Oposição tenta enfraquecer Lula para eleição de 2018

POR JORGE FURTADO (*)

Nunca houve uma perseguição política contra um homem público como a que a direita e sua mídia estão fazendo agora contra Lula. O objetivo é só um: tentam enfraquecê-lo para a eleição de 2018 quando pretendem, pela quinta vez, retomar o poder que perderam em 2002.

Getúlio e Jango, outros dois presidentes que desagradaram interesses da elite brasileira (aumentaram o salário mínimo, protegeram a Petrobras dos interesses americanos, etc.), sofreram perseguição semelhante em 1954 e 1964, mas na época os jornais, rádios e tevês falavam sozinho e foi mais fácil e rápido derrubar os presidentes democraticamente eleitos.

A resistência contra um golpe de estado hoje seria bem maior. O fato de Lula ser um sobrevivente do apartheid brasileiro, sem a vocação suicida de um fazendeiro rico e deprimido como Getúlio, e a memória da tragédia da ditadura militar que sucedeu Jango, sugerem que desta vez a direita terá que voltar ao poder pelo voto.

imagesPor isso a campanha midiática contra Lula é tão importante e de intensidade inédita. A notoriedade que hoje dão às decisões de um juiz medíocre de primeira instância em Curitiba e sua turma de policiais e procuradores tucanos é parte deste espetáculo grotesco, onde a imprensa de direita é, mais uma vez, a protagonista.

Aparentemente, a campanha está funcionando. Cresce o número de midiotas – leitores sem tempo para ir além dos telejornais e das manchetes da velha imprensa, onde pouco jornalismo sobrevive – que acreditam que Lula cometeu vários crimes, embora eles não saibam citar nenhum, se perguntados.

Os midiotas também não sabem em quem pretendem votar, não tem projeto algum para o país, não são a favor de nada ou de ninguém, são apenas “contra o Lula” e “contra o PT”.

Você não verá midiotas defendendo os políticos de oposição, até porque as opções são tão frágeis que eles sonham com a invenção de algum novo Collor, como Joaquim Barbosa, a tempo de enfrentar Lula ou algum candidato apoiado por ele – Ciro Gomes, por exemplo – antes de 2018.

Esta lógica, votar em “qualquer coisa menos o PT”, já produziu aberrações como Ivo Sartori, o desgovernador do Rio Grande do Sul. Se a midiotice tem poder suficiente para provocar estrago semelhante no país, descobriremos em 2018.

Jornal The Independent acaba com edição impressa

1031244

DO JORNAL PÚBLICO, de Lisboa

O jornal britânico The Independent vai deixar de ter edições em papel, mantendo-se unicamente como plataforma online a partir do final de março. Os rumores sobre uma mudança radical já circulavam nos últimos dias e Evgueny Lebedev, presidente da Evening Standard, Ltd, que comprou o jornal em 2010, confirmou a mudança nesta sexta-feira.

A última edição em papel do The Independent será publicada a 26 de março. A versão de domingo do jornal, o Independent on Sunday, também acaba, com a última impressão no dia 20 do mesmo mês. Além disso, o i (um jornallow cost com uma circulação de 275 mil exemplares por dia) será vendido ao grupo rival Johnston Press, dependendo da validação dos accionistas deste grupo. O negócio será feito por valores a rondar os 30 milhões de euros, diz oGuardian.

Lebedev fez o anúncio através de uma carta enviada na manhã desta sexta-feira a todos os funcionários do Independent. “Hoje, os títulos doIndependent anunciam uma transição histórica”, começa por dizer o empresário russo.

Na carta, o dono da ESI Media explica que ele e a administração se viram confrontados com a necessidade de tomar uma decisão entre “continuar a gerir o declínio constante do papel” ou converter-se para o digital, “que já tem fundações criadas e sustentadas”. Como indicador, referiu números em relação ao volume de leitores online, que aumentou 33% nos últimos 12 meses, superando agora os 70 milhões.

