Operários da bola

POR GERSON NOGUEIRA

Aos que julgam que profissão de jogador de futebol é tudo de bom e que a vida é sempre maravilhosa, com direito a viagens pelo mundo, fama, esbornia & fortuna, eis que dados divulgados pela CBF servem para baixar a bola de muita gente. O levantamento é confiável, pois tomou por base os contratos de trabalho entre clubes e atletas.

Dos 28.203 futebolistas em atividade no país, mais de 23 mil (82,4%) ganham por mês menos que R$ 1 mil ou pouco mais de um salário mínimo. Um grupo intermediário, de apenas 3.859 profissionais, fica na faixa entre R$ 1 mil e R$ 5 mil mensais.

Os que ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil são 381 boleiros. Um time especialíssimo ocupa a galeria dos que faturam entre R$ 10 mil e R$ 50 mil. Não chegam a meia centena: são exatos 49 boleiros.

Outros 35 privilegiados estão entre os que se situam no chamado topo da pirâmide, entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. Acima disso, oficialmente, só há um jogador. Pelo que se comenta, seria o atacante tricolor Fred.

É a prova definitiva de que a desigualdade existente em outras áreas se estende ao futebol, onde as oportunidades podem ser tão raras quanto em qualquer outro ofício. O talento e a habilidade natural, virtudes requisitadas na profissão, nem sempre significam garantia de remuneração satisfatória.

Há que depender de inúmeros outros fatores, como a idade certa para despontar em torneios e clubes de boa visibilidade. Ou, ainda, a sorte ou coincidência feliz de trabalhar com bons técnicos e ter agentes bem relacionados no mercado.

O fato é que vencer no universo do futebol no Brasil é façanha para poucos. A maioria dos trabalhadores da bola é mal remunerada, tem poucas garantias ou estabilidade no emprego e vive sob a eterna ameaça de calote.

Os clubes empregadores somam 776 (435 amadores), mas a maioria não disputa competições regulares. Participam das divisões oficiais somente 100 equipes, que empregam cerca de 4 mil atletas. Com base nisso, é possível avaliar que a multidão invisível mencionada no censo da CBF vive praticamente de trabalho temporário, disputando torneios amadores pelos campinhos de várzea (sim, eles ainda existem) do interior.

Um outro aspecto, atrelado ao tema da coluna de ontem – o escândalo da Fifa e seus muitos tentáculos -, diz respeito ao aquecido vaivém de atletas transferidos para outros países. No papel, a quantia de R$ 680 milhões entrou nos cofres dos clubes nacionais como pagamento por 99 jogadores. Em contrapartida, gastou-se aqui R$ 114 milhões pela aquisição de estrangeiros ou repatriamento de brasileiros.

Quanto a este último item, cabe guardar certa cautela, pois nem tudo que está escrito é realmente crível, vide o nebuloso caso da negociação entre Santos e Barcelona pelo passe do atacante Neymar. O fato é que há mais buracos negros nesse tipo de escambo do que no espaço sideral.

De todo modo, a divulgação do mapa pela CBF põe por terra alguns mitos e ilusões.

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Na era digital, boato pode virar incêndio

As redes sociais prestam serviços inestimáveis, pela agilidade dos canais de informação, que tornam o mundo muito menor e bem explicado. Como nem tudo são flores, há o lado negro da força, sempre a cobrar uma conta salgada.

No caso específico da web, o problema está na profusão de perfis falsos a gerar desinformação e calúnias. Reputações são alvejadas e muita gente sofre por conta da ação de criminosos cibernéticos.

Um deles tentou ontem intrigar o atacante Ciro, candidato a ídolo da torcida do Remo, disseminando um suposto pré-contrato com o maior rival.

O que antes era transportado pela famosa rádio cipó, em boatos espalhados nas ruas, hoje se espalha como fogo no capim seco, alvejando pessoas inocentes.

Bem orientado, Ciro teve reação imediata, como a situação exigia. Divulgou um comunicado através de uma rede social, dirigindo-se diretamente ao torcedor azulino para desmentir a fofoca. Com isso, conseguiu brecar a boataria e prevenir maiores danos.

Jogadores de futebol, principalmente os que defendem times de massa, precisam estar sempre atentos e prontos a enfrentar esse tipo de situação. De repente, quando menos se espera, brota o vírus da maledicência.

