O prêmio Cara de Pau da semana vai para…

POR RICARDO NOBLAT, em O Globo

Wladimir Costa (SD-PA) sempre foi da tropa de choque de Eduardo Cunha. Inúmeras vezes bateu boca no Conselho de Ética para tentar cessar a ação que ali corria contra Cunha. Quando viu que o parecer pela cassação do então presidente da Câmara seria aprovado, traiu Cunha e votou para cassá-lo.

cara_de_pau_100_1Para fazer jus à fama de traíra, Wladimir deu as caras de novo esta semana na votação da cassação de Cunha no plenário da Câmara. Só que ele parecia confuso, sem saber se posava de anti-Cunha ou se corria dali para não votar contra o colega do peito. A falta contaria como voto a favor de Cunha, pois eram necessários 257 votos para ele ser cassado.

Discreto no plenário, Wladimir ficou sentado sem registrar presença para ver se a sessão seria adiada por falta de quórum. Caso fosse aberta, ele votaria contra Cunha, mas se dependesse dele seria derrubada. Numa entrevista grotesca a este blog, Wladimir disse que o “mandato era dele” e que, portanto, votaria e se comportaria como bem entendesse.

Com esse comportamento no mínimo oportunista e desrespeitoso com os eleitores, Wladimir leva para a casa o prêmio cara de pau da semana.

Imagens da resistência

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Guitarrista da banda Nação Zumbi ergue cartaz “Fora Temer” durante show no encerramento da Paralimpíada 2016, no Maracanã.

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Em Nova York, manifestantes recepcionam Michel Temer na ONU com cartazes e gritos contra o golpe.

Justiceiros da Lava Jato querem totalitarismo do judiciário

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POR JANIO DE FREITAS, na Folha SP

A exposição acusatória feita por procuradores da Lava Jato contra Lula foi um passo importante, como indicador do sentido que determinados objetivos e condutas estão injetando no regime de Constituição democrática.

O propósito da exposição foi convencer da igualdade de ilação, convicção e prova, para servir à denúncia judicial e à condenação pretendidas sem, no entanto, ter os necessários elementos comprobatórios.

Orientador do grupo de procuradores, Deltan Dallagnol expôs o argumento básico da imaginada igualdade: “Provas são pedaços da realidade que geram convicção sobre um quadro”.

O raciocínio falseia. Provas dispensam a convicção, a ela sobrepondo-se. Daí que o direito criminal atribua à prova o valor decisivo. A convicção é pessoal e subjetiva. A prova é objetiva. A convicção deixou no próprio Supremo Tribunal Federal uma evidência da sua natureza frágil e da relação precária que tem com a Justiça.

Recém-chegado ao Supremo, Luís Roberto Barroso encontrou ainda o julgamento do mensalão. Em uma de suas primeiras intervenções, acompanhou uma decisão já definida mas, disse, não se sentia à vontade para dar seu voto à outra: proposta pelo relator Joaquim Barbosa e já aprovada, era a condenação dos réus petistas e vários outros, além do mais, também por formação de quadrilha. Causou espanto. Dois ou três ministros teriam apoiado a condenação por impulso ideológico ou político. Os demais, considerado o seu hábito, votaram por convicção.

Barroso foi breve e simples na recusa de fundamento à condenação. O espanto passou a insegurança. Mas foi só alguém rever o voto que dias antes dera à condenação, logo seguiram-se os capazes de retirar da sentença final a formação de quadrilha. Da qual não havia prova e tinham sobrado convicções.

Em artigo na Folha (sexta, 16), Oscar Vilhena Vieira notou a perplexidade decorrente de que as “grandes adjetivações” aplicadas a Lula pelos procurados, “como ‘comandante máximo’ [da ‘organização criminosa’], não encontrem respaldo nas acusações formais presentes na denúncia”. O mesmo se pode dizer de afirmações como esta, de Dallagnol, de que Lula “nomeou diretores PARA que arrecadassem propina” [maiúsculas minhas]. E muitas outras do mesmo gênero.

De todas os integrantes da Lava podem ter convicção: é assunto de cada um. Mas que de nenhuma apresentem prova, por limitada que seja, e ainda assim busquem apoio emocional para sua “denúncia” vazia, fica claro que trilham caminho à margem da Constituição. E não estão sozinhos, como demonstra a tolerância conivente com sua escalada de abusos de poder, sobre fundo político.

