Fenaj repudia desmonte da EBC pelo novo governo

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidade máxima de representação da categoria, e os Sindicatos de Jornalistas vêm a público repudiar a atitude do governo ilegítimo de Michel Temer de, por meio da Medida Provisória 744/2016, iniciar o desmonte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), eliminando seu caráter público.

A medida provisória (MP), publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União, muda a lei que criou a EBC (Lei nº 11.652, de 7 de abril de 2008), extinguindo o Conselho Curador da empresa e a garantia de mandato de 4 anos para o diretor-presidente e mudando a composição do Conselho de Administração.

Com as mudanças, o presidente da EBC passa a ser nomeado e exonerado, a qualquer tempo, pelo presidente da República. O Conselho Curador – que era composto por 22 membros, entre os quais 15 representantes da sociedade civil – deixa de existir e, portanto, elimina-se o principal instrumento de constituição do caráter público da empresa.

A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas, em especial os Sindicatos do Distrito Federal, do Estado de São Paulo, do Município de São Luís do Maranhão e do Município do Rio de Janeiro – que têm jornalistas da EBC em suas bases – denunciam publicamente o desmonte da empresa, criada justamente para impulsionar o Sistema Público de Comunicação no Brasil, previsto na Constituição Federal.

Há no Brasil uma hipertrofia do Sistema Privado de Comunicação, com sérios prejuízos para o conjunto da sociedade. A EBC foi criada para fortalecer o Sistema Público e permitir mais diversidade e pluralidade na produção de conteúdo cultural e jornalístico. Ainda na fase de sua consolidação, a empresa é vítima do golpe de Estado – que tem também como alvo os direitos trabalhistas e previdenciários de todos os brasileiros, medidas contra as quais se debate a preparação de uma greve geral.

Aos trabalhadores e trabalhadoras da EBC, especialmente os jornalistas, afirmamos nossa solidariedade e nossa posição de resistência às medidas antidemocráticas implementadas pela MP, de luta pela manutenção do caráter público da EBC e pelo fortalecimento do Sistema Público de Comunicação no Brasil, e de luta pelos direitos dos trabalhadores da empresa.

Brasília, 2 de setembro de 2016

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal

Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo

Sindicato dos Jornalistas do Município de São Luís

Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro

Estreia de encher os olhos

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POR GERSON NOGUEIRA

Foi uma estreia e tanto.

Não somente pelo placar tranquilo e surpreendente dentro da casa do vice-líder das eliminatórias do continente. Valeu, principalmente, pela movimentação do time e a velha ofensividade resgatada. Com o triunfo, Tite abre sua história na Seleção Brasileira da melhor maneira possível, calando seus críticos (inclusive este aqui) quanto à convocação de jogadores para o escrete.

A Seleção enfrentou 2.750 metros de altitude acima do nível do mar e um adversário tinhoso, que vem se notabilizando por ignorar a hegemonia de argentinos, brasileiros e uruguaios na América do Sul. Foi este Equador renovado e forte que sofreu seu pior revés nas eliminatórias, desabando perante um Brasil organizado e determinado a conquistar a vitória.

Nem lembrou aquela Seleção amedrontada dos primeiros confrontos válidos pelas eliminatórias, ainda sob o comando de Dunga. Foi a excessiva timidez ofensiva e um respeito exagerado por adversários mais modestos que levaram o Brasil a ficar em situação perigosa na tabela de classificação.

Gabriel Jesus, autor de dois gols e vítima do penal convertido por Neymar aos 26 minutos do segundo tempo, foi indiscutivelmente o dono da partida. Não que tenha se esmerado em lances individuais, mas pela extrema objetividade nas jogadas de área.

O gol de abertura deixou os equatorianos confusos, pois até então mantinham média pressão sobre a zaga brasileira, levando algum perigo em jogadas pelas extremas. Em desvantagem, os donos da casa partiram para tentar o empate e abriram as linhas defensivas.

Foi então que Gabriel Jesus aproveitou os caminhos para mostrar o futebol que ficou devendo no torneio olímpico, quando frustrou expectativas e chegou a ser apontado como engodo por alguns.

unnamed (44)Aos 41 minutos, marcou o segundo gol, tocando de calcanhar para o fundo do barbante. Cinco minutos depois, recebeu bola junto à grande área e mandou um chute forte, que entrou no canto esquerdo da meta equatoriana. Outro golaço.

