Decisão judicial exclui da internet vídeo de reportagem que denuncia promotora

DO COMUNIQUE-SE

Quando foi publicada, em 16 de novembro de 2015, a matéria “Mães de Maio denunciam promotora por ‘criminalizar’ movimento”, veiculada pela Ponte, tinha um vídeo que complementava as informações do texto. Nesta semana, o conteúdo hospedado no YouTube precisou ser retirado do ar. O motivo? Uma decisão da juíza Luciana Castello Chafick Miguel, da 3ª Vara da Comarca de Cubatão (SP). Para o site de reportagens investigativas, a medida se trata de clara censura.

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A matéria assinada pelos conhecidos jornalistas André Caramante e Fausto Salvadori mostrava vídeo em que a promotora Ana Maria Frigério Molinari, da Procuradoria de Justiça de Praia Grande (SP), acusa o grupo de direitos humanos Mães de Maio de ser formado por traficantes de drogas. O problema é que ela fez as afirmações, mas não apresentou provas. Ana comentou na época que teria recebido informações de que as mulheres, após perderem seus filhos em maio de 2006, teriam passado a gerenciar pontos de venda de drogas com o apoio da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

As declarações de Ana foram feitas e filmadas durante uma audiência de instrução na 3ª Vara Criminal de Cubatão, em que a promotora aparece respondendo a perguntas feitas pelo advogado de três policiais militares, Cristian David Almeida de Castro, José Roberto de Andrade e Rudney Queiroz de Almeida, acusados de sequestrar um homem e armar contra ele uma falsa acusação de porte ilegal de arma.

Depois da divulgação do vídeo na Ponte, Débora Silva, que faz parte do grupo Mães de Maio, criticou a promotora e afirmou que Ana estaria criminalizando um movimento de direitos humanos com acusações falsas. Débora chegou a exigir que a promotora fosse afastada do Ministério Público. A proibição do vídeo na página só aconteceu depois disso e, segundo a juíza que decidiu, se trata de sigilo no processo envolvendo os policiais, relatado acima.

Advogada da Ponte, Giane Álvares Ambrosio falou sobre o caso. Ela afirma que a decisão da Justiça viola o direito de informar e impede o livre exercício da profissão de jornalista. “Um portal noticioso de internet obedece, no que ao jornalismo se refere, a regras próprias, sendo das mais importantes a que estabelece seu caráter multimeios. Imagem e movimento, imagem em movimento, não apenas enriquecem o canal noticioso e a própria notícia, mas constituem modo e fundamento importante da notícia em portais de internet, quando o acesso é rápido e rapidamente desviado para um próximo endereço”, comenta a advogada.

A Ponte lembra que essa não é a primeira vez que o caso de censura acontece. Em 2015, uma determinação do juiz de Direito Substituto do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP), Dalton Abranches Sabi, fez com que o site tivesse que retirar do ar a reportagem “Leia na íntegra os documentos da investigação sobre as 19 mortes em série em Osasco e Barueri”, divulgada em 9 de setembro do ano passado.

Musas do blog

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Sophia Loren, nome artístico de Sofia Villani Scicolone, é uma das maiores atrizes italianas, um símbolo sexual nos anos 50 e 60 e um ícone do cinema. Nascida em Pozzuoli, em Nápoli, há 81 anos, construiu uma carreira recheada de sucessos populares e aclamações da crítica. “Girassóis da Rússia”, “Matrimônio à Italiana”, “Duas Mulheres”, “El Cid”, “Um Dia Muito Especial”, “A Travessia de Cassandra” e “Arabesque” são alguns de seus filmes mais conhecidos.

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O delator e o contrato do Grupo Globo

Em junho passado, quando foi chamado para depor na CPI do Senado, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, fez uma grave denúncia

POR ALTAMIRO BORGES, na Carta Maior

O sempre antenado Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, aproveitou a onda midiática em torno da “delação” de Paulo Roberto Costa para cavar uma bombástica notícia. Em junho passado, quando foi chamado para depor na CPI do Senado, o ex-diretor da Petrobras fez uma grave denúncia: “Para conhecimento de vocês, eu tenho um contrato assinado para vender uma ilha das Organizações Globo”. A mídia venal, que age como a máfia na proteção dos seus bandidos,  sequer mencionou o fato. O “delator” não virou capa da Veja naquela ocasião. Willian Bonner, Patrícia Poeta, Willian Waack e outros apresentadores dos telejornais globais também não mencionaram o fato.