O século passado viu muitas vezes a que levam essas investidas. Não poucos países viveram situações que ainda os levam à pergunta angustiante: “como foi possível?”. Aqui mesmo temos essa experiência: como foi possível ao Brasil passar 21 anos sob ditadura militar? Em nenhum desses países houve causa única. Mas em todos uma das causas foi a mesma: os que deviam e podiam falar, enquanto era tempo, calaram-se por covardia ou conveniência, quando não aderiram à barbárie pelos dois motivos.

É de um ministro do próprio Supremo, Dias Toffoli, que vem rara advertência para “o risco de que o Judiciário cometa o erro dos militares em 64”, se “criminalizar a política e exagerar no ativismo judicial”. Dias Toffoli fala em “totalitarismo do Judiciário”.

A frase do dia

“Com Lula: faltam provas, mas sobram convicções. Com o PSDB: sobram provas, mas faltam convicções”.

Cynara Menezes, jornalista, via Twitter

Pequeno balanço das previsões do Xadrez

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POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

Como alertamos, será cada vez mais difícil o sistema de poder conviver com a hipocrisia escancarada, desvendada pelas redes sociais, Internet e por essa maldição chamada de liberdade de imprensa – ainda que restrita aos veículos alternativos.

À medida em que seus passos vão sendo desvendados, por vazamentos imprevistos, notícias escondidas em pé de página por antecipação de jogadas óbvias, cria-se a necessidade de explicações, satisfações, aumentando a confusão.

É a velha máxima de que tudo que começa com uma mentira fica prisioneiro dela, precisando sucessivamente criar novas mentiras para sustentar a inicial.

Vamos a um breve rescaldo dos últimos capítulos do Xadrez.

Gilmar x Lava Fato

É o caso do Ministro Gilmar Mendes, acusado aqui de ter atiçado seus blogueiros contra a apresentação da Lava Jato, sobre a denúncia de Lula, com o propósito de preparar o terreno para futuras investidas.

No dia seguinte, o blogueiro em questão escreveu caudaloso artigo mostrando como ele era dono se seu nariz e não dava satisfações a ninguém. E Gilmar, sem que nada lhe fosse perguntado, correu a elogiar a decisão da denúncia, ainda que de forma dúbia: a denúncia é boa porque, finalmente, vai permitir a Lula se defender. O que não deixa de ser uma verdade. Mas passou recibo.

No STF, não foi bem-sucedida a tentativa de levar o Ministro Luiz Fux para a Segunda Turma – que julga a Lava Jato -, em lugar de Carmen Lúcia. Quem assumirá será o ex-presidente Ricardo Lewandowski.

Não será garantia de penas mais brandas, mas de isonomia e defesa da legalidade dos procedimentos. Aliás, agora que as chamas da Lava Jato se voltam contra o PSDB, veremos o reaparecimento do grande garantista Gilmar Mendes.

Chama atenção um paradoxo intrigante, neste país de paradoxos. Na despedida, o legalista Lewandowski fez um discurso saudando o século 21 como o século do Judiciário – aliás, no mesmo tom da palestra que deu em seminário do Brasilianas de fins de 2013. Trata-se de uma tendência perigosíssima, como se está vendo hoje em dia na atuação desmedida do Ministério Público e da Polícia Federal.

A crítica à tese partiu de Dias Toffoli, que sabiamente alertou para o risco representado por uma república de juízes, mais perigoso que uma república de militares, como foi em 1964,

Lava Jato x Procurador Geral da República

Monta-se o jogo de cena com a capa de Veja, da suposta delação de Léo Pinheiro, presidente da OAS, a um não-crime do Ministro do STF Dias Toffoli. Imediatamente, deflagram-se três movimentos:

1. O PGR Janot ordena o cancelamento das negociações da delação de Pinheiro, que estava pronto para denunciar Aecio Neves e José Serra por crime de corrupção

2. Gilmar Mendes sai a campo, atacando a Lava Jato.

3. O ataque de Gilmar provoca um sentimento de autodefesa na Lava Jato, do qual Janot se vale para arrancar uma nota conjunta, assinada por todos os procuradores, endossando a decisão de suspender a delação de Pinheiro.

Passam alguns dias, o jogo vai clareando, e o que ocorre?

