Começa a Copa Norte-Nordeste de basquete em cadeira de rodas

Acontece nesta quarta-feira, às 18h, a abertura oficial da Copa Norte-Nordeste de Basquete em Cadeira de Rodas, no ginásio Abacatão, em Ananindeua. O evento reúne cinco equipes do Pará, Amapá, Maranhão, Pernambuco e Piauí. No total, 60 paratletas irão participar da competição, válida como acesso à Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. As partidas começam nesta quarta-feira e seguem até sábado, 8. A Copa é realizada pela Confederação Brasileira de Basquete em Cadeiras de Rodas (CBBC), com o apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel).

A história de João Sem Medo, o homem que atormentou a ditadura militar

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POR BREILLER PIRES, no El País

João Alves Jobim Saldanha nasceu em Alegrete, no dia 3 de julho de 1917. O guri gaúcho que chegava ao Rio de Janeiro na adolescência era um apaixonado por futebol. Entretanto, ao contrário da maioria dos boleiros de sua geração, não se enclausurava na bolha das quatro linhas. Culto, politizado e combativo, tornaria-se não somente um esforçado jogador que passou pelas categorias de base do Botafogo e, mais tarde, se tornaria técnico da seleção brasileira, mas também um ferrenho militante do Partido Comunista Brasileiro, opositor do regime militar no país.

A curta carreira nos gramados fez com que Saldanha logo partisse para outro ramo em que pudesse se dedicar a sua paixão. Virou jornalista. Rapidamente se consolidou como um dos principais analistas de futebol do Brasil. Enxergava tão bem o jogo que muita gente começou a questionar se ele não seria mais competente que boa parte dos técnicos que criticava com propriedade. Tanto que o Botafogo levou a história a sério e o contratou como treinador em 1957. Mesmo inexperiente na função, estreou com a conquista do Campeonato Carioca e ficou no cargo por dois anos.

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Voltou ao jornalismo ostentando a mesma acidez nos comentários. Tinha posições firmes e, por vezes, intransigentes, como o preconceito com jogadores cabeludos e black powers. Entendia que a cabeleira atrapalhava a visão do atleta e amortecia a bola na hora do cabeceio. De qualquer forma, se consolidava a cada dia como a maior autoridade no esporte nacional. Nenhuma voz era tão respeitada quanto a sua no que dizia respeito à seleção brasileira, sobretudo depois do estrondoso fiasco na Copa do Mundo de 1966.

Em fevereiro de 1969, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), atual CBF, surpreendeu ao anunciar Saldanha como o novo técnico da seleção. Alinhada ao regime militar por meio da Comissão de Desportos do Exército, a CBD, e ciente da forte militância de esquerda do jornalista, resolveu apostar em seu nome na tentativa de sufocar a forte crítica da imprensa que recaia sobre o escrete nacional. Com o discurso de montar um “time de feras”, ele aceitou o convite e convocou os melhores jogadores do país em atividade. Sob seu comando, craques como Pelé, Tostão, Gerson e Dirceu Lopes empilharam uma sequência de seis vitórias em seis jogos nas Eliminatórias e carimbaram o passaporte do Brasil para a Copa, resgatando o orgulho dos torcedores pela seleção.

Apesar do sucesso e da popularidade como treinador, Saldanha não deixou de atacar a ditadura, principalmente após a ascensão do general Emílio Garrastazu Médici ao poder. O regime militar endureceu a repressão a integrantes do Partido Comunista. No fim de 1969, o assassinato de Carlos Marighella, um amigo de longa data, despertou de vez a ira do treinador da seleção. Ele montou um dossiê, em que citava mais de 3.000 presos políticos e centenas de mortos e torturados pela ditadura brasileira, e o distribuiu a autoridades internacionais em sua passagem pelo México na ocasião do sorteio dos grupos da Copa, em janeiro de 1970.

