Remo x Independente – comentários on-line

Campeonato Paraense 2016 – semifinal do turno

Remo x Independente – estádio Jornalista Edgar Proença, 18h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Ronaldo Porto narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Paulo Fernando, Paulo Caxiado, Hailton Silva, Mauro Borges e Francisco Urbano. Banco de Informações – Adilson Brasil.  

Semifinal equilibrada

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POR GERSON NOGUEIRA

A crise de identidade que o Remo mostrou ao longo da fase classificatória do turno não impediu sua chegada à semifinal, mas deixou o torcedor de orelha em pé, angustiado com a instabilidade vista em praticamente todas as partidas. Para o jogo contra o Independente, hoje à tarde, a expectativa é de um time mais arrumado, com aproximação entre os setores e sem buracos no setor de marcação.

Boa parte dos problemas azulinos tem origem no desajuste no meio-de-campo. Apesar de contar com dois bons armadores – Eduardo Ramos e Marcos Goiano -, a equipe sofre com a falta de volantes marcadores à frente da linha de zaga.

Alisson e Michel, que enfrentaram o Cametá no domingo passado, ainda deixam a desejar nos desarmes e sobrecarregam a dupla de zaga Max-Ítalo porque não conseguem combater e neutralizar os atacantes adversários. Com isso, todas as jogadas em direção à área azulina terminam estourando em cima dos zagueiros.

No Parque do Bacurau, o técnico Leston Junior sanou o problema já na metade final do segundo tempo, lançando Yuri para bloquear as insistentes e perigosas tentativas do Cametá pelo lado direito da defesa azulina.

Além do problema à frente da zaga, o Remo sofre com o rendimento insatisfatório nas laterais. Murilo ainda não alcançou o nível de Levy pelo lado direito e, improvisado pela esquerda, Levy não consegue ser eficiente como na posição de origem.

Com isso, o ataque e o setor de criação acabam sacrificados também. Léo Paraíba, que entra com a função de ajudar Murilo na marcação, cansa rápido e não consegue ajudar Ciro lá na frente, enquanto Eduardo Ramos e Marco Goiano se distanciam e ficam mais vulneráveis à marcação. Os treinos da semana serviram para que o técnico tentasse corrigisse posicionamentos, sem fazer mudanças na escalação.

Artilheiro do campeonato, Ciro é a principal atração do jogo. Apesar de todas as dificuldades de criação e do isolamento no ataque, ele tem conseguido se sobressair pela agilidade na área e a capacidade de finalização.

O Independente tem exibido regularidade ao longo da campanha. A exemplo do Remo, sofreu apenas uma derrota (para o Papão, em Tucuruí) e tem como ponto alto a segurança defensiva, com o zagueiro Ezequias como destaque. No esquema montado por Lecheva, o lateral Jaquinha funciona como importante municiador do ataque, ao lado dos meias Fabrício e Alexandre. No ataque, Monga é o homem de referência, levando muito perigo no jogo aéreo.

Apesar da ligeira vantagem que o Remo leva pelo fator campo e torcida, a semifinal tem tudo para ser equilibrada e interessante do ponto de vista das propostas táticas.

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Fifa: mudança ou mais do mesmo?

Com o apoio de europeus e sul-americanos, o suíço-italiano Gianni Infantino chega à presidência da Fifa com desafios gigantescos pela frente. Braço direito de Platini na Uefa, o dirigente terá que desfazer a desconfiança geral de que é mero seguidor das práticas de Platini, banido do futebol por receber propina do ex-presidente Josef Blatter. Além disso, Infantino precisa trabalhar com afinco para sanear a entidade e afastar os vestígios do lamaçal deixado pela era Blatter.

As deliberações do Conselho de Reformas mostram que, pelo menos no papel, a intenção é mudar. Foi criado o Conselho da Fifa, substituindo ao desgastado Comitê Executivo. Na prática, o novo organismo cuidará da parte estratégica, enquanto o Secretariado Geral fica com as ações operacionais e comerciais.

Depois de 18 anos de era Blatter, a Fifa impõe limite para o tempo de mandato dos novos presidentes, a começar por Infantino. A partir de agora, mandatários e demais dirigentes só podem permanecer por 12 anos no cargo. Ainda é muito, mas já significa um avanço em relação ao sistema flexível de antes.

Com um aceno ao politicamente correto, o Conselho decidiu também inserir no estatuto da entidade a preocupação com a presença da mulher no futebol. O objetivo é dar espaço ao segmento feminino e criar “mais diversidade nas tomadas de decisão”.

Outro ponto que deve ser saudado é a decisão de divulgar a remuneração do presidente, dos membros do Conselho, do secretário-geral e dos ocupantes de cargos relevantes na organização. Ao mesmo tempo, haverá mais rigor no controle das movimentações financeiras.

Passa a ser item dos estatutos da Fifa o compromisso com os direitos humanos. Além disso, foi criado um comitê especial para garantir maior transparência, com a presença de representantes de outras áreas vinculadas ao futebol – jogadores, clubes e ligas.

Resta saber se todas essas resoluções irão funcionar efetivamente, mesmo porque as velhas práticas continuam valendo na Fifa. O tom nababesco de antes foi repetido no derrame de mordomias aos participantes do congresso extraordinário da entidade, convocado para a eleição do novo presidente.

A propalada disposição de virar a página era desmentida pela opulência do evento e o gasto com as diárias dos congressistas em Zurique, avaliadas em R$ 2,4 milhões, sem incluir bilhetes aéreos e hospedagem. Cada representante de confederação – entre os quais, o presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes – recebeu R$ 4 mil/dia para “gastos pessoais”.

A única mudança em relação ao período de porteira aberta é que o dinheiro para despesas pessoais não foi entregue em envelopes, mas depositado na conta bancária de cada congressista. Como se vê, a velha e a nova Fifa são bastante parecidas.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 27)