1. Sérgio Moro convoca Léo Pinheiro para mais uma rodada de depoimento.

2. Pinheiro fala nas propinas pagas a José Serra e Geraldo Alckmin, e a delação é vazada para O Globo por integrantes da Lava Jato.

São cutucadas óbvias no PGR já que Serra, por ser senador e Ministro, tem foro privilegiado.

Mas Janot continua a passos de tartaruga pingando em conta-gotas denúncias contra nomes de menor peso. Na semana passada, denunciou o apagadíssimo senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

A suposição de que talvez esteja conduzindo investigações sigilosas sobre Aécio Neves e José Serra esbarra em uma evidência: até agora não há nenhuma informação de que Dimas Toledo (homem de Aécio em Furnas) e Paulo Preto (homem de Serra no DNER) tenham sido sequer convocados para prestar depoimento.

Ora, eles são tão importantes para os esquemas Serra-Aécio quanto Paulo Roberto Costa para o PMDB e PP e Nelson Duque para o PT. Qual a razão desse esquecimento?

Os vazamentos contra Serra e Aécio estão chegando por tabela, como informação subsidiária de delatores pressionados a delatar Lula e o PT. E até agora Janot não reviu sua posição de voltar a negociar a delação de Pinheiro. Provavelmente porque ficou muito óbvio que o ponto central seria convencer Pinheiro a livrar Serra e Aécio de acusações de enriquecimento pessoal.

Dois fatos adicionais comprovam a luta pessoal de Janot na Lava Jato:

1. A mesquinharia de manter a acusação de “obstrução da Justiça” aos questionamentos da defesa de Lula, mesmo após o MInistro Teori Zavascki ter voltado atrás e retirado a expressão da sua sentença.

2. A informação da Folha de hoje (18.09.2016) de que a Lava Jato aproveitou pedaços da delação anulada de Léo Pinheiro contra Lula. Se a delação era necessária, qual a razão de Janot em procurar anulã-la? Obviamente blindar Aécio Neves.

Eduardo Cunha x rapa

A entrevista de Eduardo Cunha ao Estadão comprova algumas previsões do Xadrez:

1.     Já começou a antropofagia no grupo golpista.

2.     A aliança Rodrigo Maia + PSDB é uma das hipóteses em jogo. Cunha acrescentou nela Moreira Franco, sogro de Maia.

3.     O TSE (Tribunal Superior Eleitoral), através de seu presidente Gilmar Mendes, está jogando com prazos de julgamento da chapa Dilma-Temer para impedir eleições diretas, caso a condenação se dê ainda em 2016. E também para manter Temer sob rédea curta, com a possibilidade de ser condenado em 2017. Nesse caso, assumiria o presidente da Câmara.

4. Janot aumentará seu protagonismo no jogo político, podendo desovar denúncias contra o PMDB, dentro de sua aliança tácita com Aécio e o PSDB.

O lado negro do empreendedorismo que nunca te contaram

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POR DANIEL SCOTT, via Linkedin

O empreendedorismo é muitas vezes visto exclusivamente pelo prisma das histórias de sucesso. Pessoas se fascinam com o potencial de poder montar seus horários, trabalhar de onde você estiver e não ter que responder a um chefe. Porém, existe o outro lado da moeda, e que você não costuma ouvir em livros e palestras do gênero: a solidão.

“A maior doença do mundo hoje é a solidão – Madre Teresa de Calcutá”

Há uma razão simples para ninguém falar sobre o assunto: as pessoas só compram aquilo que elas querem ouvir. E, de forma geral, seres humanos não gostam de ouvir a realidade, eles preferem ouvir promessas intangíveis.

Com isso, acabam proliferando os ditos “empreendedores de palco”, que só apontam o lado bom do empreendedorismo, e vivem anunciando que você irá realizar seus sonhos facilmente e será feliz eternamente. Já o lado ruim nunca está presente em seus discursos.

O maior desserviço ao empreendedorismo é falar apenas das vitórias, como se derrotas não existissem também. E o pior: as derrotas são muito mais comuns que as vitórias.

Essa falsa ilusão passada pelos “gurus” do empreendedorismo acaba levando muitas pessoas para as cadeiras de psicanálise, após elas entrarem em contato com a realidade.