Um dos poucos sites que divulgou a denúncia foi o da liderança do PT na Câmara Federal. Vale conferir a matéria:

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Ex-diretor refuta ilações sobre Petrobras

e revela contrato com Organizações Globo

(10 Junho de 2014 – Site da Liderança do PT na Câmara Federal)

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, refutou, na CPI do Senado que investiga supostas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, ilações que tentam comprometer a Petrobras. Ele revelou também que sua empresa mantém negócios com as Organizações Globo. Paulo Roberto lembrou que passou mais de 50 dias preso e massacrado por setores da mídia, como a Globo, com quem mantém contrato.

A revelação foi um dos pontos marcantes da CPI, nesta terça-feira (10). Em seu relato, o ex-diretor confirmou que é o dono da empresa de consultoria Costa Global e que entre os seus contratados estão as Organizações Globo. “Para conhecimento de vocês, eu tenho um contrato assinado para vender uma ilha das Organizações Globo”, revelou.

De acordo com o ex-diretor, a ilha situa-se na rodovia Niterói-Manilha. Ele frisou que o contrato firmado com as organizações da família Marinho era para que a Costa Global procurasse um leasing imobiliário para vender a área. Segundo ele, o objetivo do negócio era dar apoio para a operação offshore que atuaria para empresas que trabalhavam com a Petrobras, com a Shell, e com outras empresas que têm atividades de produção na Bacia de Campos. “Até para as Organizações Globo estamos prestando serviço”, reafirmou Paulo Roberto.

O ex-dirigente disse ainda que constituiu a Costa Global em 2012, após sua saída da estatal. Ele contou que a sua filha, Arianna Azevedo Costa Bachmann, é sua sócia e que a empresa possui 81 contratos firmados.

No decorrer de sua exposição, Paulo Roberto da Costa repudiou com veemência as “inveracidades” das acusações do Ministério Público contra a Petrobras e criticou o foco dado pela imprensa brasileira à questão.

“A Petrobras é uma empresa totalmente séria. Pode-se fazer auditoria por 50 anos dentro da Petrobras que não vão achar nada ilegal porque não há nada ilegal na Petrobras. Estão colocando a Petrobras na condição de uma empresa frágil”, afirmou. Ele observou que os controles dentro da estatal são enormes.

Abreu e Lima – Ele refutou as denúncias de suposto superfaturamento nos contratos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “Não é real. É uma ilação. Portanto, repudio veementemente essa suposição. Não existe organização criminosa. Não sei por que inventaram essa história. É uma história fora da realidade”, lamentou.

Operação Lava Jato – Paulo Roberto da Costa foi preso em março na Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia Federal. A Operação da PF investigou esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em seu depoimento ele foi enfático em afirmar que não existe lavagem de dinheiro da Petrobras com o doleiro Alberto Youssef, também preso pela PF.

“Não sei de onde tiraram essa história. A Polícia Federal, o MP deveriam aprofundar essa análise da Petrobras, que vão chegar à conclusão de que a Petrobras não é o que estão falando. A Petrobras é uma empresa que orgulha o povo brasileiro”, afirmou.

Pasadena – Sobre a aquisição da refinaria de Pasadena, Paulo Roberto voltou a dizer o que os seus antecessores afirmaram em depoimentos na CPI. “Naquele momento era um bom negócio. Ninguém coloca petróleo cru na indústria, no carro ou no avião. Ter refinaria é algo importante e estratégico”, reafirmou.

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É certo que não dá para confiar nas denúncias de Paulo Roberto Costa – assim como a revista Veja e o restante da mídia não deveriam apostar todas suas fichas na sua “delação premiada” com nítidos objetivos eleitorais. Mas no caso das Organizações Globo – agora ela mudou de nome para Grupo Globo, não se sabe por qual razão –, a sua acusação mereceria ser apurada. Infelizmente, a maioria dos deputados e senadores tem um misto de sedução e medo diante da poderosa emissora. Até hoje, nenhuma suspeita sobre a Rede Globo foi investigada. Já no seu nascedouro, o contrato ilegal com a estadunidense Time-Life foi arquivado. Mais recentemente, as denúncias sobre sonegação fiscal também caíram no esquecimento.

Apesar deste triste retrospecto, não custa sugerir ao suspeitíssimo Ministério Público que investigue o contrato de venda de uma ilha do Grupo Globo. Segundo relata Fernando Rodrigues na Folha deste domingo (7), “os próximos passos da Operação Lava Jato devem ser investigar empreiteiras, diretores dessas empresas e contas no exterior usadas para o pagamento de propinas a partir de negócios da Petrobras… No depoimento de Paulo Roberto Costa, há elementos que indicam de maneira detalhada como eram abertas contas bancárias no exterior. Ele detalhou quais são as empreiteiras, quem eram os diretores e presidentes dessas empresas, onde são as contas bancárias e quem eram os beneficiários de desvios”.

Até hoje, nenhum corruptor foi preso no país. Será que o Grupo Globo, da bilionária família Marinho, será investigado algum dia? A conferir!