Desde então, o governo de Médici iniciaria um esforço velado nos bastidores para derrubar João Saldanha do cargo. Em março, o treinador foi questionado por um repórter sobre o pedido do general, que, assim como ele, era gaúcho e gremista, para convocar o atacante Dario, o Dadá Maravilha, do Atlético Mineiro. Saldanha não pestanejou: “Ele [Médici] escala o ministério, eu convoco a seleção”. Duas semanas depois de sua resposta atrevida, foi demitido da seleção e deu lugar a Zagallo, que, em poucos meses, conduziria “as feras do Saldanha” ao tricampeonato mundial. Contou com o auxílio de Cláudio Coutinho, um capitão do Exército que, ainda na década de 70, também se tornaria técnico da seleção.

Dadá Maravilha foi convocado por Zagallo, mas não disputou nenhuma partida na Copa. Mais tarde, confidenciou que João Havelange, então presidente da CBD, teria admitido que despediu Saldanha por imposição de Médici. “O regime não admitia a possibilidade de um líder oposicionista tão expressivo como o Saldanha voltar do México consagrado e venerado pelo povo”, conta o jornalista Carlos Ferreira Vilarinho, autor do livro “Quem derrubou João Saldanha”.

Em uma entrevista ao programa Roda Vida, em 1985, o próprio Saldanha resumiu o desenrolar de sua queda diante das pressões do governo. “Considero Médici o maior assassino da história do Brasil. Ele nunca tinha visto o Dario jogar. Aquilo foi uma imposição só para forçar a barra. Recusei um convite para jantar com ele em Porto Alegre. Pô, o cara matou amigos meus. Tenho um nome a zelar. Não poderia compactuar com um ser desses”.

Passada a euforia pelo tri, Saldanha manteve seu tom crítico e a intensa atividade política, que ajudaria a derrubar o regime militar 15 anos depois. Também manteve o vício no cigarro. Morreu durante a cobertura da Copa de 1990, na Itália, aos 73 anos. Em 1988, uma das últimas vezes em que voltou a tocar na ferida que o incomodava, escreveu sobre sua demissão com a altivez de sempre: “A pressão foi ficando insuportável. Por gente da própria CBD e da ditadura. Era difícil tolerar um cara com longa trajetória no Partido Comunista Brasileiro ganhando força, debaixo da bochecha deles”. Sem filtros, sem freio. Assim vivia o João Sem-Medo.

A lendária Seleção que jamais sucumbiu à derrota contra a Itália

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POR ÓSCAR DOMINGUEZ, no El País

A primeira Copa do Mundo da qual tenho lembrança é a da Argentina, 1978. Meu pai apareceu um dia em casa com um televisor novo com um painel repleto de botões, parecido aos da cabine de comando da Estrela da Morte, de Star Wars. Foi a minha primeira Copa do Mundo colorida. No dia da final, olhava surpreendido aos torcedores argentinos rebufando de frio como um cardume de peixes recém-capturados nas redes do gol, enquanto na minha cidade, Sevilha, no extremo sul da Europa, sofria-se um dos dias mais quentes daquele verão. Não podia entender aquela diferença horária e térmica. Aos seis anos, acreditava que entre minha casa e o estádio portenho não havia mais que uma dúzia de ruas, em vez de milhares de quilômetros de distância.

Sevilha, precisamente, foi quatro anos mais tarde a primeira sede da seleção brasileira na Copa do Mundo da Espanha. Presenciei a estreia da canarinha diante da antiga União Soviética (URSS), com uma cena de discórdia doméstica entre minha mãe e meu pai, mais interessado no rebolado das passistas brasileiras que nas exibições de Zico, Sócrates, Falcão ou Toninho Cerezo. A reconciliação só aconteceu quando Éder marcou o gol da vitória contra Dasayev, goleiro da URSS.