O placar não espelhou o equilíbrio reinante no confronto, principalmente no primeiro tempo, mas fez justiça ao desembaraço e à persistência dos brasileiros. A equipe de Tite valorizou bem a posse de bola, com Neymar exercendo um papel flutuante, e buscou sempre infiltrações na área para explorar a lentidão da defesa adversária.

No aspecto defensivo, o Brasil teve atuação impecável, permitindo poucas chances ao ataque do Equador ao longo de todo o jogo. Um reflexo natural das orientações de Tite, conhecido pelo esmero com que cuida da marcação e do posicionamento da zaga.

Além da atuação primorosa de Gabriel Jesus, a Seleção contou com o volante Casemiro, do Real Madrid, em tarde inspirada. No geral, todo o time teve bom desempenho, até mesmo o contestado Paulinho, que Tite foi buscar no futebol chinês.

Para um técnico estreante, a atuação destacada do time após pouco tempo de preparação é um tremendo cacife para enfrentar os próximos desafios, principalmente quanto à credibilidade perdida junto ao torcedor. É fato que a medalha olímpica já facilitou essa retomada, mas faltava um teste de verdade para a seleção profissional.

Além de melhorar sua posição na tabela, o Brasil pôs abaixo um antigo tabu. Nunca havia derrotado o Equador fora de casa em partidas de eliminatórias. O último triunfo em gramados equatorianos foi a goleada de 6 a 0 pela Copa América-1983.

Tite ganha tempo, tranquilidade e ânimo para desenvolver um trabalho de fôlego no comando do escrete. É só o começo, mas valeu a pena ver como o time se distribuiu em campo e perseguiu a vitória, afinal alcançada no último quarto da partida.

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Direto do blog

“O ‘elenko’ é horrível e as escalações limitadas assim como tem sido as substituições sempre tardias e equivocadas. É inadmissível a esta altura do campeonato ainda ter no elenko, jogadores do tipo do Ratinho, Celsinho e Alexandro, que graças aos céus não entrou em campo contra o Tupi.
Vejo que o Celsinho serviria bem em time de quarta divisão onde alguns adversários jogam na cadência do futebol dos anos 70, mas são raros.
Ratinho nem para banco, ontem por pouco ele não entregou ao atacante do Tupi o que seria o primeiro gol mineiro. Fraco no ataque e bisonho na defesa não entendo o porquê de mantê-lo. Coisas que só a direção poderá prestar constas no final do campeonato.
Esperando um Tupi atrás, o esquema de Dado foi totalmente desfeito com uma marcação alta e de saídas rápidas do time mineiro, e pelo contrário, os toques excessivamente laterais e para trás do time bicolor não deram o menor trabalho ao time visitante.
Sem trocadilhos mas, o entupimento de oito bolas nas redes bicolores foram demais pois o Tupi luta única e exclusivamente para fugir do rebaixamento.”

Miguel Ângelo Carvalho, cada vez mais preocupado com a campanha alviceleste na Série B

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Uma nova oportunidade de reabilitação

Confronto desta noite contra a Luverdense é daqueles jogos naturalmente encardidos, mas que podem representar a retomada do bom caminho. Apesar do bom momento vivido pelo time da casa, que tenta se estabilizar no bloco intermediário, o Papão tem chances de se reabilitar depois da catastrófica jornada em casa frente ao Tupi.

Dado Cavalcanti, que já começa a sofrer o desgaste que experimentou no começo da competição e que levou ao seu afastamento, sabe que o time não pode correr o risco de um novo tropeço. Não só pela reação da torcida, mas pela própria situação na tábua de classificação da Série B.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 02)