A realidade é que a grande maioria dos empreendedores acaba sofrendo de solidão. Não uma solidão por não ter pessoas ao seu redor, mas uma solidão por não ter com quem conversar honestamente sobre suas experiências e preocupações. Especialmente em uma sociedade onde o tradicional é ser trabalhador CLT e onde o empreendedorismo ainda é muito visto como aposta.

É muito difícil para quem está de fora entender a cabeça de um empreendedor. Enquanto seus amigos estão passando o fim-de-semana na praia, você está trabalhando e se dedicando à sua empresa. Ou, no mínimo, está com a cabeça nos seus negócios. E eles simplesmente não conseguem entender a razão.

Espaços coworking podem até ser uma alternativa para mitigar o problema. Lá você acaba conhecendo outras pessoas com a mesma mentalidade que a sua. Porém, não são todos os lugares que possuem esses espaços e, se você está em um estágio inicial da sua empresa, o aluguel pode ser impraticável.

Empreendedores estão constantemente sofrendo dificuldades mentais e emocionais. Dúvidas sobre o futuro e o risco de tudo dar errado são o lado negro do empreendedorismo.

Além disso, pode ser complicado ser vulnerável na frente dos seus amigos, já que você precisa mostrar uma atitude confiante. E, para muitos empreendedores, o seu próprio nome é a sua marca, portanto qualquer sinal de fraqueza pode prejudicar sua imagem.

Durante muito tempo me perguntei como eu poderia ajudar empreendedores que compartilham esse sentimento de solidão. E mais: como todos podemos nos fortalecer mutualmente de maneira colaborativa?

Diariamente tenho recebido mensagens de pessoas com ideias de negócio querendo minha opinião ou se eu posso apresentar alguém que pode ajudá-las. Isso acabou me dando uma ideia que eu gostaria de botar em prática.

Meu plano é intermediar conexões entre meus contatos e facilitar o surgimento de novos empreendimentos. Você precisa de um designer para sua empresa, um sócio para uma startup, um contador, arquiteto ou até um advogado? Qualquer tipo de parceria que seja! Ou você está na outra ponta e pode ajudar alguém com suas habilidades?

Às vezes tem alguém precisando da sua habilidade, mas simplesmente não sabe da sua existência! Não importa o quão doidas e diferentes forem suas ideias ou capacidades, sempre existe uma pessoa em algum lugar que pode agregar valor para você. E eu tentarei ajudar, apresentando alguém entre meus contatos que pode colaborar com você!

A minha proposta é ser capaz de conectar ideias e fomentar novos negócios, de forma inteiramente gratuita, somente na base da colaboração.

Quem tiver interesse em participar, deixe um comentário ou mande um InMail. E convide seus amigos para entrarem na rede também. Ainda preciso pensar no modelo que será adotado, mas gostaria de ouvir opiniões.

Acho que com pequenas colaborações como essa, todos podemos nos desenvolver juntos!

América-RN analisa suposta irregularidade de atleta do Botafogo-PB

A diretoria do Remo acompanha desde ontem à noite a informação de que um jogador do Botafogo-PB estaria jogando irregularmente na Série C. Dados sobre o atleta estão sendo pesquisados pelo América-RN, que não decidiu se irá mesmo apresentar denúncia formal ao STJD. O jogador sob suspeita é o volante Sapé.

Em caso de confirmação de irregularidade, o clube paraibano seria punido com perda de pontos nos jogos em que utilizou o jogador. Com isso, o América-RN (e, por tabela, o Remo) se beneficiaria diretamente.

Eliminação merecida

POR GERSON NOGUEIRA

O torcedor foi em peso. Mais de 33 mil espectadores nas arquibancadas e cadeiras, além de muita gente voltando por falta de ingresso. Bandeirão sendo exibida para todo o Brasil. Esse espetáculo proporcionado pelos apaixonados azulinos foi o melhor da noite de domingo no Mangueirão. Era preciso vencer e torcer por um empate entre ABC e ASA. O resultado desejado aconteceu em Natal, mas o Remo não fez sua parte em Belém.

unnamedCom a bola rolando, o time repetiu a indecisão e a falta de agressividade dos últimos quatro jogos. Pior que isso: refletiu as preferência de seu técnico, que passou o primeiro tempo vendo o América dar chutão para os lados e não orientou seu time a explorar o caminho pelos lados.

Edno, goleador do time, voltou a ficar isolado no ataque, com poucas jogadas realmente trabalhadas para que pudesse definir. Teve apenas uma chance, mas errou no domínio e a bola ficou com o goleiro.

