Papão mantém planos de fechar 1º turno entre os 10 primeiros

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Ainda acreditando que é possível encerrar a primeira fase da Série B entre os 10 primeiros colocados, o técnico Marquinhos Santos e sua comissão técnica fazem contas e planos para tirar o Paissandu das proximidades da zona de rebaixamento – está em 16º lugar, com 20 pontos. A derrota para o Ceará na sexta-feira, em Belém, tornou a caminhada mais difícil, mas o Papão ainda depende de duas vitórias para atingir essa meta no turno.

O próximo adversário é o Santa Cruz, nesta terça-feira, em Pernambuco. A equipe é treinada por Givanildo Oliveira e tem 23 pontos, ocupando a 13ª colocação. Será um confronto direto pelo 13º lugar, pois, em caso de um triunfo sobre o Coral pernambucano, o Papão assumiria a posição, visto que ficaria em vantagem no número de vitórias – 6 contra 5. (Foto: Fernando Torres/Ascom) 

Mandante sem poder

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão foi um mandante que não soube exercer o poder do mando. Não resistiu aos conhecimentos de seu ex-técnico Marcelo Chamusca e perdeu para o Ceará, na sexta à noite, no Mangueirão. Em partida previsivelmente difícil, o time paraense errou muito tanto no aspecto individual quanto no coletivo e, em resumo, não conseguiu jogar.

Ao final, o técnico Marquinhos Santos considerou que vários atletas importantes não renderam o suficiente. Meia verdade apenas. O time todo foi mal e isso teve a ver com os méritos do adversário, que assumiu um posicionamento correto desde os primeiros movimentos.

Enquanto o Papão saía de seu campo com tentativas precipitadas e baixíssimo aproveitamento de seus laterais, principalmente Ayrton, o adversário se encolhia e segurava os alas, dando plena liberdade aos homens de meio, principalmente Richardson e Ricardinho.

O primeiro gol aconteceu quando o equilíbrio ainda era marcante. Aos 13 minutos, Ricardinho recebeu pela direita e cruzou com perfeição. Elton disputou pelo alto com Ayrton e escorou no canto direito de Emerson. O erro de colocação dos zagueiros prenunciava problemas maiores.

Sem pressa depois de abrir vantagem, o Ceará tratou de valorizar a posse de bola e praticamente não investiu mais em busca do segundo gol. Talvez esperasse uma reação alviceleste, que não veio ao longo dos primeiros 45 minutos. E por um motivo simples: o time não sabia como reagir. O meio-campo não criava e o ataque inexistia.

Depois do intervalo, Magno entrou em substituição a Rodrigo Andrade. Foi uma mexida interessante, pois o ataque passou finalmente a ter um jogador capaz de surpreender a última linha defensiva do Ceará. Logo de cara, Rodrigo chutou forte e provocou rebote do goleiro. Na sequência, Magno cruzou e a bola passou à frente de Marcão.

Mas, aos 16’, Magno recebeu passe rasteiro de Peri e tocou na saída do goleiro Everson, empatando o jogo. Dois outros lances ainda se ofereceram ao ataque paraense nos minutos seguintes, mas sem o necessário aproveitamento. O mais claro deles com Rodrigo, que bateu à esquerda com extremo perigo.

Na estratégia de esperar o Papão para sair com rapidez, o Ceará teve paciência para explorar a vulnerabilidade do lado direito da zaga bicolor e chegou à vitória aos 33’. Romário recebeu junto à área e enfiou na medida para Artur bater rasteiro e cruzado, vencendo Emerson.

Apesar da pálida evolução no 2º tempo, o Papão foi um arremedo de time. Permitiu que o Ceará ditasse o ritmo e não criou situações capazes de inquietar o adversário. Comportou-se como se não fosse o mandante.

A nova derrota não põe o time no Z4, mas estraga os planos de fechar o turno entre os 10 primeiros colocados e reacende o sinal de alerta quanto aos riscos concretos de rebaixamento.

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Trapalhadas que conspiram contra o futebol

Toda a celeuma gerada pela anulação do pênalti marcado contra o Flamengo, quarta-feira, na Vila Belmiro, deveria servir para que CBF e clubes rediscutissem a sério o papel da arbitragem no Brasil. Infelizmente, o comportamento inadequado tanto do árbitro (ao consultar o 4º árbitro) quanto do Santos (ao acusar sem provas) vai gerar apenas mais uma polêmica vazia, sem relevância para o futuro das competições no país.

Esdrúxula pela maneira como foi construída, a situação revela critérios desiguais por parte dos árbitros. As críticas derivam do fato de que nenhum pênalti duvidoso ou inexistente havia sido desmarcado antes. A decisão foi tomada em situação que envolvia diretamente o Flamengo, reabrindo velhas cismas quanto ao suposto protecionismo ao clube.

Para evitar injustiças, a interferência externa na arbitragem deve ser definitivamente proibida ou, então, estendida a todos os jogos. O papel da emissora de TV que paga o evento também precisa ser bem explicado. É improvável que a Globo tenha avisado o árbitro, mas também é difícil crer que o 4º árbitro tenha visto um lance rápido a 50 metros de distância, tendo ainda vários jogadores à sua frente, atrapalhando a visão.

O fato é que, nesse festival de lambanças, só quem sai manchada é a credibilidade da instituição futebol, cuja simplicidade de regras é agredida pela ação irresponsável de alguns. Nem 300 entrevistas de árbitros sobre o ocorrido, tentando explicar e até justificar o ato de Leandro Pedro Vuaden, serão capazes de consertar as coisas.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, que começa às 21h, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Esperamos vocês.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 30)