Escolha o maior ídolo da história do Papão

Globo anuncia o fim do programa do Jô

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POR DANIEL CASTRO

Principal talk show da história da TV brasileira, o programa de Jô Soares vai acabar no final deste ano. A temporada que estreia em 28 de março será a última. A decisão foi anunciada na última quinta-feira (18) em reunião da cúpula da Globo com diretores da área artística e autores de novelas. Quem deu a notícia foi Ricardo Waddington, diretor de gênero responsável por atrações como o Amor & Sexo, Domingão do Faustão e Altas Horas _além do próprio Jô.

Jô confirma a informação. “Já estava combinado havia dois anos, desde que eu renovei contrato”, diz. Segundo o apresentador, reuniões nas próximas semanas deverão esboçar como será a despedida da atração. “São 28 anos de programa de entrevista. Foi um belo caminho”, constata.

O futuro do apresentador e humorista ainda não foi discutido. Jô Soares tem contrato com a Globo até o final deste ano e pode renová-lo mesmo com o fim de seu talk show. Aos 78 anos, ele não pensa em se aposentar. “Claro que não vou parar de trabalhar, mas ainda é muito cedo para saber o que vou fazer”, adianta.

O fim do Programa do Jô não chega a ser uma surpresa. Desde o primeiro semestre do ano passado, a emissora já trabalha em um projeto para substituí-lo, um talk show de Marcelo Adnet. A atração deve estrear no segundo semestre em edições semanais, na chamada terceira faixa de shows da emissora  (antes do Jornal da Globo). No ano que vem, deve ocupar a vaga do Jô (ou dividi-la com outro programa). O programa de Adnet terá banda, esquetes e sofá, mas receberá apenas um convidado por edição. Um piloto foi gravado com o ator Mateus Solano.

A direção da Globo vem se preocupando com o Programa do Jô desde 2014, quando o talk show passou a ter a concorrência de Danilo Gentili no SBT e a sofrer derrotas eventuais no Ibope. Naquele ano, uma pneumonia afastou Jô do programa durante cinco semanas. Jô voltou mais frágil, sem o vigor de antes no comando das entrevistas, avaliam fontes na emissora. Mesmo assim, no final de 2014 a Globo renovou contrato com o apresentador por mais duas temporadas. Seu talk show voltou ao ar em 2015 levemente reformulado. O sexteto de músicos virou quarteto e o auditório encolheu.

Jô Soares atua na televisão desde o final dos anos 1950. No começo da década de 1960, trabalhou como produtor do primeiro talk show brasileiro, comandado por Silveira Sampaio. Em 1970, após o sucesso no humorístico Família Trapo, na Record, foi contratado pela Globo. Durante cinco meses, em 1973, apresentou seu primeiro talk show, o Globo Gente. O projeto não vingou, mas Jô não abandonou o sonho. Em 1987, após comandar programas de humor bem-sucedidos na Globo, foi contratado pelo SBT, onde, a partir de 1988, tocou o Jô Soares Onze e Meia, com o mesmo formato do Programa do Jô, que apresenta na Globo desde 2000. (Do UOL)

Manual do perfeito midiota

POR LUCIANO MARTINS COSTA, no Jornal GGN

O midiota é, antes de tudo, um fraco.

Quase sempre, emerge das fileiras nebulosas do contingente social que costuma ser chamado de “a maioria silenciosa”. Salta diretamente do estado de alienação política para o fervor do ativismo cego e raivoso, alimentado por manchetes dos grandes diários e pelo histrionismo dos apresentadores de telejornais.

Guarda muitas semelhanças com aquele perfil que, num dia de julho de 2013, a economista Marilena Chauí chamou de “uma abominação política”.

O desabafo da doutora, retirado do contexto original, ainda circula pelas redes sociais, suscitando comentários magoados de gente que se considera de classe média e, numa lógica transversa, se sentiu ofendida por suas considerações.