Como foi estruturada a estratégia para assegurar direitos políticos de Dilma

Via Jornal GGN
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Apesar de iniciar com um requerimento do PT, logo na abertura da sessão, a proposta de separar o julgamento do impeachment da penalidade à Dilma Rousseff de permanecer 8 anos sem concorrer a eleições ou a cargos públicos já vinha sendo articulada pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), parlamentares aliados de Dilma e com a atuação de Renan Calheiros em papel de destaque.
O movimento foi apontado por jornais e articulistas entre esta quarta (31) e quinta-feira (01) como estratégia desenhada há uma semana pelos aliados de Dilma, incluindo a consulta da senadora a Renan Calheiros (PMDB-AL) e a ex-ministros de Dilma, que estariam “constrangidos” com a situação de afastá-la definitivamente.
Gerson Camarotti, da GloboNews, por exemplo, divulgou que “regundo relatos, Renan acabou apoiando a estratégia para fazer um gesto político a Dilma e manter uma aliança informal com o PT. Com isso, Renan poderia obter reciprocidade do PT num momento de maior necessidade”. Nessa estratégia, também estariam atuando a senadora petista Gleisi Hoffmann (PR).
O GGN mostra, no entanto, que a intenção de separar o julgamento do impeachment da pena de inelegibilidade foi traçado há mais de uma semana.
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Nesta histórica quarta-feira (31), após o placar do impeachment apresentar que 16 senadores que se posicionaram favoráveis à saída definitiva de Dilma rejeitaram, em segunda votação, que ela ficasse impedida de concorrer a cargos eletivos ou públicos, Kátia Abreu divulgou em sua conta no twitter a mensagem: “Querido amigo Dr. Joao Costa que me apresentou parecer sobre a votação da Inabilitação em separado. São penas autônomas e independentes”.
“Agradeço os senadores que votaram contra a Inabilitaçao da Presidente. Era o mínimo que ela merecia. Foram 16 votos e 3 abstenções mais os 21”, disse, ainda, a senadora do PMDB.
O GGN apurou que a fotografia foi tirada no dia 23 de agosto, uma terça-feira, quando Kátia marcou uma reunião com Dilma e o advogado João Costa, e onde a pauta foi para discutir a viabilidade de Dilma ser condenada por crime de responsabilidade, sem a pena de inabilitação.
Coincidentemente, ou não, João Costa não apenas exerce a advocacia, como é também suplente do senador Vicentinho Alves (PR-TO). O parlamentar não só foi um dos que votou a favor do impeachment e contra a perda de elegibilidade de Dilma, como exerceu no processo o cargo de primeiro secretário da Mesa. Vicentinho foi quem leu, por volta das 11h50 desta quarta, o requerimento do PT que questionava a penalidade.
Três dias antes daquela reunião entre Kátia, João Costa e Dilma, a senadora do PMDB publicou na Folha de S. Paulo um artigo contra o impeachment, intitulado “Grande jogo de interesses pequenos“. No texto, Kátia defendeu que o “cenário ideal para a proposta de impeachment” foi desenhado previamente, sendo o suposto crime de responsabilidade “o disfarce encontrado para uma articulação política da pior espécie”.
Outras constatações deixam claro que o ministro Ricardo Lewandowski, que presidiu o julgamento do impeachment, tinha conhecimento da proposta com antecedência. Não à toa, transcorridos menos de 20 minutos desde que o requerimento foi apresentado, Lewandowski já tinha em mãos os argumentos que acataram separar as votações e, ainda, mostrando a existência de viabilidade legal para que Dilma fosse condenada sem perder os direitos políticos.
E não apenas o ministro do Suprema Corte.
Na última sexta, após Kátia já ter feito o diálogo entre integrantes do PT na possibilidade jurídica, um jantar na residência de Renan Calheiros teria consolidado as intenções. Estiveram presentes os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Jorge Viana (PT-AC).
Antes disso, ainda, a ideia originalmente foi aventada pelo próprio ex-ministro José Eduardo Cardozo, manifestando o desejo de Dilma. Inicialmente, a bancada do PT e de aliados de Dilma Rousseff afirmaram que o pedido poderia sacrificar o argumento de “golpe” do processo.
A partir daí, a estratégia foi de segurar a intenção dos defensores de Dilma o máximo possível, o que precisaria contar com o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros – com bom trânsito entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e setores do PMDB, entre eles da própria Kátia Abreu -, para que somente na quarta-feira (31) fosse anunciada a proposta, evitando fracassos.
A proposição de separar o julgamento em dois: impeachment em si e a pena de inelegibilidade, deveria ser construída por outro advogado, que não Cardozo, com a imagem já marcada pela incansável defesa de Dilma. É quando surge a figura de João Costa. Suplente de Vicentinho, que votava publicamente a favor do impeachment, a credibilidade estaria garantida. E, mais uma vez, recorreriam do apoio de Renan na sessão histórica, para a defesa da proposta aos parlamentares fora do eixo PMDB-PT-PSDB-DEM, que fossem pegos de surpresa.
O resultado foi o de garantir além dos votos pela garantia dos direitos políticos de Dilma por oito dos peemedebistas que foram favoráveis ao impeachment (Lobão, Eduardo Braga, Hélio José, Jader Barbalho, João Alberto Souza, Raimundo Lira, Rose de Freitas e Renan), também por oito senadores de outros partidos (Acir Gurcaz, Antonio Carlos Valadares, Cidinho Santos, Cristovam Buarque, Roberto Rocha, Telmário Mota, Wellington Fagundes e Vicentinho Alves).