O segundo jogo que vi foi Brasil e Nova Zelândia. Zicomarcou dois golaços, mas daquela noite ficou o incidente de uma pipa branca empinada por um torcedor, com extraordinária graça e habilidade. Em várias ocasiões, a pipa pousou no campo de jogo e, assim que o juiz se agachava para pegar o objeto inerte que descansava sobre o gramado, revivia, serpenteava durante alguns segundos entre as pernas do colegiado e despertava novamente o voo, desenhando nos espectadores um sorriso de chiste de cinema mudo.

Nessa fase da Copa, nas peladas do pátio da escola, não sabíamos que jogador escolher. Todos queríamos ser Zico, Sócrates, Júnior ou Falcão. O destino teceu suas malhas ao colocar o Brasil com a Argentina e a Itália na fase seguinte. O Brasil derrotou claramente os seus rivais sul-americanos com a mesma exibição de jogo de passe e toque que havia demonstrado nas partidas anteriores. Uma falta de Éder bateu na trave. Poderia ter sido um dos gols mais bonitos da história das Copas.

A eterna Itália da disciplina tática, forte na marcação e do catenaccio, seria o último obstáculo antes das semifinais. O embate foi em Barcelona, no velho estádio à beira da estrada de Sarriá. Eu não voltei a ver o jogo. Nunca quis que a realidade contaminasse minhas lembranças.

Além de um magnífico goleiro e uma defesa prodigiosa, a Itália tinha um meio de campo especialmente técnico. Naquele tempo, também queria ser Bruno Conti, Antognoni e, claro, o miúdo Paolo Rossi, contraponto do tanque Serginho, cuja falta de cadência e elegância destoavam no jogo coral brasileiro.

O requebrado de Falcão, que desorientou em bloco a defesa azzurra no segundo gol do Brasil, parecia ter fechado o jogo. Para a seleção canarinha era suficiente o empate. Mas Paolo Rossi, com a picardia de um predador de área, caçou uma bola e eliminou o Brasil. O que mais admirava nessa seleção de Telê Santana era seu toque e sua elegância, todos dominavam e conduziam a bola com a cabeça erguida.

Moviam-se majestosamente, como personagens de um videogame, bem antes de existir a tecnologia digital. Sabiam que eram únicos e favoritos. Eram como os verdadeiros heróis que lutam com orgulho, mas sem altivez. Tanto na vitória quanto na derrota.

Depois do apito final, calou-se o som das batucadas e marchinhas. A enxurrada de bandeiras, cartazes e a pipa, definitivamente sem vida, deixaram na arquibancada de Sarriá uma borra de final de carnaval.

Um casal chorava abraçado perto da marca de escanteio de onde veio o gol da vitória italiana. A moça usava uma camiseta branca, sem mangas. A polícia espanhola daquela época vestia-se de marrom. Essa foi a cor do final daquela tarde de verão em Barcelona, um marrom ácido e turvo de leite derramado.

De fora, o estádio de Sarriá parecia uma caixa de ferramentas aberta. Quando foi demolido, as arquibancadas desmoronaram, sepultando o gramado como as ondas que engolem aos marinheiros náufragos. Não existem vestígios do antigo estádio, nada recorda esse jogo. É preciso mergulhar na memória para reencontrar esses dias azuis e amarelos da infância.

Um conjunto habitacional e um parque ocupam o lugar do antigo terreno de jogo. No final da tarde, na mesma hora daquele encontro, talvez no lugar onde Dino Zoff fez a defesa mais importante da vida, alguns meninos correm imitando os gestos de seus ídolos ao festejar um gol, com as mochilas escolares e os agasalhos demarcando as traves. O sangue que arde em seus joelhos ralados é o mesmo que leva ao desespero as mães depois de um jogo improvisado, seja em uma pracinha de Nápoles ou em uma praia do Rio de Janeiro.

Dizem que no futebol o que vale é o resultado final, mas não é bem assim. Ninguém se lembra da Alemanha ganhadora da Copa de 1954 e sim da Hungria de Puskas, Kocsis e Higdekuti, ou da Holanda de Cruyff, seleções que não conquistaram a Copa.