 

Esse é um dos sintomas que denunciam a midiotice: a pessoa se considera a legítima herdeira da nacionalidade, apesar de, no íntimo e às vezes explicitamente, sonhar com um apartamento em Boca Ratón. Também se julga a mais autêntica representação da moral, apesar de nunca perder a chance de lesar o fisco ou de levar certa vantagem indevida quando a oportunidade se oferece.

A linha que conecta a “abominação política” identificada pela professora Chauí ao autêntico midiota foi traçada há 44 anos pelo sociólogo alemão André Gunder Frank, quando estudou o subdesenvolvimento da América Latina – o Brasil incluído – e cunhou o termo “lumpenburguesia”, para definir os cidadãos que desprezam tudo que é nacional e se projetam no universo de valores do colonizador.

Esse fenômeno, comum no nosso continente, se concentra nas classes médias urbanas, quando emulam as classes dominantes que, incapazes de articular um projeto nacional próprio e representativo, se transformam em agentes do interesse externo, em detrimento da nacionalidade.

Esse conjunto de valores pode ser percebido em grande número de  articulistas, editorialistas e comentaristas onipresentes na mídia tradicional.

Por que o midiota é, antes de tudo, um fraco?

Porque foge da angústia inerente à complexidade da vida contemporânea: se a criminalidade assusta, passa a defender a pena de morte e a extensão da legislação penal aos menores de dezoito anos, esperando, com isso, que aqueles negrinhos que incomodam o bairro sejam devidamente exonerados da vida social.

Se os jornais noticiam o aumento dos crimes violentos, sai vociferando contra a Justiça, que coloca na rua os marginais reincidentes. Nem se dá conta de que a violência da própria polícia aumentou proporcionalmente mais do que aquela praticada por civis.

Também não estranha que a imprensa nunca aborda a questão da reincidência, que é desde sempre o eixo do controle da criminalidade, porque esse é um dado que não interessa aos estatísticos do Estado. Se os ciclos do capitalismo o surpreendem num momento de realocação dos capitais internacionais, culpa o governo de plantão por todos seus aborrecimentos.

E assim segue, reduzindo ao simplismo linear tudo que pode dar um nó em sua cabeça. Pensar dá trabalho. É mais cômodo sair por aí repetindo o que dizem os pitbulls da imprensa hegemônica, aqueles para os quais o idioma reservou a palavra energúmeno.

Para ver: As abominações, segundo Marilena Chauí.

Para ler: Gunder Frank e a crise brasileira, em espanhol.

*Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”

Enquete do blog aponta Rei Artur como o maior ídolo da história do Leão

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O atacante Artur, popularmente conhecido pela torcida azulina como Rei Artur, foi eleito na enquete promovida pelo blog campeão como o maior ídolo da história do Clube do Remo. Recebeu 82 votos (33.47%), posicionando-se à frente de outros nove jogadores de grande relevância na vida do clube. O gigante Alcino foi o segundo colocado, com 77 votos (31.43%) dos votos. O “azougue” Mesquita recebeu 25 votos (10.2%), ficando em terceiro lugar. Bira, grande artilheiro do clube, é o 4º, com 19 votos (7.75%).

Agnaldo, que hoje integra a comissão técnica do Leão, foi o quinto colocado, com 15 votos (6.12%). Ageu Sabiá é o sexto mais votado, com 11 votos (4.49%). Amoroso, ídolo nos anos 60, foi lembrado com 5 votos (2.04%). O goleiro Dico teve também 5 votos (2,04%). Gian vem a seguir com 3 menções (1.22%), mesma votação recebida pelo artilheiro Dadinho. Ao todo, 245 internautas participaram da enquete, realizada entre 13 e 21 de fevereiro.