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Tapajós ou o anti-planejamento

O Tapajós vem batendo recordes de rotatividade de técnicos, exibindo o chamado planejamento às avessas. Depois de Marcelo Rocha, que deixou o clube na véspera da estreia no campeonato estadual, o clube efetivou Vítor Hugo, responsável pela boa campanha no ano passado.

Com os maus resultados nas primeiras rodadas do Parazão, Vítor Hugo rodou. Aí, a diretoria trouxe Marcos Píter, técnico amazonense pouco conhecido por aqui. Ficou apenas uma partida no comando. Levou uma goleada do Papão e foi mandado embora.

Diante dos custos dessas apostas equivocadas, o Boto optou por uma solução caseira. Caio Cavalcante Simões, de 26 anos, assume o posto. Era auxiliar técnico e conhece bem o elenco. Espera-se que tenha um mínimo de tempo para trabalhar.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 25)

17 comentários em “Operários da bola

  1. Gerson,o que esperar desse Tapajós que se quer tem divisão de base no Clube.
    Não revela,não vende,como vai segurar o tranco.? Futebol não há milagres.
    Times como esse não tem estrutura ainda para fazer parte de um campeonato profissional em virtude principalmente por falta de apoio financeiro.

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  2. Amigo Gerson, sobre esse censo divulgado pela CBF, penso que espelha a realidade de má administração e falta de infraestrutura que há muitas décadas está enraizada no futebol brasileiro. Na verdade, é também um reflexo encardido da nossa própria conjuntura socioeconômica, onde a distribuição de renda é tão injusta e tende a pender, muito mais, a uns poucos favorecidos. Por faltar, ainda, à grande maioria de nossos clubes, uma organização minimamente razoável, por conta da falta de apoio dos meios de comunicação e pela visão egoísta e interesseira da maioria dos dirigentes, vemos esse quadro de desvalorização e falta de oportunidade a uma grande gama de atletas, enquanto uma minguada minoria desfruta de cansativa visibilidade e eternas segundas chances, sem merecer na maioria das vezes (vide o valor que o Galo desembolsou recentemente por um incerto Robinho).

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  3. Mais do que natural uma proposta do Paysandu, que está montando elenco pra série B, para o bom Ciro, ou qualquer outro que interesse, atravessar a avenida. Agora, se foi boato não se sabe, nem se pode garantir que o Ciro esteja falando a pura verdade. Se ainda não foi, eu gostaria de vê-lo sondado pelo Papão, não para bagunçar o rival, mas por ser um bom reforço, assim como o ER, que infelizmente não tem mais clima no bicolor.

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  4. O Paysandu tem bons atacantes
    Tem atacante que nem jogou

    E surge esse papo furado de Ciro?

    Conto do paco do futebol…ou seja estão plantando esse papo furado

    E se há algum clube que poderia ser prejudicado por uma idiotice dessa, é o Paysandu

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  5. Belém já foi o Eldorado, hoje nem tanto. Hoje muitos nem recebem o prometido. Preciso dizer o nome do clube?

    Já que esse assunto me fez lembrar o clube, alguma novidade na operação rouba-jato ocorrido no ex-eldorado paraense?

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  6. Edson, Ciro se sair – e acho que até fim de abril ou maio isso poderá acontecer – será para time de Série A, Figueirense ou Chapecoense. Não vai sair pra ser reserva em time que se equilibra na B.

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  7. Esses times do interior não torcida.

    Deveriam investir numa mão de obra barata, jogadores locais e da base

    Mas adoram formar sucatões

    Basta um sucatão desse não receber direito que acaba com um time desses.

    O pior disso, é que os caras não sabem escolher técnico, imaginem jogadores

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  8. Verdade Gerson, pra fazer o mal, não falta gente ruim, mas já foi resolvido o atleta já negou acredito que o Paysandu não tem interesse, pelo menos por enquanto….bola que rola e vamos esperar os jogos e ver quem levará o primeiro turno.

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  9. Se eu não estiver enganado esses dados divulgados pela CBF não condizem fielmente com a realidade, visto que não levam em conta os direitos de imagem que muitas vezes é a maior parte do que o atleta recebe do clube.

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  10. Gerson, duas perguntas impertinentes: 1) Todo jogador brasileiro ganha direito de imagem ? No Pará, quem paga esse bônus?
    2) Qual o grau de confiabilidade dessa pesquisa salarial da CBF, em termos de retratar a realidade do mercado nacional, se a maioria dos jogadores brasileiros ganha aquele “por fora”, não registrado em carteira ?

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