Sem ignorar os méritos de uma Itália prática e fabulosa, que ganhou da Alemanha a Copa de 1982, meu coração e minha memória estão com aquela seleção brasileira. Sou torcedor de um time cujo lema é Salve o Betis, mesmo que perca (Viva el Betis, manque pierda). Muitos torcedores concordam com esse pensamento. Como no faroeste clássico, entre o resultado e a lenda, preferem ficar com a lenda.

Instituições seguem funcionando normalmente: Governo perdoa dívida de R$ 338 milhões do Santander

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POR MIGUEL DO ROSÁRIO – blog O Cafezinho

O internauta deve ter ouvido falar, por experiência própria ou pela mídia, que a Polícia Federal anunciou, há alguns dias, a suspensão na emissão de novos passaportes. A razão alegada é falta de orçamento. Para isso, a PF pede um suplemento financeiro de R$ 102 milhões. O governo reagiu enviando ao congresso uma proposta brilhante para resolver esse terrível problema: tirar esse dinheiro da Educação.

O relator desse projeto era um tucano, apesar de ter trocado de legenda: o deputado federal Fernando Francischini (SD-PR), que também é delegado da Polícia Federal. Os professores do Paraná conhecem bem o “amor” que Francischini tem pela educação. Quando era secretário de Segurança do estado, Francischini autorizou todo o tipo de violência física contra manifestações pacíficas e democráticas de professores.

A proposta era tão bizarra que o deputado que a recebeu, Dario Berger (PMDB-SC), mesmo sendo da base do governo, pediu para que o governo encontrasse outra fonte de receita.

O governo, de olho na repercussão negativa da ideia, recuou e disse que irá deslocar dinheiro das contribuições do Brasil a organismos internacionais. Ou seja, vai dar calote na ONU, o que não deve fazer muita diferença para a imagem do país, que já está manchada desde o golpe de Estado em 2016.

Dias depois, uma votação numa das “turmas” do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o famoso Carf, deu ganho de causa ao Santander, contra a Receita federal, de R$ 338 milhões.

Em 2016, apesar da crise que destruiu milhares de empresas (inclusive algumas das maiores do país) e milhões de empregos, o lucro do Santander Brasil cresceu 10,8% em 2016, atingindo R$ 7,3 bilhões.

Ontem, jornalistas econômicos detectaram que os juros reais cobrados do consumidor cresceram, apesar da queda da taxa selic. O juro do cheque especial subiu de 311% para 325% ao ano. Quase todas as modalidades de crédito ficaram mais caras, com exceção do cartão de crédito rotativo, cujos juros saíram de 474% ao ano em maio do ano passado para 363% este ano.

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O comparativo com outros países latino-americanos é constrangedor. Em nenhum dos países, os juros do cartão chegam a 10% do que é cobrado aos brasileiros. Na Venezuela, pintada como inferno dos infernos, há uma lei que impõe um teto de 29% ao juro cobrado no cartão de crédito. No Peru, segundo colocado no ranking dos juros mais altos, a taxa é de 43%.

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Golpe no golpe: o traço nacional que une Ana Paula do Vôlei, Aécio e Loures

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

Ana Paula do Vôlei não anda sozinha. Ela é multidão.

Ana Paula do Vôlei é um símbolo, um amálgama do que temos de pior: o jeitinho atávico, a democracia seletiva, a raiva de pobre disfarçada em discurso moralista, o analfabetismo político, o papo furado contra a corrupção exteriorizada.

Ancelmo Gois deu a nota em sua coluna no Globo.

“Uma ex-funcionária de uma empresa da qual Ana é sócia cobra uns R$ 16 mil em dívida trabalhista. Foi determinada a penhora do apartamento da ex-atleta no Leblon”, escreveu.

