A incrível história de como Chris Cornell acolheu Eddie Vedder em Seattle

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POR TONY ALEX, no site Tenho Mais Discos Que Amigos!

O grunge nasceu em Seattle, costa oeste dos Estados Unidos e uma cidade onde a maioria dos dias são cinzentos.

Kurt Cobain e Dave Grohl, entre outros, disseram que nenhum outro lugar dos EUA era mais propício para a criação do gênero do que a cidade, já que o clima chuvoso aliado às frustrações adolescentes foram combustíveis para o gênero que nasceu no punk e acabou tomando conta de todo o planeta na década de 90.

Acontece que uma das grandes vozes da cena de Seattle não era de lá: Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, veio da ensolarada San Diego, e em entrevista recente, ficou claro que seu padrinho na cidade foi Chris Cornell, do Soundgarden.

A revelação veio com Jeff Ament e Mike McCready, colegas de Vedder no Pearl Jam e de Cornell no Temple Of The Dog.

Ao falar a respeito, Ament comentou sobre como Eddie foi convidado a cantar em “Hunger Strike”:

Eu me lembro que Ed estava sentando no canto do estúdio, compondo e desenhando em seu diário, se mantendo ocupado. Eu acho que fizemos as sessões do Temple depois das sessões do Pearl Jam. Aí tinha a parte dos vocais de ‘Hunger Strike’ onde Chris estava tentando colocar vários vocais, da forma como o verso cai em cima do refrão. Acho que uma hora Ed simplesmente foi ao microfone e cantou a outra parte. Chris apenas disse, ‘Bem, por que você não canta essa parte?’

McCready, então, completou:

Ed era de San Diego e se sentia intimidado em Seattle. Chris o recebeu muito bem. Ed era muito, muito tímido. Chris o levou para beber cervejas e contar histórias. Ele ficava tipo, ‘Hey, seja bem vindo a Seattle. Eu amo Jeff [Ament] e Stone [Gossard]. Eu te dou a minha benção.’ A partir daí ele ficou mais relaxado. Foi uma das coisas mais legais que eu vi Chris fazer.

Você pode imaginar como seria caso Eddie Vedder não tivesse sido tão bem recebido assim em Seattle? A história do grunge, ou pelo menos do Pearl Jam, teria tudo pra ser bem diferente.

Ament ainda falou sobre a importância de gravar o disco do Temple Of The Dog, que está sendo relançado em 2016 como forma de comemorar seus 25 anos:

Nós tínhamos a nossa própria cena, mas éramos cínicos quanto ao que estava acontecendo no resto do mundo. Não tínhamos ideia se as músicas seriam ouvidas em grande escala. Mas depois do que aconteceu com Andy [Andrew Wood, amigo de Cornell que morreu e inspirou a criação do Temple Of The Dog], a gente não sabia como lidar com as coisas. Meus pais estavam longe. Eu não tinha ninguém por perto com quem conversava sobre as coisas. Gravar esse disco ajudou no processo. Nos ajudou a entender a perda de um amigo.

Um comentário em “A incrível história de como Chris Cornell acolheu Eddie Vedder em Seattle

  1. A história tem mais de humanidade que de fantástico. Às vezes vemos histórias espetaculares sobre muitos artistas, mas isso apenas os endeusam. Às vezes isso é necessário para vender discos e ingressos para shows. É um certo processo de mitificação pela mídia, para garantir alguma vendagem, seja grande ou pequena. Mas o relato que acabo de ler segue em outra direção e humaniza um cara conhecido e admirado por muitos por já se preocupar em parecer humano, ao menos parece se preocupar em ser humano, enfim. Humaniza ainda mais Eddie Vedder e isso afasta o lado celebridade, ou certa exploração comercial da imagem desvinculada da música que eles fazem como banda. Acho que isso ajuda a dar significado e sentido não só à obra de Vedder, como a do Pearl Jam um todo artístico. Sou fã desses caras desde o começo e essa proposta acho interessante porque se conhece a obra também pelo artista e, na real, quanto mais vulgar ou desnecessária é a exposição do artista, tanto mais afasta-se os fãs do significado real da obra ou assume-se que os fãs querem mesmo algo irreal. Enfim, legal saber que ali estão pessoas, não mitos.

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