Quando as bolas foram levantadas corretamente, providência primária no futebol de hoje, o Remo sempre levou perigo. Como no fim do primeiro tempo, quando Schmoller cabeceou bola no travessão ao desviar um cruzamento de Levy.

Mesmo atrapalhada e lenta, a defesa do América conseguiu sair incólume do Mangueirão. Isso graças à afobação dos atacantes do Remo, a falta de uma pressão organizada sobre a área e o desespero inevitável na etapa final, quando o time desfrutou de pelo menos três grandes chances (duas com Eduardo Ramos e uma com Edno) e não soube concluir.

Quando fez as mudanças, Waldemar Lemos foi ele mesmo. Conservador, botou Flamel, João Victor e Allan Dias. O primeiro deslocado pela ponta esquerda, função que não sabe (e nem pode) executar. Victor como organizador de jogo e Dias, que devia ser volante, foi à frente e não acertou uma jogada sequer. Chegou a atrapalhar um bom contra-ataque.

O futebol não tem muitos mistérios, principalmente num torneio de baixo nível técnico como a Série C. O bom senso manda que os técnicos procurem inventar o mínimo possível. Quando prestigiou Fernandinho, que já havia sido errático com Marcelo Veiga, Waldemar queimou a chance de montar um ataque mais forte.

De nada adiantou preservar dois meias se lá na frente só havia Edno como opção de finalização. Magno, inúmeras vezes citado aqui, foi esquecido. Sílvio e Edcléber, idem. Flamel, que chegou com o campeonato em andamento, poderia ter sido usado sempre como meia avançado, dentro de suas características.

E até houve oportunidade para isso. Contra uma equipe que veio desfigurada e que só ameaçava nos contragolpes, o técnico podia ter sacrificado um dos volantes, Yuri ou Schmoller, para tornar a meia-cancha mais técnica com Flamel, abrindo a possibilidade de ataques mais bem planejados.

Ocorre que essa hipótese nem chegou a ser avaliada ou treinada, mesmo depois de resultados decepcionantes contra ABC, Salgueiro e Fortaleza.

Por perseverar nas escolhas erradas, a eliminação do Remo foi um desfecho previsível e merecido, embora sua apaixonada torcida não merecesse a frustração de ver de novo o time fracassar diante de um adversário tão sofrível.

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Cheio de volantes, Papão cai diante do Náutico  

Para surpresa geral, o Papão entrou modificado contra o Náutico, bem diferente do time que vinha sendo escalado e que fizera boas atuações diante do Brasil e do Bahia. Tiago Luiz apareceu mais recuado pelo meio e Leandro Cearense jogando sozinho contra os zagueiros. À frente da zaga, uma segunda linha de quatro, com os volantes Lucas, Capanema, Recife e Jonathan.

Estava claro que a ideia era garantir o empate e, caso fosse possível, lutar por um gol, apostando no contra-ataque. Os planos foram frustrados por dois gols surpreendentes, em chutes de Vinícius de fora da área, aos 17 e aos 21 minutos do primeiro tempo.

Como não tinha se preparado para tomar a iniciativa do jogo, o Papão sofreu para se reerguer no jogo. Cearense tinha que lutar sempre com dois marcadores e Tiago Luiz pouco aparecia na frente. Por conta disso, só foi diminuir o placar aos 41 minutos, em falha da zaga pernambucana muito bem explorada por Jonathan.

O Náutico seguiu dando as cartas no segundo tempo, com Marco Antonio e Vinícius chegando na aproximação e Roni avançado, em velocidade. Pela direita, havia sempre a subida do lateral Joazi. Sempre na defensiva, o Papão não conseguia bloquear as jogadas no meio, mesmo usando quatro marcadores na segunda linha.

A mexida, que já se fazia necessária desde o intervalo, só veio aos 15 minutos, quando Dado lançou Mailson no lugar de Jonathan. Pouco adiantou, pois o time seguia sem transição e o atacante também não rendeu o esperado, atrapalhando-se na conclusão das jogadas.

O Náutico desperdiçou várias chances de ampliar, mas acabou chegando ao terceiro gol já nos acréscimos, após penal cometido por Ronieri em Roni. Vinícius, goleador da tarde, fechou a contagem.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 19)