“Ana Paula, que vive nos EUA desde 2009 e até declarou voto em Trump, disse à Justiça que mora no apartamento e, com isso, conseguiu suspender temporariamente o leilão. A ex-funcionária dela vai recorrer”.

A quantia é irrisória perto do que ela amealhou em sua “carreira” — o ministro do STF Marco Aurélio destruiu essa palavra com sua decisão liberando Aécio Neves para o Senado — e perto do que faz parecer nas redes sociais com sua ostentação de uma american life.

Ainda assim, ela prefere inventar que mora no Rio de Janeiro.

Ana Paula é Rocha Loures, livre para cumprir prisão domiciliar no sábado, dia 1º, e que furou fila para ter acesso à tornozeleira eletrônica.

Um lote de vinte aparelhos deveria atender imediatamente aos detentos que os aguardavam para terem a chance de progressão de regime. Foi diretamente para Rocha Loures. Teria havido um acordo às pressas para quitar a dívida com a empresa que fornece o equipamento — que costuma, aliás, sair com defeito.

Como foi parar na perna de Rocha Loures antes da dos outros? Jamais saberemos.

Ana Paula é Aécio, que ignorou a ordem do STF de não exercer atividades parlamentares durante seu afastamento. Ele não apenas recebeu líderes de seu partido e postou no Facebook imagens no Facebook, como assinou um documento interrompendo o mandato de um deputado federal do PSDB no Acre de modo a pôr um aliado no lugar.

Tudo às claras, num desafio de quem nunca teve problemas com a Justiça e não é agora que terá.

Ana Paula é Michel Temer, que mandou instalar no Palácio do Jaburu um muro de plantas para impedir que os visitantes sejam vistos. O tal “corredor verde” encobre a visão.

Ao invés de suspender os encontros com a vagabundagem, Michel dá esse truque. Numa estada recente em São Paulo, ele já havia mandado FHC e Tasso Jereissati entrarem pela cozinha do hotel para não ser avistados.

É o golpe no golpe, o desrespeito às leis por parte de quem pode desrespeitá-las, a pós-normalidade do impeachment fraudado.

Como diz aquele locutor chato dos jogos da seleção: Brazil, zil, zil…

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Tribuna do torcedor

POR CLAUDIO MENDES, via Facebook

Amigo Gerson Nogueira,

Acho que esse Paysandu não tem mais jeito. Aquele filme de terror de 2013 está cada vez mais vivo na memória do torcedor alviceleste. Um time velho, sem qualquer qualificação técnica e sem comando dentro ou fora de campo. Somente uma mudança radical poderia salvar o ano e evitar o que parece inevitável. Esta diretoria a cada dia mostra que não tem competência para gerir um clube de massa. Os caras acham que não devem satisfação para a torcida. Importante lembrar que o Paysandu Sport Club não é deles, e quem tiver a vaidade de se tornar presidente tem que entender que deve prestar contas sim para o torcedor que é quem sustenta o clube. Precisa de um comandante de peso no banco, não de mais uma aposta que, por onde passou, mais perdeu do que ganhou, tendo participado diretamente do rebaixamento de vários clubes.

Precisa de pelo menos uns 5 jogadores de qualidade técnica para ser titular, o que, convenhamos, nessa altura do campeonato, é bem difícil ou caro. Enfim, a única crítica injusta da torcida é dizer que o nosso glorioso presidente está jogando Brasfoot ou Futebol Manager no Paysandu. Discordo disso veementemente. Até porque lá nestes aplicativos, com essas contratações ridículas e com a produção deste elenco, já teria sido dispensado faz tempo. 

Coincidências infelizes

POR GERSON NOGUEIRA

Quando a fase é ruim, a bola bate e não entra. Perdi a conta de quantas vezes ouvi esta frase sendo usada para retratar a situação de um time. Ontem à noite, na Curuzu, por ironia, ocorreu exatamente assim com o Papão. Aos 39’ do 2º tempo, um penal caiu do céu (zagueiro Gustavo meteu a mão na bola dentro da área), mas Bergson perdeu na segunda tentativa – na primeira, houve invasão –, mandando no travessão.