‘Trensalão’ e Furnas: o lento desenrolar dos escândalos tucanos na Justiça

DO EL PAÍS

Nos últimos anos, em um processo que começou com o mensalão e avança agora com a operação Lava Jato, o brasileiro se acostumou com algo até então considerado improvável: ver políticos no banco dos réus. Ex-ministros,senadores, tesoureiros e líderes partidários foram condenados a penas de prisão em regime fechado. A lei parecia finalmente se voltar para os crimes de colarinho branco cometidos por aqueles que integram o establishment político. Se por um lado processos contra o PT e partidos de sua base aliada avançam em ritmo acelerado, o mesmo não se pode dizer dos dois grandes escândalos de gestões do PSDB. Inquéritos estacionados há anos, juízes arquivando denúncias e penas prescrevendo: esta é a história da lista de Furnas, do trensalão e do mensalão tucano.

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O primeiro caso citado trata-se de um documento de cinco páginas divulgado pela revista Carta Capital em 2006 que trazia os nomes de políticos supostamente agraciados com contribuições de campanha frutos de um esquema de caixa dois envolvendo a Furnas Centrais Elétricas, empresa de capital misto do setor elétrico, subsidiária da Eletrobras. No total, 156 políticos teriam recebido 40 milhões de reais no pleito de 2002 – 5,5 milhões teriam irrigado a campanha de Aécio Neves. Geraldo Alckmin e José Serra também apareciam na planilha. Os tucanos sempre questionaram a autenticidade do documento: “É uma das mais conhecidas fraudes políticas do País (…) uma tentativa de dividir atenção da opinião pública”, afirmou Aécio em meio ao escândalo do mensalão. Por outro lado, laudos da Polícia Federal apontaram para a legitimidade da lista.

A lista voltou à tona graças a depoimentos de delatores da Lava Jato. O doleiro e delator da operação da PF Alberto Youssef afirmou, em 2015, ter ouvido do ex-deputado José Janene (PP) —morto em 2010— que parte da propina arrecadada em contratos de uma diretoria da Furnas seria dividida com Aécio. Após analisar o conteúdo do depoimento do delator, a Procuradoria-Geral da República optou por não incluir o senador entre os investigados por considerar que faltavam evidências contra ele. Posteriormente o lobista Fernando Moura, amigo do ex-ministro José Dirceu e ligado ao PT, disse perante o juiz federalSérgio Moro que Furnas era controlada pelo tucano e operava com um esquema de propinas semelhante ao da Petrobras. “É um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio”, disse Moura. Instado a explicar a afirmação, o lobista disse que o núcleo de São Paulo seria o PT estadual e o grupo político de Dirceu, enquanto que o núcleo nacional seria o diretório nacional da legenda. Ainda segundo o delator, a indicação de Dimas Toledo para direção da estatal do setor elétrico teria sido feita pelo senador tucano, pouco depois da eleição de Lula em 2002.

“O Dimas na oportunidade me colocou que, da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou: ‘Vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio”, relatou o lobista ao magistrado. O delator chegou a ser ameaçado com a perda dos benefícios de seu acordo com a Justiça, uma vez que mudou um de seus depoimentos envolvendo Dirceu –o que o fez voltar atrás e incriminar novamente o ex-ministro de Lula de ter lhe recomendado que deixasse o país na época das denúncias do mensalão. Aécio negou qualquer envolvimento no caso, e disse que é uma tentativa do Governo de colocar no colo da oposição um escândalo que é “do PT”.

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Em março de 2012 o juiz federal Roberto Dantes de Paula remeteu o processo para a Justiça Estadual do Rio de Janeiro, onde ele voltou à etapa de inquérito –investigação preliminar. À época a procuradoria da República já havia denunciado 11 pessoas por envolvimento no esquema, entre elas o ex-diretor da empresa Dimas Toledo. Até o momento, quase quatro anos após a mudança de foro do processo, a Polícia não apresentou suas conclusões sobre o caso para que o Ministério Público possa oferecer nova denúncia. A reportagem não conseguiu falar com a delegada Renata Araújo dos Santos, da Delegacia Fazendária do Rio, responsável pela investigação.