“Seremos os primeiros de muitos jornais de topo a abraçar o futuro totalmente digital”, prossegue a carta, afirmando que “as condições de mercado dos jornais impressos no Reino Unido indicam que esta mudança é inevitável”. Esta alteração deverá implicar um corte no número de funcionários, mas não se sabe ao certo quantas pessoas serão despedidas.

Um “número significativo” dos trabalhadores do i deverá transitar para a Johnston Press, devido às leis de protecção dos trabalhadores existentes no Reino Unido.

Apesar disso, são prometidos 25 novos postos de criação e gestão de conteúdos digitais, assim como a abertura de escritórios com editorias especializadas na Europa, Médio Oriente e Ásia, bem como o reforço em Nova Iorque (EUA). Lebedev também anunciou a preparação de uma aplicação doIndependent para smartphones.

“A minha família comprou e investiu fortemente nestes títulos, porque acredita fortemente nos seus valores. O seu jornalismo marcou a agenda durante quase 30 anos com escrita de classe mundial, investigação e análise”, sublinha Lebedev.

Segundo o proprietário, “agora, com a mentalidade de uma start-up e toda a autoridade da sua herança, esta transição significa que a marca noticiosa mais inovadora do mundo pode embarcar para um futuro melhor”.

O The Independent (com um posicionamento político de centro-esquerda) foi criado em 1986. Em Dezembro, diz a BBC, tinha uma circulação média de 56.074 cópias por dia.

Texto editado por Hugo Daniel Sousa

Uma história de craque

POR GERSON NOGUEIRA

Quem disse que é necessário ter uma Copa do Mundo no currículo para merecer as honras de grande craque? Tanta gente boa não obteve esse galardão e ainda assim conseguiu obter reconhecimento público pela excelência de seu talento. Ademir da Guia. Falcão. Sócrates. Zico. Platini. Junior. Dirceu Lopes. Joãozinho (o pai). Figuras notórias do futebol bem jogado, mas esquecidas pelos técnicos de plantão ou impedidas pelos chamados atalhos da sorte.

Pode-se acrescentar um nome mais recente, de um jogador que até pouco tempo abrilhantava o futebol brasileiro, com categoria e destreza para dribles, lançamentos e chutes. Alex, ídolo das torcidas de Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe.

Pois o bom Alex, além de craque indiscutível, é também um cara bom de papo e tem uma história digna de atenção. Estou justamente concluindo a leitura de “Alex, a biografia” (Ed. Planeta), escrita por Marcos Eduardo Neves, autor também de “Heleno”, um festejado estudo sobre o boleiro mais doidaço que o Brasil já viu e que honrou a Estrela Solitária nos anos 50.

Ao historiar a vida de Alex, Marcos Eduardo Neves traça um esclarecedor painel do futebol brasileiro moderno, suas relações intrincadas com empresários, a autonomia de alguns “professores” e o poder de dirigentes que agem ainda como sultões.

Como tantos outros rapazes latino-americanos, sem parentes importantes e sem grana no banco, Alex deu seus primeiros passos na várzea e migrou para o futsal, abrigado na AABB paranaense, que lhe pagava a passagem de ônibus e ainda fornecia um dinheiro para o lanche diário.

De família humilde, morador da periferia curitibana, Alex passou a infância nos campinhos de barro e lama, sujando o calção e aperfeiçoando fundamentos. O ingresso num clube organizado para disputar futsal permitiu a ele mostrar toda a categoria no trato da bola. Fez tantas façanhas em quadra que logo foi notado por um olheiro do Coritiba.

Sob a batuta de Paulo César Carpegiani, Alex foi ganhando lugar no Coxa pela técnica apurada e a privilegiada visão de jogo. Naquele tempo, o clube ambicionava voltar à Primeira Divisão. Graças ao futebol do menino franzino, mirradinho e de cabelo pixaim, acabou atingindo o objetivo. Na obra, fica claro que mesmo nesse período o jogador já nutria noções claras de consciência profissional.

