.

Vamos ter um empregado “de vez em quando”, que  chamamos a hora que quisermos e só nestas horas será pago.  “Diaristas”, “horistas”, por quantos dias ou horas o patrão quiser, sempre à disposição.

Meia hora de almoço, engula correndo a marmita fria!

Divido suas férias em três parcelas, de preferência na semana que tenha feriados.

Se o trabalho é num cafundó, onde não há (ou é raro) o transporte, o tempo que o peão sacode no ônibus ou na caçamba do caminhão para chegar lá não conta como trabalho.

Acaba-se também com aquela burocracia horrorosa de verificar, na demissão, se “os direitos” foram pagos. Se o infeliz, pobre  e humilde, não os sabe, problema dele…

O tronco e o chicote ficam por conta do patronato. Grátis, viu?

Será que nossa elite dirigente ache que isso é sustentável? Em pleno século 21, achar que o futuro está na escravidão é coisa para gente que, além de desumana, é idiota.

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Papão é o 1º clube denunciado por homofobia no Brasil e pode ser punido

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POR GABRIELA MOREIRA, na ESPN

O Paysandu foi denunciado pelo STJD por discriminação de gênero, no caso, por atos homofóbicos praticados por uma das organizadas do clube, a Terror Bicolor. Entre as penas previstas estão perda três pontos na competição, além de perda de um mando de campo e multa que pode chegar a cem mil reais. Este é o primeiro caso de denúncia por preconceito de orientação sexual que acontece no futebol brasileiro. Houve um caso anterior, em 2014, mas foi arquivado ainda na fase de inquérito.

A denúncia, do procurador Leonardo Andreotti, foi protocolada na última segunda-feira.

Além do artigo 243 G, citado acima, o clube também foi denunciado no 213, deixar de tomar providências para prevenir e reprimir desordens no estádio. O fato ocorreu após a derrota do Paysandu para o Luverdense, pela Série B do Brasileiro, há pouco menos de 15 dias.

Na ocasião, os integrantes da organizada agrediram torcedores do próprio time, a torcida Banda Alma Celeste, pelo fato de a agremiação ter se manifestado a favor da causa LGBT. Um boletim de ocorrência foi registrado pelos agredidos, em Belém, no Pará, narrando não apenas este episódio de agressão, como ameaças de morte que integrantes da torcida vêm sofrendo por conta do posicionamento. A Alma Celeste não entrou como parte no registro, mas prestou auxílio jurídico e psicológico aos denunciantes. Serviram como base para a denúncia do STJD, imagens captadas pela imprensa no dia do ocorrido.

A Banda Alma Celeste foi a primeira torcida do Brasil a pedir o fim do preconceito por orientação sexual e de gênero, contra gays, lésbicas, transexuais, transgêneros, travestis e bissexuais. Além de terem aberto uma bandeira símbolo do Orgulho LGBT na arquibancada, num jogo contra o Santos, no primeiro semestre, eles também aboliram uma música que chamava os rivais do Remo de gays.

No fim de junho, durante a semana do Orgulho LGBT, a torcida Movimento Nação 12, do Flamengo, também se manifestou favorável ao fim do preconceito e às causas LGBTs em sua página no Facebook, informando que não vão mais cantar hinos com conteúdo homofóbico.

Previsão no Código 

O artigo 243-G é o mesmo que provocou a eliminação do Grêmio, na Copa do Brasil, de 2014, quando uma torcedora chamou o goleiro Aranha, então no Santos, de “macaco”.

“Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

O clube vive situação delicada na Série B, com 14 pontos, somente dois para o primeiro colocado da zona de rebaixamento. Se a perda de pontos for consolidada, o quadro se agrava.

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