Cartel de trens e metrô

O outro escândalo tucano é ainda mais antigo que a lista de Furnas. Batizado detrensalão, trata-se de um esquema de pagamentos de propina e formação de cartel para disputar licitações do Metrô e da CPTM no Estado de São Paulo. Os primeiros indícios de corrupção do caso surgiram em 1997, durante o Governo do tucano Mário Covas, morto em 2001. À época a Polícia Federal indiciou 10 pessoas ligadas à gestão do governador. Dez anos depois, supostas propinas pagas pela empresa Alstom começam a ser investigadas em vários países, e em 2008 um funcionário da Siemens detalha o esquema de propinas em projetos do Metrô e da CPTM de São Paulo e do Metrô do Distrito Federal. Posteriormente, a Siemens decidiu procurar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica para delatar a existência do cartel. Mais de uma dezena de processos do caso tramitam na Justiça, a maioria deles relacionados a contratos superfaturados para reforma e manutenção de trens. O período no qual o cartel agia abrange os Governos dos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin, e José Serra, além de Claudio Lembo, que à época era do PFL (atual DEM). Nas estimativas do MP, o esquema pode ter dado prejuízos de mais de 800 milhões de reais aos cofres públicos.

Até o momento, apenas executivos das empresas envolvidas foram denunciados, nenhum político com foro privilegiado responde na Justiça pelo caso. Alckmin afirma que o Estado foi a grande vítima do caso: “O Governo do Estado entrou com uma ação contra todas as empresas, inclusive exigindo indenização do erário público”. Já Serra garante que durante sua gestão o preço dos serviços contratados baixou: “Nós fizemos uma luta anticartel, para pagar 200 milhões de reais a menos”.

A tramitação dos processos, no entanto, não ocorre sem entreveros. Uma das denúncias do MP contra o ex-executivo da Siemens Marco Missawa foi arquivada pelo juiz Rodolfo Pellizari. Especialistas consultados pelo EL PAÍS afirmam que é bastante raro que o juiz peça o arquivamento de uma denúncia robusta do Ministério Público. No final de 2015 o Ministério Público recorreu da decisão, e o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou em dezembro passado que o magistrado aceite a denúncia: “Da mesma forma como não se aceita condenação precipitada, desrespeitando-se os princípios do contraditório e da ampla defesa, também não se aceita decisão prematura”, disseram os juízes.

O promotor Marcelo Mendroni, responsável pelo processo, questiona a isenção deste juiz para julgar um caso que ele já mandou arquivar. “Fica difícil não dizer que haverá uma certa suspeição, uma vez que o juiz achava que a evidência não era suficiente nem para aceitar a denúncia, dificilmente vai achar suficiente para condenar”, afirma. “Mas não há o que fazer”. Mendroni diz também que não é possível comparar as investigações do cartel de trens em São Paulo com a Lava Jato, uma vez que as operação que apura corrupção na Petrobras conta com uma força-tarefa com vários promotores: “Aqui nós vamos nos desdobrando”. O promotor acredita que ainda neste semestre terá início o julgamento.

Em fevereiro de 2015 o Supremo Tribunal Federal arquivou um pedido para investigar o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP) e o ex-deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), que haviam sido citados por um executivo da Siemens como beneficiários de propinas no esquema de fraudes do trensalão. Até o momento ninguém foi condenado no caso.