Um pecado terrível, que custou muito caro aos bicolores, agora à beira da zona de rebaixamento da Série B. Foi o 8º jogo seguido sem vitória. Um recorde negativo do time na competição – no ano passado, sob o comando de Gilmar Dal Pozzo foram sete empates consecutivos.

O lado chato da história é que o Papão nem jogou tão mal. No começo, parecia finalmente ter assimilado novos conceitos e pressionava o Londrina de todas as formas. O gol andou perto de acontecer.

Os laterais se mostravam presentes nas ações ofensivas, principalmente Ayrton, e os volantes participavam ativamente das articulações. Diogo Oliveira fazia o habitual, na base do devagar-também-se-chega, mas acionou Bergson e Marcão seguidamente.

De sua parte, o Londrina fazia por onde ser sufocado. Não tinha inventividade no meio-campo e os laterais se limitavam a marcar. Celsinho zanzava pela intermediária, como aquele Celsinho que a torcida do Papão conhecia. Só quase ao final do primeiro tempo veio uma jogada mais ameaçadora por parte do time paranaense.

Para desdita do Papão, o lance terminou em gol, marcado por Jônatas Belusso, um dos artilheiros da Série B, que estava ligeiramente adiantado quando recebeu a bola. O bandeirinha não prestou atenção e o lance foi validado. A construção da jogada foi perfeita, iniciada lá atrás e chegando à área do Papão em apenas quatro toques.

De novo, para desespero da torcida, a defesa havia falhado, custando a perceber a movimentação do Londrina e deixando um buraco pelo lado esquerdo, que Celsinho aproveitou para lançar Wellison, que cruzou para o  para o artilheiro finalizar. Dois minutos depois, outro contra-ataque quase apanhou a zaga desprotegida. Emerson teve que sair para dividir o lance.

No 2º tempo, com Magno substituindo a Diogo Oliveira, o Papão ganhou em dinâmica nas investidas pelos lados, abrindo espaços sobre a última linha de marcação do Londrina. Aos 10’, veio a recompensa. Ayrton cobrou falta direto na gaveta e empatou o jogo. Marcão saiu lesionado e Mandí entrou, com Bergson passando a atuar centralizado.

Depois disso, estranhamente, o Londrina cresceu no jogo, atacando com Safira e Celsinho próximos a Belusso. Aos 31’, após falta desnecessária (e violenta) de Lombardi à entrada da área, Jumar cobrou forte no canto esquerdo de Emerson. A barreira abriu e o goleiro chegou atrasado.

Instantes depois, Perema levou o segundo amarelo e foi expulso. Gilvan entrou (no lugar de Renato) para recompor a zaga e o time foi atrás do empate. A chance até surgiu, mas foi perdida, como mencionei lá em cima.

A noite definitivamente estava destinada a sorrir para o alviceleste errado. O mau resultado reforça a convicção de que há muito a ser corrigido, mas cabe admitir que o imponderável tem sido meio sádico com o Papão.

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Uma semana para correções no Remo

Na expectativa do confronto com o Salgueiro, lanterna do grupo A da Série C, o Remo precisa ajustar suas linhas para não repetir erros mostrados até agora na competição. Alguns deles diretamente vinculados à má qualidade dos jogadores de lado e à fragilidade da marcação à frente dos zagueiros.

Diante da má jornada de Léo Rosa e da absoluta descrença quanto a Damião, Canindé pode ter em Jaime a solução do drama pela direita. Isso já foi feito – e bem – nos tempos de Josué Teixeira, e se saiu bem. Caso Jaime ainda não possa jogar, Jefferson também poderia ser improvisado.

O fato é que o Remo não pode mais depender de laterais tão pouco efetivos e nem deixar sua zaga exposta o tempo todo. Mesmo que o visitante seja limitado, como o Salgueiro.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 05)