Era sempre atento à exploração e aos efeitos perniciosos da má gestão no clube, então presidido por Evangelino da Costa Neves. Como milhares de outros garotos Brasil afora, Alex começou ganhando pouco e recebendo menos ainda. Mas, do pouco que entrava, reservava mais da metade para os pais, ajudando sempre em casa.

A história é ilustrativa sobre os perrengues reservados a quem abraça a carreira futebolística. Deveria ser lida por todos que anseiam pela glória nos estádios e os milhões de reais pagos aos grandes astros. Como atleta, Alex foi um exemplo de dedicação incansável aos treinos e ao aperfeiçoamento das habilidades naturais, como os chutes de longa e média distância e os passes caprichados. E aprendeu isso desde pequeno, quando vivia sempre perto de uma bola.

Em linguagem simples e objetiva, o livro aborda aspectos da vida doméstica do ex-jogador, com espaço até para o lado romântico, como a sua união com a herdeira de um dos mais respeitados empresários da construção civil no Paraná. Conheceu Daiane por intermédio do próprio pai dela, Edison Mauad, que presidia o Coritiba após o rastro de mazelas deixado por Evangelino.

Quando se transferiu para o Palmeiras em 1997, o craque buscava mais visibilidade, confiando no próprio taco e sujeitando-se inicialmente a ganhar até menos do que o Coritiba lhe pagava. A mudança de ares acabou levando ao casamento com Daiane.

Do Palmeiras foi para o Cruzeiro, com Vanderlei Luxemburgo, e em seguida participou da conquista da Copa América de 1999. Mas os bons momentos não escondem as mágoas, como o surpreendente esquecimento na lista de convocados para a Copa do Mundo em 2002.

Scolari, que sempre o elogiou e distinguiu, optou por outros armadores – Ronaldinho Gaúcho e Kaká. A ausência de Alex, então no auge da forma, até hoje não foi bem explicada. O jogador tem lá suas teorias sobre os motivos que levaram o técnico gaúcho a preteri-lo. A falsa lentidão em campo e o temperamento frio teriam contribuído bastante.

E mais não digo para não estragar o prazer de quem for ler o livro. Só posso afiançar que vale a pena.

54473e65-270a-4fa9-805d-2dd603f6d52e

—————————————————

Galo vence leilão e repatria Robinho

E o Atlético ganhou o leilão por Robinho. Corre o risco de estar festejando uma falsa conquista. Aos 32 anos, o atacante não joga em alto nível há pelo menos três temporadas. Mais que isso: demonstra cada vez menor interesse por grandes conquistas em campo. Está sem atuar desde dezembro e levará algumas semanas para entrar em forma.

No pouco competitivo futebol chinês, Robinho conseguiu a façanha de ser reserva no time do Guangzhou Evergrande, treinado por Felipão. É com este histórico que chega ao Galo, cuja determinação para trazer o jogador foi turbinada pela ajuda financeira da fábrica canadense Dry World, nova fornecedora de material esportivo do clube.

Buscavam ficar com Robinho um clube norte-americano, o Santos e o Grêmio. Em breve, saberemos quem de fato saiu ganhando neste negócio próprio do Brasil que parou no tempo após a goleada alemã na Copa 2014.

————————————————–

Vidraça da CBF fica cada vez mais exposta

Uma investigação presidida pelo promotor de Justiça Sávio Brabo tenta descobrir o destino de uma verba de R$ 3,5 milhões, repassada pelo governo do Estado, à Federação Paraense de Futebol entre 2011 e 2013.

O alvo é o presidente da entidade e atual ocupante interino da presidência da CBF, coronel Antônio Carlos Nunes, que guarda lugar para o licenciado Marco Polo Del Nero.

A informação é do blog da jornalista Franssinete Florenzano.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 12)