Mensalão tucano

A figura mais emblemática da suposta impunidade tucana é o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB). Ele foi condenado em dezembro de 2015 a 20 anos e dez meses de prisão em regime fechado por peculato e lavagem de dinheiro no caso conhecido como mensalão tucano, ocorrido há 17 anos. Os crimes, supostamente ocorridos em 1998, foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República apenas em 2007. No ano passado, após a PGR pedir pena de 22 anos para o então deputado federal, ele renunciou ao mandato. Com isso, ele perdeu o foro privilegiado mas ganhou tempo, pois o julgamento do seu caso voltou para a Justiça comum, em primeira instância. Entre o Supremo Tribunal Federal –que o julgaria se mantivesse o foro– enviar o processo de volta à Vara correspondente e a juíza Melissa Pinheiro Costa Lage emitir sua decisão nesta quarta, se passaram 21 meses. Como a decisão foi de primeira instância, ele poderá aguardar a tramitação de seus recursos em liberdade, e existe a expectativa de que os crimes atribuídos a ele tenham prescrito antes de acabarem os recursos. Neste caso, Azeredo não chegará a cumprir pena alguma.

À época da remessa dos autos do STF para a Justiça comum, o então presidente da Corte, Joaquim Barbosa, criticou a manobra do tucano: “O processo tramita aqui há nove anos […]. Só de abertura da ação penal vamos para mais de quatro anos. Não parece bom para o tribunal permitir essa valsa processual, esse vai e volta”. A demora da Justiça em condenar os responsáveis pelo mensalão tucano não passou despercebida pela juíza. “Triste se pensar que, talvez toda essa situação, bem como todos os crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, tanto do presente feito, quanto do mensalão do PT, pudessem ter sido evitados se os fatos aqui tratados tivessem sido a fundo investigados quando da denúncia formalizada pela coligação adversária perante a Justiça Eleitoral.

A argentinização do futebol brasileiro

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POR JOÃO MARCONDES (*)

Dentre as idiossincrasias do futebol brasileiro, uma talvez se destaque de forma sanguínea: o direito de tratar os jogadores em campo como escravos gladiadores em uma arena de leões (curioso os novos estádios chamarem-se “arenas”).

Eles devem ser humilhados, xingados, execrados e, a uns poucos, restará a glória.

Isso pode ocorrer em menor grau em outros países. Aqui ocorre sempre.

Certa vez, em um jogo do São Paulo no Morumbi, vi um cara se esgoelar em impropérios, as veias saltando no pescoço roxo, para o pobre volante Maicon (hoje sucesso no Grêmio) e, em seguida, comentar com baba escorrendo pelos cantos da boca. “A Dilma está destruindo o Brasil, aqui pelo menos a gente berra.”

No mesmo São Paulo, alguns jogadores estão rapidamente virando Genis buarquianas: Lucão, Centurión, Michel Bastos.

Perplexo com o tratamento, o sensível atacante argentino constantemente reclama em suas redes sociais: “Vocês não sabem o que passei para estar aqui, a minha história”, diz ele. “Vocês precisam me dar uma chance”.

Errado, caro centurião romano, você não sabe o que é pisar nesses gramados pentacampeões depois da humilhação dos 7 a 1.

Técnicos argentinos como Edgardo Bauza e Gareca inflaram suas equipes com jogadores de seus país.

Todos eles esperam que a torcida daqui aja como a de lá – apoio incondicional, com cânticos de incentivos durante 90 minutos.

Tal argentinização começa a ter adesão na imprensa respeitável, que tece loas às hinchadas do país vizinho, como se fossem o verdadeiro modelo de comportamento. O real jeito de torcer.

Ora, não há verdadeiro jeito de torcer.

“Deve-se amar o time mesmo na derrota”, é o pensamento.

Por causa disso, vale dizer, já há até uma certa tendência de tolerância por aqui.

Uma das torcidas uniformizadas tricolores, por exemplo, apoiou Lucão antes do jogo de ontem contra o The Strongest.

Mas bastou o time boliviano ganhar em solo tupiniquim para nossa boa e velha índole voltar com toda a força.

Devemos ser como os argentinos, amar nossos times e jogadores, independentemente de resultados e atuações?

Para mim, a resposta é: não conseguiremos, não queremos.

Em nossa cultura, os jogadores devem sim ser degolados ao mínimo erro.

Queremos sangue.

O que não é bom ou ruim.

É apenas como somos.

João Marcondes é jornalista.